Equinor utilizará barcos híbridos em sua operação no Brasil a partir de 2023

Contrato para a entrega da primeira embarcação adaptada ao formato híbrido foi assinado entre a empresa norueguesa e a CBO na última semana

A Equinor terá, no primeiro trimestre de 2023, o primeiro barco híbrido a operar em águas brasileiras. A embarcaçãodo tipo PSV (Platform Supply Vessel) contará com um banco de baterias instalado e poderá utilizar, como combustível, tanto energia elétrica armazenada quanto o diesel. No total, o contrato entre a empresa de energia norueguesa e a CBO contempla a conversão de três embarcações ao modelo híbrido. A expectativa é que haja uma redução relevante no uso de diesel e, consequentemente, diminuição de até 40% de emissões de CO2 dos barcos.

“Há algumas semanas, anunciamos o início da substituição de diesel por gás natural em Peregrino. Agora, incluindo energia elétrica como força motriz de embarcações, sabemos que a redução de emissões em nossas operações será ainda mais significativa. Passos importantes para que possamos alcançar, em 2050, nossa ambição de ser uma empresa sem emissões líquidas de carbono.”, declara Veronica Coelho, presidente da Equinor Brasil.

“O uso de barcos híbridos está alinhado com a nossa estratégia global, além de reafirmar o nosso compromisso com a criação de valor local, uma vez que as adaptações da embarcação estão sendo realizadas no Brasil pela CBO, nosso fornecedor parceiro 100% brasileiro. Estamos prontos para oferecer parcerias de longo prazo com fornecedores que nos tragam soluções inovadoras, novas tecnologias e maximização de valor aos nossos projetos e operações”, afirma Rafael Tristão, diretor de contratações e suprimentos da empresa norueguesa.

Os barcos do tipo PSV são responsáveis por transportar, do continente até as unidades offshore, os suprimentos e equipamentos necessários para a operação de um determinado ativo. A previsão é de que as embarcações utilizem as baterias para garantir a operação do motor a combustão sempre dentro da curva ótima de utilização, minimizando o consumo e tornando mais eficiente o uso de combustível. Além disso, quando atracado em local que possua infraestrutura de carregamento, é possível que o barco receba energia da unidade onshore, evitando o acionamento de motores.

A Equinor adotou sua primeira embarcação híbrida globalmente em 2016, na Noruega. A empresa conta com barcos deste tipo operando em 100% de suas operações no Mar do Norte.

“O Brasil está no centro para desenvolver o futuro da Energia”, diz Zoe Yujnovich, diretora global de Upstream da Shell

Segundo executiva, país ocupa um lugar de destaque na indústria de óleo e gás e na transição energética

O CEO Talks da Rio Oil&Gas, contou com a diretora global de Upstream da Shell, Zoe Yujnovich. A executiva, que já morou no Brasil, destacou que o otimismo e a energia dos brasileiros não estão apenas no seu povo e cultura. Para Zoe, o país ocupa um lugar de destaque na indústria de óleo e gás e na transição energética.

“Sinto que o Brasil tem todos os ingredientes para o sucesso e para se tornar o centro do futuro da energia. O país já é um dos maiores produtores de óleo e gás no mundo, mas mais importante que gerar energia para abastecer o mundo de hoje, o Brasil tem a capacidade de criar o sistema energético do futuro”, explica Zoe.

Com boa parte da energia do país sendo gerada por hidrelétricas, o Brasil aparece como parte importante da equação da energia renovável: “Estamos há quase 110 anos no país e celebramos essa longa jornada animados com o potencial que enxergamos para desenvolver o futuro. Estamos investindo em renováveis, como eólica offshore, solar, NBS, hidrogênio verde e amônia. Há muitas oportunidades para desenvolver soluções de baixo carbono e faremos isso com os recursos da exploração de hidrocarbonetos”.

Segundo a diretora, a atividade de Upstream possui um papel fundamental no desenvolvimento de energias renováveis. “O Upstream é o que possibilita o investimento na indústria de renováveis. Sem a geração de recursos em larga escala que vem da exploração de óleo e gás, não seria possível investir em renováveis. O portfólio da Shell está se transformando para abastecer nosso modo de vida atual e também para continuarmos a criar soluções de baixo carbono. Temos o potencial para seguir em frente de forma rentável e para transitar para a energia do futuro”, afirma.

Zoe finalizou sua palestra deixando um recado claro de qual caminho a indústria de óleo e gás deve seguir. “Não podemos replicar o passado. Precisamos estar na linha de frente, enfrentando a tempestade e inovando sempre. Esse é o nosso momento de deixar um legado e levar a humanidade para o próximo capítulo da sua história. Precisamos criar um mundo que nos dê orgulho em deixar para os nossos filhos”, finaliza Zoe.

A importância da cadeia de suprimentos da Shell para a inovação

Durante o fórum “Cultura de inovação: alavanca ou barreira?”, Diego Juliano, gerente de Tecnologia da Shell Brasil, destacou a importância de uma cadeia integrada de inovação. “Temos uma cadeia de suprimentos gigantesca e, para manter um nível operacional de excelência e com segurança, precisamos desses parceiros. Parte do nosso trabalho é fazer com que eles mantenham sua cultura de inovação, essa colaboração é muito importante”, explicou.

Diego ressaltou o quanto é necessário o aprendizado constante dentro da cultura de inovação: “Em P&D, costumo dizer que precisamos celebrar nossos erros com lições aprendidas, pois todo mundo evolui junto mais rápido. No ecossistema brasileiro, precisamos aprender em conjunto com diversos agentes para um bem maior, que é setor de energia”. Ele falou da importância de ter a liberdade de identificar erros, fazer isso da forma mais rápida possível, para assim realizar transformações que tragam ainda mais valor futuramente.

O painelista ainda apresentou exemplos práticos que a companhia está utilizando internamente para estimular a inovação. “Estou liderando um grupo de Digital Revolution, onde incentivamos os colaboradores a criar suas próprias soluções internas. As melhores iniciativas ganham visibilidade nas reuniões da liderança. São as ferramentas digitais que vão revolucionando a forma que trabalhamos internamente”, comemora.

O fórum também teve a presença de Ricardo Ramos, consultor de inovação aberta da Petrobras, Lívia Brandini, fundadora e CEO da Kultua, Christano Lins Pereira, líder de inovação aberta e cultura de inovação na Subsea7 e Rafael Clemente, fundador e CEO da EloGroup.

ESG no setor de energia

O dia de fóruns também debateu o papel das práticas de ESG no setor de energia. Frederick Ratliff, conselheiro administrativo em Anticorrupção da Shell Brasil, participou do painel “Governança, compliance e financiabilidade da industria de óleo e gás”, ao lado de Salvador Dahan, diretor executivo de governança e conformidade na Petrobras, Carlos Takahashi, CEO da Blackrock Brasil e Alexandre Carlos Leite de Figueiredo, secretário da SeinfraPetróleo do Tribunal de Contas da União (TCU). A moderação foi de Sandra Guerra, sócia-fundadora da Better governance.

Frederick Ratliff falou sobre o compromisso da Shell com a integridade dentro e fora da companhia, com ações de fiscalização da cadeia de suprimentos. “Em 2021, a Shell gastou US$37 bilhões com 224 mil empresas que trabalham para nós. É um grande desafio, mas investigamos o histórico dessas companhias, entendendo quem são, quais são suas licenças e quais são suas práticas. Também investimos em treinamentos para esses fornecedores, expondo quais são as nossas expectativas”, explica.

O porta-voz deixou claro que apenas o âmbito jurídico não é o suficiente para tomar decisões de relacionamento com outras empresas. “Dentro da Shell temos uma equipe de especialistas que realizam análises com o olhar de direitos humanos e integridade, por exemplo. Reunimos os históricos das empresas e avaliamos o que significa para a reputação da Shell fechar contratos com este fornecedor”. O especialista terminou sua apresentação afirmando que “disciplina” é a palavra-chave para definir suas expectativas rumo a um futuro mais transparente alinhado às práticas de ESG.

 

IBP assina protocolo de cooperação técnica com a ABEEólica

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) assinou, durante a Rio Oil & Gas, um protocolo de cooperação técnica com a Associação Brasileira de Energia Eólica, para troca de conhecimento, desenvolvimento de cursos, advocacy e outras atividades em conjunto. O protocolo é resultado de um Grupo de Trabalho formado por importantes players de ambos os setores e representa um movimento inédito de alinhamento institucional na agenda da descarbonização e transição energética.

“A força da indústria de Óleo e Gás – que é quem faz esses grandes investimentos, quem tem expertise em tecnologia, infraestrutura, capacidade de gerenciamento de grandes projetos, instalações submarinas – seja alavancada para o setor de eólicas offshore”, afirmou Fernanda Delgado, diretora Executiva Corporativa do IBP.

Fundada em 2002, a ABEEólica é uma instituição sem fins lucrativos que representa mais de 100 empresas de toda cadeia produtiva do segmento. Para a presidente da associação, Elbia Gannoum, o documento assinado hoje formaliza a sinergia com o setor de O&G e deve estimular a inovação.

“Vamos para a indústria de energia, aproveitar os recursos naturais tanto no setor de energias renováveis como no setor de hidrocarbonetos, desenvolver tecnologias e fazer a transição energética juntos”, disse Gannoum.