PetroRecôncavo avalia IPO diante de onda de negócios em óleo e gás, dizem fontes

A petroleira brasileira PetroRecôncavo, com campos em terra, está explorando a possibilidade de uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês), disseram três fontes, em um movimento que ilustra a sede de empresas por recursos em meio a uma onda de vendas de ativos na indústria de óleo e gás do Brasil.

A empresa, com sede em Salvador, tem trabalhado sob apoio da consultoria financeira Lazard sobre a potencial listagem na bolsa paulista, que seria apenas o segundo IPO do setor de petróleo no Brasil desde 2011, segundo as fontes, que falaram sob a condição de anonimato.

Uma das fontes destacou que uma decisão sobre a transação não é iminente e que a empresa pode simplesmente buscar financiamentos bancários para eventuais necessidades de capital enquanto busca potenciais aquisições.

A PetroRecôncavo não respondeu de imediato a um pedido de comentários. O Lazard recusou-se a comentar.

A indústria de petróleo do Brasil tem sido dominada pela estatal Petrobras desde o início, mas a companhia tem agora colocado à venda centenas de ativos, incluindo campos maduros, em uma tentativa de reduzir seu pesado endividamento e aumentar o foco na exploração de petróleo em águas profundas.

Em resposta a esse movimento, uma nova onda de pequenas petroleiras tem surgido ou expandido seus portfólios no país por meio de aquisições.

A PetroRecôncavo, fundada nos anos 1990, comprou um conjunto de campos terrestres da Petrobras no ano passado por 384 milhões de dólares. Ela está agora avaliando dezenas de campos em terra e águas rasas sendo colocados à venda pela Petrobras, segundo uma fonte próxima do assunto.

Desde junho, a Petrobras colocou diversos ativos como esses à venda no Nordeste, região de atuação da PetroRecôncavo. A produção combinada desses ativos supera 50 mil barris por dia, segundo documentos dos processos de desinvestimento.

A PetroRecôncavo, cujos acionista incluem PetroSantander e a gestora de recursos brasileira Opportunity, é responsável por uma produção de cerca de 11 mil barris de óleo equivalente por dia, de acordo com informações de seu site. A empresa se descreve como “principal operador independente com foco em ativos em terra maduros no Brasil”.

Em novembro, uma empresa pequena e recentemente formada, a 3R Petroleum, abriu o capital no primeiro IPO do setor de petróleo no Brasil em quase uma década.

Se a PetroRecôncavo decidir ir adiante com um IPO, seria provavelmente uma das maiores petroleiras listadas do Brasil– atualmente, a produção da empresa fica atrás apenas de Petrobras, PetroRio, focada em ativos offshore, e Enauta.

Agência Reuters

ANP debate formatação e entrega de dados multifísicos em audiência pública

A ANP realizou no dia (7/12) audiência pública por videoconferência sobre a revisão do Padrão ANP2B, que estabelece os procedimentos para formatação e entrega de dados multifísicos ao Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da Agência.

O instrumento normativo havia sido revisado pela última vez em 2004. Segundo o superintendente de Dados Técnicos da ANP, Cláudio Jorge Souza, várias motivações levaram à nova revisão. “Além da desburocratização e transformação digital, destacamos também a necessidade de equiparar a formatação aos padrões técnicos internacionais, as tecnologias que surgiram nesses últimos 15 anos, a alteração interna dos fluxos analíticos e as melhorias de infraestrutura e gestão de dados que implementamos no BDEP”, afirmou.

Paralelamente às recentes implementações de automatizações evolutivas feitas pela Agência, com a revisão do Padrão ANP2B, a ANP contribui para a transformação digital no setor de petróleo, gás natural e bicombustíveis no Brasil.

Os dados multifísicos, em se tratando do segmento de exploração e produção (E&P), são os dados geofísicos não-sísmicos. Suas tecnologias estão associadas aos métodos de aquisição e processamento de dados gravimétricos (Gravimetria), magnetométricos (Magnetometria), eletromagnéticos, Magnetotelúrico, Transiente Eletromagnético, Batimetria de Multifeixe (MultiBeam), Perfilagem de Subfundo e Fluxo de Calor, entre outros.

São dados utilizados para integrarem as pesquisas exploratórias junto ao método sísmico. A partir dessa integração, é possível identificar feições estruturais e estratigráficas de uma bacia sedimentar para maximizar as possibilidades de sucesso na locação e perfuração de um poço. Em alguns casos, os dados eletromagnéticos são utilizados para auxiliar também no imageamento do pré-sal e em monitoramento de reservatórios petrolíferos.

De forma geral, as empresas que geram esses tipos de dados são comumente conhecidas como empresas de aquisição e processamento de dados (EADs). No entanto, as operadoras (concessionárias de E&P) são consideráveis participantes neste setor – é o caso da Petrobras, atualmente responsável pelo maior volume digital de entrega de dados ao BDEP. Em outras situações, universidades e instituições de pesquisa também realizam trabalhos que geram e consomem dados técnicos multifísicos.

Antes da realização da audiência, a minuta de resolução de revisão do Padrão ANP2B passou por consulta pública de 45 dias, na qual foram recebidas 20 sugestões. As contribuições enviadas na consulta e na audiência públicas serão avaliadas pela área técnica da ANP, para alteração ou não da minuta original. O texto consolidado passará por análise jurídica da Procuradoria Federal junto à ANP e por aprovação da diretoria colegiada da Agência, antes de sua publicação.

Ascom ANP

ANP autua e interdita postos durante força-tarefa

A ANP participou no dia (7/12) de força-tarefa na capital paulista para fiscalizar o mercado de combustíveis. A operação contou com a parceria da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (IPEM-SP), Procon-SP, Secretaria da Fazenda e do Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e Polícia Civil do Estado de São Paulo (DPPC).

Foram fiscalizados oito postos de combustíveis automotivos, selecionados com base em indícios de irregularidades. Três estabelecimentos foram autuados pela ANP, sendo que dois deles também foram interditados totalmente. Um posto de combustíveis, embora fora de operação, foi autuado por violar lacres de interdição anterior. Outro encontrava-se fechado no momento da fiscalização.

Nos dois estabelecimentos interditados totalmente, foram constatados combustíveis fora das especificações da Agência (etanol hidratado combustível e gasolina comum), inclusive com indícios da presença de metanol, produto nocivo à saúde.

Em um desses postos revendedores, havia dispositivos colocados nos tanques para induzir a fiscalização a erro. Esse tipo de dispositivo fraudador, conhecido como “caneta”, é um tubo metálico vedado que é rosqueado na abertura do tanque de combustível e, em seu interior, colocado produto bom, porém abaixo dele está o espaço real do tanque utilizado para armazenar e comercializar produto adulterado. A ANP desenvolveu uma ferramenta que consegue retirar esse dispositivo e coletar o produto no tanque.

Os fiscais do Ipem-SP verificaram 97 bombas de combustíveis e encontraram erros em 26 delas (27%), com emissão 17 autos de infração, devido à presença de corpo estranho na bomba de combustível, erros volumétricos – sendo o maior erro a falta de 1.961 ml a cada 20 litros abastecidos –, violação do plano de selagem do instrumento, entre outros.

O Procon-SP constatou diversas irregularidades nas informações aos consumidores e na validade de produtos, em todos os postos fiscalizados.

Considerando as ações de todos os órgãos envolvidos na força-tarefa, foram encontradas irregularidades em todos os postos que estavam em funcionamento.

Com a autuação do agente econômico pela ANP, é iniciado um processo administrativo que, ao final, após amplo direito de defesa, pode resultar em multa nos valores previstos em lei, além de possíveis penalidades de suspensão das atividades e revogação da autorização.

Ascom ANP