Shell e TotalEnergies ganham novos blocos exploratórios no Brasil

As petrolíferas Shell e TotalEnergies garantiram seis e dois blocos de exploração offshore, respectivamente, na bacia de Santos, no litoral brasileiro, como parte da última rodada de licitações do país.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou a sessão pública de licitação do 3º Ciclo da Área Aberta no Modelo de Concessão. No leilão, foram adquiridos 59 blocos exploratórios em 6 bacias, gerando R$ 422,4 milhões em bônus de assinatura – um prêmio de 854,84% – e resultará em pelo menos R$ 406,3 milhões em investimentos somente na primeira fase do contrato ( fase de exploração). A sessão aconteceu na última quarta-feira (13/04).

Os blocos foram adquiridos por um total de 13 empresas, sendo uma delas uma nova entrante no Brasil (CE Engenharia).

A maior Shell europeia, em parceria com a Ecopetrol Oil and Gas, fechou os blocos SM-1599, SM-1601, SM-1713, SM-1817, SM-1908 e SM-1910, todos na Bacia de Santos. A Shell Brasil vai operar os blocos com 70% de participação e pagará um total de R$ 98,158 milhões em bônus de subscrição.

“O terceiro leilão da Oferta Permanente foi mais um marco em nosso foco no Brasil, que responde por cerca de 13% da produção global de petróleo e gás da Shell. Essa nova área amplia ainda mais nosso portfólio no Brasil, onde atuamos como operadoras desde o início do século 21”, disse Manoela Lopes , Diretora de Exploração da Shell Brasil.

Com o bloco adquirido na 3ª Oferta Permanente de áreas de exploração, a Shell Brasil passou a deter mais de 30 contratos de petróleo e gás no país.

Por outro lado, a TotalEnergies garantiu 100% de participação em cada um dos dois blocos exploratórios, SM-1711 e SM-1815, com bônus de assinatura de R$ 150 milhões e R$ 125 milhões, respectivamente.

O diretor-geral da ANP, Rodolfo Saboia , disse que os resultados da rodada de licitações superaram as melhores expectativas.

ANP faz licitação para ampliar fiscalização da medição da produção de petróleo e gás

A ANP abriu, no último dia 6/4, licitação para contratação de empresa especializada para auxílio e apoio técnico às atividades de fiscalização de sistemas de medição de petróleo e gás natural em instalações marítimas de exploração e produção (plataformas e FPSOs). A medição dos volumes de petróleo e gás produzidos possui impacto direto na arrecadação de participações governamentais (como royalties), na gestão de reservatórios, no controle operacional de equipamentos e nos contratos de transporte de gás natural.

A fiscalização feita pela ANP nessas instalações tem como objetivo verificar se os sistemas de medição estão atendendo às condições e aos requisitos técnicos contidos no Regulamento Técnico de Medição de Petróleo e Gás Natural (RTM) e suas normas aplicáveis, de forma a garantir a credibilidade dos resultados de medição. As fiscalizações são feitas tanto in loco (ou seja, verificando os equipamentos nas próprias instalações) quanto por meio de análise documental.

A licitação tem como principal objetivo ampliar a capacidade de fiscalização da Agência, uma vez que o regulamento prevê a presença de dois profissionais em cada auditoria – ou seja, com o apoio de uma empresa especializada, será possível que apenas um servidor da ANP efetue a fiscalização, na função de liderança, acompanhado de um profissional contratado. Permitirá ainda aprimorar a atuação da ANP, recebendo auxílio técnico de profissionais especializados na área de gestão metrológica e engenharia consultiva em gestão de sistemas de medição de petróleo e gás natural, além da troca de informações e conhecimentos com os servidores da Agência. A vigência do contrato será de 24 meses podendo ser prorrogado, por interesse das partes, até o limite de 60 meses.

A medida faz parte de um esforço da ANP no aprimoramento das atividades relativas à medição da produção. Também está em andamento a revisão do Regulamento Técnico de Medição de Petróleo e Gás Natural (RTM), anexo à Resolução Conjunta ANP/Inmetro nº 1/2013, que traz requisitos aplicáveis aos sistemas de medição de instalações de produção e transporte de petróleo e gás natural.

3º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão tem 59 blocos arrematados e gerará mais de R$ 400 milhões em investimentos

A ANP realizou a sessão pública do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Foram arrematados 59 blocos exploratórios, em seis bacias, que geraram R$ 422.422.152,64 em bônus de assinatura – um ágio de 854,84% – e resultarão em, pelo menos, R$ 406.290.000,00 em investimentos somente na primeira fase do contrato (fase de exploração).

Em função da diversidade dos blocos arrematados, os investimentos ocorrerão em seis estados: Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná. Os blocos foram arrematados por um total de 13 empresas, sendo uma delas nova entrante no país (CE Engenharia).

O Diretor-Geral da ANP, Rodolfo Saboia, destacou o sucesso dos resultados. “O resultado do leilão de hoje superou as melhores expectativas. Em primeiro lugar, obtivemos arrecadação recorde em ciclos da Oferta Permanente, o que consolida esse modelo como a principal forma de licitação de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural. Também obtivemos recorde na quantidade de blocos arrematados nesse modelo, acrescentando 7,855 mil km² de área exploratória. E o que é mais importante, obtivemos recorde nos compromissos de investimentos mínimos. Esses investimentos vão resultar em atividade econômica, emprego e renda para os brasileiros”, afirmou.

Saboia ressaltou ainda a ampliação do espaço de pequenos e médios produtores “Isso é algo estimulado pela ANP, pois essas empresas são aquelas que tradicionalmente adquirem mais bens e serviços locais. Destaco ainda a retomada da exploração no estado de Alagoas e o resultado dos blocos marítimos. Foram oito blocos arrematados, com competição, em fronteira exploratória da Bacia de Santos. Enfim, considero o resultado realmente excepcional para o Brasil. É uma mostra de que o país continua competitivo, atraindo investimentos exploratórios, com diversidade de agentes, nacionais e estrangeiros, mesmo em um cenário de transição energética. E é uma mostra também de que há muita exploração a ser feita além do Pré-sal”, concluiu.

Este foi o 3º Ciclo realizado no regime de concessão. No 1º Ciclo, que ocorreu em 2019, foram arrematados 33 blocos e 12 áreas com acumulações marginais, que geraram arrecadação de R$ 22,3 milhões em bônus de assinatura e R$ 320,3 milhões em investimentos. Já no 2º Ciclo, em 2020, foram arrematados 17 blocos e uma área com acumulações marginais, e gerados R$ 56,7 milhões em bônus de assinatura e R$ 160,6 milhões em investimentos.

No regime de concessão, os vencedores são definidos por dois critérios: bônus de assinatura (80%) e programa exploratório mínimo – PEM (20%) oferecidos pelas licitantes.

Os bônus são os valores em dinheiro ofertados pelas empresas, a partir de um mínimo definido no edital, e são pagos pelas vencedoras antes de assinarem os contratos. Já o PEM, medido em unidades de trabalho (UTs), define um mínimo de atividades que a empresa se propõe a realizar no bloco durante a primeira fase do contrato (fase de exploração), como sísmicas, perfurações de poços etc.

Veja abaixo os resultados por bacia, setor e bloco:

Bacia Setores Bloco Empresa / consórcio vencedor Bônus de assinatura (R$) PEM (UT)
Santos SS-AP4 S-M-1599 Shell Brasil (70%)*; Ecopetrol Óleo e Gás (30%) 44.022.000,14 180
Santos SS-AP4 S-M-1601 Shell Brasil (70%)*; Ecopetrol Óleo e Gás (30%) 37.468.000,14 180
Santos SS-AP4 S-M-1711 TotalEnergies EP (100%)* 150.000.000,00 185
Santos SS-AP4 S-M-1713 Shell Brasil (70%)*; Ecopetrol Óleo e Gás (30%) 24.882.000,14 180
Santos SS-AP4 S-M-1815 TotalEnergies EP (100%)* 125.000.000,00 185
Santos SS-AP4 S-M-1817 Shell Brasil (70%)*; Ecopetrol Óleo e Gás (30%) 24.534.000,14 179
Santos SS-AP4 S-M-1908 Shell Brasil (70%)*; Ecopetrol Óleo e Gás (30%) 4.660.114,14 125
Santos SS-AP4 S-M-1910 Shell Brasil (70%)*; Ecopetrol Óleo e Gás (30%) 4.660.114,14 125
Espírito Santo SES-T4 ES-T-399 CE Engenharia (100%)* 205.000,00 130
Espírito Santo SES-T6 ES-T-528 Imetame (30%)*; ENP Ecossistemas (20%); Seacrest (50%) 150.878,00 134
Recôncavo SREC-T1 REC-T-103 Petroborn (100%)* 360.500,00 181
Recôncavo SREC-T2 REC-T-24 NTF (100%)* 501.000,00 1.200
Recôncavo SREC-T3 REC-T-165 Petroborn (100%)* 211.500,00 223
Recôncavo SREC-T3 REC-T-191 NTF (50%)*; Newo (50%) 80.000,00 204
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-102 Origem (100%)* 75.016,10 120
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-103 Origem (100%)* 75.016,10 167
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-110 Origem (100%)* 75.016,10 164
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-117 Origem (100%)* 75.016,10 204
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-120 Origem (100%)* 75.016,10 99
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-141 Origem (100%)* 75.016,10 136
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-151 Origem (100%)* 75.016,10 148
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-153 Origem (100%)* 75.016,10 159
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-166 Origem (100%)* 75.016,10 181
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-167 Origem (100%)* 75.016,10 171
Sergipe-Alagoas SSEAL-T2 SEAL-T-179 Origem (100%)* 75.016,10 193
Sergipe-Alagoas SSEAL-T3 SEAL-T-187 Origem (100%)* 75.016,10 205
Sergipe-Alagoas SSEAL-T3 SEAL-T-252 Origem (100%)* 75.016,10 204
Sergipe-Alagoas SSEAL-T3 SEAL-T-253 Origem (100%)* 75.016,10 151
Potiguar SPOT-T2 POT-T-352 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 139
Potiguar SPOT-T2 POT-T-391 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 123
Potiguar SPOT-T2 POT-T-474 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 200
Potiguar SPOT-T3 POT-T-281 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 111
Potiguar SPOT-T3 POT-T-304 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 189
Potiguar SPOT-T3 POT-T-326 3R Petroleum (100%)* 50.000,00 208
Potiguar SPOT-T3 POT-T-327 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 163
Potiguar SPOT-T3 POT-T-353 3R Petroleum (100%)* 100.000,00 208
Potiguar SPOT-T3 POT-T-354 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 208
Potiguar SPOT-T3 POT-T-355 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 207
Potiguar SPOT-T3 POT-T-393 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 208
Potiguar SPOT-T3 POT-T-435 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 245
Potiguar SPOT-T3 POT-T-436 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 128
Potiguar SPOT-T3 POT-T-437 3R Petroleum (100%)* 700.000,00 400
Potiguar SPOT-T4 POT-T-520 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 111
Potiguar SPOT-T4 POT-T-605 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 154
Potiguar SPOT-T4 POT-T-608 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 207
Potiguar SPOT-T4 POT-T-609 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 143
Potiguar SPOT-T4 POT-T-654 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 209
Potiguar SPOT-T4 POT-T-655 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 207
Potiguar SPOT-T4 POT-T-696 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 208
Potiguar SPOT-T4 POT-T-697 Petro-Victory (100%)* 56.000,00 207
Potiguar SPOT-T5 POT-T-524 3R Petroleum (100%)* 50.000,00 207
Potiguar SPOT-T5 POT-T-525 3R Petroleum (100%)* 50.000,00 285
Potiguar SPOT-T5 POT-T-568 3R Petroleum (100%)* 50.000,00 208
Tucano STUC-S TUC-T-140 Imetame (30%)*; ENP Ecossistemas (70%) 108.878,00 410
Tucano STUC-S TUC-T-146 Origem (100%)* 350.016,10 406
Tucano STUC-S TUC-T-154 Origem (100%)* 520.016,10 406
Tucano STUC-S TUC-T-161 Imetame (30%)*; ENP Ecossistemas (70%) 1.203.878,00 1.000
Tucano STUC-S TUC-T-167 Origem (100%)* 250.016,10 406
Tucano STUC-S TUC-T-177 Origem (100%)* 140.016,10 405

 * Operador

A assinatura dos contratos está prevista para ocorrer até o dia 31/10/2022.

No 3º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, estiveram em oferta 14 setores de blocos exploratórios de sete bacias: Santos, Pelotas, Espírito Santo, Recôncavo, Potiguar, Sergipe-Alagoas e Tucano.

O que é a Oferta Permanente    

A Oferta Permanente é, atualmente, a principal modalidade de licitação de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil. Nesse formato, há a oferta contínua de blocos exploratórios e áreas com acumulações marginais localizados em quaisquer bacias terrestres ou marítimas.

Desse modo, as empresas não precisam esperar uma rodada de licitações “tradicional” para ter oportunidade de arrematar um bloco ou área com acumulação marginal, que passam a estar permanentemente em oferta. Além disso, as companhias contam com o tempo que julgarem necessário para estudar os dados técnicos dessas áreas antes de fazer uma oferta, sem o prazo limitado do edital de uma rodada.

Uma vez tendo sua inscrição aprovada na Oferta Permanente, a empresa pode declarar interesse em um ou mais dos blocos e áreas ofertados no Edital. Após aprovação, pela Comissão Especial de Licitação (CEL), de uma ou mais declarações de interesse, tem início um ciclo da Oferta Permanente, com a divulgação de seu cronograma pela Comissão. Os ciclos correspondem à realização das sessões públicas de apresentação de ofertas para um ou mais setores que tiveram declaração de interesse. No dia da sessão pública, as empresas inscritas podem fazer ofertas para blocos e áreas com acumulações marginais nos setores em licitação naquele ciclo.

Oferta Permanente de Concessão (OPC) e de Partilha (OPP) 

Até dezembro de 2021, a Oferta Permanente era realizada exclusivamente em regime de contratação por concessão. Essa limitação foi superada a partir da publicação, em 24/12/2021, da Resolução nº 27/2021 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que estabelece que os campos ou blocos no Polígono do Pré-sal ou em áreas estratégicas poderão ser licitados no sistema de Oferta Permanente mediante determinação específica do CNPE, com definição dos parâmetros a serem adotados para cada campo ou bloco. Nesses casos, a licitação será no regime de partilha da produção.

Assim, passou a haver duas modalidades da Oferta Permanente: a Oferta Permanente de Concessão (OPC), agora em seu 3º Ciclo, cuja sessão pública ocorreu hoje; e a Oferta Permanente de Partilha de Produção (OPP), que ainda não possui data para ser realizada, pois se encontra atualmente em fase de elaboração do edital e modelos de contratos.