Porto do Rio de Janeiro renova contrato com Petrobras para uso de base de apoio offshore dos campos do pré-sal da BS

A Companhia Docas do Rio de Janeiro assinou, na última sexta-feira (26), um contrato de transição com a Petrobras, no intuito de garantir a manutenção das operações da empresa no Porto do Rio de Janeiro, que é uma das principais bases de apoio offshore do país para a exploração dos campos de pré-sal da Bacia de Santos.

Considerado muito importante para a economia do município e do estado, o contrato tem validade de seis meses e foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que também permitiu a celebração de outros contratos subsequentes até que seja realizado o certame licitatório da área. O próximo passo é a elaboração de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para prosseguir com o processo de arrendamento em definitivo do terminal.

Segundo o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Docas do Rio, Eduardo Miguez, essa operação da Petrobras no Porto do Rio de Janeiro sustentou as primeiras explorações dos campos de pré-sal. “A manutenção dessa operação demonstra o empenho e a seriedade com que a Docas do Rio vem trabalhando. Isso gera confiança e credibilidade no mercado, fazendo com que a Petrobras tenha se empenhado para manter sua base no Porto do Rio, que possui importância estratégica para a empresa e para o país”, ressaltou Miguez.

Para o superintendente de Planejamento e Desenvolvimento de Negócios, Pablo Fonseca, a assinatura do contrato firmado entre Docas do Rio e Petrobras é um ganho para toda a comunidade portuária: “Além de garantir a manutenção das operações, a atividade continuará contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento socioeconômico da região portuária. Por fim, a celebração do contrato demonstra a pujança do Porto do Rio de Janeiro frente ao mercado de óleo e gás e de apoio portuário”.

Raízen tem aprovação do Cade para aquisição da Biosev

A Raízen, líder mundial em açúcar e etanol de cana-de-açúcar, obteve aval do órgão brasileiro de defesa da concorrência para a aquisição da Biosev, uma transação anunciada pelas empresas no início de fevereiro.

O negócio, que envolve pagamento pela Raízen de 3,6 bilhões de reais e mais um montante em ações, foi aprovado sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo publicação no Diário Oficial da União da terça-feira.

“A presente operação não levanta maiores preocupações em termos concorrenciais, em função das baixas participações de mercado detidas pelas requerentes nos mercados horizontal e verticalmente relacionados”, disse o Cade em parecer sobre a transação.

O Cade ainda rejeitou um pedido da distribuidora 76 Oil para entrar como “terceiro interessado” no processo, ao apontar que apesar de ser concorrente de Raízen e Biosev a empresa não apresentou elementos suficientes para agregar à análise.

Após a aquisição e integração dos negócios da Biosev, a Raízen– uma joint venture entre Cosan e Shell– passará a contar com um total de 35 unidades produtoras e capacidade instalada de moagem de 105 milhões de toneladas de cana, além de cerca de 1,3 milhão de hectares de cultivos.

Segundo a Raízen, a operação envolve nove unidades da Biosev, com capacidade total de moagem de 32 milhões de toneladas de cana, localizadas em São Paulo (seis), Mato Grosso do Sul (duas) e Minas Gerais (uma), que virão sem qualquer dívida, além de 280 mil hectares de cana.

Reuters

Quatro membros do conselho da Petrobras indicados pelo governo deixam os cargos

A Petrobras perdeu quatro membros do seu Conselho de Administração. João  Cox  Neto, Nivio  Ziviani, Paulo  Cesar  de  Souza  e  Silva e  Omar  Carneiro  da  Cunha pediram para deixar os postos de conselheiros da estatal. Os quatros são indicados pelo governo, o acionista controlador da estatal.

A saída deles está relacionada à decisão do presidente Jair Bolsonaro de mudar o comando da companhia, após a alta nos preços dos combustíveis há duas semanas. Para seu lugar, foi indicado o general Joaquim Silva e Luna. Mas o nome precisa passar pelo aval dos acionistas em assembleia, que ainda não tem data marcada.

A Petrobras informou que todos os conselheiros foram convidados para a recondução de seus postos, mas recusaram.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de terça-feira,  Omar, ex-presidente da Shell,  disse que “em  virtude  dos  recentes  acontecimentos  relacionados  as  alterações  na  alta administração  da  Petrobras,  e  os  posicionamentos  externados  pelo  representante  maior  do  acionista controlador da mesma, não me sinto na posição de aceitar a recondução de meu nome como Conselheiro desta  renomada  empresa,  na  qual  tive  o  privilégio  de  servir  nos  últimos  sete  meses”.

Na carta, Omar destacou ainda que “se manteve aderente as estratégias devidamente  aprovadas,  e  seguindo  os  mais  altos  níveis  de  governança  e  de  conformidade  com  os estatutos da empresa, e aos mais altos padrões de gestão empresarial”.

Ele criticou  a postura do governo nas últimas semanas:

“A  mudança  proposta  pelo  acionista  majoritário,  embora amparado  nos  preceitos  societários,  não  se  coaduna  com  as  melhores  práticas  de  gestão,  nas  quais procuro guiar minha trajetória empresarial. Sendo assim, acredito que minha contribuição ao Conselho de Administração e à empresa seria fortemente afetada,e minha efetividadereduzida.Agradecendo mais uma vez a forma elegante e profissional como você e os demais companheiros deste CA me recepcionaram, subscrevo-me.”

Paulo  Cesar  de  Souza  e  Silva  pediu para sair em  virtude do seu mandato ser “interrompido inesperadamente”. Elogiou a atual diretoria: ” Registro meu   respeito   e   reconhecimento   pelo excelente trabalho   desenvolvido   pela   diretoria   executiva   e funcionários  da  Petrobras  bem  como  pelos  meus  colegas  Conselheiros  sob  a  liderança  do  Presidente Eduardo Leal”.

Já Cox e Ziviani destacaram apenas “razões pessoais”.

Além deles, o atual presidente da estatal Roberto Castello Branco, que também é conselheiro, vai deixar a empresa no dia 20 de março. Com isso, a União vai precisar buscar quatro novos nomes para o novo conselho. Eles vão ser indicados em  Assembleia Geral Extraordinária (AGE). É ainda o caso do general Silva e Luna que terá assento também no board.

Nome de General: parecer em até 16 dias

Em outro comunicado, a estatal explicou que a Assembleia  Geral  de Acionistas é quem vai eleger os membros do Conselho de Administração.

“E cabe ao Conselho de Administração,  por  sua  vez,  eleger  os  diretores  Executivos,  sendo  que  o  diretor-presidente  da  Petrobras  deverá  ser  escolhido  dentre  os  Conselheiros”, informou a empresa.

A estatal lembrou que a análise do Comitê de Pessoas deve ser feita no prazo de oito dias úteis a partir da  entrega  de  todas  as  informações  necessárias  para  a  indicação de Joaquim Silva e Luna,  podendo  ser prorrogado por mais oito) dias úteis. “Com relação à indicação do Senhor Joaquim Silva e Luna, os processos internos de governança ainda estão em curso”, disse a estatal.

O Globo

Resultado da PetroRio traz à tona pequenas petroleiras em meio à crise da Petrobras

Apesar de mudanças no comando da estatal levantar preocupações sobre setor de refino, há boas perspectivas para negócios como a PetroRio, que divulgou resultados na segunda, 01/03

No Brasil, não é só a Petrobras que perfura e retira petróleo de poços em alto mar. Perenco Brasil, Enauta Energia e PetroRio são algumas das pequenas petroleiras que têm plataformas em alto-mar e ajudam a colocar o país entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo.

O Brasil produziu em média 2,9 milhões de barris de óleo por dia, o que coloca o país na 8ª posição de país produtor no mundo, segundo a U.S. Energy Administration.

Os dados mensais mais recentes da Agência Nacional de Petróleo, agência reguladora do setor, colocavam a carioca PetroRio, uma das principais do setor e que deve divulgar os resultados financeiros de 2020 nesta segunda-feira, 1, como a 5ª maior produtora do país. Na verdade, ela só é pequena se comparada com a Petrobras.

No último mês do ano passado, a petroleira extraiu 20,9 mil de barris de óleo equivalente (que soma óleo e gás), enquanto a gigante Petrobras produziu 3,2 milhões em média.

De acordo com o relatório mais recente do banco BTG Pactual, do mesmo grupo que controla a EXAME, a PetroRio tem boas perspectivas pela frente, ao se levar em conta seu histórico de crescimento, suas aquisições, a diminuição de custos e o cenário de exploração e produção de petróleo do Brasil que deve se tornar mais aberto para as empresas.

A empresa atua principalmente adquirindo campos que já estão maduros e costumam não ter muito interesse de grandes petroleiras.

Esse segmento tende a crescer principalmente com a saída da Petrobras desta área. Com o objetivo de reduzir seu endividamento e focada na exploração de petróleo em águas profundas, a estatal vem se desfazendo de diversas frentes de negócios nos últimos dois anos, como pequenos campos de petróleo.

Apesar de o setor de refino estar sob pressão política devido à troca do presidente da Petrobras Roberto Castello Branco pelo governo federal e pelo descontentamento do presidente Jair Bolsonaro com o aumento nos preços dos combustíveis, o setor de exploração e produção não é tão vulnerável a ingerências do governo.

Analistas ouvidos pela EXAME ainda veem como positivas as perspectivas para novos leilões e para petroleiras pequenas, como a PetroRio.

A empresa, que já se chamou HRT e passou pelas mãos do executivo Nelson Tanure, opera os campos de Frade, Polvo e Martelo na Bacia de Campos, área em alto-mar que é de onde escoa a principal parte do petróleo brasileiro.

Além disso, extrai gás também do campo de Manati, da Bahia. Em todos eles, detém o direito de produzir óleo com outras petroleiras, como a Chevron no campo de Frade e a Petrobras no de Manati.  Nesta segunda-feira, a empresa divulga seus resultados financeiros de 2020.

Ainda de acordo com o relatório do BTG Pactual, a PetroRio deve apresentar uma receita de 1,9 bilhão de dólares, um EBITDA de 1,1 bilhão e um lucro líquido de 206 milhões.

Exame