Diesel renovável: futuro dos biocombustíveis no Brasil

Atualmente encontra-se em fase de Consulta Pública na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) uma resolução para a especificação de um novo biocombustível a ser comercializado em território nacional, o diesel renovável, também conhecido como diesel verde ou óleo vegetal hidrotratado (Sigla HVO, em inglês). Uma audiência pública sobre o tema será realizada, na quinta-feira (17/09), e a expectativa é que uma definição ocorra até o final de 2020.

A legislação brasileira vigente (lei 11.097 de 2005) reconhece a utilização do diesel renovável como biodiesel na matriz de biocombustíveis do Brasil, porém uma resolução da própria ANP (resolução 45/2014), ainda em vigor, determina que somente o biodiesel de base éster pode ser utilizado para o atendimento à parcela de biocombustíveis que deve ser adicionada ao diesel comercializado nos postos no Brasil. A adoção do diesel renovável no Brasil deve seguir a forma testada e bem sucedida na Europa e nos Estados Unidos e é de fundamental importância para o desenvolvimento dos biocombustíveis no país e para o controle de emissões veiculares.

O biodiesel base éster, atualmente utilizado no Brasil, é produzido por meio de um processo chamado transesterificação – em que óleo vegetal ou gordura animal reage com metanol em presença de catalisadores, gerando o biodiesel.

O diesel renovável ou HVO também é produzido com a utilização de óleo vegetal ou gorduras animais, no entanto, por meio de um método mais moderno, que consiste no hidrotratamento dessa matéria-prima renovável, ou seja, sua reação com hidrogênio com a utilização de catalisadores específicos. O processo pode ocorrer em unidades dedicadas ou em conjunto com o óleo diesel mineral em unidades de processamento dentro de refinarias de petróleo. A parcela de origem renovável obtida no produto é quimicamente idêntica ao óleo diesel mineral (derivado do petróleo), trazendo inclusive melhorias na qualidade final do diesel para o consumidor.

A utilização compulsória do biodiesel de base éster foi introduzida no Brasil em janeiro de 2008 e vem sendo aumentada gradativamente no país. No entanto, à medida que a ampliação da parcela de biodiesel no diesel aumenta, a presença de glicerinas, típicas desse combustível cresce também, o que vem contribuindo para a ocorrência de graves problemas em bombas, bicos injetores e filtros dos veículos a diesel. Outro preocupante problema deve-se aos contaminantes metálicos presentes e sua incompatibilidade com os catalisadores de tratamento dos gases de exaustão dos veículos, inviabilizando o uso das tecnologias conhecidas atualmente para atender aos requisitos de emissões dos compostos responsáveis pela poluição local, como óxidos de nitrogênio e material particulado, que entrarão em vigor em 2022/2023, com a fase P8 do Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores), do Conama (Conselho Nacional do Meio-Ambiente).

Devido a essas limitações, na Europa, o limite máximo para o biodiesel base éster no óleo diesel rodoviário é de 7 % em volume, enquanto, nos Estados Unidos, esse limite é de 5 %.

Nesse sentido, o diesel renovável, que possui base parafínica, é quimicamente mais estável que o biodiesel e apresenta uma série de vantagens. O diesel renovável não contém glicerina nem contaminantes metálicos; e suas moléculas são iguais às do óleo diesel mineral (derivado do petróleo). Ou seja, é um combustível que pode ser misturado ao óleo diesel sem nenhuma restrição. O diesel renovável apresenta também maior estabilidade para estocagem, maior estabilidade térmica e elevado número de cetano, propriedade que mede a qualidade de ignição em motores diesel. Além disso, estudos da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) apontam que o diesel renovável reduz cerca de 15 % das emissões de gases de efeito estufa em relação ao biodiesel, para o mesmo óleo vegetal de origem, e 70 % das emissões de gases de efeito estufa em comparação ao óleo diesel mineral (derivado do petróleo).

Apesar de ainda não ser utilizado na mistura com o óleo diesel no Brasil, o diesel renovável possui já ampla utilização em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. Trata-se do combustível renovável cuja utilização mais cresce no mundo. O novo biocombustível também será mais adequado às tecnologias de motores mais modernas que estão sendo introduzidas no Brasil.

A Petrobras realizou testes em escala industrial para a produção do diesel renovável, via coprocessamento com o óleo diesel mineral, em julho, na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Paraná. Os resultados apontam que o teste foi bem sucedido, com performance adequada dos catalisadores e das unidades de operação da refinaria e com um produto de alta qualidade, atendendo a todas as especificações.

A produção via coprocessamento, amplamente utilizada em outros países, tem como principal vantagem acelerar a inserção do diesel renovável na matriz energética de forma inteligente e competitiva, pois utiliza instalações já prontas em refinarias de petróleo. Além disso, como o diesel renovável é usado em mistura com o óleo diesel mineral, já se obtém um produto preparado para uso, sem a necessidade de gastos adicionais de mistura e certificação independente dos produtos, o que geraria impacto no custo final. Uma vez regulamentada a inserção do diesel renovável na matriz de biocombustíveis brasileira, passa a fazer sentido, no futuro, a implementação de unidades exclusivas para a produção do biocombustível de forma pura nas refinarias brasileiras.

É importante destacar que, para não ensejar aumento do preço do combustível ao consumidor final, o diesel renovável deve ser adotado dentro da parcela de biocombustíveis já adicionados ao óleo diesel mineral, uma vez que os custos de produção do diesel renovável estão nos mesmos patamares dos do biodiesel. Isso faria com que a sociedade em geral, e principalmente os consumidores, pudessem usufruir das vantagens do diesel renovável sem sentir impacto no bolso.

O preço do biodiesel base éster tem se elevado significativamente nos últimos meses e a competição entre os diversos tipos de biodiesel é a principal ferramenta para garantir aos consumidores finais um combustível com custos atrativos. Essa competição só será possível com a ampliação dos tipos de biocombustíveis no mandato de biodiesel, pois permitirá o desenvolvimento dos processos de produção, de novas matérias primas e a redução de custos.

Diante do exposto, fica evidente que a discussão sobre do tema é de suma importância para a sociedade brasileira, em especial, nesse momento em que a ANP está realizando consulta pública sobre o assunto. A adoção do diesel renovável seguindo padrões mundiais de qualidade e eficiência, dentro do mandato do biodiesel, certamente irá gerar benefícios financeiros e de qualidade para o consumidor e para segmento automotivo, na medida em que melhora o desempenho e a durabilidade dos motores, bem como para toda a sociedade, com a redução das emissões de gases do efeito estufa, contribuindo para deixar o Brasil preparado para as novas tecnologias de motores e regras mais rigorosas de controle de emissões veiculares.

Agência Petrobras

Estatal é autorizada a substituir nome do campo de Lula

Adoção do nome foi contestada na Justiça em 2015 em ação popular, com o argumento de que sua escolha teve intenção política, ao homenagear o ex-presidente da República

Petrobras vai alterar o nome do campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a substituição para campo de Tupi. Descoberto em 2006, Lula hoje responde por mais da metade de toda produção interna.

No pré-sal, a maior parte dos campos é batizado com nomes relacionados a moluscos, como Atapu, Berbigão, Búzios, Lapa, Sapinhoá, Sépia e Sururu. A adoção do nome de Lula foi, no entanto, contestado na Justiça em 2015 em ação popular, com o argumento de que sua escolha teve intenção política, ao homenagear o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No dia 2 de junho deste mês, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) informou que, como a estatal não recorreu, sua decisão pela mudança do nome foi definitiva. Agora, a companhia petrolífera deverá alterar toda referência ao nome “Lula” registrado até então.

Tupi, o novo nome do campo, foi o primeiro escolhido para a área antes da empresa informar à agência reguladora que o projeto é economicamente viável. Tradicionalmente, as áreas são rebatizadas quando é declarada a economicidade.

Redação

Reduc bate recorde de produção de Diesel S-10 em agosto

A Refinaria Duque de Caxias – Reduc alcançou em agosto de 2020 o recorde de produção de diesel com baixo teor de enxofre (S10). No mês, foram produzidos 149.168 m³ de Diesel S10, superando em mais de 12% a marca anterior, de maio de 2015, quando a refinaria produziu 132.852 m³ do derivado.

Com a redução da demanda de querosene de aviação (QAV), a refinaria apostou em uma nova formulação de Diesel S10, destinando essa carga para ser misturada a derivados de menor valor agregado, obtendo como resultado final o Diesel S10. A confiabilidade da produção da Reduc, aliada à implantação do escoamento de S10 por cabotagem em agosto deste ano, possibilitaram alcançar essa nova marca.

Os recordes de Diesel S10 acompanham a evolução dos motores de veículos pesados e utilitários movidos a diesel, responsáveis pela maior parte da circulação de mercadorias no território brasileiro. Atualmente, existem no Brasil dois tipos de diesel rodoviário: o Diesel S10 e o Diesel S500, sendo este último utilizado apenas por veículos fabricados até 2011.

A capacidade das unidades de hidrotratamento de diesel da Reduc é de 5.000 mil m³/dia. Estas unidades são de alta tecnologia e promovem a redução do teor de enxofre e melhoria do desempenho do produto com impactos positivos na redução de contaminantes para o meio ambiente. Por conta deste processo, o uso de Diesel S10 permite redução das emissões de compostos de enxofre e melhoria da qualidade da ignição. Além da diferença no teor de enxofre, os produtos têm características específicas, como a diferença no número de cetano, índice que mede a qualidade de ignição, ou seja, quanto maior melhor. No S10, o índice chega a 48, enquanto que no S500 é de 42.

 

Agência Petrobras

Petroleira inicia fase vinculante de ativo de E&P na Colômbia

A Petrobras, em continuidade aos comunicados divulgados em 27/07/2020 e 11/08/2020, informa o início da fase vinculante referente à venda da totalidade de sua participação em porção exploratória do Bloco Tayrona, localizado na Bacia de Guajira, Colômbia.

Os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão carta-convite com instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo orientações para a realização de due diligence e para o envio das propostas vinculantes.

A presente divulgação está de acordo com as normas internas da Petrobras e com as disposições do procedimento especial de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, previsto no Decreto 9.355/2018.

Essa operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhora de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para os seus acionistas.

Sobre o Bloco Tayrona

O Bloco Tayrona está localizado no litoral nordeste da Colômbia, em águas profundas da Bacia de Guajira. A Petrobras, que é operadora da área, detém 44,44% de participação na concessão¹ por meio da sua afiliada Petrobras International Braspetro B.V. (PIB-BV), em consórcio com a Empresa Colombiana de Petróleo S.A (Ecopetrol), que detém os demais 55,56% de participação.

A concessão encontra-se na fase Programa Exploratório Posterior 1 (PEP1) com compromisso exploratório remanescente de perfuração de um poço, com potencial para comprovar volumes significativos de gás (world class prospects) e estabelecer posição em uma área de nova fronteira. A área apresenta similaridade com descobertas nas margens do Atlântico Sul e Caribe.

¹ A participação da Petrobras hoje é de 40%. Está em trâmite a absorção dos 10% da companhia Equinor proporcionalmente pela PIB-BV (4,44%) e pela Ecopetrol (5,56%), que deverá ser aprovada pela Agência Nacional de Hidrocarburos.

Agência Petrobras

Petrobras informa resultado da oferta de troca de títulos não registrados

A Petrobras, em continuidade ao comunicado divulgado em 17 de agosto de 2020, informa o resultado da oferta de troca de títulos não registrados, emitidos em 18 de setembro de 2019, por títulos registrados na Securities and Exchange Commission (SEC), efetuada pela sua subsidiária integral Petrobras Global Finance B.V. (PGF).

Detentores de US$ 4.037.681.000 dos títulos 5,093% Global Notes, com vencimento em 2030, aceitaram trocar seus títulos não registrados por títulos registrados na SEC, com termos e condições idênticos ao previsto na oferta dos títulos antigos. A tabela abaixo resume o resultado da oferta de troca.

A liquidação será realizada em 17 de setembro de 2020, quando a PGF trocará os títulos antigos pelos novos.

The Bank of New York Mellon, atual agente fiduciário dos títulos, está atuando na qualidade de exchange agent da oferta de troca. Quaisquer perguntas, solicitações de esclarecimento ou cópias do prospecto e dos documentos relacionados à oferta de troca deverão ser encaminhadas ao mesmo, através do telefone +1 (212) 815-4259. Os investidores também poderão contatar as suas corretoras, bancos ou agentes fiduciários para solicitações referentes à oferta de troca.

Essa operação não traz impacto para o perfil de endividamento da companhia.

Agência Petrobras

Cade aprova venda de participação da Petrobras no Polo Pescada para OP Pescada

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da participação da Petrobras no Polo Pescada para a OP Pescada Óleo e Gás, subsidiária da Ouro Preto Óleo e Gás. O Polo Pescada é formado pelos campos Pescada, Arabaiana e Dentão, que estão localizados nas águas rasas da Bacia Potiguar na Plataforma Continental do Estado do Rio Grande do Norte. O despacho da Superintendência-Geral do órgão com a decisão está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

A OP Pescada já era sócia da petrolífera no polo: a empresa detinha 35% no consórcio, enquanto a Petrobras era majoritária com 65%.

O valor da transação aprovada pelo Cade foi de US$ 1,5 milhão, conforme a Petrobras já havia anunciado em julho passado.

“Essa operação está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultra profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos”, disse a empresa.

Para a Ouro Preto, a operação está alinhada à estratégia de expansão das suas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural por meio de operações de farm-in (aquisições parciais ou totais dos direitos de concessão detidos por uma empresa).

A produção média do Polo Pescada de janeiro a junho deste ano foi de aproximadamente 260 barris de óleo por dia (bpd) e 190 mil m3/dia de gás.

Estadão Conteúdo