Keppel e Petrobras assinam contrato para construção do FPSO P-83

A Petrobras assinou um contrato com o Estaleiro Keppel para a construção do FPSO P-83, como resultado do avanço do projeto de desenvolvimento do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

Conforme detalhado pela Petrobras em comunicado, a P-83 terá capacidade para produzir até 225 mil barris de petróleo por dia (bpd), processar até 12 milhões de m3 de gás por dia e armazenar mais de 1,6 milhão de barris . Estará entre as maiores unidades de produção flutuantes do mundo.

Em um comunicado separado na quarta-feira, Keppel disse que o pedido vale cerca de US$ 2,8 bilhões. Este é um pedido repetido para a Keppel seguindo o pedido do FPSO P-80 feito pela Petrobras em agosto deste ano. O P-83 será idêntico ao P-80 em especificações e metodologia de execução, disse Keppel.

A Petrobras disse que este último projeto prevê a interligação de 15 poços, sendo 8 produtores de petróleo e 7 injetores. A plataforma será a décima primeira unidade a ser instalada em Búzios. A Petrobras é a operadora deste campo com 92,6% de participação, tendo como sócios CNOOC e CNODC, com 3,7% cada.

A fabricação dos módulos topside será replicada nas instalações da Keppel O&M em Cingapura, China e Brasil, enquanto a construção do módulo de casco e acomodação será feita pela CIMC Raffles na China. A integração dos componentes separados será realizada em Cingapura, com a fase final dos trabalhos de comissionamento offshore realizados pela Keppel O&M quando o FPSO chegar ao campo de Búzios.

A embarcação iniciará a produção em 2027 e contribuirá para aumentar a capacidade instalada do campo dos atuais 600 mil bpd para 2 milhões de bpd.

A P-83 faz parte da nova geração de plataformas da empresa, com alta capacidade de produção e tecnologias para redução de emissões de carbono . A plataforma usará a tecnologia de flare fechado, que aumenta o uso do gás e evita que ele seja queimado na atmosfera.

Outra inovação será o sistema de detecção de gás metano , capaz de atuar para prevenir ou mitigar o risco de vazamentos desse composto, segundo a Petrobras.

A plataforma também será equipada com tecnologia CCUS – Captura, Uso e Armazenamento Geológico de CO2.

A P-83 também será equipada com tecnologia de gêmeos digitais, que consiste na reprodução virtual da plataforma, permitindo diversas simulações remotas e testes operacionais.

Gás natural será um componente importante da transição energética no Brasil

O gás natural tem um papel importante na transição energética, trazendo atributos importantes como flexibilidade e resiliência à matriz energética. A opinião é do Luiz Augusto Barroso, CEO da PSR, que participou da sessão plenária que discutiu ‘O papel do gás natural na transição energética no Brasil’ durante a Rio Oil & Gas. Essa opinião é compartilhada por Thiago Barral, Presidente da EPE, que enfatizou que o gás natural continuará tendo um papel no setor elétrico, como complemento das
energias renováveis intermitentes, ressaltando que a descarbonização da matriz energética também passa pela substituição por gás de outros combustíveis fósseis na indústria e no transporte.

Gabriel Kropsch, vice-presidente da Abiogás, confirmou que o biogás e o biometano têm potencial muito elevado no Brasil, equivalente a 120 milhões de metros cúbicos por ano, e que os projetos podem ser desenvolvidos muito rapidamente e com custos de operação muito baixos. O avanço dos combustíveis alternativos renováveis tem sido apelidado de “Pré-Sal Caipira”, e seu potencial, visto como complementar ao crescimento da produção de gás natural a partir das reservas do Pré-Sal.

Regulação

Outro tema abordado sobre o mercado de gás foi a regulação, que segundo executivos das empresas Eneva, 3R Petroleum e PetroReconcavo, tem impacto direto no desenvolvimento do negócio de gás natural. Representantes das companhias participaram do painel „Produção de gás natural em terra: perspectivas e soluções criativas‟ e afirmam que o setor precisa de regras tributárias e regulação claras.

“As regras têm que ser pensadas para não inviabilizar o negócio. O segmento de óleo e gás, particularmente, possui um risco mais elevado. Para lidar com isso, é necessário ter mecanismos de gestão de riscos. O ativo Azulão-Jaguatirica (campo produtor de gás associado à geração térmica), no Amazonas, foi feito com a avaliação de mitigadores de riscos. Esse é o nosso core business, afirmou Camila Schoti, gerente geral de Comercialização de Energia, Gás Natural e Líquidos da Eneva.

Ela acrescentou ainda que o produtor precisa ter a segurança de que o investimento terá retorno. Segundo Schoti, o arcabouço regulatório deve buscar essa premissa para que as empresas invistam e os negócios cresçam. A Eneva, que atualmente possui um modelo de negócio particular de produção de gás associada à geração térmica nas regiões Norte e Nordeste do país, assinou, recentemente, contratos com a Vale e Suzano, no Maranhão, e pretende expandir a venda de energia a grandes consumidores industriais.

Matheus Dias, da 3R Petroleum, argumentou que a regulação no setor de gás precisa evoluir. Segundo ele, o primeiro passo foi dado com a lei da abertura do mercado. “A gente caminha para ter um ambiente mais competitivo. Grande parte disso conversa
com um esforço regulatório e com a questão tributária”, disse Dias.

Já João Vitor Silva Moreira, diretor de Regulação e Novos Negócios da PetroReconcavo, contou que todo gás produzido pela empresa é comercializado para distribuidoras do Nordeste, que, de acordo com ele, tem condição de ser um importante
player. “O ano de 2022 foi de ganhos e as perspectivas são boas”, destacou Moreira.

Em outro painel foram discutidas as „Oportunidades e desafios do novo ambiente de negócios no setor de gás natural‟. Profissionais de empresas de produção de gás natural, de transporte e de comercialização debateram os cenários para o desenvolvimento do mercado de gás e quais investimentos serão necessários.

“Investimentos em transporte de gás natural serão essenciais à medida que a oferta de gás cresça no Brasil”, afirmou Gustavo Labanca, CEO da Transportadora Associada de Gás (TAG). Já o diretor executivo da Compass Gás e Energia, Jose Carlos Broisler Oliver, avalia que há muitas oportunidades, mas é preciso diversificar as fontes”. O diretor executivo da petroleira portuguesa Galp, Victor Santos, acrescenta ainda que a empresa acredita que o gás será um facilitador da entrada do hidrogênio verde no mercado. “Na Península Ibérica, somos pioneiros em hidrogênio verde. No Brasil, estamos apostando
muito. No fim de 2021, adquirimos projetos de energias renováveis, boa parte deve ser para fomentar o hidrogênio verde”, disse o executivo.

Gás da Argentina

A província de Neuquén, onde fica a região de Vaca Muerta, na Patagônia argentina, representa 65% da produção de gás natural do país e poderá vir a ser um exportador para o Brasil. A afirmação foi feita pelo governador de Neuquén, Omar Gutierrez, em conversa com o CEO da Enauta, Décio Oddone, no Energy Talks, realizada no palco principal da Rio Oil & Gas.

Omar Gutierrez afirmou que a Argentina pretende ser autossuficiente em energia e que estão trabalhando para aumentar a produção de gás natural e sua exportação. “Vaca Muerta é política de estado para transformar recursos em riquezas. Nós já conseguimos reduzir o custo de produção em 50% e queremos agora aumentar a exportação”, afirmou o governador, que destacou que atualmente 20% da produção da região é exportada.

Para Décio Oddone, CEO da Enauta, esta é uma boa oportunidade para o Brasil. Ele perguntou ao governador sobre a construção de gasodutos na região. “Nós vamos começar a construir gasodutos. Temos projetos, tanto no setor público, quanto no privado, e temos que continuar a trabalhar no desenvolvimento da indústria do país. O gás será muito importante para a transição energética”, afirmou Gutierrez.

Novas tecnologias prometem alavancar setor de óleo e gás, dizem especialistas

A tecnologia e recursos digitais avançados já estão em uso e devem revolucionar as operações offshore nos próximos anos. Durante o painel “Inteligência Artificial – a revolução digital no O&G”, realizado na Rio Oil & Gas, executivos da TotalEnergies, Repsol Sinopec, Radix e NVIDIA apresentaram no que as novas ferramentas já estão apoiando o setor.

Para a Coordenadora de Projetos Digitais da TotalEnergies, Mariana Kobayashi, a mistura de diferentes tipos de modelagens, como Inteligência Artificial e Machine Learning, tem sido uma peça importante para a companhia em diversas aplicações.
“Tanto no refino, quanto na logística e no setor de exploração e produção, conseguimos evitar acidentes e vazamentos. Temos resultados excelentes em toda a cadeia logística”, ressaltou.

O sócio-fundador da Radix, Geraldo Rochocz, explicou que é preciso olhar a aplicação de novas tecnologias, mas sem esquecer de todo o histórico da empresa e das ferramentas que já foram usadas no passado. “A revolução da Inteligência Artificial (IA)
está apenas no começo. Essas tecnologias abrem muitas possibilidades para o futuro. Temos um potencial gigantesco com novas técnicas para o setor de óleo e gás”, disse.

Para Tamara Garcia Bermejo, Gerente de Tecnologia e Inovação da Repsol Sinopec, a digitalização representa uma oportunidade segura para empresas de upstream e toda a cadeia de fornecimento. “Temos conseguido excelentes resultados, como a otimização nos transportes de pessoas, na entrega de equipamentos nas operações offshore e em toda a nossa parte logística”, disse.

Diversidade energética do Brasil é oportunidade para atração de investimentos

O Brasil reúne vantagens competitivas que colocam o país como polo de atração de investimentos e oportunidades para o aporte de capital internacional. Essa visão foi compartilhada por Luís Henrique Guimaraes, CEO da Cosan, durante almoço-palestra realizado, na Rio Oil & Gas 2022.

Para Guimarães, as cinco vantagens competitivas do Brasil – grande produção de alimentos, oferta de petróleo e gás, protagonismo em energias renováveis, mineração de alta qualidade e um potencial para emissão de créditos de carbono – formam o cenário perfeito para acelerar o desenvolvimento do país. “Passamos por um período de instabilidade mundial onde se debate o custo de energia alto e a importância da segurança energética. As empresas terão de olhar quais países e locais terão de investir”, frisou Guimarães.

Segundo o executivo, o Brasil tem atrativos como menor custo de energia em comparação com outros países, o que é uma variável importante para as indústrias. “Quando analisamos o cenário, acho que o Brasil é uma ótima oportunidade para
investimentos. Sou extremamente otimista. Nos próximos 10 anos, temos uma grande oportunidade para desenvolver o país e acredito ainda no empreendedorismo como uma ferramenta para o crescimento”, ressalta.

Guimarães destacou que, ao longo dos últimos anos, o país conseguiu desenvolver uma malha ferroviária mais eficiente, impactando positivamente os custos logísticos e a menor emissão de carbono. “Hoje, conseguimos transportar cargas de Rondonópolis a Santos em 70 horas, com segurança”.

O executivo da Cosan ressaltou também o mercado de carbono como um diferencial competitivo. “O offset de carbono em várias formas será uma moeda, uma mercadoria de muito valor. O Brasil pode produzir mais crédito de carbono do que muitos países juntos”. Guimarães aposta ainda no desenvolvimento de biocombustíveis avançados, como o etanol de segunda geração e os combustíveis de aviação mais sustentáveis (SAFs). “Nesse momento, a Raízen constrói três plantas de etanol de segunda geração. E vamos construir mais 20 nos próximos anos”, concluiu o CEO.

Aperam BioEnergia substituirá 121 fornos FAP 220 por 31 fornos FAP 2000, o maior do mundo para a produção de energia renovável a partir do eucalipto

Empresa planeja encerrar 2022 com todos os seus atuais 283 fornos automatizados, reduzindo consumo de madeira e a emissão de CO2

Além de aumentar a eficiência operacional e a segurança para os colaboradores, a automação dos fornos de produção de carvão vegetal reduz o consumo de madeira e a emissão de gases de efeito estufa. Com esses ganhos em vista, a Aperam BioEnergia está concluindo neste ano a automação de 100% dos fornos em suas unidades do Vale do Jequitinhonha, responsáveis por produzir a energia renovável utilizada na produção do Aço Verde Aperam, na usina de Timóteo (MG). 

Paralelamente ao processo de automação, a BioEnergia está investindo em novos fornos.  O plano é sair dos atuais 283 fornos da empresa por 193 unidades de melhor performance até julho de 2024. Para tanto, serão substituídos 121 unidades FAP 220, que tem uma menor capacidade, por 31 fornos FAP 2000. O FAP 2000 é o maior forno do mundo para a produção de carvão vegetal e foi desenvolvido e patenteado pela própria BioEnergia. “Isso aumenta nossa capacidade de automatizar e consequentemente nossa competitividade”, diz Ézio Santos.  

“Fomos a primeira empresa produtora de aços planos especiais a obter o balanço carbono neutro do mundo. O que isso tem a ver com a automação dos fornos? Isso só foi possível com as tecnologias extremamente importantes que foram implementadas na Aperam nos últimos anos, que vieram reduzindo as emissões através de uma maior eficiência no uso de nossas florestas renováveis”, afirma o gerente executivo da Produção de Energia Renovável da Aperam BioEnergia, Ézio Santos, em palestra recente sobre o tema no Fórum Nacional do Carvão Vegetal, em Belo Horizonte.

A Aperam BioEnergia tem 126 mil hectares de áreas distribuídas por seis municípios do Vale do Jequitinhonha, dos quais 76 mil hectares são dedicados à plantação de eucalipto para a produção do carvão vegetal. Para processar 450 mil toneladas do biorredutor, como ocorre hoje, a empresa conta com 283 fornos, dos quais 121 unidades do modelo RAC 220; 161 do tipo RAC 700; e uma unidade do FAP 2000, construídos com tecnologia desenvolvida internamente pela empresa. Juntos, eles produzem aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos de carvão por ano.

“Na Aperam esse processo de automação dos fornos começou em 2012. Era uma necessidade extremamente importante aumentar o controle das operações. E quando ele é bem executado, remunera o setor, inclusive com a economia de madeira”, disse Ézio Santos.

Ele afirma que o objetivo inicial era conseguir uma maior conversão de madeira em carvão. “Hoje estamos carbonizando eucalipto de seis anos, que têm uma densidade menor do que de sete anos. Então precisávamos melhorar a eficiência do processo para manter nossos índices de conversão. E melhorar a qualidade”, explica. De fato, a empresa dobrou os índices de produtividade desde 2015, segundo o gerente executivo. 

Os fornos automatizados de cada planta são operados através de uma central de monitoramento de fornos. Temos medidores de temperatura dos canais, para controles precisos e instantâneos nos colocando rumo a um processo industrial 4.0.