Refap bate recorde mensal de venda de diesel S-10

Unidade da Petrobras em Canoas comercializou 134 mil m³ do produto em maio

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), unidade da Petrobras localizada em Canoas (RS), bateu o recorde de venda de diesel S-10 em maio. No mês, foram comercializados 134 mil m³ do produto, superando em 12% a marca anterior, de agosto de 2019, que foi de 119 mil m³.

Como a previsão de retirada de produtos da Refap é feita pelos clientes com aproximadamente dois meses de antecedência, o que coincidiu com o início da pandemia de Covid-19, havia uma expectativa de vendas baixas para o diesel no período. “Com a mudança de cenário e o aumento inesperado da demanda, tivemos de adaptar nossa planta industrial para atender os clientes. O resultado foi possível graças ao trabalho integrado das áreas operacionais e de Comercialização da refinaria”, explica o gerente geral da Refap, Osvaldo Kawakami.

Com capacidade de processamento de 32 mil m³ de petróleo por dia, a Refap atende principalmente os mercados do Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e do Paraná. Além do diesel, a refinaria produz gasolina, GLP, óleo combustível, querosene de aviação, solventes (hexano, aguarrás e petrosolve), asfalto, coque, enxofre e propeno.

 

Agência Petrobras

Petrobras eleva diesel em 8% na refinaria; gasolina sobe 5%

A Petrobras anunciou reajuste médio de 8% para o diesel vendido em suas refinarias a partir da sexta-feira, enquanto a gasolina terá elevação de 5%, informou a companhia, por meio da assessoria de imprensa.

O movimento é o primeiro reajuste neste mês para o diesel, combustível mais utilizado do Brasil, e o segundo para a gasolina, que havia sofrido aumento de 10% em 9 de junho.

Com a elevação, o preço médio do diesel nas refinarias da estatal passa a ser de 1,5111 real por litro, maior nível desde meados de abril, segundo dados compilados pela Reuters, enquanto o valor médio da gasolina passa a 1,5328 real/litro, mais alto nível desde o final de fevereiro.

Mesmo com segundo reajuste consecutivo para cima, o preço do diesel ainda acumula queda de 35,5% neste ano, impactado pelo choque de demanda resultante da pandemia de coronavírus. No entanto, tem avanço de 15,5% frente às mínimas do ano, verificadas entre o final de abril e meados de março.

Já a gasolina, que teve o sexto movimento seguido de alta, acumula recuo de 20% em 2020, embora tenha se afastado das mínimas do ano, registradas na reta final de abril e no início de maio, quando o combustível chegou a custar 0,916 real/litro.

As sucessivas elevações ocorrem em meio a uma recuperação nas cotações do petróleo no mercado internacional a partir de abril, após acordo entre Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados para cortes recordes de oferta.

O petróleo Brent, referência internacional, acumula ganhos de mais de 100% desde meados de abril, quando tocou mínima de 21 anos, abaixo de 16 dólares por barril.

A Petrobras defende que sua política de preços busca seguir valores de paridade de importação, que levam em conta o petróleo no mercado internacional e custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.

O dólar acumula valorização de mais de 10% contra o real desde 8 de junho, quando havia recuado para mínimas em 12 semanas.

O repasse de reajustes nas refinarias até os consumidores finais, no entanto, não é imediato e depende de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de biodiesel.

DEFASAGEM
Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, apesar dos reajustes que deverão começar a vigorar na sexta-feira, continua a defasagem dos preços da Petrobras na comparação com os valores externos: em 11 centavos de real por litro para o diesel e de 0,13 real por litro para a gasolina.

Na opinião dele, isso inviabiliza importações de derivados, uma vez que o petróleo Brent está sendo negociado acima de 41 dólares o barril e o dólar está no patamar de 5,35 reais.

A Petrobras informou no final da semana passada à Reuters que as refinarias da empresa, que responde por quase 100% do refino de petróleo nacional, tiveram recuperação na taxa de utilização de capacidade, com uma melhora no mercado de combustíveis no Brasil, uma queda na importação de derivados e exportações recordes de óleo combustível.

A taxa de utilização das refinarias no país atingiu cerca de 74%, bem próximo aos 77% verificados no período anterior ao início da pandemia de coronavírus, segundo os mais recentes dados do Ministério de Minas e Energia.

Mas, para o presidente da Abicom, “a demanda (de combustíveis) ainda não voltou ao normal” no país.

Nesse sentido, uma pesquisa divulgada pela NTC&Logística na terça-feira apontou que a demanda por transportes rodoviários de cargas no Brasil ainda apresenta queda de 36,8% em relação aos níveis pré-pandemia, apesar de indicar os melhores resultados desde o final de março.

 

Reuters

Lava Jato realiza operação que mira área de comercialização da Petrobras

A Força Tarefa da Lava Jato realizou a Operação “Sem Limites II”, que mira suspeitas de propinas relacionadas a transações da área de compra e venda de petróleo, óleos combustíveis e derivados da estatal Petrobras.

A PF cumpriu desde cedo 14 ordens judiciais, sendo 12 mandados de busca e apreensão e dois ofícios para obtenção de dados telemáticos.

A Justiça determinou ainda bloqueios de bens de cerca de 17 milhões de reais para compensar eventuais prejuízos causados pelas operações, que envolveriam um operador financeiro ligado a um ex-ministro de Minas e Energia, segundo o Ministério Público Federal no Paraná.

Os mandados foram expedidos pela Justiça de Curitiba e todos são cumpridos no Rio de Janeiro. Há equipes da PF em bairros das zonas sul e oeste do Rio. Um dos principais alvos é a Gerência Executiva de Marketing e Comercialização da estatal, que fazia operações de “trading” do petróleo e derivados, de acordo com as autoridades.

“Após análise de materiais apreendidos na 57ª Fase, Operação Sem Limites – deflagrada em dezembro de 2018, e do resultado de pedidos de cooperação jurídica internacional formulados pela PF, foram identificados novos indivíduos que auxiliavam e integravam a organização criminosa estruturada no sentido de lesar a Petrobras, especialmente em sua área de trading”, disse a PF.

“Além do operador financeiro ligado ao ex-ministro, também são alvos das medidas de busca e apreensão o seu irmão, que o auxiliava no recebimento das vantagens indevidas, e quatro doleiros”, disse o MPF no Paraná, sem citar nomes.

Procurada, a Petrobras disse que “é vítima de crimes desvendados pela Operação Lava Jato” e destacou que “colabora com as investigações desde 2014”, o que já possibilitou mais de 4 bilhões de reais em ressarcimentos aos cofres da companhia.

O Ministério de Minas e Energia não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Segundo as autoridades, o operador financeiro relacionado a um ex-ministro da pasta teria atuado “ao menos de 2008 a 2014”.

O suposto esquema de “trading” contava com a ajuda de doleiros que movimentam recursos no exterior para quadrilha, disseram os policiais federais.

“A PF conseguiu identificar titulares de contas no exterior em nome de empresas offshores, e por meio delas, profissionais do mercado paralelo de câmbio realizavam transferências bancárias internacionais para a realização de ‘dólar-cabo’”, afirmou a corporação.

A suspeita é de que parte dos valores de propina tinham como objetivo o pagamento de intermediários políticos para a manutenção de certos empregados públicos em funções gerenciais estratégicas da Petrobras, como a de Gerência Executiva de Marketing e Comercialização, onde se realizavam as operações de trading, acrescentou a PF.

Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, disseram as autoridades.

A Reuters publicou em fevereiro que um ex-operador da Petrobras assinou acordo de delação com procuradores sobre suposto esquema de propinas entre tradings de petróleo e funcionários da estatal brasileira.

O MPF paranaense disse, sem detahar, que um ex-trader da Petrobras, que atuou no escritório da companhia em Houston, no Texas, “hoje colabora com as investigações”.

 

Reuters

Engie vê bom desempenho na TAG e avaliará compra de 10% da Petrobras no ativo

A Engie Brasil Energia tem verificado desempenho positivo na empresa de gasodutos TAG, adquirida da Petrobras no ano passado, e poderá avaliar a compra de uma fatia de 10% ainda detida pela petroleira estatal no negócio, disse o presidente da Engie.

“A operação está melhor do que a gente esperava, especialmente pelo custo de financiamento mais baixo do que a gente tinha traçado. A gente tem também a oportunidade de comprar os 10% da Petrobras, que está em processo de venda”, afirmou o CEO, Eduardo Sattamini, ao participar de transmissão ao vivo online promovida pelo banco Safra.

Um consórcio entre a unidade da Engie no Brasil, a controladora da companhia na França e o fundo de pensão canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) chegou a acordo para a compra da TAG em meados do ano passado, em negócio de 8,6 bilhões de dólares.

Cerca de 70% do valor da aquisição foi financiado por um grupo de bancos em empréstimo de longo prazo na modalidade project finance.

A Engie não divulgou condições do financiamento, mas a Selic, taxa de juros de referência no Brasil, foi reduzida pelo Banco Central na quarta-feira a 2,25% ao ano, uma mínima histórica, em meio à deterioração da economia depois da pandemia de coronavírus.

Os impactos negativos das medidas de isolamento adotadas contra o vírus sobre empresas também podem, na visão de alguns, gerar uma tendência de consolidação no setor de energia, com grandes grupos comprando empresas que possam eventualmente enfrentar dificuldades.

Questionado durante a transmissão sobe essa possibilidade, Sattamini disse que a empresa está preparada para capturar eventuais oportunidades, inclusive com espaço no balanço, mas ressaltou não ver ainda um movimento forte nesse sentido.

“Na área do setor elétrico, de energia, de gás, isso não é tão claro…óbvio que alguns pequenos ´players´ vão talvez ter alguma dificuldade e apresentar pontualmente oportunidades de consolidação, mas não vejo isso assim como uma enxurrada de oportunidades que vão estar se colocando à nossa frente”.

OBRAS
O presidente da Engie Brasil Energia ainda disse que a pandemia e as medidas de isolamento adotadas para tentar conter o vírus chegaram a causar dificuldades pontuais em algumas obras da companhia, mas não atrapalharão o cronograma final dos empreendimentos em execução.

A empresa possui projetos de geração eólica e de linhas de transmissão em andamento.

“Continuamos com nossas obras em andamento. Temos percalços, sim, mas todos sendo contornados. A princípio nenhum impacto de grande escala”, disse Sattamini.

Com isso, acrescentou, a empresa não vê no momento necessidade de pedir alguma postergação de prazos ou perdão por atraso à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O executivo também destacou a liberação recente pelo BNDES de financiamentos para projetos da companhia.

“Isso garantiu os recursos das obras que a gente está executando, é nossa garantia de que vamos continuar as obras e entregá-las dentro do prazo.”

Os financiamentos do BNDES à Engie envolveram 2,51 bilhões de reais para o projeto de transmissão Novo Estado e 2,7 bilhões para o complexo eólico Campo Largo Fase 2 e o empreendimento Gralha Azul, que também envolve linhas de transmissão.

 

Reuters

Saudi Aramco demite centenas em meio à turbulência no petróleo, dizem fontes

A gigante estatal do petróleo Saudi Aramco deu início a demissões de centenas de funcionários neste mês, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto, à medida que empresas de energia de todo o mundo reduzem suas forças de trabalho em resposta à crise do coronavírus.

Assim como outras petroleiras de grande porte, a Aramco cortou planos de gastos para 2020 após a pandemia causar uma queda sem precedentes na demanda por petróleo e pressionar as cotações da commodity. Grandes companhias do setor reduziram suas mãos de obra entre 10% e 15% para cortar gastos e como parte de planos de reestruturação.

A maior parte das vagas fechadas pela Aramco era ocupada por estrangeiros, segundo as fontes. Uma fonte estimou que 500 pessoas tenham sido demitidas, acrescentando que os cortes foram baseados principalmente nas performances, e que medidas similares ocorrem anualmente.

A Aramco possui mais de 70 mil funcionários.

“A Aramco está se adaptando ao ambiente de negócios altamente complexo e de rápidas alterações causado pela pandemia de Covid-19. Nós revisamos e revisitamos constantemente nossos gastos operacionais, sempre que necessário, para continuar entregando excelência operacional e lucratividade”, disse a petroleira em comunicado.

“Não vamos fornecer informações a respeito dos detalhes de qualquer medida neste momento, mas nossas ações são elaboradas para nos fornecer mais agilidade, resiliência e competitividade, com foco no crescimento de longo prazo”, acrescentou.

As demissões foram inicialmente noticiadas pela Bloomberg.

 

Reuters

Opep+ pressiona por maior adesão a cortes de oferta; não decide sobre nova extensão

Um painel da Opep+ realizado na quinta-feira pressionou países como Iraque e Cazaquistão por maior adesão aos cortes de produção de petróleo estabelecidos pelo grupo, além de deixar a porta aberta tanto para a extensão quanto para a flexibilização das reduções de oferta a partir de agosto.

O painel, conhecido como Comitê Conjunto de Monitoramento Ministerial (JMMC, na sigla em inglês), assessora a Opep+ e voltará a se reunir em 15 de julho, quando deve recomendar o próximo nível dos cortes de bombeamento, elaborados para sustentar os preços do petróleo em meio à pandemia de coronavírus.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, que formam o grupo chamado de Opep+, têm reduzido produção desde maio em um nível recorde de 9,7 milhões de barris por dia (bpd) —ou 10% da oferta global—, após a demanda pela commodity afundar em até um terço.

Depois de julho, os cortes devem ser afrouxados para 7,7 milhões de bpd até dezembro.

Duas fontes da Opep+ afirmaram que o encontro virtual do JMMC nesta quinta-feira não discutiu a prorrogação dos cortes atuais para agosto. O rascunho de um comunicado visto pela Reuters também não fez menção à extensão.

As fontes disseram ainda que Iraque e Cazaquistão apresentaram um plano sobre como podem compensar, em julho e setembro, o excesso de produção que têm registrado. Nigéria, Angola e Gabão receberam o prazo de segunda-feira para que apresentem suas propostas.

As compensações nos próximos meses por países que ainda não aderiram completamente às suas parcelas nos cortes significam que, mesmo que a Opep+ decida flexibilizar a redução de oferta, na prática os cortes serão mais profundos.

 

Reuters