PetroRio contrata sonda Ocyan para Frade

A PetroRio contratou a plataforma semissubmersível da Ocyan Drilling para a campanha de revitalização do campo de Frade e desenvolvimento do campo de Wahoo.

A PetroRio disse que contratou a sonda de perfuração Norbe VI e que o contrato teria início em março de 2022. A sonda irá perfurar três poços no campo de Frade – um produtor e dois injetores – seguidos pela perfuração de quatro poços produtores no Wahoo campo.

O prazo inicial do contrato será de 500 dias e a PetroRio terá a opção de prorrogar esse prazo por mais 350 dias, divididos em períodos de 70 dias cada.

A sonda, construída em 2010, é uma plataforma de perfuração semissubmersível com posicionamento dinâmico, capaz de operar a 2.400 metros de lâmina d’água e perfurar poços de até 7.500 metros.

O anúncio veio poucos dias depois que a empresa concluiu a aquisição de participação no campo de Wahoo da empresa petrolífera francesa TotalEnergies.

Após a aquisição, a PetroRio detém uma participação de 64,3 por cento na Wahoo. Ela comprou uma participação  inicial de 35,7 por cento  no Wahoo da BP em novembro de 2020.

No outro ramo, a empresa brasileira é proprietária integral do Frade . Ela comprou uma participação de 30 por cento da Petrobras em janeiro de 2021 e 51,74 por cento de participação da gigante petrolífera americana Chevron em 2019.

No outono do mesmo ano, a empresa conseguiu  adquirir 18,26 por cento do campo  de Frade à Frade Japão Petróleo Limitada.

O campo de Wahoo possui mais de 125 milhões de barris classificados como recursos 1C, além de aproximadamente 7 milhões de barris 1C a serem adicionados ao Campo de Frade, devido ao seu prolongamento de vida.

Dados Técnicos Norbe VI

Lâmina d´água 2.400 metros
Capacidade de perfuração 7.500 metros
Modelo Gusto MSC
Classe DNV
Comprimento 97 metros
Altura da torre 56,4 metros
Capacidade da torre 2.000.000 lbs
Pacote de perfuração NOV
BOP Ge/Hydril 18 ¾ x 15 k psi 5 Ram x 15 psi 2 Annular x 10 psi
MPD Ready 3.2 MMlb AFG
Acomodação 164 POB

Pré-Sal Petróleo contrata B3 para comercializar, por leilão, o petróleo da União

Companhia irá comercializar produção de quatro campos até setembro de 2021

A Pré-Sal Petróleo (PPSA) contratou a B3 – Brasil, Bolsa e Balcão para realizar um leilão para a comercialização da produção futura de petróleo a que a União terá direito nos contratos de partilha de produção de Libra (Área de Desenvolvimento de Mero), Entorno de Sapinhoá e Búzios, e na Área Individualizada de Tupi.  A expectativa é de que o pré-edital seja publicado em agosto e o leilão seja realizado até setembro desse ano.

Em agosto de 2018, a PPSA contratou a comercialização da produção de Mero e Entorno de Sapinhoá em leilão na B3 por um período de 36 meses. Em face da proximidade do fim dos prazos contratuais, faz-se necessária a realização de um novo certame licitatório. O próximo leilão também marcará o início da comercialização da produção dos volumes excedentes da Cessão Onerosa do campo de Búzios. A expectativa é de que esse campo inicie a produção em regime de partilha de produção ainda no segundo semestre desse ano e a União passe a se apropriar, inicialmente, de cerca de 5 mil barris de petróleo/dia. O compartilhamento da produção terá início tão logo o Acordo de Coparticipação assinado entre a PPSA e a Petrobras seja aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e se torne efetivo.

Desde 2018, a PPSA arrecadou um montante R$ 1,9 bilhão com a comercialização do petróleo da União proveniente de Mero e Sapinhoá.

Os dados detalhados sobre os volumes comercializados e a arrecadação gerada para a União estão disponíveis no Painel Interativo Pré-Sal Petróleo (https://bit.ly/3vWmrJq).

 

Grupo Edson Queiroz, Copa Energia e Governo de Pernambuco anunciam investimento de R$ 1,2 bilhão em terminal de Gás de cozinha

Em reunião com o governador Paulo Câmara, empresas anunciam novo negócio com plano de investimentos para atender a alta na demanda do Nordeste

O Complexo Industrial Portuário de Suape terá um novo terminal de tancagem de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha. A nova estrutura será um investimento da ordem de R$ 1,2 bilhão realizado por uma joint venture formada pelo Grupo Edson Queiroz, controlador da Nacional Gás, por player global de armazenagem e Copa Energia, controladora da Liquigás e Copagaz. O objetivo é garantir o abastecimento da região Nordeste, que atualmente conta com estoque de apenas quatro dias.

O terminal contará com unidade de infraestrutura de 90 mil metros cúbicos de tancagem, além da implantação de dutos para movimentar a matéria-prima e fazer as conexões logísticas. O diferencial está na tecnologia inédita no Brasil, onde o gás é armazenado refrigerado, ocupando um volume reduzido e aumentando assim a capacidade de estoque. Por ano, o terminal de 60 mil metros quadrados irá comportar 1,5 milhão de toneladas de GLP. O anúncio foi feito pelo presidente do Grupo Edson Queiroz, Carlos Rotella, em reunião com o governador Paulo Câmara nesta quarta-feira (14).

“O Grupo Edson Queiroz é parceiro histórico de Suape e agora, por meio dessa joint venture, formada pelo Grupo Edson Queiroz, um player global de armazenagem e a Copa Energia, contaremos com um aporte bilionário que amplia nossa capacidade de abastecer o mercado de gás de cozinha, como também promover empregos importantes nas obras e na futura operação. Nossa responsabilidade no cumprimento de contratos e na garantia de oferecer segurança jurídica a quem decide investir em Pernambuco têm esse resultado. Acordos mantidos e aportes reforçados”, ressaltou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

Com o início das operações, o terminal de tancagem deve colocar o Nordeste em uma nova situação de autonomia de abastecimento de GLP. Hoje, o Brasil vive um déficit de combustível, já que não produz tudo o que consome, por isso, importa gás dos EUA, Oriente Médio e África. O Nordeste é o mais afetado, uma vez que as principais refinarias do País estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste.

“O GLP consumido pelo Nordeste já chega ao Brasil por Suape. Vamos instalar uma estrutura capaz de abastecer toda a região, com exceção do estado da Bahia. Além do aumento da capacidade, o terminal também reduzirá os custos da operação, já que teremos condições de armazenar volumes muito superiores aos que são feitos hoje em dia. Para o Grupo Edson Queiroz é um novo negócio, adjacente ao setor que já atuamos há 70 anos.”, conta Carlos Rotella, presidente do Grupo Edson Queiroz.

O novo equipamento já nasce com grandes clientes, a Nacional Gás, Copagaz e Liquigás, que devem consumir cerca de 70% do volume de negócio. “O terminal estará disponível para que outras distribuidoras possam importar diretamente o combustível contando com a nossa infraestrutura. Assim, terão mais agilidade, segurança e tecnologia à disposição”, complementa Rotella.

“A Copa Energia, com a aquisição da Liquigas, se tornou o maior player da América Latina de GLP e um dos principais do Nordeste. Esse investimento é um passo importante para garantia de abastecimento da região, pois passaremos a ter uma tancagem com maior capacidade de armazenamento garantindo o abastecimento no longo prazo. Além disso, esse movimento também vai de encontro com uma estratégia já adotada pela Copa Energia de diversificar o fornecimento de GLP. Hoje somos a única empresa que importa da Bolívia e Argentina, e essa infraestrutura que vai possibilitar termos acesso à ‘molécula’ em outras regiões, negociando com América do Norte, África e Ásia. Além da garantia de abastecimento, que é ainda mais um argumento para a liberação dos usos do GLP para outras aplicações, ampliando alternativas energéticas para desenvolvimento do Brasil”, declara Pedro Turqueto, vice-presidente da Copa Energia

A nova presença do Grupo Edson Queiroz em Suape reforça a estratégia de expansão da operação de players do segmento de gás no território do complexo, a partir da lacuna deixada pela Transpetro, com uma vantagem extra: a empresa possui terreno próprio dentro do porto organizado, onde já opera uma unidade de envase de GLP da empresa Nacional Gás. Os aportes já iniciaram com R$20milhões investidos na requalificação nas instalações da base envasadora em botijões, essencial para o novo projeto.

“Diversos segmentos são estratégicos dentro da nossa política de atração de novos negócios para Pernambuco, principalmente os de alto valor agregado e que representam impacto social, econômico e de proteção ao meio ambiente. O setor de gás de cozinha é um desses, inclusive porque a gente entende a essencialidade do produto na vida das pessoas e de diversos setores econômicos. Vamos trabalhar ativamente para que outros empreendimentos do tipo enxerguem a oportunidade também”, destacou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Geraldo Julio.

Durante a fase de obras o terminal de tancagem poderá gerar até mil postos de trabalho.

Sobre o Grupo Edson Queiroz – Desde 1951, o Grupo Edson Queiroz se faz presente nos mais diversos momentos da vida dos brasileiros por meio de um portfólio diversificado de marcas e produtos de segmentos variados. Ao longo da história, o Grupo consolidou uma cultura de pioneirismo e desenvolvimento de grandes negócios, empregando diretamente mais de 10 mil colaboradores e guiando sempre suas decisões nos princípios éticos que baseiam todas as suas relações. Entre as áreas de atuação e marcas, estão: Energia, com armazenamento, envase e distribuição de GLP com a Nacional Gás; Eletrodomésticos, com a Esmaltec; Alimentos e Bebidas, com a Minalba Brasil; Comunicação, com o Sistema Verdes Mares; Agronegócio, com as fazendas da Esperança Agro; e Incorporação imobiliária, com a Quepar Incorporações.

EDF Norte Fluminense fecha contrato com a Arke Energia para operação e manutenção da UTE Marlim Azul

O projeto é o primeiro ativo sem participação do Grupo EDF a ser operado pela companhia

A EDF Norte Fluminense, uma das subsidiárias brasileiras do grupo francês Electricité de France – EDF, acaba de fechar um contrato com a Arke Energia, formada pelo Pátria Investimentos (controlador com 50,1%), Shell (29,9%) e Mitsubishi Power (20%), para realizar a operação e a manutenção da Usina Termelétrica (UTE) Marlim Azul, em Macaé (RJ), pelos próximos 10 anos. A parceria prevê apoio na construção, operação e manutenção (O&M) da usina. O suporte de O&M potencializa as capacidades técnicas dos parceiros, com mão de obra especializada e serviço de monitoramento remoto global para maximizar a disponibilidade e performance da planta. O trabalho será executado pela EDF Norte Fluminense Serviços, que oferece soluções de operação e manutenção para usinas termelétricas e hidrelétricas.

O Grupo EDF já presta um serviço consagrado e reconhecido internacionalmente na operação de plantas de terceiros, sendo a UTE Marlim Azul o primeiro projeto de operação e manutenção da EDF Norte Fluminense em um ativo sem participação do Grupo EDF no Brasil. Com 17 anos de experiência em usina de ciclo combinado a gás (CCG) no Brasil, a companhia vai usar sua expertise no país, a experiência internacional e sua cultura de segurança para gerar os melhores resultados e soluções à nova usina.

“Esse é um passo estratégico fundamental para a EDF Norte Fluminense na diversificação de seu portfólio. Pretendemos continuar oferecendo nossos serviços de operação e manutenção a outros ativos e assim reforçar a nossa presença industrial e contribuir com a modernização do setor elétrico brasileiro”, diz Emmanuel Delfosse, presidente da EDF Norte Fluminense.

Um dos grandes diferenciais do contrato é que, em adição ao monitoramento remoto das Turbinas a Combustão da Mitsubishi Power, a EDF também está implementando o e-Monitoring, serviço de monitoramento remoto que contará com o envolvimento de profissionais da matriz da EDF, na França. Uma equipe altamente qualificada formada por engenheiros e especialistas de materiais irá monitorar o funcionamento da usina, trazendo uma visão internacional para o projeto. A EDF já monitora outras plantas desta forma em países como Vietnã, Inglaterra, Bélgica e a própria usina de Macaé.

“A EDF Norte Fluminense é referência em performance e tem, no seu DNA, a cultura do resultado e a eficiência. Nosso objetivo é replicar nossa filosofia de operação e manutenção para a Marlim Azul, trazendo excelência para a nova usina em meio ambiente, segurança, qualidade e disponibilidade técnica. Vale destacar que a EDF Norte Fluminense tem certificação tripla em qualidade, meio ambiente e segurança”, explica Jean-Philippe de Oliveira, diretor de Operações da EDF Norte Fluminense.

Localizada a aproximadamente 10km da UTE Norte Fluminense, a UTE Marlim Azul é uma usina do tipo CCG e foi o primeiro projeto vencedor dos leilões de energia com gás do pré-sal brasileiro, com um dos custos variáveis unitários (CVU) mais competitivos entre as usinas a gás. Com capacidade de gerar 565MW de energia, o empreendimento também será o primeiro a utilizar a turbina a combustão da Mitsubishi Power com tecnologia M501JAC no Brasil e tem a expectativa de despacho de mais de 80%, o que permitirá complementar a intermitência da geração renovável com a exploração das reservas de gás natural do pré-sal. A expectativa é que a planta entre em operação no final de 2022, produzindo energia para abastecer o equivalente a 2 milhões de domicílios. Além disso, no pico da sua construção, estima-se a criação de 1.500 empregos diretos. A confiabilidade das turbinas a combustão é assegurada pelo contrato de serviços de longo prazo da Mitsubishi Power, que inclui a suíte de soluções inteligentes TOMONI com análise avançada.

“A Arke é pioneira na transformação do gás do pré-sal brasileiro em energia elétrica e veio para consolidar o novo mercado de gás. Nosso primeiro projeto, a UTE Marlim Azul, demonstra que é possível gerar energia elétrica a preços competitivos a partir do gás natural. O projeto está em plena fase de implantação e prima pela excelência em todos os seus aspectos, unindo a expertise de investimentos do Pátria, o gás fornecido pela Shell e a turbina da Mitsubishi Power. A parceria com a EDF Norte Fluminense é importante porque assegurará a continuidade dessa cultura de excelência também para a operação segura e eficiente da planta”, diz Bruno Chevalier, CEO da Arke.

Para a Arke, outro aspecto determinante na contratação da EDF Norte Fluminense foi seu relacionamento próximo com a comunidade de Macaé, consolidado ao longo de mais de 15 anos de atuação na região. “Esperamos, assim, poder contribuir para o desenvolvimento e qualificação de profissionais oriundos da comunidade local, reforçando nosso compromisso social com a comunidade no entorno da UTE Marlim Azul”, diz João Lucas Ribeiro, COO da Arke.

Com uso de drones, VLI avança em eficiência e segurança no Terminal Portuário de São Luís

Garantir mais segurança, reduzir o tempo da operação portuária e ganhar produtividade estão entre os benefícios dos drones, que passaram a ser utilizados no Terminal Portuário São Luís (TPSL), operado pela VLI, companhia de soluções logísticas que integra terminais, ferrovias e portos, responsável pela circulação de trens entre o Maranhão e o Tocantins. A ideia nasceu em 2019, foi implantada no ano seguinte e mostra bons resultados desde então, otimizando o carregamento dos navios na capital maranhense.

De acordo com o inspetor de Operação Multimodal, Tércio Máximo, os drones são utilizados no processo de arqueação dos navios (leitura do calado). Essa operação é fundamental para dar segurança ao carregamento da embarcação. Os aparelhos sobrevoam ao redor do navio e fazem o que antes era realizado por um funcionário a bordo de uma lancha. Os ganhos com o sistema de drones podem ser medidos pela redução do tempo de operação e eliminação da necessidade de aluguel de lanchas. Sem os equipamentos, a leitura do calado consumia, pelo modelo tradicional, até uma hora, período em que a operação ficava parada. Agora, é possível realizar o mesmo trabalho em apenas 25 minutos e com total segurança.

“De uma só vez reduzimos o custo da operação, pois eliminamos o aluguel da lancha, tornamos o trabalho mais seguro, pois o arqueador não precisa mais se deslocar até a lancha, e diminuímos o tempo da arqueação”, explica Tércio. Além disso, o processo traz mais precisão ao carregamento do navio. Segundo Tércio, o valor investido na aquisição de dois drones foi recuperado no primeiro mês de operação com o novo sistema.

Inova VLI

A busca por inovação é uma constante na empresa por meio do Inova VLI, programa criado há três anos e que atua em três frentes: detectar tendências tecnológicas, inovação aberta e foco na colaboração com startups, universidades, grandes empresas, entre outros agentes. O uso de drones no TPSL é uma das iniciativas desse programa. A ideia, segundo Tércio, era apresentar algum projeto inovador na área que apresentasse como resultado ganho de tempo, produtividade e segurança. Daí surgiu a ideia de passar a usar os equipamentos para leitura de calados.

Sobre a VLI

A VLI tem o compromisso de apoiar a transformação da logística no país, por meio da integração de serviços em portos, ferrovias e terminais. A empresa engloba as ferrovias Norte Sul (FNS) e Centro-Atlântica (FCA), além de terminais intermodais, que unem o carregamento e o descarregamento de produtos ao transporte ferroviário, e terminais portuários situados em eixos estratégicos da costa brasileira, tais como em Santos (SP), São Luís (MA) e Vitória (ES). Escolhida como uma das 150 melhores empresas para trabalhar pela revista Você S/A, a VLI também foi eleita a mais inovadora empresa de transporte e logística, pelo Prêmio Valor Inovação Brasil 2020, e conquistou o 1º lugar na categoria Transporte e Logística das Melhores, da IstoÉ Dinheiro. A VLI transporta as riquezas do Brasil por rotas que passam pelas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.

Em seis meses do ano, estado do Rio de Janeiro arrecada 72,57% dos royalties recebidos em 2019

Análise da Firjan aponta que potencial é chegar ao fim deste ano no mesmo patamar de arrecadação de dezembro 2019, período pré-pandemia. Campos e Macaé já atingiram 68,85% do montante recebido em 2020.

O início do segundo semestre confirma as expectativas de crescimento na arrecadação de royalties de petróleo no estado do Rio de Janeiro, em especial a região da Bacia de Campos. Conforme análise da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), os municípios de Campos dos Goytacazes e Macaé, no Norte fluminense, alcançaram juntos, nos primeiros seis meses de 2021, 68,85% do montante arrecadado em 2020 – e 62,68% se comparado a 2019. Os dados são da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que estima uma arrecadação neste ano superior até ao período pré-pandemia.

Os números da ANP apontam para um crescimento na produção do país, com a continuidade do protagonismo do Rio de Janeiro. Entre as principais razões da retomada dos royalties são os volumes de produção, a taxa de câmbio e a recuperação dos preços mundiais dos barris de petróleo. Depois de ficar abaixo de US$ 20 durante a pandemia, em 25 de junho deste ano chegou a US$ 76,45/barril – patamar acima do período pré-crise.

“É importante destacar que as estimativas da ANP consideram um preço médio de US$ 60 a US$ 62 o barril, um parâmetro mais conservador do que a realidade de hoje, o que indica que o aumento na arrecadação de royalties pode até superar as atuais estimativas. O barril pode superar os US$ 90 até o fim do ano, o que demonstra a recuperação do mercado frente à crise”, explica a gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, Karine Fragoso.

Em Campos, por exemplo, foram arrecadados R$ 200,2 milhões em royalties nos primeiros seis meses deste ano – montante equivalente a 70,72% de todo o ano passado, e 54,92% dos valores de 2019. Já Macaé recebeu R$ 401,4 milhões em royalties no primeiro semestre deste ano – valor correspondente a 67,95% do total de 2020, e 67,42% de 2019. Em todo o estado, o montante já chega a 72,57% do arrecadado em 2019 – ou R$ 3,2 bilhões, com expectativa de passar dos R$ 7 bilhões até o fim deste ano.

“O aumento dos royalties chega em ótima hora, num momento em que a vacinação avança e a economia vem sendo retomada. Fatores que se somam para chegarmos em dezembro mais otimistas para os anos seguintes”, destaca o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.

Novo ciclo do petróleo

No horizonte de médio prazo, há ainda a expectativa de que novos campos e o aumento da atividade petrolífera reabasteçam ainda mais os cofres fluminenses. Até 2025, a previsão é de que o estado do Rio arrecade mais de R$ 75 bilhões em participações governamentais (royalties e participações especiais) – sendo R$ 18 bilhões divididos entre Campos, Macaé e Maricá. Só para se ter uma ideia, desde 2000 até o primeiro semestre deste ano, estes municípios receberam R$ 32 bilhões.

Além dos municípios avaliados pela federação, diversos foram os beneficiados com a arrecadação de royalties no estado, totalizando 92 municípios conforme levantamento feito junto à ANP para o mês de junho de 2021. Outro grande destaque nos últimos anos foi Niterói. Confrontante com campos de grande produtividade como Tupi, o município recebeu nos primeiros 6 meses de 2021, cerca de R$ 323 milhões em royalties. Já os municípios de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Armação de Búzios, na Costa do Sol, receberam juntos R$ 284,9 milhões nos primeiros meses do ano.

A previsão do estado é de arrecadação crescente. Nessa visão sobre aumento das receitas de royalties e participações especiais, surge uma oportunidade para o estado trabalhar sua missão de melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos. Por isso, é tão importante o olhar para a equiparação das alíquotas de ICMS sobre os derivados de petróleo com os estados que fazem fronteira ao Rio de Janeiro.

No olhar mais amplo, o tratamento equiparado deve ser para todas as fontes de energia, no sentido de posicionar o Rio em condições de competitividade, criando boa sinalização de que o estado pode ser o parceiro da indústria na retomada econômica. Assim, a valorização da cultura industrial se traduz na valorização do agente que de fato cria o emprego e gera renda.

As razões para o otimismo são calcadas em novos investimentos que vêm se confirmando. Segundo levantamento feito pela gerência de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, cinco multinacionais preveem uma injeção de pelo menos R$ 13,2 bilhões na Bacia de Campos. Isso por conta do processo de desinvestimento da Petrobras, que resultaram no leilão de 17 campos de petróleo da região.

Somam-se a esses movimentos, o Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos (Promar), do Ministério de Minas e Energia (MME), busca criar mecanismos de incentivo para atrair diferentes empresas na exploração dos campos maduros, como é em sua maioria o caso da Bacia de Campos. Com infraestrutura instalada e reservatórios descobertos, os campos maduros oferecem oportunidade de acesso a volumes remanescentes de óleo e gás com investimentos menores – com potencial, portanto, de reanimar a exploração de petróleo na região.

Como resultado dos desinvestimentos da Petrobras, há também que se tratar as condições de entrada dos novos agentes nessas áreas. O estado do Rio de Janeiro precisa estar atento aos novos desafios associados a esse ambiente e fortalecer sua parceria com a indústria.