Bolsonaro aprova prorrogação de contratos de produção de petróleo e gás

O presidente Jair Bolsonaro aprovou resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que visa autorizar a eventual prorrogação dos prazos de vigência de contratos de concessão decorrentes de licitações de blocos de petróleo e gás realizadas a partir de 1999.

De acordo com a resolução, publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira, a prorrogação só poderá ser efetuada para campos cuja extensão do prazo de produção se mostre viável para além do período contratual original.

A Secretaria-Geral da Presidência da República disse em nota que a medida visa “autorizar a ANP a avaliar a prorrogação da fase de produção em campos maduros concedidos à Petrobras dentro do polígono do pré-sal”.

Isso, segundo a Presidência, permitiria “manutenção da produção dos campos e atração de investimentos para revitalização de jazidas maduras”.

As empresas concessionárias interessadas na prorrogação deverão submeter à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) um plano de desenvolvimento que indique os investimentos que seriam realizados.

O prazo de prorrogação será compatível com as expectativas de produção nos planos, mas limitado a 27 anos.

Eventual descumprimento dos compromissos de desenvolvimento das áreas levará ao início de processo para resolução do contrato, de acordo com a resolução.

Reuters

Petrobras inicia fase vinculante de ativos de E&P na Bacia do Espírito Santo

A Petrobras, em continuidade ao comunicado divulgado em 10 de junho de 2020, informa o início da fase vinculante referente à venda de parcela de sua participação nos blocos exploratórios, pertencentes às concessões ES-M596_R11, ES-M-598_R11, ES-M-671_R11, ES-M-673_R11 e ES-M-743_R11, localizadas na Bacia do Espírito Santo.

Os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão carta-convite com instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo orientações para a realização de due diligence e para o envio das propostas vinculantes.

A presente divulgação está de acordo com as normas internas da Petrobras e com as disposições do procedimento especial de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, previsto no Decreto 9.355/2018.

Essa operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhora de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para os seus acionistas.

Sobre os blocos exploratórios

As concessões, ES-M-596_R11, ES-M-598_R11, ES-M-671_R11, ES-M-673_R11 e ES-M-743_R11 foram adquiridas na 11ª Rodada de Licitações da ANP em 2013 e estão atualmente no 1º Período Exploratório.

Está em andamento o processo de cessão das participações da Equinor, em todas as concessões, e da Total, nas concessões ES-M-671_R11 e ES-M-743_R11, para a Petrobras. Concluído o processo de cessão, a Petrobras passará a ser operadora em todas as concessões e deterá as seguintes participações:

• ES-M-596_R11: Petrobras com 100% de participação;

• ES-M-598_R11: Petrobras com 80% de participação e Enauta com 20% de participação;

• ES-M-671_R11: Petrobras com 100% de participação;

• ES-M-673_R11: Petrobras com 80% de participação e Enauta com 20% de participação; e

• ES-M-743_R11: Petrobras com 100% de participação.

Agência Petrobras

ANP marca para dezembro 2a etapa da oferta permanente de áreas de óleo e gás

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) definiu que a oferta pública do segundo ciclo da oferta permanente de áreas de exploração e produção de óleo e gás ocorrerá em 3 de dezembro.

A Comissão Especial de Licitações da ANP aprovou na sexta-feira, 11/09, a declaração de setores de interesse, acompanhada de garantia de oferta para a licitação, que é mecanismo pelo qual o órgão regulador coloca à disposição do mercado, permanentemente, uma lista de campos devolvidos à União e blocos exploratórios ofertados em leilões anteriores e não arrematados.

Atualmente, há 57 empresas inscritas na oferta permanente, incluindo desde grandes companhias do setor, como ExxonMobil, Shell e BP, como também players menores com foco em atividades terrestres, como Imetame, Alvopetro e Eneva. As empresas ainda não registradas têm até o dia 21 de setembro para apresentar documentos de inscrição, enquanto as já inscritas têm até o dia 13 de outubro para apresentar declaração de setores de interesse acompanhadas de garantias de oferta. Os setores oferecidos neste ciclo serão divulgados até o dia 3 de novembro.

Esta será a única licitação de áreas de óleo e gás realizada em 2020, após a decisão da agência de suspender o calendário da 17ª rodada de concessões e da 7ª oferta de partilha devido aos impactos da pandemia do coronavírus e à consequente queda no preço do barril.

A primeira etapa da oferta permanente ocorreu em setembro de 2019 e resultou na venda de 33 blocos e 12 áreas com acumulações marginais localizados na bacias Sergipe-Alagoas, Parnaíba, Potiguar, Espírito Santo e Recôncavo, totalizando uma arrecadação de R$ 320,282 milhões.

Valor

Sindicatos de petroleiros aprovam acordo coletivo negociado com a Petrobras

A Petrobras concluiu as negociações do acordo coletivo de trabalho 2020-2022 com o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-Norte Fluminense).

O acordo foi aprovado por 65% dos votantes, seguindo um indicativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP). As assembleias promovidas pelos sindicatos filiados à FUP terminam no próximo domingo, mas diversas unidades já indicaram a aprovação, como no Espírito Santo, com 85% de aceitação, e as bases de Pernambuco e Paraíba, onde 91,5% dos petroleiros votaram a favor.

Por meio do novo acordo, a Petrobras se compromete a não realizar demissões sem justa causa até agosto de 2022, além de concordar com um reajuste salarial automático de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em setembro de 2021.

Também ficou acertada a criação de um grupo de trabalho para acompanhar o teletrabalho na companhia. De acordo com a FUP, há mais de 20 mil petroleiros trabalhando remotamente no país.

“Sabíamos que as negociações com a atual gestão da Petrobras seriam difíceis, pela dificuldade de mobilizar as pessoas por causa da covid-19 e pelo próprio contexto político e econômico do país. O novo texto não traz todas as nossas reivindicações, mas não podemos ignorar que ele tem avanços, principalmente em relação à estabilidade de empregos por dois anos, a própria durabilidade do acordo pelo mesmo período e a manutenção de diversos benefícios que estavam ameaçados”, explicou o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

G1

Retomada da demanda por gasolina e diesel será difícil, dizem executivos do setor

A demanda global por gasolina e diesel deve retornar aos níveis anteriores à pandemia no final do ano que vem, embora um ressurgimento de casos de Covid-19 possa manter o consumo oscilando, disseram vários executivos seniores da indústria na segunda-feira.

O caminho para a recuperação deve ser difícil, e a indústria de energia deve estar pronta para atender aos choques de demanda ajustando a produção de refinarias e com armazenamento suficiente para lidar com o excesso de oferta quando este surgir, disseram os executivos.

“Uma segunda onda ou um conjunto contínuo de surtos que impactem a demanda é (…) o choque mais provável que o mercado de petróleo precisa considerar nos próximos 12 a 24 meses”, disse Giovanni Serio, chefe global de pesquisa da trader de commodities Vitol, durante a Asia Pacific Petroleum Conference, que ocorreu de modo virtual.

A demanda global por petróleo diminuiu em 22 milhões de barris por dia (bpd) em abril, um recorde, com 4 bilhões de pessoas em quarentena devido ao coronavírus, disse Arif Mahmood, vice-presidente executivo e diretor executivo de downstream da malaia Petronas.

E a demanda global deverá cair 8,1 milhões de bpd este ano, para 91,9 milhões de bpd, disse a Agência Internacional de Energia (IEA).

Qualquer retomada da Covid-19 durante o inverno do Hemisfério Norte, no entanto, poderia gerar outro choque no mercado, disse o chefe de análise da S&P Global Platts, Chris Midgley.

“Há um risco real disso. Nós temos visto aumento nas taxas de infecção agora”.

Serio, da Vitol, disse que interrupções na recuperação teriam que ser enfrentadas por uma disciplina ainda maior por parte de produtores e refinarias para conter a oferta, assim como uma disponibilidade imediata de armazenamento para o petróleo excedente.

A demanda por combustível para aviões, no entanto, não deve se recuperar muito, uma vez que levará mais tempo para que as viagens aéreas voltem aos níveis pré-pandemia.

O consumo de gasolina e diesel na Malásia já voltou aos níveis de 2019, mas o mercado de combustível para aviação “ainda segue muito deprimido”, dado que as fronteiras do país estão fechadas, disse Arif.

“Mesmo se abrirem, ainda levará tempo para o mercado se recuperar”, afirmou.

A demanda global por combustível de aviação caiu de cerca de 10 milhões de bpd para cerca de 3 milhões de bpd, disse Ben Lockock, co-chefe de petróleo da trading Trafigura.

Reuters

Demanda por combustível fóssil terá golpe histórico por impactos da Covid-19, diz BP

O consumo de combustíveis fósseis deve diminuir pela primeira vez na história moderna, à medida que as políticas climáticas impulsionam a energia renovável, enquanto a pandemia de coronavírus deixará um efeito duradouro na demanda global por energia, informou a BP em uma previsão.

O Energy Outlook 2020 da BP, uma referência para o mercado, sustenta a nova estratégia do presidente-executivo da empresa, Bernard Looney, para “reinventar” a empresa de petróleo e gás de 111 anos, mudando o foco para energias renováveis.

Este ano, a BP estendeu seus cenários até 2050, para alinhá-los com à estratégia da empresa de zerar as emissões de carbono de suas operações até a metade do século. Isso inclui três cenários que assumem diferentes níveis de políticas governamentais destinadas a cumprir o acordo climático de Paris de 2015 para limitar o aquecimento global a “bem abaixo” de 2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Em seu cenário central, a BP prevê que a Covid-19 eliminará cerca de 3 milhões de barris por dia (bpd) em 2025 e 2 milhões de bpd em 2050. Em seus dois cenários agressivos, a Covid-19 acelera a desaceleração do consumo de petróleo, fazendo com que o pico seja o ano passado. No terceiro cenário, a demanda de petróleo atinge o pico por volta de 2030.

Embora a participação dos combustíveis tenha diminuído no passado como porcentagem do bolo total de energia, seu consumo nunca diminuiu em termos absolutos, disse o economista-chefe da BP, Spencer Dale, a jornalistas.

“(A transição energética) seria um evento sem precedentes”, disse Dale. “Nunca na história moderna a demanda por qualquer combustível comercializado diminuiu em termos absolutos.”

Ao mesmo tempo, “a parcela da energia renovável cresce mais rapidamente do que qualquer combustível jamais visto na história”.

A participação dos combustíveis fósseis deverá diminuir de 85% da demanda total de energia primária em 2018 para entre 20% e 65% até 2050 nos três cenários. Ao mesmo tempo, a participação das energias renováveis deve crescer de 5% em 2018 para até 60% em 2050.

Reuters