Produção de petróleo do Brasil avança 13,6% em abril na comparação anual, diz ANP

A produção de petróleo no Brasil em abril somou 2,958 milhões de barris por dia, com alta de 13,6% ante mesmo mês do ano anterior e leve recuo de 0,5% na comparação com março, segundo boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Considerando a queda na comparação mensal, observa-se que foi marginal o impacto da parada de produção em 38 campos de óleo e gás, por conta da pandemia de Covid-19.

O desempenho de abril veio em meio a exportações recordes da commodity pela Petrobras no mês, impulsionadas pela demanda da China, que começa a reativar a economia após ter controlado a disseminação local do coronavírus. A estatal embarcou 1 milhão de barris por dia em abril, contra recorde anterior de 771 mil, em dezembro de 2019.

A forte demanda chinesa inclusive levou a Petrobras a recuar em planos para um corte de bombeamento de 200 mil barris por dia que havia sido programado para abril.

A produção total de petróleo e gás do país em abril totalizou 3,738 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), disse a ANP.

A produção de gás natural foi de 124 milhões de metros cúbicos/dia, com alta de 1,9% na comparação com março e de 9,8% frente a abril de 2019.

Campos marítimos foram responsáveis por 96,7% do petróleo e 86% do gás natural, de acordo com a ANP.

A produção do pré-sal somou 2,057 milhões de barris por dia de petróleo e 85,96 milhões de metros cúbicos de gás, totalizando 2,597 milhões de boed, ou 69,5% do total.

A ANP acrescentou que 38 campos de óleo e gás tiveram a produção interrompida temporariamente em abril, primeiro mês inteiramente sob impacto de medidas de isolamento adotadas no país contra a disseminação do coronavírus.

Em meio aos impactos da pandemia, que também contribuíram para derrubar os preços globais do petróleo, essas paralisações atingiram 21 campos marítimos e 17 terrestres no Brasil, sendo que 66 instalações de produção marítimas interromperam atividades, ainda segundo a ANP, que não detalhou os motivos por trás das suspensões de produção.

Entre empresas, a Petrobras liderou a oferta do Brasil em abril, com produção de 2,7 milhões de boe/d. A empresa foi seguida pela Shell Brasil, com 482,5 mil boed, e pela Petrogal, com 139,7 mil boed.

 

Agência Reuters

BR Distribuidora doa combustível para a frota a serviço da Fiocruz

Ação vai abastecer veículos usados pela instituição no transporte de pesquisadores, profissionais da saúde, funcionários e também equipamentos para o combate à Covid-19

O centro de referência sobre a Covid-19 na América Latina conta agora com o apoio da BR Distribuidora. A empresa está fornecendo 10 mil litros de combustível para movimentar a frota a serviço da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), composta por 55 veículos leves e caminhões, usados para transporte de pesquisadores, profissionais de saúde, funcionários e também equipamentos e diversos insumos.

A BR Distribuidora, por meio do programa Unidos Contra a Covid-19, creditará em cartões pré-pagos o valor que permitirá o abastecimento dos veículos indicados pela instituição em postos da bandeira, no Rio de Janeiro. Essa doação se insere no conjunto de iniciativas que vem sendo implementadas pela BR com base nos princípios de consciência, responsabilidade e solidariedade que norteiam as ações da empresa neste difícil momento por que passam o Brasil e o mundo.

Na mesma direção, foram feitas doações de combustível para a frota a serviço da Cruz Vermelha Brasileira, composta por caminhões, ambulâncias e veículos leves, usados no traslado de profissionais de saúde, pacientes e equipamentos; e também para a Força Aérea Brasileira (FAB), nas missões de transporte de pacientes, respiradores, equipamentos de proteção individual, cilindros de oxigênio e medicamentos, com origem ou destino em Manaus, Brasília e Rio de Janeiro.

Em outra vertente, a BR doará cerca de 200 mil litros de etanol para universidades e escolas técnicas de várias capitais brasileiras produzirem álcool 70%, usado na higienização de macas, corrimãos e vários equipamentos. Até o momento, mais de 20 instituições já foram contempladas.

Pandemia dificulta as operações das grandes petroleiras

As principais empresas de petróleo, como Chevron, Exxon Mobil, Royal Dutch Shell e Total, estão tendo problemas para lidar com os surtos de coronavírus entre seus trabalhadores, que podem ameaçar a rentabilidade de alguns de seus maiores projetos.

Mesmo quando muitas partes do mundo começam a emergir do isolamento imposto pela covid-19, campos de trabalho e plataformas de petróleo em lugares remotos, onde os funcionários vivem e trabalham muito próximos, permanecem vulneráveis naa erupções virais.

A Shell evacuou sete trabalhadores de uma plataforma no Golfo do México para os testes de covid-19. “Cinco indivíduos que trabalham em uma plataforma operada pela Shell no Golfo do México dos EUA testaram positivo para o covid-19”, disse uma porta-voz da Shell, acrescentando que a empresa estava testando trabalhadores antes de irem para as plataformas desde 20 de maio.

Nas últimas semanas, centenas de trabalhadores em locais remotos de petróleo e gás foram infectados com a covid-19, incluindo no Golfo do México, Mar do Norte, Moçambique, Canadá e Cazaquistão, em um dos maiores campos de petróleo do mundo.

Os surtos vêm a se somar aos desafios que as empresas de petróleo enfrentam com a queda brusca dos preços do petróleo depois que os ‘lockdowns’ (isolamento total) mundiais sufocaram a demanda.

As empresas dizem que os recentes surtos causaram apenas interrupções limitadas. Ainda assim, eles tiveram que arcar com custos adicionais relacionados à segurança do pessoal e a atrasos nos projetos, disse Espen Erlingsen, chefe de pesquisa de produção e exploração da empresa de consultoria Rystad Energy, sediada na Noruega.

“As receitas futuras serão afetadas por isso, pois elas não poderão executar as atividades planejadas”, afirmou. “A principal preocupação é como isso vai se refletir no fluxo de caixa.”

Chevron
No Cazaquistão, mais de 900 petroleiros foram infectados com coronavírus no gigantesco campo de petróleo de Tengiz, de acordo com relatos da mídia estatal. O campo, que produz cerca de 600 mil barris por dia, ou 0,6% da produção global de petróleo, é operado por um consórcio liderado pela Chevron.

Os trabalhadores estavam sendo testados quando deixaram o campo para voltar para casa e a equipe no local foi reduzida em dois terços para cerca de 10 mil trabalhadores nos últimos dois meses, disse o diretor-executivo da Chevron, Mike Wirth, na assembleia geral anual da empresa na quarta-feira.

“A produção continua ininterrupta e continuamos focados em manter operações seguras e confiáveis”, disse uma porta-voz da Chevron.

Surtos em grandes projetos de petróleo podem levar a cortes na produção, disse Chris Midgley, chefe de análise da S&P Global Platts. Na Rússia, a companhia de petróleo Rosneft e a produtora de gás PAO Gazprom registraram surtos na Sibéria, forçando-os a colocar trabalhadores em quarentena e fechar aeroportos. “Se isso aumentar, é um grande risco”, disse Midgely.

Alguns reguladores estão preocupados há algum tempo com surtos em locais remotos. O governo dos EUA discutiu o fechamento obrigatório de plataformas de petróleo no Golfo do México, mas nenhuma ação foi tomada.

Na África, a Total fechou um projeto de gás natural liquefeito em Moçambique na Península de Afungi depois que os trabalhadores deram positivo para o vírus em abril. Apenas pessoal essencial permanece no local, disse um porta-voz da Total.

A BP disse em abril que adiou seus planos de gás natural liquefeito — incluindo a expansão de seu projeto Tangguh na Indonésia e o início de suas instalações de exportação no exterior da Mauritânia e Senegal — devido à covid-19, devido à redução do número de funcionários nos locais.

Imperial Oil
A Imperial Oil, de propriedade da Exxon, está lutando contra um surto em seu projeto de areias petrolíferas canadenses em Kearl Lake, no norte de Alberta. Aproximadamente 100 infecções espalhadas por quatro províncias canadenses foram ligadas ao campo de trabalho pelas autoridades de saúde.

O vírus se espalhou em Kearl Lake, apesar das medidas tomadas pela empresa desde março para limitar os surtos. A Imperial tentou distanciar os trabalhadores cortando o número de passageiros em vôos para o campo e ônibus para deixar assentos vazios entre eles. A empresa também reduziu sua equipe no local para 1,5 mil trabalhadores essenciais, comparado a cerca de 4 mil.

Um porta-voz da empresa imperial disse que quase todos os infectados se recuperaram e que não há casos ativos em Kearl.

Os operadores do campo de trabalho e das plataformas no mar podem limitar a propagação viral se puderem testar todos os trabalhadores de maneira eficaz e manter um distanciamento e saneamento social adequados, disse Conor Browne, consultor de biossegurança com sede em Belfast. Mas as condições de trabalho próximas também podem fazer com que a doença se espalhe rapidamente se uma infecção invadir. “Quando a infecção entra, você tem um grande problema”, disse Browne.

Equinor
A maior empresa da Noruega, a gigante da energia Equinor — anteriormente conhecida como Statoil — fez esforços em abril para manter a expansão do projeto Snorre na plataforma continental norueguesa. Usando o maior guindaste flutuante do mundo para mover equipamentos para a plataforma com trabalhadores especializados, as equipes mantiveram distância construindo uma barraca para abrigar temporariamente os trabalhadores do guindaste.

A Equinor também cortou pessoal no exterior para permitir o distanciamento social depois que um membro da equipe que trabalha no campo de petróleo e gás de Martin Linge, no Mar do Norte, testou positivo em março. A empresa decidiu reduzir o número de pessoas que trabalham em plataformas, de 6 mil para 4 mil. Não houve outros casos em plataformas na Noruega.

Para os trabalhadores nas plataformas, os rodízios na plataformas se estenderam para três semanas em vez de duas. Áreas comuns estão fora de consideração.

Os trabalhadores foram criativos para lidar com a situação. Com as academias fechadas, as bicicletas ergométricas foram movidas para os helipontos, que também foram transformados em espaço para corrida e ioga. A pesca se tornou ainda mais popular e o bingo da noite de sábado é transmitido via rádio para as cabines.

“Uma fita métrica foi provavelmente uma das ferramentas mais importantes que tínhamos nos primeiros dias”, disse Jez Averty, vice-presidente sênior de operações da Equinor no sul do Mar do Norte.

Valor Econômico

Demanda global por GNL tem primeira contração em 8 anos, diz Wood Mackenzie

A demanda global por gás natural liquefeito (GNL) deve cair em 3 milhões de toneladas, ou 2,7%, durante o verão no hemisfério norte, o que seria a primeira retração sazonal desde 2012, disse a consultoria Wood Mackenzie.

A projeção de queda vem em momento em que o crescimento da demanda pelo combustível é impactado por medidas de isolamento e por perspectivas econômicas negativas depois da pandemia de coronavírus, disse a empresa em nota.

“A Covid-19 irá levar a uma contração global nas entregas de GNL ao longo do verão de 2020 quando na comparação com o ano anterior”, afirmou o diretor de análise da Wood Mackenzie, Robert Sims.

A demanda de inverno em 2020/21 poderia mostrar uma melhora de 5 milhões de toneladas na comparação com ano passado, embora isso seja abaixo da expansão de 15 milhões de toneladas vista no ano anterior.

Isso pode envolver um risco de queda nos preços na Ásia caso compradores decidam adiar carregamentos do verão para o inverno, disse Sims.

Os preços spot do GNL na Ásia estão em mínimas recorde, abaixo de 2 dólares por milhão de unidades térmicas (btu), devido ao excesso de oferta e à queda na demanda.

“Em geral, o retorno a um crescimento mais forte não é esperado antes de meados de 2021”, disse Sims.

No Japão, maior importador de GNL do mundo, a demanda deve cair 3% no trimestre entre abril e junho, quando na comparação anual, segundo a consultoria.

Na Índia, a demanda deve cair 24% no segundo trimestre, após três meses de quarentena.

Na China, segundo maior importador global, o consumo de GNL deve crescer em 12%, para 15 milhões de toneladas no segundo trimestre, embora a recuperação da demanda no setor de eletricidade local enfrente incertezas macroeconômicas e competição de usinas a carvão.

Agência Reuters

Firjan elabora Guia com orientações para retomada segura das atividades da indústria de O&G

Material apresenta medidas práticas e adaptações na rotina para garantir segurança na manutenção ou retomada das atividades de nove setores produtivos, durante a crise provocada pela Covid-19

Para orientar as empresas na retomada das atividades, a Firjan elaborou o Guia de Orientações para a Retomada Segura das Atividades Industriais, com medidas práticas, visando a garantia da saúde e segurança no trabalho em especial para o mercado de óleo e gás, construção naval e demais 7 setores produtivos. “O Guia oferece diretrizes para a volta da produtividade plena com a preservação de empregos e a construção de um novo ambiente, seguindo sempre as determinações das autoridades em relação ao isolamento”, afirma o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

O Guia faz parte do Programa Resiliência Produtiva Firjan e segue as diretrizes da Legislação para prevenção dos riscos contra o coronavírus. Divido em 10 tópicos, com linguagem direta e informações práticas, o material traz informações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), além de um conjunto de medidas trabalhistas adotadas pelo governo brasileiro e orientações gerais para os empregadores com base nas recomendações da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério da Economia.

Gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, Karine Fragoso explicou que para o capítulo de óleo e gás foram observadas as experiências implementadas pelas empresas no exterior que estão em fase de retomada. “Nossa contribuição é no sentido de reunir as recomendações dos distintos órgãos em relação à prevenção e à necessidade de atenção com a saúde dos trabalhadores, como aliás sempre o fizemos. Nesse momento, de maior atenção à saúde dos indivíduos e de grande retração econômica, se faz ainda mais necessário o cuidado para o respeito às recomendações que protegem os trabalhadores e seus empregadores, não adicionando às empresas custos a mais, que não os recomendados, que não são efetivos e que portanto só causariam ainda maior dano às empresas e aos trabalhadores”, afirma.

Um dos coordenadores do trabalho, o gerente Institucional de Saúde e Segurança do Trabalho da Federação, José Luiz Pedro de Barros, destaca que o retorno não será uma volta a tudo como era antes, pois as empresas terão que conviver com novos procedimentos e rotinas de trabalho. “O objetivo do documento é orientar o empresário para o retorno seguro dos empregados e da produção, sem contribuir com os números da Covid-19”, resume José Luiz.

Ao planejar a retomada das atividades, o Guia sugere que as empresas observem sete diretrizes essenciais, que levam em conta três eixos:

1. Adequação no ambiente de trabalho, que trata de desinfecção e limpeza; sinalização e adequação de layouts em ambientes de uso coletivo para manter o distanciamento; medidas administrativas; comunicação, treinamento e orientações
2. Novas rotinas de trabalho em tempos de Covid-19, que orienta sobre uso de máscara ou outro tipo de proteção facial; higienização pessoal; alterações emocionais e saúde mental; e mudança do horário dos turnos ou redução de jornada, para atender as necessidades de distanciamento social;
3. Ciclo de cuidado com as pessoas, que orienta sobre imunização dos trabalhadores para outras doenças como sarampo e influenza; monitoramento da saúde dos trabalhadores assintomáticos; manejo para identificação de casos suspeitos; acompanhamento do retorno ao trabalho de infectados recuperados; e exames diagnósticos.

“Cada empresa avalia as medidas que vai adotar, dentro da sua realidade. O Guia traz várias sugestões e orientações para que a empresa alcance as diretrizes”, explica José Luiz.

Levando em conta as características de cada setor produtivo, o Guia contém um conjunto de práticas comuns e sugere medidas específicas para cada setor em particular. Entre as orientações em comum para todos os setores estão os cuidados em relação aos trabalhadores pertencentes ao grupo de risco (com mais de 60 anos ou com comorbidades de risco), e a orientação para que sejam evitados contatos muito próximos, como abraços, beijos e apertos de mão. Há também medidas para garantir o isolamento social, incluindo as possibilidades de adequação de turnos.

As orientações estão divididas pelos seguintes setores: Óleo e Gás; Alimentos e Bebidas; Construção Civil; Construção Naval; Metal Mecânico; Papel, Gráfica e Editorial; Confecção, Têxtil e Moda; Extração Mineral; Audiovisual; e Demais Setores em Geral.

Disponível para download, o Guia foi desenvolvido pela Gerência Institucional de Saúde e Segurança do Trabalho (GSS) em parceria com a Gerência de Saúde e Segurança do trabalho (GSA) da Firjan.

Baixe o Guia de Orientações para a Retomada Segura das Atividades Industriais em https://www.firjan.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=2C908A8A724E29BD01725C63433775FB