O Brasil está na 6ª posição do Ranking de Capacidade Total Instalada de Energia Eólica Onshore em 2021, tendo subido uma posição em relação ao ano anterior, segundo o Conselho do Global Wind Energy Council (GWEC), entidade mundial desse segmento de energias renováveis. Com cerca de 80% de um aerogerador sendo produzido localmente, tornando o país menos dependente de importação, o setor eólico continua a crescer, batendo recordes anuais consecutivos. “Chegamos na metade de 2022 com 22GW de capacidade instalada. Há outros 981,8 MW na fase de testes que devem entrar em operação nas próximas semanas”, afiança Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica(ABEEólica)…
Há mais de 10 anos à frente da entidade, principal voz do setor no país, a liderança de Elbia é reconhecida também no exterior: em agosto, foi reconduzida à vice-presidência do GWEC. “Se queremos atingir o zero líquido até 2050, as instalações eólicas precisam de quase quadruplicar. Cabe à indústria fazer com que isso aconteça, com a GWEC a desempenhar um papel fundamental neste processo”, declarou ao ser reconduzida ao cargo que conquistou pela primeira vez em 2020.
Embaixadora global pelo Brasil no Women in Wind Global Leadership Program, parceria do GWEC com a Rede Global de Mulheres para a Transição de Energia (GWET), Elbia Gannoum recebeu o primeiro Prêmio “C3E – Clean Energy Education & Empowerment – Woman of Distinction Award”, criado em 2019. Conferido pelo Clean Energy Ministerial (fórum global que reúne 25 países e a Comissão Europeia) e a Agência Internacional de Energia (EIA),o C3E é um reconhecimento às mulheres que se destacam na indústria de energias limpas no mundo.
Nada mais justo para quem se tornou a ‘cara’ desse setor que em agosto registrou o primeiro recorde de geração instantânea de 2022, quando produziu o correspondente à energia suficiente para atender durante um minuto todo o Nordeste. “Até 2026 teremos 37 GW instalados. E esses valores não se referem a projeções, mas sim a contratos já assinados”, diz Elbia Gannoum nessa entrevista à revista digital Oil & Gas Brasil.
Oil & Gas Brasil: O país tem 828 parques eólicos em operação, dos quais 725 estão no Nordeste. Como vem sendo a evolução dos parques eólicos no país, inclusive no período de pandemia? Quantos parques estão hoje em construção?
Elbia Gannoum: A pandemia afetou o crescimento do mercado de maneira global, mas a eólica no país vem batendo recordes anuais e deve continuar assim por algum tempo. Chegamos na metade de 2022 com 22GW de capacidade instalada e há outros 981,8 MW em operação de testes, que devem entrar em operação nas próximas semanas.
Oil & Gas Brasil: O Brasil tem, atualmente, capacidade de produzir 22.000 MW de energia eólica, a maior parte (20 mil) no Nordeste. Qual é a expectativa de expansão da capacidade eólica nessa região até o final da década? E no país como um todo?
Elbia Gannoum: As perspectivas para eólica são ótimas, principalmente por conta dos projetos que estão sendo fechados no Mercado Livre. Importante lembrar que, desde 2018, as eólicas vendem mais no mercado livre do que no regulado. Hoje estamos com 22 GW e até 2026 teremos 37 GW e esses valores não se referem a projeções, mas sim a contratos já assinados. Isso mostra a força do mercado brasileiro, que ainda deve crescer mais, apesar da pressão de custos deste período que estamos vivendo.
Também até o fim da década é possível que tenhamos parques de eólica offshore em funcionamento, estamos trabalhando no
momento na questão regulatória, mas até o fim da década o cenário brasileiro de eólica deve ser incrementado com as offshore. A EPE estima que o Brasil possua aproximadamente 700 GW de potencial para exploração da fonte eólica em locais com profundidade com até 50 metros. Alguns dos principais estados com potencial eólico para aproveitamento e produção de energia eólica são: Ceará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.
Oil & Gas Brasil: Em agosto a energia eólica registrou primeiro recorde de geração instantânea de 2022. Segundo o governo, o total produzido corresponde ao suficiente para atender durante um minuto todo o Nordeste. Foi o maior recorde até hoje? Podemos esperar novos recordes este ano?
Elbia Gannoum: Sim, foi o maior recorde até hoje. Mas estamos num período que chamamos de safra dos ventos, época em que temos os melhores ventos do ano. Começa geralmente em meados de junho e vai mais ou menos até o começo de novembro. É possível que até lá tenhamos um novo recorde. A ONS é quem monitora e divulga esses recordes. Os mais recentes ocorreram em 12 e 13 de agosto.
Oil & Gas Brasil: O país tem 828 parques eólicos em operação dos quais 725 estão no Nordeste. Como vem sendo a evolução dos parques eólicos no país, inclusive no período de pandemia? Quantos parques estão hoje em construção?
Elbia Gannoum: A pandemia afetou o crescimento do mercado de maneira global, mas a eólica no país vem batendo recordes anuais e deve continuar assim por algum tempo. Chegamos na metade de 2022 com 22GW de capacidade instalada e há outros 981,8 MW em operação de testes, que devem entrar em operação nas próximas semanas.
Oil & Gas Brasil: O fator de capacidade médio verificado para as usinas eólicas do Nordeste no período de maio/2021 a abril/2022, foi de 39,8%, enquanto, no mesmo período, para as usinas eólicas da região Sul do país, foi de 33,8%. A Firjan e o Governo do Estado do Rio de Janeiro vem destacando o potencial na área de renováveis. Como vcs veem o cenário fluminense: pode ter uma expansão no setor eólico maior que o de outros estados do Sudeste ou Sul do Brasil?
Elbia Gannoum: A área de renováveis vem crescendo bastante e o mundo está com o olhar focado na transição energética como parte fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Por sua competitividade e pelas características do Brasil, energia eólica e solar são os tipos de renováveis com maior potencial no país e deve crescer em diversos estados. Quanto a eólica, o Nordeste se destaca com um potencial muito grande e representa cerca de 90% desse mercado.
Atualmente,o Rio de Janeiro tem um parque, com 17 aerogeradores e potência de 28,5 MW. Mas é um dos estados com grande
potencial de eólica offshore, atualmente tem nove projetos de offshore com pedido de licenciamento ambiental no Ibama.
Oil & Gas Brasil: O governo afirma que é esperado o acréscimo de 2.900 MW de energia eólica na matriz energética nacional este ano, consolidando-a como a segunda maior fonte de energia do país. Vamos atingir essa meta ou até mesmo superá-la?
Elbia Gannoum: O setor cresce em média 3 a 4 MW por ano. Nós acreditamos que a meta do governo será atingida sim ou até superá-la um pouco.
Oil & Gas Brasil: A 59ª edição do Índice de Atratividade de Países em Energia Renovável (RECAI – Renewable Energy Country Attractiveness Index) da consultoria EY mostra que o Brasil, embora líder na América Latina, caiu quatro posições, estando agora em 13ª no ranking global de atratividade de investimentos em energia renovável. Isso se deve à dependência em hidrelétricas (que representa 58% de toda a energia gerada no país), deixando o Brasil vulnerável a secas, como aconteceu em 2021. O que impede uma expansão ainda mais rápida do setor eólico?
Elbia Gannoum: No caso do Brasil especificamente, o gargalo não é uma questão do setor eólico, mas da economia em geral, que precisa crescer para que haja mais contratação de energia. Outro ponto é que um arrefecimento das novas contratações de energia renovável é algo natural, após um volume intenso de negócios observado de 2018 para cá, além de ter relação com questões conjunturais não relacionadas ao setor, como as eleições. O mercado ainda está buscando um ponto de equilíbrio em um patamar de custos que será mais elevado. A ABEEólica prevê que o crescimento de instalações de turbinas fique próxima do recorde de 3,8 GW/ano visto em 2021, ante uma taxa de 2,4 GW em anos anteriores.
Oil & Gas Brasil: Como está o parque industrial local para atender essa demanda: somos muito dependentes de importação, como no caso da energia solar (placas importadas)?
Elbia Gannoum: Temos um bom quadro nacional em termos de produção local, as grandes empresas globais operam no país e produzem os materiais localmente. No caso das eólicas é que preciso lembrar que cerca de 80% de um aerogerador é produzido no Brasil, o que nos faz ser bem menos dependente de importação.
































































