Bolsonaro inclui no PPI projeto piloto de exploração de petróleo e gás “shale”

O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que qualifica um projeto piloto para avaliações no Brasil sobre a exploração de petróleo e gás não convencionais (“shale”) para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.

A inclusão da iniciativa no PPI tem como objetivo “apoio ao licenciamento ambiental e de outras medidas necessárias à viabilização” do empreendimento, segundo publicação no Diário Oficial da União de quarta-feira.

O projeto tem sido chamado pelo governo de “poço transparente” e tem como objetivo a produção de conhecimento sobre a viabilidade de utilização de recursos em terra (onshore) de reservatórios de baixa permeabilidade (não convencionais).

A iniciativa faz parte de um plano do Ministério de Minas e Energia para revitalização da exploração de petróleo e gás em áreas terrestres, conhecido pela sigla REATE.

Em dezembro, a pasta defendeu que o “poço transparente” visa “buscar um arcabouço técnico, jurídico e legal” para permitir a exploração de petróleo e gás não convencionais “de forma ambientalmente segura” no país.

Empreendimentos qualificados ao PPI são tratados como prioridade nacional, o que segundo o governo agiliza processos e atos de órgãos públicos para sua viabilização.

LEILÕES
O presidente Bolsonaro também qualificou como de âmbito do PPI a 17ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás sob regime de concessão e os leilões de energia A-5 e A-4 para contratação de projetos de geração de energia existentes.

Os certames, no entanto, estão suspensos por enquanto, após determinação do Ministério de Minas e Energia em meio às incertezas geradas pela pandemia de coronavírus.

Agência Reuters

Karoon e PetroRio mantêm interesse em ativos da Petrobras, Mesmo na crise

Ao menos duas petroleiras pretendem concluir a aquisição de ativos da Petrobras, mesmo diante da crise provocada pela pandemia de covid-19 e pelo choque de preços do petróleo, no mercado internacional, nos últimos dois meses. A australiana Karoon e a brasileira PetroRio já anunciaram publicamente que mantêm o interesse em avançar para o fechamento dos negócios, precificados antes da crise, num momento em que os ativos estavam mais valorizados.

Ao todo, a estatal tem nove transações já assinadas, mas ainda pendentes de conclusão, que totalizam US$ 2,75 bilhões, dos quais a companhia já recebeu US$ 159,5 milhões. Dessas, oito operações envolvem ativos de exploração e produção (E&P), sensíveis aos preços do petróleo.

A conclusão da venda do campo de Baúna (Bacia de Santos), para a Karoon, e de 30% de Frade (Bacia de Campos), para a PetroRio, significa, para a Petrobras, a entrada de US$ 707,5 milhões no seu caixa.

Na semana passada, a Karoon anunciou uma série de medidas para cortes de custos, mas destacou que, apesar do impacto de curto prazo da covid-19 nos mercados mundiais, a empresa “continua empenhada em trabalhar para concluir a aquisição de Baúna”. A australiana alega que o ativo é de “alta qualidade”, com potencial para agregar valor aos acionistas da empresa.

A Karoon, porém, esclareceu que a crise trouxe “incertezas significativas” para o financiamento da aquisição. A empresa informou que a conclusão do negócio depende da autorização dos órgãos competentes – Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Ibama — e que ainda negocia os termos finais do financiamento com os bancos, sobre os preços do petróleo que determinarão o valor final do empréstimo. A australiana assinou contrato com a Petrobras para compra de Baúna por US$ 665 milhões, dos quais já pagou US$ 50 milhões.

A PetroRio se comprometeu a pagar US$ 100 milhões pelos 30% que a Petrobras detém em Frade. O presidente do conselho de administração da PetroRio, Nelson Queiroz Tanure, disse ao Valor, há duas semanas, que a companhia tem recorrido à postergação de investimentos e cortes de custos para preservar o caixa, mas que está empenhada em fechar, mesmo num cenário de baixa dos preços do petróleo, a aquisição.

“Mesmo com a queda dos preços, Frade continua sendo um campo atrativo. Nosso contrato não tem uma cláusula de força maior por causa da queda do preço do petróleo. Não passou pela nossa cabeça desistir do negócio”, afirmou Tanure, em entrevista ao Valor.

Na semana anterior, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, já havia dito que o programa de desinvestimentos da Petrobras poderá sofrer alguns atrasos, mas que se mantém “intacto”, mesmo diante da crise econômica. O executivo afirmou, num evento on-line, que tem a confiança de que os negócios em reta final serão honrados pelos compradores. “Temos confiança, pelo que nos é dado pelos compradores, de que a liquidação financeira ocorrerá no momento que for marcado”, comentou.

Ele explicou, na ocasião, que algumas transações ainda têm que obedecer a “condições precedentes”. E citou o exemplo da venda da Liquigás, para a Copagaz e Nacional Gás, que ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Os compradores estão firmes, esperando”, disse.

Desde o colapso dos preços do petróleo, no início de março, a Petrobras postergou alguns prazos, como no caso da venda das refinarias e da Gaspetro. Por outro lado, colocou novos ativos à venda: abriu oficialmente o processo de venda dos 10% remanescentes da empresa na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e de suas usinas eólicas.

Na segunda-feira, 04/05, a empresa abriu a venda de sua fatia de 35% no campo de gás natural de Manati, na Bahia.

A estatal ganhou também mais prazo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para concluir seus desinvestimentos em campos terrestres e em águas rasas. A companhia tenta vender os ativos há alguns anos, mas, com o choque de preços do petróleo, a missão se tornou ainda mais difícil.

A ANP vem pressionando a estatal, nos últimos anos, a se desfazer dos ativos onde não tem mais interesse em investir e havia dado um prazo até meados do ano para que a petroleira concluísse seus desinvestimentos, sob o risco de retomar as concessões para relicitação. A agência informou, no entanto, que atendeu à solicitação da Petrobras, devido à crise econômica decorrente da pandemia da covid-19, e decidiu postergar o prazo até o fim de 2020.

A decisão vale para a venda dos polos Fazenda Belém, Sergipe Terra 2, Sergipe Terra 3, Miranga, Cricaré, Remanso, Rio Ventura, Recôncavo, Ceará Mar, Sergipe Terra 1, Rio Grande do Norte Mar, Merluza, Carapanaúba/Cupiúba, Garoupa e Peroá/Cangoá.

Agência Reuters

Petrobras tem aprovação do Cade para adquirir fatia da Equinor em dois blocos no ES

A Petrobras recebeu aprovação do órgão de defesa da concorrência para operações de aquisição de fatias da norueguesa Equinor em dois blocos para a exploração de petróleo e gás na Bacia do Espírito Santo.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu aval sem restrições para os negócios, que envolvem os blocos ES-M-598 e ES-M-673, segundo despacho publicado no Diário Oficial da União de quarta-feira.

Em ambos os ativos, a Equinor detinha uma fatia de 40% e atuava como líder e operadora em parceria com a Petrobras (40%) e a Enauta. Após os negócios, a Petrobras passará a ter 80% em ambas as concessões.

As empresas disseram ao Cade que as operações mitigam a exposição da Equinor a “risco geológico e financeiro”, enquanto a Petrobras “almeja aumentar seu percentual na referida concessão, em que vê méritos geológicos”.

Na transação pelo bloco ES-M-598, o negócio envolve substituição de garantias pela Petrobras, referentes ao cumprimento do programa exploratório mínimo, e ainda um pagamento de 44,7 milhões pela Equinor à estatal brasileira, segundo parecer do Cade.

Os documentos do Cade não detalham os termos envolvidos na aquisição do bloco ES-M-673

Agência Reuters

Empresas de petróleo usam túnel de ozônio

Com o aumento dos casos de coronavírus entre os trabalhadores do setor de petróleo, uma nova arma está sendo testada para reduzir os riscos de propagação da doença: túneis infláveis que emitem ozônio para descontaminação de pessoas e objetos. Produzidos por uma parceria das empresas de soluções infláveis com base em tecnologia Blimp Rio e a Astech, os túneis chamaram a atenção das petroleiras e uma pequena fila já começa a ser formar para as encomendas.

O tempo dentro do túnel dura cerca de dois minutos. O procedimento não descontamina as pessoas que estão com o vírus, mas contribui para que as não contaminadas evitem o contato com o vírus. No menor deles, que tem 2,2 metros de extensão e custa R$ 7 mil, cabem até oito pessoas por vez.

Pandemia. No último levantamento do setor, feito no dia 28 de abril pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), haviam 1.445 casos suspeitos na indústria do petróleo, com 625 empregados contaminados, sendo 243 que acessaram plataformas marítimas (offshore).

Valor Ecônomico

Petrobras doará 3 milhões de litros de combustível para abastecimento de ambulâncias e hospitais de campanha

Volume será suficiente para abastecer demandas das secretarias estaduais de saúde por até três meses

A Petrobras doará cerca de 3 milhões de litros de combustível para abastecer ambulâncias, veículos de transporte de médicos e hospitais públicos e filantrópicos vinculados às secretarias estaduais de saúde. O volume a ser doado buscará atender à demanda das entidades públicas no enfrentamento à pandemia pelo período de até três meses. A iniciativa faz parte de uma série de contribuições da companhia para ajudar o país a combater o coronavírus. A doação terá importância estratégica para garantir uma logística eficiente no transporte de profissionais de saúde, insumos e pacientes, bem como a manutenção dos hospitais de campanha. A BR Distribuidora será responsável pela logística da entrega em todo o Brasil.

Total de doações

Ao todo, a Petrobras destinará R$ 30 milhões a doações para colaborar com a sociedade no combate à pandemia – incluindo kits de testes de diagnósticos, máscaras, materiais de higiene e segurança, além dos combustíveis. Também estão sendo investidos mais de R$ 30 milhões em ações de saúde e prevenção para os colaboradores, como a realização de testes rápidos no pré-embarque para plataformas e testes padrão ouro para todos os que reportam sintomas.

Agência Petrobras

Preços do petróleo caem com excesso de oferta ofuscando alívio em quarentenas

Os preços do petróleo caíam na quarta-feira, com o Brent próximo de 30 dólares por barril, à medida que dados mostrando um aumento acima do esperado nos estoques nos Estados Unidos ofuscaram expectativas de recuperação da demanda à medida que alguns países aliviam quarentenas contra o coronavírus.

O petróleo Brent praticamente dobrou de valor desde uma mínima de 21 anos tocada em 22 de abril, apoiado por esperanças de recuperação da demanda e por um corte recorde de oferta liderado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O petróleo Brent recuava 1,24 dólar, ou 4%, a 29,73 dólares por barril, às 10:00 (horário de Brasília). O petróleo dos Estados Unidos caía 1,77 dólar, ou 7,21%, a 22,79 dólares por barril.

“Claramente, o otimismo pela reabertura da economia global deu sustentação ao rali do petróleo”, disse Naeem Aslam, analista da Avatrade.

Mas, lembrando que o excesso de oferta persiste, o Instituto Americano do Petróleo divulgou na terça-feira números que mostraram alta de 8,4 milhões de barris nos estoques de petróleo dos EUA na semana passada, acima do esperado por analistas.

“Nós estamos falando em normalização da oferta e demanda, mas ainda temos um longo caminho pela frente”, disse Lachlan Shaw, chefe de estratégia de commodities do Banco Nacional da Austrália.

Agência Reuters