Receita com exportação de petróleo alcança US$ 30,5 bilhões em 2021 e bate recorde

O Brasil nunca ganhou tanto dinheiro vendendo petróleo a outros países como em 2021. Com a cotação do barril em alta, a receita chegou a US$ 30,5 bilhões, 54% mais do que no ano anterior, segundo o Ministério da Economia. Em moeda nacional, esse valor corresponde a cerca de R$ 173 bilhões, considerando o dólar negociado nesta quinta-feira, 6, a R$ 5,7. Até então, o recorde da receita com a exportação era de US$ 25 bilhões, de 2018.

Em volume, a exportação de petróleo caiu 3,15% em 2021, para 67,8 milhões de toneladas (o que inclui óleo bruto e minerais betuminosos), de acordo com a Secex. Esse volume corresponde a 1,3 milhão de barris por dia, quase a metade da produção nacional de 2,8 milhões de barris por dia.

O último dado divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que se refere ao período de janeiro e novembro de 2021, mostra queda de 4,4% no volume exportado em comparação a igual período de 2020. O gasto com importação subiu, mas não o suficiente para abalar o saldo comercial positivo até novembro, de US$ 23,7 bilhões.

O que fez a diferença em 2021 foi o preço do petróleo, apesar de o produto brasileiro ser vendido a um valor inferior ao do Brent, negociado na Europa e usado como referência mundial. No ano passado, a commodity bateu a casa dos US$ 80 por barril. No melhor momento do mercado, em março de 2012, a cotação média mensal chegou a US$ 125 por barril.

O produto brasileiro foi negociado a US$ 61,80 o barril, na média de 2021, enquanto o Brent saiu a US$ 67,60. Isso significa que o óleo nacional valeu 8,6% menos do que o europeu. A ANP divulga volumes e receita de exportação, mas não o valor do barril brasileiro. Esses números foram calculados considerando a relação entre quantidade e arrecadação. A concorrência entre os exportadores e a qualidade do petróleo costumam influenciar o valor pago pelos importadores.

A Petrobras, principal vendedora do petróleo nacional, divulgou em seu último resultado financeiro, do terceiro trimestre do ano passado, que as exportações de petróleo renderam à companhia R$ 61,8 bilhões, de janeiro a setembro. A empresa também está ganhando com a venda de óleo combustível para navios, o que gerou uma arrecadação de R$ 19,4 bilhões.

Procurada, a petrolífera respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que os dados divulgados pela ANP e pelo Ministério da Economia incluem informações de outros produtores de petróleo, além dela. Afora disso, argumentou que o resultado financeiro do quarto trimestre ainda não foi divulgado e, por isso, ainda não pode se posicionar.

Destino
A China continua a ser o principal comprador do petróleo brasileiro. O país asiático gerou receita de US$ 14,2 bilhões para o Brasil, com a aquisição de petróleo, quase a metade do total arrecadado no ano, de acordo com o Ministério da Economia. Outros destinos, no entanto, também entraram na rota de exportação do óleo nacional, como Chile, Portugal e Coreia do Sul. Esses países têm demonstrado interesse especial na produção do pré-sal, com baixo teor de enxofre e, por isso, menos poluente.

“O aumento da receita com as exportações de petróleo está associado, principalmente, à recuperação do preço do barril do mercado internacional. Apesar disso, em termos de volume, a quantidade exportada caiu em 4,4%, muito provavelmente porque o principal comprador do nosso petróleo, a China, teve uma queda significativa de suas importações no segundo trimestre de 2021. Em maio de 2021, a quantidade de petróleo exportado teve seu pior desempenho no ano”, avalia Rodrigo Leão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás Natural (Ineep).

Para 2022, a expectativa para os preços absolutos de petróleo é positiva, pois o crescimento da demanda segue ultrapassando o da produção, mesmo diante do aumento do número de infectados pela variante do coronavírus Ômicron, no mundo, segundo Sergio Baron, analista sênior da S&P Global Platts.

“A nossa opinião é que as exportações de petróleo brasileiro serão duplamente beneficiadas, em 2022, pela continuação da valorização relativa do petróleo em relação ao Brent e pela perspectiva de preços de Brent mais elevados no corrente ano”, acrescenta o especialista.

TBG e Delta Geração celebram primeiro contrato de transporte de gás na modalidade Diário do mercado nacional

A TBG e a Delta Geração, do grupo Delta Energia, assinaram contratos de capacidade de transporte de gás natural de curto prazo na modalidade Diário. É a primeira vez que este tipo de serviço é prestado no mercado nacional. Também é o primeiro contrato de curto prazo da transportadora com um agente, além da Petrobras.

A TBG é a única empresa do setor no Brasil que oferece serviço de transporte nas modalidades trimestral, mensal e diário. As novas modalidades de contrato e outras iniciativas têm como objetivo contribuir com a abertura do mercado, no sentido em que vão ao encontro de suas demandas.

O serviço apoia o abastecimento da usina de William Arjona, em Campo Grande (MS), primeira termelétrica do país a usar gás natural do gasoduto Bolívia-Brasil. Com um sistema que permite acionamento pontual, realizado conforme as condições do sistema, a usina pode demandar até 1,3 milhão de metros cúbicos por dia.

De acordo com Jorge Hijjar, diretor comercial da TBG, o contrato com a Delta Geração representa um avanço para o mercado no país. “A contratação da modalidade Diário é inédita no Brasil e muito relevante para o setor, pois mostra que a entrada de novos players já é uma realidade, que gera concorrência e fortalece o ambiente de negócios. Isso só foi possível porque a TBG desenvolveu e submeteu à ANP os produtos de curto prazo, as plataformas de oferta de capacidade (POC) e de operação (PTG), que permitem a compra em tempo hábil para viabilizar o serviço, conforme horários operacionais, tanto do sistema de transporte quanto do suprimento de gás, possibilitando o planejamento de todas as ações necessárias para o dia seguinte. Foram assinados, até o momento, sucessivos contratos da ordem de 600 mil m³/dia cada e há a expectativa da continuidade da prestação do serviço.”

Para Luiz Fernando Vianna, presidente da Delta Geração, a modalidade de contratação de transporte Diário junto à TBG indica o amadurecimento do mercado de energia brasileiro, que vem avançando em flexibilidade e liberdade para os agentes. “Num momento sensível em que as geradoras são chamadas a suportar a demanda do sistema, a possibilidade de fechar acordos diários se revela um trunfo”, observa.

As contratações foram feitas por meio do Portal de Oferta de Capacidade (POC), que é um ambiente digital que possibilita a contratação de produtos e serviços de curto prazo da TBG (trimestral, mensal e diário) e que pode ser acessado em www.oferta de capacidade.com.br.

Atualmente o POC tem ofertas disponíveis e os carregadores interessados poderão solicitar a contratação da capacidade de um ou mais produtos, por ponto de entrada e/ou zona de saída, conforme seus interesses.

ABPIP vai premiar instituições de ensino superior com estudos e tecnologias inovadoras no setor de petróleo e gás natural

A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) acaba de lançar o edital para o Prêmio ABPIP Inova, que visa reconhecer os esforços de Instituições de Ensino Superior (IES) em contribuir na disseminação de estudos e tecnologias com foco na inovação no setor de petróleo e gás natural. As inscrições serão abertas no dia 15 de fevereiro, seguirão até 15 de março e poderão ser feitas gratuitamente por meio de link que será disponibilizado no site e nas redes sociais da associação. Podem participar IES nacionais ou estrangeiras.

Segundo Anabal Santos Jr., Secretário Executivo da ABPIP, o prêmio possibilitará a apresentação de contribuições e projetos que estejam relacionados ao desenvolvimento de inovação na cadeia produtiva de petróleo e gás. “Os trabalhos serão analisados pelos membros do Comitê de Inovação e Relacionamento com a Academia (CIRA), formado por representantes das empresas associadas e membros da Secretaria Executiva da Associação”, explicou.

O Prêmio ABPIP Inova vai explorar o conhecimento científico e tecnológico associado ao resultado gerado, de modo a avaliar o impacto dos estudos e soluções inovadoras desenvolvidos pelas IES participantes para melhorias da indústria de óleo e gás. Para tanto, os inscritos poderão eleger um dos temas relacionados aos pleitos defendidos pela Associação que, segundo Santos Jr., são de extrema importância para a exploração e produção de campos de petróleo e gás natural:

  • Revitalização de Campos Maduros de Exploração e Produção;
  • Dados técnicos disponibilizados pelo BDEP/ANP;
  • Fomento à Indústria de Bens e Serviços;
  • Exploração de Recursos Não Convencionais no Brasil;
  • Licenciamento ambiental no Brasil;
  • Os hidrocarbonetos e a transição energética;
  • REATE;
  • PROMAR;
  • Novo Mercado de Gás;
  • Utilização de ferramentas BI para Gestão de Processos na ANP.

Após realizadas as inscrições, as instituições participantes terão até o dia 11 de novembro de 2022 para apresentar seus trabalhos e informações. O resultado será divulgado no dia 30 de novembro de 2022. As instituições que conquistarem a primeira e segunda colocação no prêmio vão receber uma placa, certificados e uma visita técnica às instalações de uma das empresas associadas da ABPIP. A vencedora poderá, ainda, indicar um aluno para fazer um estágio de seis meses na ABPIP ou em uma empresa associada.