Contrato da Petrobras com distribuidoras flexibiliza retirada de combustíveis, dizem fontes

A Petrobras reduziu o fornecimento de combustíveis para distribuidoras brasileiras afetadas pela queda na demanda provocada pela pandemia de coronavírus, mas isso não implica em qualquer problema contratual, disseram duas fontes com conhecimento do assunto à Reuters.

Os contratos com as clientes da estatal foram feitos no modelo conhecido como “take or pay”, que permite essa flexibilização em momentos específicos e imprevisíveis.

Essa redução nas retiradas de combustíveis está sendo feita no momento em que a demanda pelos principais derivados de petróleo da Petrobras, diesel e gasolina, caiu mais de 50%, segundo uma das fonte da empresa.

“Os contratos com as distribuidoras possuem cláusula de ‘take or pay’, que flexibilizamos”, disse à Reuters uma das fontes.

“Isso faz parte de contratos. Estamos em crise (de pandemia) Temos que negociar”, afirmou a segunda fonte.

A pandemia de Covid-19 provocou um onda global de restrições ao transporte, com as recomendações de isolamento para evitar a propagação do vírus.

Com menos demanda das empresas e consumidores, os compromissos de compra de produtos da Petrobras, firmados no passado, ficaram “com sobras”.

Os termos contratuais e volumes vendidos atualmente não foram revelados pelas fontes.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

IMPACTOS DA QUEDA
O setor de combustíveis vem sendo um dos mais afetados pela redução no consumo, com diversos elos da cadeia sendo impactados, incluindo os produtores de etanol e biodiesel.

A Raízen, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil, declarou força maior em contratos de compra de etanol de usinas locais.

A Raízen, além de distribuidora de combustíveis, também é a maior produtora de açúcar e etanol de cana do mundo.

Mas, com o contrato de “take or pay”, as distribuidoras não precisaram declarar força maior para reduzir compras de combustíveis da Petrobras, que detém quase a totalidade do refino de petróleo no Brasil.

“Não há nenhum problema com as distribuidoras. Ninguém declarou força maior (para a Petrobras)”, afirmou a segunda fonte.

A BR Distribuidora, na qual a Petrobras ainda é acionista, após vender o controle, relatou anteriormente que não declarou força maior a produtores de etanol, mas buscou trabalhar “na busca do melhor formato que flexibilize e viabilize a operação de modo equilibrado e coerente para ambas as partes”.

No caso do mercado de biodiesel, regulado pela ANP, que faz leilões para atender obrigações de mistura no diesel, os compromissos de retirada do combustível também estão ameaçados.

A BR Distribuidora propôs na véspera reduzir em cerca de um quarto o percentual mínimo obrigatório de retirada do biodiesel a ser contratado junto aos produtores no próximo leilão do biocombustível.

O movimento das distribuidoras, na visão de produtores de biodiesel, feito majoritariamente de óleo de soja no Brasil, pode afetar produção de farelo de soja, importante ingrediente da ração animal, afirmou a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Agência Reuters

Petroleira hiberna 6 plataformas em 5 campos da Bacia de Campos

A Petrobras comunicou em carta a sindicato de petroleiros que irá hibernar seis plataformas de produção de petróleo e gás em cinco campos na Bacia de Campos, como parte das medidas empenhadas para reduzir custos em meio a uma crise do setor de petróleo, conforme o documento visto pela Reuters.

As medidas ocorrem enquanto a companhia busca se adaptar ao novo cenário de preços do petróleo, que sofreram queda de cerca de 50% neste ano, diante de uma retração da demanda por influencia do novo coronavírus e de uma guerra de preços travada por Arábia Saudita e Rússia.

Na carta, datada de quarta-feira, a petroleira estatal reafirmou ver a atual crise da indústria do petróleo como a pior dos últimos 100 anos.

“O cenário de incerteza é tamanho que precisamos ir além e tomar medidas preventivas para redução de desembolso e preservação do nosso caixa, a fim de reforçar a solidez financeira e a resiliência dos nossos negócios”, disse a carta.

“Essas medidas incluem parada de algumas unidades de produção, postergação e redução de gastos com pessoal e dividendos, entre outras.”

As plataformas a serem hibernadas na Bacia de Campos são Cherne 1 e 2, no campo de Cherne; Namorado 1 e 2, no campo de Namorado; Petrobras-09, nos campos de Congro e Corbina; e Garoupa, no campo de Garoupa, segundo o documento, assinado pela gerente setorial de Relações Sindicais, Marta Garcia.

O comunicado veio após a empresa ter informado neste mês corte de 200 mil barris diários de sua produção e fixado um patamar de 2,07 milhões de barris por dia (bpd) de bombeamento para abril, ante média de 2,394 milhões de bpd registrada no último trimestre de 2019.

Ainda no documento, a Petrobras citou que medidas em curso pela companhia incluem parada de algumas unidades de produção, postergação e redução de gastos com pessoal e dividendos, entre outras.

Agência Reuters

Plataforma da SBM no Brasil tem número “significativo” de infectados por Covid-19

Um “número significativo de tripulantes” a bordo de plataforma de petróleo e gás do tipo FPSO da gigante de afretamento SBM Offshore testou positivo para Covid-19, informou a companhia em um posicionamento na quinta-feira.

A empresa afirmou que os trabalhadores estão recebendo atenção médica e sendo monitorados de perto e que “mantém contato próximo com as autoridades brasileiras e com o cliente Petrobras para gerenciar a situação”.

A empresa não informou identidade das pessoas nem o nome da embarcação.

“Algumas pessoas já desembarcaram e estão recebendo atendimento médico em terra”, disse a SBM, no posicionamento.

Agência Reuters

Opep confirma acordo para corte de 10 mi bpd na produção de petróleo em maio e junho

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, que formam grupo conhecido como Opep+, chegaram a um acordo para reduzir a produção da commodity em 10 milhões de barris por dia (bpd) em maio e junho, com o objetivo de ajudar na sustentação dos preços diante da crise do coronavírus, disse o grupo em comunicado.

A Opep+ acrescentou que entre julho e dezembro os cortes serão reduzidos a 8 milhões de bpd, e a partir de então flexibilizados para 6 milhões de bpd entre janeiro de 2021 e abril de 2022.

O comunicado do grupo não mencionou condições para redução de bombeamento por países de fora do bloco.

A Opep+ disse ainda que realizará uma nova reunião por videoconferência em 10 de junho para avaliar o mercado.

Agência Reuters

Russos e sauditas superaram questões que impediam acordo sobre petróleo, diz Dmitriev

Rússia e Arábia Saudita superaram as diferenças que poderiam atrapalhar os planos de implementar grandes cortes na produção de petróleo, que visam sustentar os preços da commodity em meio à crise do coronavírus, disse o chefe do fundo soberano russo.

Kirill Dmitriev, que é também um dos principais negociadores de Moscou em questões relacionadas a petróleo, afirmou à Reuters que as medidas para reduzir a oferta precisam do apoio tanto da Opep+, grupo que inclui russos e sauditas, quanto de outros países não participantes da aliança informal.

Agência Reuters

Vale prevê antecipar quase R$1 bi em pagamentos em ajuda a pequenas e médias empresas

A Vale prevê antecipar um total de 932 milhões de reais em pagamentos a pequenas e médias empresas até o fim de abril, se considerados desembolsos já feitos desde o início da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, disse a mineradora em comunicado ao mercado.

Do montante total, já foram pagos 521 milhões de reais, beneficiando 1.694 pequenas e médias empresas nas últimas duas semanas.

A estimativa da companhia é injetar mais 411 milhões de reais na economia brasileira em antecipações de pagamentos até o fim deste mês, segundo o comunicado.

“O objetivo da Vale com esta iniciativa é usar sua presença na base da cadeia produtiva e capacidade de mobilização para ajudar os fornecedores a enfrentar os impactos da pandemia”, disse a mineradora.

Agência Reuters