Novas tecnologias prometem alavancar setor de óleo e gás, dizem especialistas

A tecnologia e recursos digitais avançados já estão em uso e devem revolucionar as operações offshore nos próximos anos. Durante o painel “Inteligência Artificial – a revolução digital no O&G”, realizado na Rio Oil & Gas, executivos da TotalEnergies, Repsol Sinopec, Radix e NVIDIA apresentaram no que as novas ferramentas já estão apoiando o setor.

Para a Coordenadora de Projetos Digitais da TotalEnergies, Mariana Kobayashi, a mistura de diferentes tipos de modelagens, como Inteligência Artificial e Machine Learning, tem sido uma peça importante para a companhia em diversas aplicações.
“Tanto no refino, quanto na logística e no setor de exploração e produção, conseguimos evitar acidentes e vazamentos. Temos resultados excelentes em toda a cadeia logística”, ressaltou.

O sócio-fundador da Radix, Geraldo Rochocz, explicou que é preciso olhar a aplicação de novas tecnologias, mas sem esquecer de todo o histórico da empresa e das ferramentas que já foram usadas no passado. “A revolução da Inteligência Artificial (IA)
está apenas no começo. Essas tecnologias abrem muitas possibilidades para o futuro. Temos um potencial gigantesco com novas técnicas para o setor de óleo e gás”, disse.

Para Tamara Garcia Bermejo, Gerente de Tecnologia e Inovação da Repsol Sinopec, a digitalização representa uma oportunidade segura para empresas de upstream e toda a cadeia de fornecimento. “Temos conseguido excelentes resultados, como a otimização nos transportes de pessoas, na entrega de equipamentos nas operações offshore e em toda a nossa parte logística”, disse.

Diversidade energética do Brasil é oportunidade para atração de investimentos

O Brasil reúne vantagens competitivas que colocam o país como polo de atração de investimentos e oportunidades para o aporte de capital internacional. Essa visão foi compartilhada por Luís Henrique Guimaraes, CEO da Cosan, durante almoço-palestra realizado, na Rio Oil & Gas 2022.

Para Guimarães, as cinco vantagens competitivas do Brasil – grande produção de alimentos, oferta de petróleo e gás, protagonismo em energias renováveis, mineração de alta qualidade e um potencial para emissão de créditos de carbono – formam o cenário perfeito para acelerar o desenvolvimento do país. “Passamos por um período de instabilidade mundial onde se debate o custo de energia alto e a importância da segurança energética. As empresas terão de olhar quais países e locais terão de investir”, frisou Guimarães.

Segundo o executivo, o Brasil tem atrativos como menor custo de energia em comparação com outros países, o que é uma variável importante para as indústrias. “Quando analisamos o cenário, acho que o Brasil é uma ótima oportunidade para
investimentos. Sou extremamente otimista. Nos próximos 10 anos, temos uma grande oportunidade para desenvolver o país e acredito ainda no empreendedorismo como uma ferramenta para o crescimento”, ressalta.

Guimarães destacou que, ao longo dos últimos anos, o país conseguiu desenvolver uma malha ferroviária mais eficiente, impactando positivamente os custos logísticos e a menor emissão de carbono. “Hoje, conseguimos transportar cargas de Rondonópolis a Santos em 70 horas, com segurança”.

O executivo da Cosan ressaltou também o mercado de carbono como um diferencial competitivo. “O offset de carbono em várias formas será uma moeda, uma mercadoria de muito valor. O Brasil pode produzir mais crédito de carbono do que muitos países juntos”. Guimarães aposta ainda no desenvolvimento de biocombustíveis avançados, como o etanol de segunda geração e os combustíveis de aviação mais sustentáveis (SAFs). “Nesse momento, a Raízen constrói três plantas de etanol de segunda geração. E vamos construir mais 20 nos próximos anos”, concluiu o CEO.

Aperam BioEnergia substituirá 121 fornos FAP 220 por 31 fornos FAP 2000, o maior do mundo para a produção de energia renovável a partir do eucalipto

Empresa planeja encerrar 2022 com todos os seus atuais 283 fornos automatizados, reduzindo consumo de madeira e a emissão de CO2

Além de aumentar a eficiência operacional e a segurança para os colaboradores, a automação dos fornos de produção de carvão vegetal reduz o consumo de madeira e a emissão de gases de efeito estufa. Com esses ganhos em vista, a Aperam BioEnergia está concluindo neste ano a automação de 100% dos fornos em suas unidades do Vale do Jequitinhonha, responsáveis por produzir a energia renovável utilizada na produção do Aço Verde Aperam, na usina de Timóteo (MG). 

Paralelamente ao processo de automação, a BioEnergia está investindo em novos fornos.  O plano é sair dos atuais 283 fornos da empresa por 193 unidades de melhor performance até julho de 2024. Para tanto, serão substituídos 121 unidades FAP 220, que tem uma menor capacidade, por 31 fornos FAP 2000. O FAP 2000 é o maior forno do mundo para a produção de carvão vegetal e foi desenvolvido e patenteado pela própria BioEnergia. “Isso aumenta nossa capacidade de automatizar e consequentemente nossa competitividade”, diz Ézio Santos.  

“Fomos a primeira empresa produtora de aços planos especiais a obter o balanço carbono neutro do mundo. O que isso tem a ver com a automação dos fornos? Isso só foi possível com as tecnologias extremamente importantes que foram implementadas na Aperam nos últimos anos, que vieram reduzindo as emissões através de uma maior eficiência no uso de nossas florestas renováveis”, afirma o gerente executivo da Produção de Energia Renovável da Aperam BioEnergia, Ézio Santos, em palestra recente sobre o tema no Fórum Nacional do Carvão Vegetal, em Belo Horizonte.

A Aperam BioEnergia tem 126 mil hectares de áreas distribuídas por seis municípios do Vale do Jequitinhonha, dos quais 76 mil hectares são dedicados à plantação de eucalipto para a produção do carvão vegetal. Para processar 450 mil toneladas do biorredutor, como ocorre hoje, a empresa conta com 283 fornos, dos quais 121 unidades do modelo RAC 220; 161 do tipo RAC 700; e uma unidade do FAP 2000, construídos com tecnologia desenvolvida internamente pela empresa. Juntos, eles produzem aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos de carvão por ano.

“Na Aperam esse processo de automação dos fornos começou em 2012. Era uma necessidade extremamente importante aumentar o controle das operações. E quando ele é bem executado, remunera o setor, inclusive com a economia de madeira”, disse Ézio Santos.

Ele afirma que o objetivo inicial era conseguir uma maior conversão de madeira em carvão. “Hoje estamos carbonizando eucalipto de seis anos, que têm uma densidade menor do que de sete anos. Então precisávamos melhorar a eficiência do processo para manter nossos índices de conversão. E melhorar a qualidade”, explica. De fato, a empresa dobrou os índices de produtividade desde 2015, segundo o gerente executivo. 

Os fornos automatizados de cada planta são operados através de uma central de monitoramento de fornos. Temos medidores de temperatura dos canais, para controles precisos e instantâneos nos colocando rumo a um processo industrial 4.0.

Karoon decide adia as atividades de sonda em campo brasileiro

A Karoon Energy decidiu adiar as atividades de intervenção no quarto poço de um campo, localizado na costa do Brasil. Como resultado, uma sonda semissubmersível de propriedade da Maersk Drilling, que foi usada durante a campanha de intervenção de três poços, agora realizará operações de perfuração em outro campo brasileiro para a Karoon.

Em abril de 2021, a Karoon contratou uma sonda para realizar intervenções em quatro poços no campo de Baúna . Depois que a sonda Maersk Developer estiver concluída com esta campanha, espera-se perfurar dois poços de desenvolvimento no campo de Patola e, sujeito ao recebimento das licenças regulatórias necessárias, um ou potencialmente dois poços de controle na descoberta de petróleo Neon . O jogador australiano adicionou o trabalho de Patola ao backlog da sonda em junho de 2021 e a opção Neon foi adicionada em maio de 2022. Mais tarde naquele mesmo mês, a Karoon iniciou sua campanha de intervenção no campo de Baúna com a sonda Maersk Developer.

Em atualização na segunda-feira, a Karoon informou que a terceira intervenção no poço da campanha Baúna, que compreende a instalação de uma nova bomba submersível elétrica no poço SPS-92, foi concluída e o poço está novamente on-line. De acordo com a empresa, o comissionamento da bomba recém-instalada está progredindo bem, com a expectativa de que a bomba esteja operando nos níveis desejados nas próximas duas semanas. A Karoon divulgou que a produção atual de petróleo do poço é de aproximadamente 9.500 bopd, em comparação com 5.500 bopd antes da intervenção.

O Dr. Julian Fowles , CEO e Diretor Administrativo da Karoon, comentou : “Estamos muito satisfeitos por termos concluído as três principais intervenções em Baúna sem incidentes ambientais ou de segurança significativos. A produção aumentou de aproximadamente 12.600 bopd imediatamente antes do programa de intervenção para aproximadamente 22.000 bopd agora, com potencial ainda maior quando o comissionamento da nova bomba SPS-92 for concluído, levando a produção para o limite superior de nossa faixa de elevação de 5.000 a 10.000 bopd. ”

Além disso, a produção das duas primeiras intervenções em poços continua sendo otimizada e, juntamente com o SPS-92, elevou a produção total de petróleo do campo de Baúna para aproximadamente 22.000 bopd , no limite superior das expectativas da campanha pré-intervenção, conforme descrito por Karoon.

Devido aos “já fortes resultados” alcançados com esta campanha de intervenção, e como o quarto poço desta campanha – BAN-1 – deverá resultar em um aumento de produção “relativamente pequeno” de algumas centenas de bopd, a Karoon decidiu adiar a intervenção BAN-1, para otimizar o programa geral e a utilização da plataforma.

Assim, a sonda Maersk Developer se deslocará para o campo de Patola, onde se espera que as operações de perfuração do primeiro de dois novos poços de desenvolvimento comecem nos próximos dias.

“Estamos ansiosos para iniciar a perfuração no campo de Patola, nosso primeiro projeto de desenvolvimento desde que assumimos a operação da concessão de Baúna, assim que a sonda for mobilizada para o local”, acrescentou Fowles.

O Maersk Developer , construído em 2009, é um equipamento semi-submersível DSS-21 estabilizado em coluna, posicionado dinamicamente, capaz de operar em profundidades de água de até 10.000 pés.

Galp consolida aposta no upstream e acelera transição para renováveis e distribuição de gás

A Galp, terceira maior produtora de oléo e gás do Brasil, participa da edição da Rio Oil & Gas 2022, de 26 a 29 de setembro, no Boulevard Olímpico, cujo principal destaque é a participação de seu CEO mundial, Andy Brown, um dos grandes especialistas mundiais em geopolítica do petróleo.

A Galp pretende consolidar o seu crescimento na região do pré-Sal da Bacia de Santos, acelerando simultaneamente a sua expansão nas energias renováveis e a diversificação do seu portfólio de atividades no Brasil, com a entrada no segmento de comercialização de gás natural e a avaliação de oportunidades na cadeia de valor do hidrogênio verde.

Todas essas informações poderão ser conferidas na participação dos executivos da empresa, que se apresentarão em palestras do congresso e em eventos paralelos ao longo da programação, como também no estande da companhia, localizado no 1° andar do Armazém Kobra/IBP. Outro ponto alto no evento será a Ideation Week, um evento voltado ao público universitário, onde estudantes buscarão soluções para geração de energia e melhora do acesso à energia no Brasil, com foco em soluções híbridas e que unam energias renováveis e gás natural.

Expansão no upstream impulsiona investimentos

Desde o início das suas operações no Brasil, a empresa já contribuiu com mais de 232 milhões de barris para a produção brasileira, gerando cerca de US$ 3,5 bilhões para o país em royalties e taxas de participação. E, para a Galp, o Brasil seguirá como um grande fornecedor de energia nas próximas décadas, o que leva à intensificação de investimentos de longo prazo em projetos promissores, como é o caso da otimização do projeto Tupi/Iracema – o maior campo produtor do Brasil –, o desenvolvimento do campo de Bacalhau, entre outros.

Hoje, o Brasil é o país de maior relevância econômica para a Galp, que já investiu aqui mais de US$ 5 bilhões e prevê aportes da mesma dimensão nos próximos dez anos, à medida que acelera a sua transformação para uma matriz mais sustentável. O upstream no Brasil continua sendo a base da solidez econômica para os investimentos da Galp em novos projetos de energia alternativa de baixo carbono, ou seja, como instrumento a serviço da transformação.

Transição energética: do óleo e gás natural para as renováveis

Se tornar uma empresa de energia neutra em carbono é a meta da Galp até 2050, que está transformando a sua presença no Brasil em função desse objetivo. Um passo importante nesse caminho é o aumento de sua participação no segmento de distribuição de gás natural, combustível essencial para a segurança energética necessária para o desenvolvimento econômico no processo de transição, por se tratar de uma fonte de energia mais estável e flexível, que permite ser alternativa qundo as energias renováveis são escassas.

Após o início da comercialização de gás natural, em janeiro de 2022, a Galp continua, ainda, focada na venda de gás natural para as distribuidoras regionais e seus clientes. A empresa pretende também implementar estratégia integrada entre gás e eletricidade, dois mercados complementares. A exemplo da Bahiagás, em poucos meses a empresa conquistou mais de 30 clientes, que agora se beneficiam de um abastecimento de gás mais competitivo. Para tanto, a Galp celebrou acordos com a Petrobras e a Transportadora Associada de Gás para garantir o acesso às infraestruturas de processamento e transporte, além da comercialização da produção de gás proveniente de Sapinhoá Norte da Repsol Sinopec.

Em renováveis, a Galp é atualmente um dos principais players de energia solar fotovoltaica na península Ibérica e em expansão para a América Latina, com um portfólio combinado de 9,4 GW na Espanha, Brasil e Portugal, dos quais 1,2 GW já em fase de produção. Até 2030 a meta é a de uma capacidade operacional bruta renovável de cerca de 12 GW. A maioria dos parques solares já operam e mais da metade da capacidade de produção em desenvolvimento está no Brasil, com 5,4 GW.

Acelen planeja investimentos de R$ 1,1 bilhão em 2023 com foco em eficiência energética e modernização da refinaria de Mataripe, na Bahia

A Acelen, gestora de refinaria na Mataripe, na Bahia, programa investimentos de R$ 1,1 bilhão em eficiência energética e modernização da unidade até o final de 2023. Durante o CEO Talks, na Rio Oil & Gas, o presidente da empresa, Luiz de Mendonça, disse que este quantitativo de aportes já ocorreu neste ano. Cerca de 55% deste total, em 2022, é aplicado em eficiência hídrica, redução de pegada de carbono e melhoria nos índices ambientais. Os outros 45% dos recursos são destinados a programas de modernização e manutenção com paradas programadas.

O executivo reforçou que a empresa, após iniciar as operações na refinaria, que estava sob controle da Petrobras até dezembro de 2021, encontrou um mercado ainda volátil com falta de um player forte privado no setor de refino nacional.

Mendonça comenta que o Brasil é uma das fronteiras da transição energética na sua visão e analisa aquisições em ativos de renováveis locais – como solar e eólica -, investindo em uma equipe dedicada de novos negócios para crescer no mercado e analisar futuras oportunidades nos próximos meses.

A Acelen deseja ampliar seus negócios com companhias locais e apoiar o Brasil na maturação e competitividade do mercado de  refino. “Desejamos comprar mais petróleo de empresas brasileiras. Hoje, a Petrobras é o nosso principal fornecedor”, analisa.

A Rio Oil & Gas é patrocinada por Petrobras, Ambipar Response, Equinor, Shell, TotalEnergies, Vibra, Ipiranga, Raízen, BP, Bunker One, Chevron, ExxonMobil, Karoon Energy, Modec, Galp, PETRONAS, Repsol Sinopec, 3R Petroleum, Acelen,
Siemens Energy, Trident Energy, Braskem, Enauta, Halliburton, McDermott, NTS, PECOM, PRIO, Salesforce, Saipem, Subsea 7, AET, Baker Hughes, DOW, Fluxys, Oracle, Perbras, Solvay, TAG, TBG, Techint, Vallourec, Wintershall Dea, HorizonPartners, Ultracargo, Weatherford e WTW.

Rio Oil & Gas 2022 recebe certificado de neutralização para as emissões de carbono geradas no evento

A aquisição dos créditos foi feita “ao vivo” durante a abertura das atividades na Arena ESG

A Rio Oil & Gas recebeu  o certificado de neutralização para as emissões de carbono geradas no evento. Esta é a primeira vez que a feira é carbono zero. A diretora-executiva corporativa do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Fernanda Delgado, recebeu o certificado de neutralização do diretor-executivo da plataforma BlockC, Carlos Mathias Martins, responsável por intermediar a aquisição dos créditos equivalentes a 170 toneladas da CO2, na abertura da Arena ESG. Esta é a quantidade estimada de emissões, provenientes sobretudo dos geradores de eletricidade
do evento.

“Isto mostra o comprometimento da indústria de óleo e gás. Mostra que a gente realmente abraça a transição energética, a descarbonização, que a indústria tem esse compromisso e que a gente vai cumprir”, disse Fernanda.

Os créditos adquiridos foram gerados pelo projeto Envira Amazônia, uma área florestal de mais de 39 mil hectares no Acre que desenvolve atividades agroflorestais em parceria com comunidades locais. A operação de aquisição foi realizada na bolsa global
de créditos de carbono ACX (Aircabon Exchange).

“Eu acredito que o setor de óleo e gás tem um papel fundamental para a redução das emissões de gases do efeito estufa. Uma parte das soluções está aqui. Nada será feito sem passar pelo setor”, afirmou Carlos Mathias.

Renovabio

Apenas 13% das emissões do país tem como origem os combustíveis líquidos. Apesar da baixa participação geral na geração de CO2, o setor de combustíveis sabe que pode contribuir mais no processo de descarbonização da matriz, ressaltou Valeria Lima,
diretora executiva de downstream do IBP, durante painel “Renovabio – as lições aprendidas do primeiro mercado de carbono do Brasil”, que discutiu o programa, na Arena ESG.

Lorena Mendes, coordenadora do Renovabio, programa do Ministério de Minas e Energia para ampliar a oferta de biocombustíveis, destacou que “descarbonizar é uma questão de sobrevivência, competitividade e também de oportunidades para o Brasil no cenário global”. Entre as ações está a construção de um mercado de carbono, com a comercialização dos CBIOs, créditos de descarbonização que neste ano já movimentou R$ 3 bilhões em negociações na B3.

Baixo Carbono no Longo Prazo

Outro tema discutido na Arena ESG foi o que precisa ser feito para o setor de óleo e gás atingir a neutralidade de carbono até 2050. Os projetos do setor colocaram em evidência o desmatamento como uma das maiores ameaças para a transição para
economia de baixo carbono no Brasil. Agnes da Costa, chefe da Assessoria Especial em Assuntos Regulatórios do Ministério de Minas e Energia, reforçou o papel de estudos guiarem os projetos desta temática. “Os estudos mostram que, se não controlarmos o desmatamento, vamos ter muita dificuldade de cumprir as metas de neutralidade de carbono até 2050”, afirmou Agnes, durante o painel “Os projetos do setor de óleo e gás para trajetória brasileira de neutralidade climática em 2050”.

Um levantamento do Programa de Planejamento Energético, da Coppe/UFRJ, apresentado pelo professor adjunto Pedro Rochedo, baseado em ferramentas matemáticas de modelagem, concluiu que o controle do desmatamento é uma medida
essencial para o Brasil, se quiser manter seu papel de relevância em uma economia de baixo carbono no futuro.

“É fundamental termos uma estratégia de desenvolvimento de baixo carbono de longo prazo, pois o desafio para a neutralidade até 2050 é enorme. Um dos melhores cenários do nosso estudo aponta que com leilões das permissões de emissões, devolvendo para a economia e mantendo a carga tributária neutra, os setores que receberão mais benefícios serão os que geram mais empregos. Vamos usar receitas de carbono favorecendo a transição econômica rumo a uma transição de baixo carbono”, afirmou William Wills, CEO da EOS Estratégia e Sustentabilidade.

Outro passo importante é definir qual o tamanho das emissões de cada segmento do setor, iniciativa que já começou a ser feita por meio de uma parceria entre o IBP e a consultoria WayCarbon. “Em nosso primeiro escopo, feito com 40 associadas do IBP,
identificamos os quatro segmentos que mais emitem dentro do setor de O&G: downstream, com 44%; upstream, com 35%; térmicas, com 16%; e midstream, com 5%. Esse mapeamento vai servir para a avaliação das medidas custo-efetivas para a
descarbonização”, finalizou Julia Rymer, gerente de Mitigação da WayCarbon e uma das palestrantes.

Brasil será um dos líderes globais em transição energética, analisa VP de Global Energy da S&P Global Insights

O Brasil tem enorme potencial para liderar a transição energética global, especialmente com o aperfeiçoamento do seu arcabouço regulatório e consolidação de novas fontes de energias limpas – como eólica, solar e biomassa – para o crescimento macroeconômico nacional com reflexos positivos na indústria. Estas foram as conclusões de Carlos Pascual, Senior Vice-President for Global Energy da S&P Global Commodity Insights, que foi entrevistado por Clarissa Lins (sóciafundadora da Catavento Consultoria), no primeiro CEO Luncheon da Rio Oil & Gas.

Pascual avalia que a guerra da Ucrânia mudou toda perspectiva internacional do segmento de energia. Na visão do executivo, trata-se de um evento que será de curto prazo e ainda resultará em volatilidade nos preços do Brent e do gás natural, especialmente agora no início de inverno na Europa.

Outro desafio, diz, é a demanda da China por petróleo e gás, que poderá crescer em virtude da retomada macroeconômica do país, mesmo com lockdowns em algumas cidades relevantes para escoamento de sua produção. “Este é um momento em que verificamos sanções globais com a Rússia, busca por novos fornecedores e estruturação de um novo segmento de O&G e energia”, comenta.

Segundo Pascual, o segmento de petróleo e gás ainda será cobrado globalmente por iniciativas de descarbonização e redução de emissões de gases de efeito estufa. O executivo defende que as inovações de hoje devem ser parte da mesa de discussão setorial. Devem estar presentes na agenda setorial das lideranças globais com incentivos para pesquisa e desenvolvimento. “Esta ação trará ampla perspectiva para seguirmos como um segmento dinâmico e resiliente às mudanças estruturais de curto prazo que podem ocorrer no mundo neste momento”, conclui.

A Rio Oil & Gas é patrocinada por Petrobras, Ambipar Response, Equinor, Shell, TotalEnergies, Vibra, Ipiranga, Raízen, BP, Bunker One, Chevron, ExxonMobil, Karoon Energy, Modec, Galp, PETRONAS, Repsol Sinopec, 3R Petroleum, Acelen,
Siemens Energy, Trident Energy, Braskem, Enauta, Halliburton, McDermott, NTS, PECOM, PRIO, Salesforce, Saipem, Subsea 7, AET, Baker Hughes, DOW, Fluxys, Oracle, Perbras, Solvay, TAG, TBG, Techint, Vallourec, Wintershall Dea, HorizonPartners, Ultracargo, Weatherford e WTW.

Tecnologia é fundamental para metas ambientais e de abastecimento da indústria de óleo e gás

Tema foi um dos principais nos painéis do primeiro dia da Rio Oil & Gas

A tecnologia tem papel fundamental no futuro da indústria do petróleo, que deve avançar rumo à descabornização, com garantia de acesso à energia por toda população – o que demandará pesados investimentos. Em debates na segunda-feira (26), na Rio Oil & Gas, especialistas da indústria destacaram a relevância da pesquisa e das inovações para transformar em realidade as metas do setor, num cenário de mudanças climáticas e demanda crescente por energia.

Fernanda Delgado, diretora executiva corporativa do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, destacou a necessidade de investimentos para concretizar essas novas tecnologias. Segunda ela, serão demandados US$ 90 bilhões até 2026 em inovações para promoção do netzero e 50% dos novos processos e tecnologias ainda não foram criados, de acordo com Agência Internacional de Energia. “Fósseis e renováveis não são inimigos. O futuro depende de cooperação para gerar oportunidades. Especialmente quando falamos nos segmentos de O&G e energia, que são responsáveis por 15% das emissões diretas e
indiretas globais”, avalia a executiva.

Para o professor de sustentabilidade da UFRJ, Millad Shadman, a eletrificação, a eficiência e a transição energética nos segmentos de O&G e energia devem estar integradas para se alcançar a neutralidade de carbono até 2050. O gerenciamento do
mix energético – também composto por eólica, eólica offshore e solar – é fundamental para o avanço de uma política de baixo carbono, avalia Elbia Gannoun, presidente da ABEEólica. Ela defende que o Brasil deve ser parte de um dos principais blocos de investimentos do mundo para desenvolvimento de inovações e tecnologias disruptivas nestas áreas.

Segurança e Eficiência

Durante o painel “Novas tecnologias para o pré-sal: avanços recentes e como a tecnologia pode ajudar na geração de valor”, José Formigli, CEO da Forsea Engenharia, afirmou que um dos pilares do crescimento da produção de óleo e gás no Brasil é
justamente o uso de tecnologias para que os projetos sejam seguros, eficientes e com limites cada vez mais baixos de viabilização econômica.

Durante o painel, Maiza Pimental Goulart, gerente executiva do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), ressaltou que, nos últimos dez anos, a empresa evoluiu muito no pré-sal por conta do uso de tecnologia avançada e busca mais parcerias, com empresas, academias e centros de pesquisa.

O gerente geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Shell, Olivier Wambersie, concorda que, para transformar o sistema energético, é preciso parceria. Já a vicepresidente da Equinor, Ana Serrano Oñate, acredita que, num novo ambiente de
negócios, é preciso se “adaptar à inovação”.

Infraestrutura

O papel da infraestrutura teve destaque nos painéis do evento por ser um dos gargalos no desenvolvimento do país, inclusive no que diz respeito à descarbonização. Para Thiago Barral, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é preciso combinar investimentos públicos e privados para aumentar o investimento do PIB na melhoria da infraestrutura brasileira. Ele participou do painel “Descarbonização profunda da cadeia de valor de energia”.

Fernanda Delgado, diretora executiva corporativa do IBP, lembrou que o mercado e números expressivos apontam que o Brasil já fez a sua transição energética. “Muitos dizem que já fizemos a nossa transição. 85% da nossa matriz de energia elétrica é
totalmente renovável. Além disso, o Brasil já sai na frente por termos o biodiesel. As refinadoras vão ter que ser adaptar a um futuro de combustíveis alternativos”, afirmou.

Outro ponto abordado no painel foi a diversidade relacionada ao uso de diferentes fontes de energia em diferentes segmentos e regiões. Na prática, essa diversidade já começa a acontecer, com a participação da indústria da aviação, de portos, aeroportos,
empresas de seguro e instituições de financiamento debatendo a descarbonização. Segundo Doreen Burse, vice-presidente mundial de vendas da United Airlines, quer reduzir em 85% as suas emissões de carbono até 2050.

Combustíveis e Tecnologia

O mercado de combustíveis terá crescimento de 25% a 30% da demanda até 2035, o que mostra sua relevância para a matriz energética. Para atender essa demanda, é preciso um mercado cada vez mais aberto, competitivo e com investimentos em
infraestrutura, destacou Marcelo Araújo, diretor do grupo Ultrapar, durante painel “Um novo paradigma para distribuição e revenda de combustíveis no Brasil”. “Temos ainda um desafio de infraestrutura para atender essa demanda de 30%.
Estudo do IBP estima necessidade de R$ 118 bilhões de investimentos em infraestrutura e que devem reduzir em R$ 2,6 bilhões por ano do custo total de distribuição”, ressaltou Araújo.

Henry Hadid, vice-presidente jurídico da Vibra, destacou a importância da Lei 192, que busca a simplificação tributária no segmento dos combustíveis, e aprovou a monofasia do ICMS cobrança em apenas um elo da cadeia do setor.

Symone Araújo, diretora da ANP, destacou a necessidade de a agência reguladora responder os desafios de crescimento do setor, removendo barreiras, estimulando a atuação segura de novos agentes e buscando ampliar a concorrência. “Precisamos atrair investimentos. Com privatização do refino, teremos novos fluxos e agentes competidores. Queremos ter um mercado ainda mais aberto, dinâmico e competitivo”, finalizou a diretora da ANP.

A Rio Oil & Gas é patrocinada por Petrobras, Ambipar Response, Equinor, Shell, TotalEnergies, Vibra, Ipiranga, Raízen, BP, Bunker One, Chevron, ExxonMobil, Karoon Energy, Modec, Galp, PETRONAS, Repsol Sinopec, 3R Petroleum, Acelen,
Siemens Energy, Trident Energy, Braskem, Enauta, Halliburton, McDermott, NTS, PECOM, PRIO, Salesforce, Saipem, Subsea 7, AET, Baker Hughes, DOW, Fluxys, Oracle, Perbras, Solvay, TAG, TBG, Techint, Vallourec, Wintershall Dea, HorizonPartners, Ultracargo, Weatherford e WTW.

Serviço:
Rio Oil & Gas 2022
Data: de 26 a 29 de setembro
Horários: das 8h às 18h (Congresso) e das 12h às 20h (Exposição e Eventos Paralelos)
Local: Boulevard Olímpico (Armazéns 1, 3, 4, 5, Utopia, Armazém IBP (Mural “Etnias”) e
Espaço Kreimer)
Site: https://www.riooilgas.com.br/

API e Inmetro fecham parceria para acordo de cooperação técnica

Foi assinado na última segunda-feira (26/09), um acordo para um memorando de entendimento (MOU) entre o American Petroleum Institute e o Inmetro com o objetivo de cumprir a agenda regulatória e adequação do modelo de controle legal para o segmento de óleo e gás no Brasil. O evento aconteceu na Rio Oil & Gas 2022, no estande da Agência Nacional de Petróleo (ANP) com a presença da vice-presidente sênior de Serviços da Indústria Global do API Anchar Liddar e do diretor de Metrologia Legal do Inmetro Periceles Vianna.

Os desafios a serem enfrentados pelo setor de óleo e gás são grandes, visto que, além das normas a serem cumpridas, há a necessidade de prospectar laboratórios acreditados para calibrações e ensaios no Brasil. Além disso, a importância de controlar legalmente a produção de petróleo e permitir o rastreamento dos padrões impacta diretamente na arrecadação federal e dos estados e municípios. A parceria também inclui promover a cooperação, o intercâmbio de informações sobre normas API, facilitar a tradução e implementação de Normas e Programas do API pela indústria brasileira e a participação de especialistas brasileiros e americanos em reuniões, grupos e outras oportunidades conduzidas pelo API e pelo Inmetro na elaboração e discussão de informações do setor de petróleo e gás, além de promover a colaboração na realização de fóruns conjuntos, conferências, mesas redondas, workshops e outras atividades similares.

Sobre o API

O API é uma associação sem fins lucrativos com sede nos EUA que apoia todos os segmentos da indústria de petróleo e gás natural através de padrões e programas de segurança. O API foi fundado em 1919 como uma organização de desenvolvimento de padrões e desenvolveu mais de 800 padrões para melhorar a qualidade, segurança operacional e ambiental, eficiência e sustentabilidade. Mais informações: https://www.api.org/.

Foto: Rogério Resende