O Diálogo é essencial para a retomada do desenvolvimento industrial – Raul Sanson, vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan)

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) tem reiterado a importância do papel da indústria de óleo e gás tanto em termos socioeconômicos como também em relação à busca de caminhos para uma economia de baixo carbono. E tem buscado replicar essa mensagem para os investidores estrangeiros em eventos como a Offshore Technology Conference (OTC), realizada em maio, em Houston (EUA), na qual o vice-presidente da Firjan, Raul Sanson. Segundo ele, a mensagem reforçada durante o evento é que “o futuro descarbonizado não é um futuro sem petróleo e gás, mas sim, um futuro em que soluções tecnológicas e cooperação entre países agem diretamente para atingirmos os objetivos necessários para sustentabilidade”. Sanson destacou os atrativos que o estado fluminense oferece, em projetos de exploração e produção de O&G que vão alavancar outros empreendimentos, que vão contribuir para acelerar a transição energética. E para isso, o diálogo é fundamental. “Pensar no desenvolvimento industrial é pensar a longo prazo. Independente do cenário, a indústria sempre esteve presente e capaz de se desenvolver para apoiar o crescimento econômico do estado. Para isso, além de proximidade com o governo, é preciso que as empresas dialoguem entre si, entendam suas necessidades, gaps e diferenciais competitivos”, aponta Raul Sanson.

Oil & Gas Brasil: Na OTC, a Firjan agregou um estudo sobre o potencial fluminense ao “Portfolio of Investment – Oportunities in Brazil”, elaborado pela APEX-Brasil com apoio do Sistema Firjan. Quais foram os principais objetivos de vocês com esse estudo?

Raul Sanson: A atuação da Firjan durante a feira teve como objetivo dar publicidade, em nível internacional, para as
oportunidades proporcionadas ao mercado de óleo, gás natural e energia em mar e o que isso pode significar em oportunidades na costa, em terra. Assim como a OTC, que apresentou uma forte temática com relação à transição energética e os  investimentos com foco na redução das emissões de gases de efeito estufa, o nosso estudo da Firjan mostrou os investimentos relacionados à exploração e produção de petróleo e gás no Rio; projetos em terra de gás natural, que podem ser desenvolvidos a partir dessa produção; e, também, quais são os projetos em estudo em óleo e gás e de energia renováveis, que tem relação com O&G ou que estejam sendo discutidos por empresas intrinsicamente ligadas a este setor.

Oil & Gas Brasil: Ou seja, o Rio de Janeiro continua a ser a porta de entrada de investimentos para esse setor…

Raul Sanson: Sim. Mostramos que o estado do Rio de Janeiro é o centro do petróleo no Brasil, mas que nossas oportunidades vão muito além do E&P, sendo – também – destino de investimentos que podem apoiar o Brasil a ser ainda mais sustentável.

Oil & Gas Brasil: A Firjan apontou que há mais de 45 projetos com potencial de desenvolvimento no estado, juntamente com outros de energia renovável. Quais são os que estão em estágio mais avançados em E&P, que está nas mãos das operadoras, sobre as quais você disse na OTC: “Não apenas temos as principais empresas lá instaladas, mas também é no estado fluminense que as principais oportunidades offshore estão localizadas, com mais de 60 bilhões de dólares em projetos em desenvolvimento”?

Raul Sanson: Quando se fala em exploração e produção de O&G no Brasil não tem como não falar do Rio de Janeiro. As principais oportunidades de expansão da produção estão localizadas no território fluminense e não apenas principais em sentido de volume, mas também as de maior economicidade. Por exemplo, das 20 plataformas de produção previstas para entrarem em produção até 2026, 16 delas estão localizadas em águas fluminenses. Isso significa a adição de capacidade produtiva de mais de 2,5 milhões de barris por dia, ou seja, valor próximo do total produzido hoje. Entre os projetos
destacam-se os campos de Búzios, Mero, Gato do Mato e renovação do Polo Marlim. E quando falamos de renovação, não podemos esquecer da ampliação da participação de novas operadoras que adquiriram áreas marginais, entre elas a PetroRio, Trident, Perenco e 3R, por exemplo, além do PROMAR – Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos, do governo federal, que visa aumentar a vida útil de áreas em produção e aumentar também o fator de recuperação de petróleo. Essas empresas, em conjunto com os investimentos da Petrobras na revitalização da bacia de Campos, são uma grande promessa para recuperar o crescimento da produção nessa região.

Oil & Gas Brasil: E como está a evolução dos projetos na área de gás natural (GN) – termelétricas, pipelines, plantas de processamento?

Raul Sanson: Quando falamos de produção, precisamos falar também de demanda, pois um não existe sem o outro. E no caso do gás natural, o Rio de Janeiro tem potencial para atrair diversos agentes consumidores, desde geração elétrica e até siderúrgicas, petroquímicas e expansão do consumo existente. No estudo levado a OTC pela Firjan, destacamos as térmicas por existirem maiores informações sobre os projetos, porém mais detalhes sobre o potencial de consumo de gás natural no estado podem ser acessados no estudo recém-publicado “Potencial do Gás Natural: Um Novo Ciclo para a Petroquímica no Rio de Janeiro”, que lançou um olhar aprofundado sobre como o insumo pode ser usado para potencializar a petroquímica e a indústria de fertilizantes no Rio. Tem ainda o estudo publicado no final de 2021, o “Mapeamento da Demanda de Gás Natural no Rio de Janeiro”, que teve como objetivo entender em detalhes como se dá a demanda do energético no Rio de Janeiro por segmentos e qual a perspectiva da indústria fluminense de expansão do consumo.

Oil & Gas Brasil: O E como está este processo na área de renováveis (solar, hidrogênio e eólica), na qual a Firjan apontou nove projetos de fazendas eólicas, um de hidrogênio e um solar?

Raul Sanson: Para projetos de novas energias no estado, destaca-se a rápida expansão de solicitações de licenciamento ambiental na área de eólica offshore. Também é importante falar dos projetos de hidrogênio. Recentemente houve o anúncio da
intenção da Shell de promover o projeto de hidrogênio verde com o Porto do Açu, somando mais uma iniciativa no tema, nos
mesmos moldes do protocolo de intenções do Porto com a Fortescue. O governo do Estado também assinou um memorando de entendimentos com a White Martins sobre o tema. O mercado de renováveis se destaca pela sua convergência com o know-how fluminense em petróleo e gás. Para as eólicas em mar, por exemplo, há grande possibilidade de utilizar nessas atividades empresas fornecedoras de bens e serviços que já atendem ao mercado de petróleo e gás offshore. Mais uma maneira de como o Rio de Janeiro, com estrutura existente de suporte no mercado de O&G, pode apoiar o desenvolvimento de soluções de baixo carbono para o Brasil.

(Foto: Divulgação)

Oil & Gas Brasil: Quais os maiores desafios ou impasses para que os projetos avancem na área de gás natural? O que depende da indústria e o que depende das instituições governamentais, nas diversas esferas?

Raul Sanson: Integração já é parte importante do mercado de gás natural. Sem integração fluida entre os elos da cadeia desse mercado, não há como termos o desenvolvimento no ritmo desejado. Esse resultado só poderá ser atingido pela atuação conjunta entre agentes públicos e privados. As empresas ofertantes, demandantes e que prestam os serviços para a entrega do gás até o consumo, precisam deixar clara suas oportunidades futuras de produção e consumo, assim como necessidades e entraves para a viabilização desses empreendimentos. O projeto “Mapeamento de Demanda de Gás No Rio” teve, como um de seus objetivos, entender a fundo essa visão da indústria, que consome o gás natural. Pelo lado dos agentes públicos, é importante que as condições de abertura do mercado sejam oportunizadas de modo semelhante para todo o país, evitando que se repita o que foi observado, em 2021, de abertura em uma região em detrimento de outra. É preciso que essa harmonização ocorra em níveis federal e estadual, assim como que as regulações dessas esferas tenham convergência entre si.

Oil & Gas Brasil: Você afirmou na OTC, que a mensagem reforçada durante o evento é que o futuro descarbonizado não é um futuro sem petróleo e gás, mas sim, “um futuro em que soluções tecnológicas e cooperação entre países agem diretamente para atingirmos os objetivos necessários para sustentabilidade”. Se já é difícil haver consenso em três esferas (município, estado, união), imagine entre países…Em que já avançamos nesse processo de descarbonização no estado fluminense em termos efetivos? Ou seja, o que já foi feito e não o que temos em potencial…

Raul Sanson: As ações relacionadas à descarbonização precisam ter atuação de todos os níveis de agentes, entes privados e
públicos. As parcerias ocorrem por meio de troca de tecnologias, desenvolvimento de soluções inovadoras em parceria com
Institutos de Tecnologia, financiamentos que beneficiem soluções que sigam na direção correta, entre outras. Sem contar que a Firjan tem uma área Internacional, dedicada para aproximação entre países. Podemos destacar, como casos de sucesso de atuação para desenvolvimento de soluções que resulte em menor emissão, alguns dos produtos oferecidos pelo Instituto SENAI de Química Verde, da Firjan SENAI. Um deles, o “Estudo de Produção Mais Limpa”, que visa reduzir os desperdícios de diversas formas e fontes de energia no processo produtivo, há casos em que a redução de consumo ultrapassa a marca de 20% do total da energia da fábrica. Isso significa economia no bolso do empresário e menos emissão por meio da eficiência energética. Temos orgulho, também, de participarmos de uma iniciativa global da ONU. O projeto tem como objetivo promover um levantamento sobre aplicações e usos do hidrogênio verde. Esses são alguns exemplos de como atuamos e casos de sucesso em atuação conjunta e direcionada para apoiar o processo de descarbonização, a nível nacional e mundial.

Oil & Gas Brasil: Qual a sua visão do estado do Rio, em termos industriais, até o final dessa década (lembrando que fomos otimistas em décadas passadas e retroagimos)?

Raul Sanson: Pensar no desenvolvimento industrial é pensar a longo prazo. Independente do cenário, a indústria sempre esteve presente e capaz de se desenvolver para apoiar o crescimento econômico do estado. Para isso, além de proximidade com o governo, é preciso que as empresas dialoguem entre si, entendam suas necessidades, gaps e diferenciais competitivos. A Firjan, nesse processo, apoia e continuará apoiando a indústria fluminense, defendendo seus interesses e disponibilizando ativos humanos e tecnológicos para contribuir no desenvolvimento da indústria e sua força de trabalho. Frente ao tamanho das
oportunidades que o Rio oferece, em termos de recursos naturais e potencial de consumo, precisamos trabalhar ativamente para garantir um ambiente de negócios propícios para que a indústria seja capaz de, cada vez mais, se inserir e suprir as
necessidades.

Petrobras estende contrato para navio de apoio ao duto Sapura

A Seabras JV, uma empresa coligada na qual a Paratus Energy Services detém indiretamente 50% de participação acionária, garantiu uma extensão de contrato com a Petrobras para o navio de apoio pipelay (PLSV) Sapura Esmeralda.

Sob a extensão do contrato de dois anos, a Sapura Esmeralda trabalhará para a gigante brasileira de petróleo e gás de 2 de agosto de 2022 a 1 de agosto de 2024.

De acordo com a Paratus, o prêmio continua fortalecendo o relacionamento de longo prazo da empresa com a Petrobras e reforça sua posição no robusto mercado de JVs para PLSVs no Brasil.

Com todos os seis PLSVs da frota totalmente contratados sob contratos de longo prazo, a carteira de contratos da Seabras JV no final de julho é de US$ 940 milhões, acrescentou a Paratus.

A Sapura Esmeralda, projetada pela OSX Brasil, foi entregue à Sapura no final de 2015.

O PLSV, com 134 metros de comprimento, é uma embarcação de 300 toneladas, capaz de operar em lâmina d’água de até 2.500 metros.

Está equipado com dois carrosséis de armazenamento sob o convés, com capacidade de 2.000 e 500 toneladas, e um sistema de tombamento vertical permanentemente instalado para a implantação de produtos flexíveis com diâmetro de 105 a 630 mm.

A embarcação também está equipada com dois ROVs lançados pela lateral.

Petrobras participa de feira de inovação no Espírito Santo

Simulador de robô submarino permitirá experiência em 4D aos visitantes

A Petrobras participará da Mec Show 2022 – Feira da Metalmecânica e Inovação Industrial do Espírito Santo com representantes em painéis, apresentação de tecnologias desenvolvidas no seu Centro de Pesquisas (CENPES) e com a oportunidade do público presente controlar virtualmente um ROV (Remoted Operated Vehicle), simulando inspeções e reparos no fundo do mar.

Os visitantes poderão operar o robô numa experiência imersiva em 4D com a tecnologia conhecida como hand tracking (captura do movimento das mãos) e uso de óculos de realidade virtual. Os ROVs são veículos de inspeção utilizados pela Petrobras em atividades de exploração e produção em águas profundas.

No dia 2 de agosto, às 15h, Eduarda Lacerda, Gerente Geral da Unidade de Negócio de Exploração e Produção do Espírito Santo, participará da solenidade de abertura da Mec Show e em seguida da mesa redonda com o tema “O estado do Espírito Santo nas atividades offshore”. No dia seguinte, Luciano Felipe de Carvalho Rodrigues, Gerente de Gestão da Inovação Tecnológica do Cenpes, participará do Painel Inovação e Vinícius Maia de Jesus, gerente de Modelos de Negócio de Tecnologia, participará do Painel Rede de Inovação Senai. Viviana Coelho, Gerente Executiva de Mudança Climática, no dia 4 de agosto, estará no Painel 9, com o tema “Processos de Descarbonização”.

Na Ilha da Inovação, espaço da Mec Show dedicado à apresentação de soluções por startups, serão realizadas discussões sobre inovações através de palestras e workshops, além da mostra de produtos, protótipos e simuladores interativos. Profissionais do Centro de Pesquisa da Petrobras apresentarão os seguintes equipamentos e tecnologias: Annelida – Robô de Intervenção em Linhas; Robin – Robô de Intervenção em Poços; Medição de propriedades de fluidos em tempo real; Visão de Automação da Perfuração; PIG com sensores de correntes parasitas; Ferramentas de Inspeção do Anular de Dutos flexíveis.

A Mec Show reúne anualmente um público em busca de inovação industrial, networking e negócios com fornecedores e indústrias trazendo as últimas tendências e tecnologia de ponta para a indústria dos setores naval, petróleo e gás, papel e celulose, siderurgia, metalúrgica, mineração, usinagem, química/petroquímica, portuária, engenharia, construção civil e moveleira. O evento será realizado de 2 a 4 de agosto, no Pavilhão de Carapina, Serra, das 15h às 21h. Mais informações no site www.mecshow.com.br.