Após oito anos, Petrobras voltará a contratar plataformas próprias, o que deve impulsionar indústria nacional

Unidades ficarão no campo gigante de Búzios, no pré-sal. Duas serão construídas para a estatal, ao custo estimado de US$ 2 bilhões cada

Após um período de oito anos sem encomendar plataformas para a produção de petróleo, a Petrobras decidiu voltar às compras. A diretoria da companhia aprovou na última quinta-feira o início dos processos de contratação de três novas unidades para serem usadas no Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. Duas plataformas serão próprias e a terceira será alugada.

Segundo executivos do setor, o custo das unidades que serão construídas é estimado em US$ 2 bilhões cada. Esse valor não considera alguns equipamentos, como os que ligam a plataforma aos poços no fundo do mar, e serviços que também terão quer ser contratados pela estatal.

A indústria naval brasileira não tem esperanças de conseguir competir com os estaleiros da China e do Japão e levar os contratos de construção, mas espera abocanhar parte das encomendas de equipamentos e serviços.

— É alvissareiro saber que a Petrobras vai construir ativos próprios. A gente achava que deveria ser construída no Brasil, mas tem equipamentos que poderão ser feitos aqui. Enfim, tudo o que vier é lucro, pois a gente está tão sem nada, o que vier será um alívio — afirmou Sérgio Bacci, vice-presidente do Sinaval, entidade dos estaleiros do país.

As três novas plataformas serão do tipo FPSO (navio-plataforma). As duas que serão construídas para a estatal terão capacidade de produção de 180 mil barris e já foram até batizadas: P-78 e P-79. A previsão é que elas entrem em operação em 2025. As contratações devem estar concluídas no ano que vem.

Búzios é, atualmente, o maior campo de petróleo em águas profundas do mundo. Quatro unidades operam no local. Elas respondem por mais de 20% da produção total da Petrobras e mais de 30% do que é retirado dos campos do pré-sal no país.

Maior controle
A Petrobras explicou que a escolha entre ter plataformas próprias e alugar uma terceira “é uma decisão econômica, que analisa aspectos técnicos, financeiros, de mercado e de performance operacional”. Essas novas plataformas próprias, segundo a estatal, vão incorporar diversas melhorias e experiências acumuladas pela Petrobras nos últimos dez anos no pré-sal.

Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ Helder Queiroz, a decisão da Petrobras foi acertada. Segundo ele, a pandemia do novo coronavírus vai provocar mudanças globais da indústria. Ter maior controle de sua produção é um dos elementos que passarão a ser bastante valorizados a partir de agora.

— Uma empresa ter mais controle dos processos de produção a coloca a numa posição de maior confiabilidade em relação às entregas de seu produto, assim como maior controle na sua produção — destacou Helder Queiroz, que também foi diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Décio Oddone, que deixou o cargo de diretor-geral da ANP em março, considerou uma boa notícia para o setor a contratação das plataformas. Segundo ele, o negócio reflete, em parte, o resultado dos leilões realizados pelo governo desde 2017.

— Significa aumento de produção e de arrecadação no futuro. No curto prazo representa oportunidade para que a indústria local capture parte das encomendas e gere empregos qualificados aqui — destacou Oddone.

Industriais fluminenses retomam otimismo em relação aos próximos meses

O indicador de Expectativas do Índice de Confiança do Empresário Industrial Fluminense (Icei-RJ), divulgado pela Firjan, avançou, em julho, mais de dez pontos em relação ao mês anterior e atingiu 52,5 pontos. O resultado aponta que os empresários voltaram a apresentar otimismo em relação aos próximos seis meses.

A pesquisa, composta pelos indicadores de Condições atuais e Expectativas para os próximos seis meses, varia de zero a cem pontos. Os resultados acima de 50 representam melhora ou otimismo e, abaixo, piora ou pessimismo.

O indicador de Expectativas registrava pessimismo desde abril, quando chegou ao pior patamar (35,6 pontos) da série histórica, iniciada em 2010. De acordo com a Firjan, o resultado positivo de julho pode ser explicado pelas expectativas relacionadas à retomada das atividades industriais e às medidas de acesso ao crédito anunciadas pelo governo federal.

Os três itens analisados no indicador – Economia Brasileira, Estado e Empresa – apresentaram aumento significativo em julho. A expectativa relacionada à empresa alcançou 57,7 pontos, representando otimismo. Já os resultados ligados à economia brasileira e ao estado registraram 46,1 e 38,2 pontos, respectivamente.

Pesquisa aponta pessimismo em relação ao momento atual

Os industriais estão otimistas em relação ao futuro, mas o indicador de Condições atuais da economia brasileira, do estado e da empresa fechou em 33,8 pontos. Os três itens que compõem o indicador apresentaram melhora, mas permanecem na faixa pessimista. Segundo a Firjan, o resultado pode estar atrelado à demanda, que segue baixa.

O resultado geral do Icei-RJ, considerando os indicadores de Condições Atuais e Expectativas para os próximos seis meses, fechou em 46,3 pontos. Na comparação com o mês de junho, houve aumento de 9,3 pontos. Essa é a terceira alta seguida, após fortes quedas em março e abril.

Firjan

Petrobras informa sobre avanço na venda do campo de Baúna

A Petrobras informa que, em virtude do impacto causado pela pandemia da COVID-19 e a consequente dificuldade de atendimento às condições precedentes inicialmente definidas, em comum acordo com a Karoon Petróleo & Gás Ltda (“Karoon”), subsidiária da Karoon Energy Ltd, definiu ajustes aos termos do contrato de venda da totalidade da sua participação no campo de Baúna (área de concessão BM-S-40), localizado em águas rasas na Bacia de Santos.

Os ajustes nos termos do contrato consideraram a extensão do prazo para atendimento das condições precedentes ao fechamento da transação e a divisão do valor da transação, anunciado anteriormente, de US$ 665 milhões, em duas parcelas, sendo:

(i) uma parcela de US$ 380 milhões, composta de US$ 49,9 milhões já pagos pela Karoon em 24/07/2019, US$ 150 milhões a serem pagos na data do fechamento e os ajustes de preço devidos. O valor remanescente será pago em 18 meses após a conclusão da transação e;

(ii) uma parcela contingente de US$ 285 milhões a ser paga até 2026.

Essa operação está alinhada à estratégia de otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultraprofundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos.

Sobre o campo
O campo de Baúna, localizado na Bacia de Santos no litoral do estado de São Paulo, iniciou suas operações em fevereiro de 2013 e produz atualmente cerca de 16 mil barris de óleo por dia através do FPSO Cidade de Itajaí. Com essa transação, a Karoon Petróleo & Gás Ltda passará a ser a operadora da concessão com 100% de participação.

PPSA prevê definir até outubro compensação à Petrobras em leilão de Sépia e Atapu

A estatal Pré-Sal Petróleo SA prevê concluir no segundo semestre cálculos sobre compensações financeiras que serão devidas à Petrobras  pelos eventuais vencedores do leilão de excedentes das áreas de Sépia e Atapu, no pré-sal, disse à Reuters o presidente da companhia, José Eduardo Gerk.

Os blocos, no pré-sal da Bacia de Santos, chegaram a ser oferecidos a investidores em leilão de excedentes da cessão onerosa em novembro passado, mas não receberam propostas. O governo programa agora uma nova licitação, prevista para o terceiro trimestre de 2021.

Na época do certame, analistas apontaram incertezas sobre os pagamentos à Petrobras como um dos fatores que ajudaram a afastar grandes companhias internacionais dos ativos. A compensação prevista deve-se a aportes já realizados pela petroleira estatal no desenvolvimento da produção nos blocos.

Não havia regras para a definição desses pagamentos à Petrobras, que deveriam ser negociados entre as partes.

Em janeiro, no entanto, o Ministério de Minas e Energia decidiu que a PPSA deveria representar a União e negociar junto à Petrobras para definir os valores de compensação. A PPSA também ficou com atribuição de chegar a um acordo sobre a participação da União nessas áreas.

“O que posso adiantar é que está havendo uma convergência com as expectativas da Petrobras, e o trabalho está em um andamento muito bom, muito acelerado. Nossa expectativa é que esses valores saiam até setembro. Se escorregar um pouquinho, outubro. Diria que em meados do segundo semestre é nossa expectativa”, disse Gerk.

Graduado em engenharia no Instituto Militar de Engenharia (IME), com mestrado e doutorado em engenharia mecânica pela COPPE/UFRJ, ele assumiu a chefia da estatal em março de 2019.

A consultoria Wood Mackenzie estimou em relatório no ano passado que o pagamento dessas compensações à Petrobras, a chamada co-participação, poderia somar 2,7 bilhões de dólares em Sépia e 2,88 bilhões de dólares em Atapu.

Isso representaria cerca de 14 bilhões e 15 bilhões de reais, respectivamente, pelo câmbio atual.

Gerk, ex-funcionário da Petrobras, não quis comentar os valores em discussão.

“As incertezas no leilão de novembro passado eram exatamente sobre o valor das participações (da União)… e o valor da co-participação da Petrobras. Com a eliminação dessas incertezas, a gente acredita, sim, que o leilão vai atrair as maiores empresas do mundo”, defendeu Gerk.

No leilão dos excedentes da cessão onerosa, em 6 de novembro, o governo ofereceu quatro áreas que poderiam levantar cerca de 106,6 bilhões de reais em bônus de assinatura. Mas só houve propostas para duas delas, com arrecadação de 70 bilhões de reais.

Apesar de expectativas de autoridades de que o certame atraísse as maiores companhias de petróleo do mundo, incluindo a norte-americana Exxon, participaram apenas estatais chinesas e a Petrobras, em consórcio.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou na ocasião o resultado como “ruim” e disse que o modelo de Partilha de produção adotado para o certame, ao invés do regime de concessão, também ajudou a afastar investidores.

No regime de Partilha, utilizado no pré-sal, além de royalties, o governo recebe uma fatia do “óleo-lucro” dos campos, que é então comercializado pela PPSA. No regime de concessão, as petroleiras pagam royalties e participações especiais, mas ficam com toda produção.

Guedes e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, têm afirmado desde então que o governo buscará trabalhar por mudanças legislativas que permitam licitações do pré-sal em regime de concessão.

A PPSA também começou recentemente a estudar internamente a contratação de mecanismos de proteção contra a variação cambial (hedge).

“Estamos avaliando esta contratação como forma de melhor proteger o caixa das variações do câmbio sobre as receitas futuras com a venda de petróleo da União e sobre as despesas dos contratos de prestação de serviços em moeda estrangeira, dado que nossas receitas são em reais. Mas não há uma decisão tomada”, disse Gerk.

Ele acrescentou que a PPSA espera ter uma decisão até o final do ano sobre a eventual necessidade de contratação de hedge.

A PPSA levantou 1,1 bilhão de reais com operações de comercialização da parcela de petróleo e gás da União em regime de Partilha entre novembro de 2017 e maio de 2020.

A estatal ainda arrecadou 1,3 bilhão de reais com as equalizações de gastos e volumes realizadas nos campos de Entorno de Sapinhoá, Sudoeste de Tartaruga Verde e Lula.

Na quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, elogiou o quadro técnico da estatal e seu papel na preparação dos leilões de Sépia e Atapu e negou que haja conversas sobre a privatização da empresa.

“Não se fala no governo em privatização da PPSA”, disse ele, acrescentando ainda que eventual movimento nesse sentido dependeria da aprovação de um projeto de lei no Congresso.

Estatal informa sobre venda de participação da Petrobras Biocombustível na Bambuí

A Petrobras, em continuidade ao comunicado divulgado em 03/07/2020, informa que sua subsidiária integral Petrobras Biocombustível S.A. (PBIO) assinou contrato para a venda da sua participação de 8,40% na empresa Bambuí Bioenergia S.A. (Bambuí) para a Turdus Participações S.A., que detém os outros 91,60% de participação na empresa.

A operação foi concluída com o pagamento do valor simbólico de R$ 1,00 à PBIO, devido ao patrimônio líquido negativo da Bambuí. O fechamento da operação foi simultâneo à assinatura do contrato de compra e venda de ações, o que possibilitou a saída imediata do capital da Bambuí.

Essa transação seguiu as diretrizes estabelecidas na Sistemática de Desinvestimento da PBIO e está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da Petrobras, visando à maximização de valor para os seus acionistas.

Sobre a Bambuí

A Bambuí está situada no município de Bambuí, no estado de Minas Gerais (MG), e atua na produção de etanol hidratado (álcool etílico) e na cogeração de energia elétrica.

Diretor da Petrobras é eleito um dos executivos de compliance mais admirados do Brasil

O diretor de Governança e Conformidade da Petrobras, Marcelo Zenkner, foi eleito o segundo executivo de Compliance Mais Admirado do país, em uma pesquisa inédita feita pelo anuário Análise Executivos Jurídicos e Financeiros. Os profissionais foram escolhidos por executivos de grandes empresas. Ao todo, foram indicados 830 nomes.

“O resultado da pesquisa é um reflexo do trabalho que vem sendo realizado pela equipe da Diretoria de Governança e Conformidade ao longo dos últimos anos. Todos os avanços alcançados são consequência de muita dedicação, comprometimento e superação de cada um dos profissionais da Petrobras, que não mediram esforços para chegar a um elevado nível de excelência em nosso sistema de integridade. Fico feliz ao perceber que, juntos e unidos, conseguimos virar uma página triste da história da empresa e hoje somos referência em diversas políticas, estratégias e ferramentas de compliance. Divido essa conquista, por isso, com o fantástico time da Diretoria de Governança e Conformidade e da Petrobras”, destacou Marcelo Zenkner.

Em novembro do ano passado, o diretor também foi eleito um dos 20 profissionais do segmento empresarial mais admirados na área de compliance do Brasil, de acordo com pesquisa publicada pelo anuário Compliance On Top 2019. “Estamos contribuindo para aprimorar o ambiente negocial brasileiro com a inserção do que há de mais moderno em termos de integridade e transparência empresarial”, complementou Marcelo Zenkner.

O primeiro lugar do ranking é da executiva da Latam Airlines, Rogéria Gieremek, seguida por Zenkner na segunda posição e Reynaldo Goto, da BRF, em terceiro lugar. Veja aqui a lista completa: https://analise.com/noticias/pesquisa-inedita-conheca-os-executivos-de-compliance-mais-admirados