ANP lança Programa de Monitoramento da Qualidade do Biodiesel (PMQBio)

A diretoria da ANP aprovou a realização de consulta, seguida de audiência pública, sobre a minuta de resolução que visa criar o Programa de Monitoramento da Qualidade do Biodiesel (PMQBio). A iniciativa da Agência tem o objetivo de contribuir para a garantia da qualidade do produto ao longo de toda a cadeia de abastecimento.

Em 2005, o biodiesel foi introduzido na matriz brasileira, com uso voluntário, e, em 2008, de maneira mandatória com proporção de 2%. Desde então, o teor de biodiesel no óleo diesel rodoviário vem sendo ampliado gradualmente até os atuais 13% (B13) em vigor, devendo chegar a 15% em 2023, conforme estabelecido pela Resolução CNPE 16/2018.

Para que a mistura do biodiesel ao diesel continue atendendo, com eficiência, ao uso proposto, a ANP decidiu, entre outras medidas em andamento, implantar o PMQBio. O programa irá monitorar o cumprimento das especificações de qualidade, com o objetivo de assegurar que os combustíveis vendidos pelos agentes econômicos atendam aos limites exigidos para os parâmetros físico-químicos.

Em funcionamento desde 1998, o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) tem sido bem-sucedido como indutor de ações de garantia de qualidade por parte de empresas ou instituições do mercado, de eliminação de assimetrias de informação, além de orientar, como principal vetor de inteligência, as ações de fiscalização da própria Agência e de órgãos conveniados. Índices de qualidade acima de 97% registrados nos últimos anos para os combustíveis (óleo diesel B, gasolina C e etanol hidratado) retratam a contribuição do PMQC para o consumidor final.

O PMQBio terá formato similar ao novo PMQC. Está prevista a coleta de amostras de biodiesel nos agentes econômicos seguida de análises físico-químicas, permitindo a produção de dados estatísticos sobre a qualidade dos produtos e a identificação de eventuais não conformidades. O modelo proposto prevê a realização de, no mínimo, duas coletas anuais aleatórias de amostras em distribuidores de combustíveis líquidos e produtores de biodiesel, através do financiamento privado dos agentes econômicos envolvidos, a exemplo do procedimento previsto na Resolução ANP nº 790, de 2019, que trata do novo modelo do PMQC.

As amostras coletadas serão analisadas em laboratórios privados vencedores de licitação a ser realizada pela ANP e contratados pelos agentes econômicos. Estudos realizados pela Agência mostram que o PMQBio não deverá apresentar impacto nos preços dos combustíveis ao consumidor.

Os resultados das análises serão publicados em boletim semestral, dando a publicidade à situação da qualidade do biodiesel e diesel A no país. Os resultados não conformes serão comunicados à fiscalização da ANP e órgãos conveniados.

A minuta de resolução será submetida a consulta pública pelo prazo de 45 dias e, em seguida, a audiência públicas. Os documentos poderão ser consultados em: https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/consultas-e-audiencias-publicas/consulta-audiencia-publica.

Ascom ANP

PetroRio deve começar campanha de perfuração em Frade este ano

O presidente da PetroRio, Roberto Monteiro, disse que a companhia espera iniciar neste ano a campanha de perfuração no campo de Frade, na Bacia de Campos.

Inicialmente previstas para 2020, as atividades foram postergadas devido aos impactos da pandemia de covid-19. A expectativa, agora, é que comecem no quarto trimestre.

Segundo o executivo, a ideia é começar a campanha com a perfuração de um poço produtor e, em seguida, mais dois poços injetores.

Se a empresa for bem-sucedida na primeira perfuração, no início do quarto trimestre, há a possibilidade de que consiga produzir por meio do novo poço ainda em 2021. “Mas essa é uma chance mais remota”, afirmou Monteiro em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados de 2020.

Ele citou que a petroleira pretende contratar uma sonda para fazer a campanha de perfuração de Frade e, em seguida, partir para a descoberta de Wahoo, para perfuração de quatro poços produtores. “Isso otimizaria nossa perfuração”, disse.

Monteiro também citou, entre os principais projetos para 2021, a conexão dos campos de Polvo e Tubarão Martelo, ambos na Bacia de Campos, num único polo de produção. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos em julho.

Com isso, a expectativa do executivo é que o custo de extração da companhia caia para entre US$ 10 e US$ 12 o barril. No quarto trimestre de 2020, esse custo foi da ordem de US$ 14,7 o barril.

Aquisições
O presidente da PetroRio disse que a companhia pretende usar parte do caixa, reforçado pela oferta subsequente de ações (follow-on) de R$ 2 bilhões realizada em janeiro, para aquisições.

“Um dos usos desse recurso que levantamos no follow-on foi para isso [aquisição]. Vemos várias oportunidades no mercado. Queremos estar prontos para conseguir mais oportunidades”, afirmou.

Dentre as oportunidades de negócios monitoradas, Monteiro cita que a PetroRio tem “conversas construtivas” com a Total, sócia no projeto de Wahoo, e iniciou uma aproximação com a indiana IBV, outra parceira no campo.

“Temos interesse em ter algum tipo de conversa relacionada a M&A [fusões e aquisições] com eles’, disse.

Outro ativo que a petroleira monitora é o campo de Albacora, à venda pela Petrobras. Questionado se o processo de desinvestimentos está sendo impactado pela troca de comando na estatal, o executivo respondeu que ainda é cedo para tirar alguma conclusão sobre o assunto.

“Tínhamos a expectativa de saber as empresas que passariam para segunda fase [do processo de venda] em março e a expectativa se mantém “, comentou.

Desdobramento de ações
O executivo disse que o desdobramento de ações da companhia não está, por ora, em pauta, mas acrescentou que o assunto pode ser debatido “no momento oportuno”.

“Não temos nenhuma ação em curso para isso [desdobramento de ações], mas, dependendo da performance da companhia, o assunto virá à pauta no momento oportuno”, afirmou.

Valor

EUA habilita sua primeira instalação de desmantelamento de navios em conformidade com a UE

A International Shipbreaking, parte do grupo EMR Metal Recycling, obteve a certificação EU Ship Recycling Regulation (EU SSR) para sua unidade em Brownsville, Texas, depois de investir US$ 30 milhões em infraestrutura.

A unidade de Brownsville é a primeira unidade de desmantelamento de navios dos Estados Unidos a obter esse credenciamento.

A International Shipbreaking recicla navios e estruturas marítimas desde 1995.

Portos e Navios

Petrobras prepara Reduc para ampliar produção de Diesel S-10

Refinaria irá quase dobrar capacidade de produção de diesel com baixo teor de enxofre em 2023

A Petrobras realizará obras na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) para adequação da Unidade de Hidrotratamento (HDT) de diesel e QAV. As intervenções irão aumentar a qualidade do diesel produzido nesta unidade, promovendo a redução do teor de enxofre (de 500 ppm para apenas 10 ppm), visando atender especificações do mercado local e internacional, além de requisitos ambientais.

Com investimentos na ordem de R$ 140 milhões e conclusão das obras prevista para o segundo semestre de 2023, a Petrobras ampliará a capacidade de produção de Diesel S-10 na Reduc dos atuais 5.000 m³/dia para 9.500 m³/dia.

As adequações estão alinhadas ao objetivo estratégico da Petrobras de lançar produtos de maior valor agregado e com menor impacto ao meio ambiente. O uso do Diesel S-10 promove a melhoria do desempenho do combustível nos motores, com impactos positivos na redução de emissões de material particulado. Além da diferença no teor de enxofre, o diesel S-10 tem maior nível de cetano, índice que mede a qualidade de ignição, ou seja, quanto maior melhor.

“Estamos nos preparando para o novo mercado de refino que se formará no Brasil nos próximos anos e este projeto é de grande relevância para continuarmos competitivos, fornecendo derivados de alto valor agregado, operando de maneira sustentável e em sinergia com nossos ativos de classe mundial em águas profundas e ultraprofundas”, explica a gerente-geral da Reduc, Alexandre Coelho.

O aumento na capacidade de produção de Diesel S-10 acompanha a evolução dos motores de veículos pesados e utilitários movidos a diesel, responsáveis pela maior parte da circulação de mercadorias no território brasileiro. Atualmente, existem no Brasil dois tipos de diesel rodoviário: o Diesel S-10 e o Diesel S-500, sendo este último utilizado apenas por veículos fabricados até 2011.

Além da Reduc, nos próximos anos também estão previstas adequações para aumento da capacidade de produção de Diesel S-10 em duas refinarias no estado de São Paulo: na Refinaria de Paulínea (Replan) e na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos. A expectativa é aumentar a produção de diesel S-10 em até 16.500 m³/dia com a implantação desses projetos adicionais.

S-10 no mercado

A participação do Diesel S-10 da Petrobras no mercado em dezembro de 2020 registrou 54,9%. No quarto trimestre de 2020, as refinarias Replan, Refap, RPBC e Regap alcançaram recordes mensais de produção de Diesel S-10.

Agência Petrobras

Audiência pública debate redução de royalties para empresas de pequeno e médio portes

A ANP realizou em (3/3) audiência pública sobre a minuta de resolução que regulamentará a redução da alíquota de royalties como incentivo às empresas de pequeno e médio portes. O objetivo da proposta é incentivar mais investimentos nos campos que essas empresas operam.

“A atuação das empresas de pequeno e médio porte no Brasil é um importante catalisador do desenvolvimento regional, principalmente na região Nordeste. Esse tipo de atividade é intensivo em capital, possuindo, portanto, grande potencial para geração de renda e empregos no país” – destacou o diretor Dirceu Amorelli durante a abertura da audiência.

Durante a Audiência foram apresentados o histórico, o objetivo e os impactos da minuta de resolução. Além disso, foram debatidas as contribuições recebidas durante o período de consulta pública.

Participaram do evento – via Teams ou via YouTube – representantes da Indústria de óleo e gás, entes federados beneficiários e da sociedade. A gravação do evento está disponível no canal da ANP no YouTube.

A expectativa com a resolução proposta é que haja aumento na atratividade econômica dos campos e continuidade da produção, com extensão da vida útil dos campos, mantendo seus benefícios socioeconômicos regionais, como geração de empregos, renda e arrecadação de tributos estaduais e municipais. Há ainda a perspectiva de aumento da participação de empresas de pequeno e médio portes nas atividades de exploração e produção, resultando em maior pluralidade de atores da indústria.

A minuta de resolução está em linha com as políticas do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que desde 2003, vem estabelecendo diretrizes de incentivo ao aumento da participação de empresas de pequeno e médio portes nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural. O texto passou por um período de consulta pública de 90 dias e as contribuições recebidas podem ser consultadas aqui.

Os royalties são uma compensação financeira devida pelas empresas com produção de petróleo e gás natural no Brasil. A base de cálculo é a receita bruta da produção, de acordo com uma alíquota definida em contrato. A minuta propõe uma redução para até 5% na alíquota para campos operados por empresas de pequeno porte e 7,5% para aqueles operados por empresas de médio porte.

Em 2020, o CNPE editou a Resolução CNPE nº 04/2020, que estabelece como de interesse da política energética nacional que a ANP avalie a adoção de medidas visando à redução de royalties para campos concedidos a essas empresas. Em dezembro do ano passado, a ANP realizou um workshop sobre o tema para proporcionar maior visibilidade e transparência ao tema e possibilitar a participação da sociedade e da indústria no debate.

Ascom ANP

Estatal informa sobre Conselheiro de Administração

A Petrobras esclarece que o Conselheiro Leonardo Pietro Antonelli informou à companhia que não pretende ser reconduzido como indicado pelo acionista controlador na próxima Assembleia Geral Extraordinária, a ser convocada para eleição de membros do Conselho de Administração.

A não recondução do Conselheiro não impede que ele seja eventualmente indicado e eleito novamente pelos acionistas minoritários, caso haja solicitação de voto múltiplo e ele receba votos para tanto.

O Conselheiro Leonardo Antonelli foi eleito na Assembleia de 22/07/2020 através do processo de voto múltiplo, após ter sido indicado por acionistas minoritários.

Agência Petrobras

ANP elabora minuta de resolução que revê tutela da fidelidade à bandeira

A ANP, no cumprimento de sua Agenda Regulatória para o Biênio 2020-21, deve abrir em breve procedimento de consulta e audiência públicas para tratar da revisão da Resolução ANP nº 41/2013, que disciplina as atividades da revenda varejista de combustíveis automotivos. No processo revisório, previsto para ser concluído ainda no primeiro semestre deste ano, a ANP deverá se pronunciar sobre temas que constam de sua pauta de discussões há algum tempo, dentre os quais a tutela regulatória de fidelidade à bandeira.

No momento, encontram-se em fase de consulta interna junto a diferentes áreas técnicas da ANP, a minuta de revisão da resolução 41/2013 e a Nota Técnica de Análise de Impacto Regulatório (AIR) que a subsidia, em respeito ao art. 6º da Lei das Agências Reguladoras, que prevê esse procedimento obrigatório “em propostas de alterações de atos normativos de interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou usuários”.

Como forma de melhor subsidiar os estudos necessários, inclusive a AIR, a ANP promoveu, em janeiro de 2020, workshop junto ao setor regulado, no qual colheu sugestões e contribuições para a preparação das alterações normativas para o mercado de revenda varejista de combustíveis automotivos.

O processo vem sendo conduzido pela Superintendência de Distribuição e Logística, área técnica que foi encarregada pela Diretoria Colegiada de conduzir o processo revisório e de sugerir aperfeiçoamentos aos estudos preliminares produzidos pelo Grupo de Trabalho instituído pela Portaria nº 357/2018. O Grupo, que não pôde concluir suas atividades em tempo hábil, tinha como objetivo dar encaminhamento às contribuições recebidas por ocasião da Tomada Pública de Contribuições (TPC) nº 04/2019, que tratou da chamada “tutela regulatória de fidelidade à bandeira”.

Ao término da fase de consulta interna, a versão final da minuta de resolução, juntamente com a AIR, será submetida à aprovação da diretoria colegiada. Em seguida, será aberto o processo de consulta e audiência públicas para receber manifestações e sugestões do setor regulado e sociedade de forma geral, de forma a colher novos subsídios para melhor instruir quaisquer alterações ao regramento.

No âmbito da revisão da Resolução nº 41/2013, também serão tratados temas já preliminarmente apresentados ao mercado regulado no workshop realizado em janeiro de 2020. Entre eles a proposta elevação de requisitos autorizativos a novos entrantes no mercado regulado, a de regulamentar o delivery de combustíveis, a de mudar a forma de disposição de preços nas bombas de combustível.

A respeito da tutela regulatória de fidelidade à bandeira, que abrange cerca de 45% do mercado de revenda varejista, as normas vigentes determinam que revendedores que tenham optado por exibir marca comercial de distribuidor só armazenem, comprem e vendam combustíveis junto ao distribuidor detentor da marca que exibem. O objetivo da norma é garantir ao consumidor o exercício de suas preferências comerciais, impedindo que ele seja induzido por meio de publicidade enganosa ao erro de adquirir produto com a origem distribuidor diferente ao de sua escolha.

Nesse contexto, é importante ressaltar que a chamada “tutela regulatória de fidelidade à bandeira”, longe de ser trivial, é um tema particularmente sensível, uma vez que os limites regulatórios para sua flexibilização estão fortemente relacionados à necessidade de proteção do direito do consumidor nos termos do artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, que deixa expressa a vedação à publicidade enganosa nos seguintes termos:

“Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ 1o É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.”

Esses limites foram também apontados por meio das manifestações recebidas de outros órgãos ao longo do processo, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

A ANP reforça seu compromisso com os temas de sua Agenda Regulatória e em breve deverá convocar a sociedade a participar do processo regulatório por meio de Consulta e Audiência Públicas, quando será tornado público o entendimento da Agência a respeito dos temas tratados e serão recebidos novos subsídios ao processo regulatório.

Ascom ANP

Porto do Rio de Janeiro renova contrato com Petrobras para uso de base de apoio offshore dos campos do pré-sal da BS

A Companhia Docas do Rio de Janeiro assinou, na última sexta-feira (26), um contrato de transição com a Petrobras, no intuito de garantir a manutenção das operações da empresa no Porto do Rio de Janeiro, que é uma das principais bases de apoio offshore do país para a exploração dos campos de pré-sal da Bacia de Santos.

Considerado muito importante para a economia do município e do estado, o contrato tem validade de seis meses e foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que também permitiu a celebração de outros contratos subsequentes até que seja realizado o certame licitatório da área. O próximo passo é a elaboração de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para prosseguir com o processo de arrendamento em definitivo do terminal.

Segundo o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Docas do Rio, Eduardo Miguez, essa operação da Petrobras no Porto do Rio de Janeiro sustentou as primeiras explorações dos campos de pré-sal. “A manutenção dessa operação demonstra o empenho e a seriedade com que a Docas do Rio vem trabalhando. Isso gera confiança e credibilidade no mercado, fazendo com que a Petrobras tenha se empenhado para manter sua base no Porto do Rio, que possui importância estratégica para a empresa e para o país”, ressaltou Miguez.

Para o superintendente de Planejamento e Desenvolvimento de Negócios, Pablo Fonseca, a assinatura do contrato firmado entre Docas do Rio e Petrobras é um ganho para toda a comunidade portuária: “Além de garantir a manutenção das operações, a atividade continuará contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento socioeconômico da região portuária. Por fim, a celebração do contrato demonstra a pujança do Porto do Rio de Janeiro frente ao mercado de óleo e gás e de apoio portuário”.

Raízen tem aprovação do Cade para aquisição da Biosev

A Raízen, líder mundial em açúcar e etanol de cana-de-açúcar, obteve aval do órgão brasileiro de defesa da concorrência para a aquisição da Biosev, uma transação anunciada pelas empresas no início de fevereiro.

O negócio, que envolve pagamento pela Raízen de 3,6 bilhões de reais e mais um montante em ações, foi aprovado sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo publicação no Diário Oficial da União da terça-feira.

“A presente operação não levanta maiores preocupações em termos concorrenciais, em função das baixas participações de mercado detidas pelas requerentes nos mercados horizontal e verticalmente relacionados”, disse o Cade em parecer sobre a transação.

O Cade ainda rejeitou um pedido da distribuidora 76 Oil para entrar como “terceiro interessado” no processo, ao apontar que apesar de ser concorrente de Raízen e Biosev a empresa não apresentou elementos suficientes para agregar à análise.

Após a aquisição e integração dos negócios da Biosev, a Raízen– uma joint venture entre Cosan e Shell– passará a contar com um total de 35 unidades produtoras e capacidade instalada de moagem de 105 milhões de toneladas de cana, além de cerca de 1,3 milhão de hectares de cultivos.

Segundo a Raízen, a operação envolve nove unidades da Biosev, com capacidade total de moagem de 32 milhões de toneladas de cana, localizadas em São Paulo (seis), Mato Grosso do Sul (duas) e Minas Gerais (uma), que virão sem qualquer dívida, além de 280 mil hectares de cana.

Reuters

Quatro membros do conselho da Petrobras indicados pelo governo deixam os cargos

A Petrobras perdeu quatro membros do seu Conselho de Administração. João  Cox  Neto, Nivio  Ziviani, Paulo  Cesar  de  Souza  e  Silva e  Omar  Carneiro  da  Cunha pediram para deixar os postos de conselheiros da estatal. Os quatros são indicados pelo governo, o acionista controlador da estatal.

A saída deles está relacionada à decisão do presidente Jair Bolsonaro de mudar o comando da companhia, após a alta nos preços dos combustíveis há duas semanas. Para seu lugar, foi indicado o general Joaquim Silva e Luna. Mas o nome precisa passar pelo aval dos acionistas em assembleia, que ainda não tem data marcada.

A Petrobras informou que todos os conselheiros foram convidados para a recondução de seus postos, mas recusaram.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de terça-feira,  Omar, ex-presidente da Shell,  disse que “em  virtude  dos  recentes  acontecimentos  relacionados  as  alterações  na  alta administração  da  Petrobras,  e  os  posicionamentos  externados  pelo  representante  maior  do  acionista controlador da mesma, não me sinto na posição de aceitar a recondução de meu nome como Conselheiro desta  renomada  empresa,  na  qual  tive  o  privilégio  de  servir  nos  últimos  sete  meses”.

Na carta, Omar destacou ainda que “se manteve aderente as estratégias devidamente  aprovadas,  e  seguindo  os  mais  altos  níveis  de  governança  e  de  conformidade  com  os estatutos da empresa, e aos mais altos padrões de gestão empresarial”.

Ele criticou  a postura do governo nas últimas semanas:

“A  mudança  proposta  pelo  acionista  majoritário,  embora amparado  nos  preceitos  societários,  não  se  coaduna  com  as  melhores  práticas  de  gestão,  nas  quais procuro guiar minha trajetória empresarial. Sendo assim, acredito que minha contribuição ao Conselho de Administração e à empresa seria fortemente afetada,e minha efetividadereduzida.Agradecendo mais uma vez a forma elegante e profissional como você e os demais companheiros deste CA me recepcionaram, subscrevo-me.”

Paulo  Cesar  de  Souza  e  Silva  pediu para sair em  virtude do seu mandato ser “interrompido inesperadamente”. Elogiou a atual diretoria: ” Registro meu   respeito   e   reconhecimento   pelo excelente trabalho   desenvolvido   pela   diretoria   executiva   e funcionários  da  Petrobras  bem  como  pelos  meus  colegas  Conselheiros  sob  a  liderança  do  Presidente Eduardo Leal”.

Já Cox e Ziviani destacaram apenas “razões pessoais”.

Além deles, o atual presidente da estatal Roberto Castello Branco, que também é conselheiro, vai deixar a empresa no dia 20 de março. Com isso, a União vai precisar buscar quatro novos nomes para o novo conselho. Eles vão ser indicados em  Assembleia Geral Extraordinária (AGE). É ainda o caso do general Silva e Luna que terá assento também no board.

Nome de General: parecer em até 16 dias

Em outro comunicado, a estatal explicou que a Assembleia  Geral  de Acionistas é quem vai eleger os membros do Conselho de Administração.

“E cabe ao Conselho de Administração,  por  sua  vez,  eleger  os  diretores  Executivos,  sendo  que  o  diretor-presidente  da  Petrobras  deverá  ser  escolhido  dentre  os  Conselheiros”, informou a empresa.

A estatal lembrou que a análise do Comitê de Pessoas deve ser feita no prazo de oito dias úteis a partir da  entrega  de  todas  as  informações  necessárias  para  a  indicação de Joaquim Silva e Luna,  podendo  ser prorrogado por mais oito) dias úteis. “Com relação à indicação do Senhor Joaquim Silva e Luna, os processos internos de governança ainda estão em curso”, disse a estatal.

O Globo