Petrobras vai propor medidas adicionais no licenciamento no Amapá

Estrutura de resposta a emergência proposta pela companhia é a maior do país. Pedido de reconsideração inclui ampliação da base de tratamento de animais no Oiapoque.

A Petrobras vai protocolar, ainda nesta semana, pedido ao Ibama de reconsideração da decisão de indeferimento da licença ambiental para perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá, de acordo com procedimento previsto na regulação. A informação foi confirmada após reunião, nesta terça-feira (23/05), na Casa Civil com representantes dos ministérios de Meio Ambiente (MMA) e Minas e Energia (MME) e do Ibama, quando foram tratadas as ações necessárias para atender aos questionamentos do órgão ambiental.

A companhia defende que atendeu além dos requisitos previstos na legislação de referência ao processo de licitação do bloco FZA-M-059 e que cumpriu todas as exigências técnicas demandadas pelo Ibama para o projeto. A estrutura de resposta a emergência proposta pela companhia é a maior do país. Ainda assim, a Petrobras se prontifica a atender demandas adicionais porventura remanescentes.

É importante frisar que a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) é um instrumento de política sob responsabilidade compartilhada do MMA e do MME, de acordo com a portaria interministerial no 198/2012.

O bloco FZA-M-59, objeto do licenciamento ambiental em questão, foi adquirido na 11a Rodada de Licitações da ANP, realizada em maio de 2013. Na ocasião, o processo de outorga dos blocos ofertados foi subsidiado por pareceres do GT PEG- Grupo de Trabalho que contou com Ibama, ICMBIO e MMA, e considerou que o bloco FZA-M-59 estava apto a ser ofertado e licenciado, o que leva a concluir que os desafios sinalizados eram todos tecnicamente superáveis.

A partir da concessão por meio de licitação, a Petrobras possui o compromisso firmado com a ANP de realizar a perfuração de oito poços exploratórios na região do Amapá Águas Profundas, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, sendo que o indeferimento pela inviabilidade ambiental pode resultar em litígio e aplicação de multas, além de comprometer a avaliação do potencial da região, bem como a segurança energética e a própria transição energética justa e segura do país.

Nova medida

No pedido de reconsideração, a companhia se comprometerá a ampliar a base de estabilização de fauna no município de Oiapoque, no estado do Amapá. A unidade atuará em conjunto com o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna (CRD), já construído pela Petrobras em Belém (PA). Desse modo, na remota possibilidade de ocorrência de um acidente com vazamento, o atendimento à fauna poderá ser realizado nas duas localidades. A distância entre o Centro de Belém e o local da perfuração foi um dos temas de atenção destacados pelo órgão ambiental na sua avaliação do pleito de licenciamento.

A ampliação do atendimento à fauna pela base de Oiapoque se junta à proposta apresentada anteriormente que já incluía mais de 100 profissionais dedicados à proteção animal. Foram oferecidas 12 embarcações, sendo duas de prontidão ao lado da sonda para atuação em resposta a emergência e outras duas embarcações para atendimento de fauna com profissionais veterinários e equipadas com contêiners climatizados e equipamentos para estabilização de animais, todas permanentemente dedicadas à operação, que está prevista para durar cinco meses.

Além das embarcações, a Petrobras já comprometeu outros recursos, tais como cinco aeronaves que podem ser usadas para monitoramento e resgate, além de unidades de recepção de fauna. Essa estrutura de resposta a emergência é a maior dimensionada pela empresa no país, maior inclusive do que as existentes nas Bacias de Campos e Santos.

Reconhecida por sua capacidade técnica e pelo rigor na segurança de suas operações, nunca tendo registrado vazamento de óleo em operações de perfuração, a Petrobras se compromete a adotar as melhores práticas nas atividades de exploração e produção na Margem Equatorial brasileira, num modelo de vanguarda tecnológica que supera todos os projetos já realizados pela empresa, alinhadas com as novas diretrizes da companhia, com foco nas pessoas e prioridade para a sustentabilidade.

A empresa reitera que se colocou à disposição para receber e atender todas as novas solicitações do Ibama. Caso se confirme o indeferimento da licença, a sonda e os demais recursos mobilizados na região do bloco FZA-M-59 serão direcionados para atividades da companhia nas bacias da Região Sudeste.

Enauta encontra mais petróleo em área do campo de Atlanta

A Enauta encontrou petróleo em uma nova seção de reservatório.

A Enauta divulgou que havia confirmado óleo em uma nova seção do reservatório, denominada acumulação Atlanta NE, localizada na área do campo de Atlanta, que está atualmente em desenvolvimento. A acumulação está localizada a 2.644 metros de profundidade, menor que o reservatório em desenvolvimento.

A empresa que iniciou uma campanha de perfuração de três poços no final de 2022, concluiu agora a perfuração e perfilagem do poço 9-ATL-8DP, identificando petróleo com excelentes propriedades petrofísicas numa secção de 57 metros (profundidade medida) .

Enquanto o óleo NE de Atlanta foi originalmente identificado no poço 9-SHEL-19D-RJS, perfurado em 2006, o novo poço visava coletar dados adicionais da acumulação simultaneamente com a perfuração do poço de produção 7-ATL-7HA-RJS de Atlanta, que faz parte da campanha de seis poços produtores da Fase 1 de pleno desenvolvimento de Atlanta.

Segundo estimativas da Enauta, os recursos do NE de Atlanta ultrapassam 230 milhões de barris de óleo, porém a empresa realizará estudos adicionais para todo o seu potencial técnico-econômico, integração ao desenvolvimento contínuo do campo e adição de reservas certificadas de óleo de 158,9 milhões de barris (Reserva 2P), a partir do relatório de 31 de dezembro de 2022 emitido por Gaffney, Cline e Associates.

Além disso, a empresa comprou o FPSO OSX-2 para o Full Development System (FDS) de Atlanta no ano passado. Prevê-se que este FPSO, conhecido como FPSO Atlanta, que substituirá o FPSO Petrojarl I , esteja totalmente operacional em 2024. O FDS visa o primeiro óleo em meados de 2024 com uma capacidade de produção de 50.000 barris de óleo por dia, originalmente com seis poços conectados ao FPSO Atlanta, chegando a dez poços em 2029.

O campo de Atlanta é operado pela Enauta Energia, subsidiária integral da empresa, que também detém 100% de participação neste ativo. Localizado no bloco BS-4, na Bacia de Santos , em lâmina d’água de 1.500 metros, o campo produz desde 2018 por meio do Sistema de Produção Antecipada (EPS) – composto por três poços conectados ao FPSO Petrojarl I.