Petroleira inicia fase vinculante da Araucária Nitrogenados S.A.

A Petrobras, em continuidade ao comunicado divulgado em 17 de setembro de 2020, informa o início da fase vinculante referente à venda da totalidade de suas ações na subsidiária integral Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA).

Os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para realização de due diligence e para elaboração e envio das propostas vinculantes.

A presente divulgação está de acordo com as normas internas da Petrobras e com o regime especial de desinvestimento de ativos pelas sociedades de economia mista federais, previsto no Decreto 9.188/2017.

Essa operação está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os seus acionistas.

Sobre a Araucária Nitrogenados S.A.

A ANSA possui uma unidade industrial de fertilizantes nitrogenados localizada em Araucária, no estado do Paraná. Com capacidade de produção de 1.975 t/dia de ureia e 1.303t/dia de amônia, a planta encontra-se atualmente hibernada. A retomada da produção da planta ou sua transformação para outro fim será de responsabilidade do potencial comprador.

Agência Petrobras

Estatal destaca inovação e geração de valor em nova campanha

A Petrobras lançou a campanha publicitária “Valor em Alto Mar”, que conta o desafio superado pela companhia de produzir petróleo em águas ultraprofundas, a até 7 mil metros de profundidade, transformando inovação e tecnologia em valor. O conceito reflete a gestão com foco em resultados da companhia, que investe em projetos estratégicos inovadores e sustentáveis, que geram resultados cada vez melhores.

“Queremos mostrar como conseguimos transformar o conhecimento técnico das equipes da Petrobras em inovação e como esta nos permite gerar mais valor para os acionistas e para a sociedade”, explica a gerente executiva de Comunicação e Marcas da Petrobras, Flávia Schreiner da Justa.

A campanha, criada pela Propeg, inclui filmes para a TV, spots para rádio e mídia nas redes sociais da empresa.

Agência Petrobras

Petrobras seleciona 18 startups em edital de inovação de R$ 10 milhões

Empresas vencedoras utilizarão financiamento para desenvolver produtos ou serviços aplicados ao setor de óleo, gás e energia

Dezoito startups são as vencedoras do II edital do programa Petrobras Conexões para Inovação – Módulo Startups, em parceria com o Sebrae. As empresas, selecionadas entre mais de 300 inscritas no país, receberão investimentos no total de R$ 10 milhões. O valor será aplicado no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a companhia, nas áreas de robótica, eficiência energética, corrosão, tecnologias digitais, redução de carbono, modelagem geológica e tecnologias de inspeção.

“Interagir com startups é uma experiência transformadora, que nos conecta às inúmeras iniciativas para a aceleração da inovação na companhia. Estamos abertos às ideias inovadoras capazes de gerar valor para o nosso negócio e oferecer soluções ágeis para as demandas do setor”, afirma o diretor de Transformação Digital e Inovação da companhia, Nicolás Simone.

“O Sebrae tem como propósito transformar os pequenos negócios em protagonistas do desenvolvimento sustentável do Brasil. Por meio deste programa, as startups selecionadas terão a oportunidade de desenvolver inovações que irão atender a grandes desafios da cadeia produtiva de Petróleo e Gás e gerar maior competitividade do país”, explica o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick.

O II edital do programa trouxe 54 desafios, em nove diferentes áreas: tecnologias digitais, robótica, eficiência energética, catalisadores, corrosão, redução de carbono, modelagem geológica, tecnologias de inspeção e tratamento de água.

De maior escala, a seleção teve 363 startups inscritas, cem a mais do que a anterior. Trinta empresas, selecionadas na primeira fase, em julho, cerca de 10 por cento, receberam suporte da Petrobras e do Sebrae para refinamento das propostas e dos modelos de negócios. Na semana passada (22 e 23) foi realizada a última etapa da seleção. Por meio pitches, apresentações curtas, virtuais devido à pandemia, as startups mostraram seus produtos e serviços inovadores para uma banca de executivos da companhia.

As startups contarão com a assessoria da Petrobras e do Sebrae para que suas soluções tenham os benefícios comprovados e modelos de negócios que garantam a geração de valor no curto prazo e inserção competitiva no mercado. Para os projetos finalizados com sucesso, a Petrobras buscará viabilizar a continuidade do seu desenvolvimento, com a implantação e testes em campo de um lote piloto ou serviço pioneiro.

Confira as vencedoras:

Agência Petrobras

Produção de biodiesel do Brasil cresce 8,5% em 2020, diz Abiove

A produção de biodiesel do Brasil terminará 2020 com um total de 6,4 bilhões de litros, alta de 8,5% em relação a 2019 e nível recorde para um ano, disse a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A consolidação do volume vem após a homologação dos resultados do 76º Leilão de Biodiesel, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no último dia 23, que negociou 1,1 bilhão de litros para atender à demanda obrigatória do último bimestre deste ano.

“Mesmo diante de um cenário de incertezas como o que vivemos em 2020, em meio a uma pandemia que impactou a vida de pessoas e empresas no mundo todo, o Brasil encerrará o ano como o terceiro maior produtor de biodiesel”, disse em nota o economista-chefe da Abiove, Daniel Furlan Amaral.

Para ele, o recorde de produção faz com que o setor saia fortalecido de 2020 e se prepare para elevar a participação do biodiesel na matriz energética do Brasil, projetando a transição para o B13 mistura de 13% ao diesel no ano que vem.

O setor tem enfrentado recentemente os altos preços da soja, matéria-prima da maior parte do biodiesel produzido no Brasil, diante do nível reduzido dos estoques locais após firmes exportações na temporada, o que consequentemente impacta no valor do biocombustível.

Nesta semana, o preço da oleaginosa no porto de Paranaguá, um dos referenciais do Brasil, superou 166 reais por saca, renovando uma máxima recorde. Em 2020, a cotação da soja apagou um recorde de 2012, segundo indicador do centro de estudos Cepea.

No 76º leilão, a ANP reduziu temporariamente a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 12% para 11%, com o objetivo de amenizar a alta das cotações.

Agência Reuters

Exxon tem 3º prejuízo consecutivo com pandemia atingindo demanda e preços

A Exxon Mobil Corp reportou seu terceiro prejuízo trimestral consecutivo e detalhou cortes de gastos mais profundos que estão por vir, à medida que as principais petrolíferas se recuperam do impacto da Covid-19 na demanda e nos preços de energia.

O maior produtor de petróleo dos EUA em volume planeja cortar seus investimentos em 2021 para entre 16 bilhões e 19 bilhões de dólares, ante planejados 23 bilhões de dólares este ano.

A empresa também disse que estava reavaliando suas reservas de gás natural na América do Norte e poderia realizar baixa de cerca de 25 bilhões a 30 bilhões de dólares –mas apenas se mudar seus planos de desenvolvimento de longo prazo. Está avaliando esses ativos neste trimestre.

A Exxon não teve baixas contábeis nos campos de xisto este ano e há muito diz que acredita que a demanda por seus produtos crescerá à medida que mais pessoas ingressarem na classe média globalmente.

O prejuízo líquido da Exxon no terceiro trimestre foi de 680 milhões de dólares, ou 15 centavos por ação, em comparação com um lucro de 3,17 bilhões de dólares, ou 75 centavos por ação, um ano antes.

A empresa espera exceder as metas de redução de despesas de capital em 2020 e prevê novos cortes em 2021.

Esta semana, o produtor de petróleo dos EUA disse que cortaria sua força de trabalho em cerca de 15% e manteria o dividendo do quarto trimestre estável em 87 centavos de dólar por ação, sinalizando que 2020 será o primeiro ano desde 1982 em que não aumentou seu pagamento aos acionistas.

Os preços de petróleo dos EUA caíram 39% desde o início do ano e a demanda global diminuiu devido à pandemia de Covid-19.

Agência Reuters

MAN fornecerá compressores para o FPSO Bacalhau da Equinor

O fornecedor e operador japonês de plataformas flutuantes offshore MODEC contratou a MAN Energy Solutions para fornecer um total de cinco compressores radiais e dois trens de compressores de parafuso para o primeiro projeto brasileiro de extração de gás offshore do cliente final Equinor.

A MAN disse na quarta-feira que os trens de compressores serão instalados a bordo do maior navio FPSO já entregue ao Brasil.

A embarcação será implantada no campo de Bacalhau, a cerca de 185 quilômetros da costa brasileira – ao sul de São Paulo – em lâmina d’água de cerca de 2.050 metros.

O FPSO será projetado para produzir e processar até 220.000 barris de petróleo bruto e até 15 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A capacidade mínima de armazenamento será de dois milhões de barris de petróleo bruto.

O FPSO será o 17º FPSO ou FSO da MODEC no Brasil e o 9º FPSO da Modec na região do pré-sal, além do primeiro contrato da Modec com a Equinor .

Jeff Knox , gerente de projeto da MODEC, disse: “ Estamos orgulhosos de apoiar o desenvolvimento da indústria de energia do Brasil com este importante projeto de grande escala. Com a MAN Energy Solutions, ganhamos um parceiro confiável para a tecnologia de compressores, que pode fornecer os componentes do sistema necessários de uma única fonte “.

Christopher Bowles , chefe de vendas de petróleo e gás upstream da MAN Energy Solutions, acrescentou: “ Podemos olhar para trás em uma longa história de sucesso com vários projetos conjuntos para aplicações FPSO e estamos ansiosos para continuar a boa cooperação com a MODEC.

“ Existem metas rígidas de redução de CO2 que devem ser cumpridas neste projeto. Nosso conhecimento técnico abrangente e a confiabilidade incomparável de nossos sistemas de compressor desempenham um papel vital para atingir essa meta. 

Os sistemas compressores ajudarão a manter a pressão no campo de Bacalhau, maximizando assim a vazão e a eficiência da produção.

Os dois compressores de parafuso SKUEL 510 serão usados ​​como unidades de recuperação de vapor. Estes pressurizam qualquer gás instantâneo criado e o devolvem ao processo em vez de queimá-lo na atmosfera. Isso não apenas aumenta a eficiência do processamento de gás, mas também reduz significativamente as emissões de CO2.

Enquanto os compressores radiais serão projetados, fabricados e testados na Suíça, os compressores de parafuso serão produzidos nas instalações da MAN na Alemanha.

Segundo a empresa, a entrega de todos os trens compressores está prevista para o quarto trimestre de 2021.

Estatal espera ofertas vinculantes por refinaria no Paraná em dezembro, diz CEO

A Petrobras espera realizar em dezembro um processo para recebimento de ofertas vinculantes por sua refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, disse o presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

“Está tudo prosseguindo como esperado, exceto pelo fato, como mencionei, de um atraso devido à Covid-19”, disse o executivo, ao ser questionado sobre as negociações para venda do ativo durante teleconferência de resultados do terceiro trimestre.

A Petrobras já recebeu propostas iniciais pela Repar, mas sinalizou no final de setembro que abriria uma nova rodada para os interessados na unidade, após ter recebido dois lances com valores próximos. A empresa também considerou os valores oferecidos baixos, disseram fontes à Reuters.

O CEO ainda afirmou que a Petrobras espera obter em novembro aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a venda de sua unidade de gás liquefeito de petróleo, a Liquigás.

Por outro lado, tentativas de desinvestimento de fatia da companhia na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) estão “travadas” por questões regulatórias, acrescentou Castello Branco.

Agência Reuters

SCGÁS lança chamada pública para adquirir volume adicional de gás natural

Prazo para recebimento de propostas vai até o dia 30 de novembro de 2020

A SCGÁS lançou uma nova chamada pública para aquisição de volumes adicionais de gás natural. A restrição da capacidade de transporte do Gasbol inviabilizou a celebração de contrato acima de 2 milhões m³/dia de gás natural com a Petrobras no início do ano, mas o volume distribuído atualmente em Santa Catarina tem ultrapassado a média de 2,1 milhões m³/dia. Foi criado um grupo de trabalho interno pela empresa com o objetivo de encontrar soluções no curto, médio e longo prazo.

Além disso, a SCGÁS tem mantido contatos constantes com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobras e a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A (TBG) sobre esta questão. A Petrobras está conseguindo fornecer temporariamente os volumes excedentes, pois possui outros contratos de transporte que vem apresentando sobra de capacidade nos últimos meses, mas os mesmos não são garantidos pelo supridor. Já a TBG sinalizou a possibilidade de investimentos para ampliar a capacidade do Gasbol, mas a projeção é de que essas obras sejam concluídas somente após 2024.

Diante desse cenário, fez-se necessário o lançamento de uma nova chamada pública para adquirir volumes adicionais que atendam a demanda no curto prazo. As propostas podem prever suprimento via Gasbol, com a injeção do gás natural diretamente nos pontos de entrega da SCGÁS, ou ainda a partir dos modais GNL (Gás Natural Liquefeito) ou GNC (Gás Natural Comprimido).

A quantidade inicial estimada pela SCGÁS é de 150.000 m³/dia, com possibilidade de ampliação dentro do prazo de contratação de cinco anos. Os documentos da chama pública estão disponíveis neste link. A formalização da participação nesta Chamada Pública dar-se-á mediante envio de PROPOSTA até 30/11/20 para o endereço eletrônico chamadapublicagn@scgas.com.br.

Usiminas vai comprar mais placas de terceiros no 4º trimestre

A Usiminas seguirá comprando placas de aço produzidas por terceiros para atender parte do aumento da demanda no Brasil, cujo setor industrial passa por fase de reestocagem, e avalia que os preços da liga no país seguem defasados ante o mercado internacional apesar de seguidos aumentos neste ano.

A companhia sofreu um “incidente” na usina de Ipatinga no final de setembro, que gerou “alguma perda de produção”, o que está sendo compensado com placas de terceiros, disse o vice-presidente financeiro da Usiminas, Alberto Ono, em teleconferência com analistas.

“Vamos ter compra maior de placa no quarto trimestre porque estamos aproveitando nossa flexibilidade de laminação em Cubatão”, acrescentou o executivo referindo-se às instalações da empresa no litoral paulista.

A Usiminas desligou dois alto-fornos em abril, em meio aos impactos das medidas de quarentena contra o coronavírus. Em julho, anunciou religamento de um dos equipamentos. Questionado sobre quando o alto-forno 2 de Ipatinga será reativado, Ono citou incertezas sobre o cenário para demanda de aço no país nos próximos meses.

“Não temos certeza ainda sobre retorno do equipamento. Estamos vendo recuperação da demanda, existe uma tendência de reestocagem, mas isso tem prazo”, disse o executivo. “A questão é qual será o novo normal em termos de demanda após a recuperação dos estoques”, acrescentou.

O diretor comercial da companhia, Miguel Homes Camejo, avaliou que a restauração do equilíbrio entre oferta e demanda deve levar ainda três ou quatro meses. Questionado sobre novos reajustes de preços de aço, afirmou que os valores da liga no Brasil estão 4% a 5% abaixo dos praticados no exterior e que a intenção da companhia é que esta paridade fique positiva entre 7% e 8%, numa indicação de novos aumentos adiante.

Os comentários foram semelhantes aos feitos por colegas de Camejo nos últimos dias. Luis Fernando Martinez, da CSN, afirmou neste mês que a empresa vai subir o preço de aços longos e planos em 10% em novembro, após reajustes acumulados de 40% ao longo do ano.

Na véspera, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, rebateu críticas de que as siderúrgicas estejam se aproveitando da retomada da demanda para aumentar seus preços, alegando que o setor tem enfrentado fortes aumentos de custos e desvalorização cambial, que deixaram os valores praticados no Brasil abaixo do nível internacional.

Camejo também afirmou que a Usiminas já começou a discutir contratos anuais de preços com montadoras de veículos. Ele não mencionou um índice pretendido, mas disse que os reajustes precisam refletir os movimentos de preços ocorridos ao longo do ano e as expectativas do mercado automotivo para 2021, que sinalizam crescimento nas vendas.

A ação da Usiminas liderava as altas do Ibovespa às 13h20 da última quinta-feira, avançando 4,7%, enquanto o índice tinha queda de 0,26%. A empresa divulgou mais cedo seu segundo melhor Ebitda trimestral dos últimos 10 anos, de 826 milhões de reais, e o melhor caixa dos últimos sete anos, de 3,7 bilhões de reais.

Questionado se a empresa pode elevar dividendos ou retomada de planos para uma nova linha de galvanização em Ipatinga, Ono disse que a preferência é por continuar a reduzir a alavancagem. No terceiro trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda caiu a 1,2 vez, a menor entre as empresas listadas do setor no país.

“A tendência é buscar um pouco mais de desalavancagem. Entendemos que, no geral, uma empresa como a nossa tem que trabalhar mais conservadora nesse sentido”, disse o executivo. “Embora estejamos com bom nível de caixa, nos próximos dois anos vamos precisar de parte disso para o plano de investimento”, adicionou, referindo-se ao projeto bilionário de reforma do alto-forno 3 de Ipatinga, que demandará recursos em 2021 e 2022.

Agência Reuters

Petrobras e parceiros podem fazer IPO de empresa de gasodutos

A Petrobras e parceiros que incluem a anglo-holandesa Shell poderão fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de uma empresa criada para operar infraestruturas de escoamento e processamento de gás, disse o presidente da estatal brasileira, Roberto Castello Branco.

A companhia anunciou no final de setembro a assinatura de contratos para compartilhamento de ativos de escoamento de gás do pré-sal junto à Shell Brasil, Petrogal Brasil e Repsol Sinopec Brasil.

Os acordos preveem interligação física e compartilhamento de capacidades das chamadas rotas 1, 2 e 3 de gasodutos para escoamento da produção do pré-sal, essa última em construção.

“É uma oportunidade de criação de uma empresa de ‘midstream’, fazer um ‘spin-off’ (cisão) e a criação de uma empresa de ‘midstream’ cujas ações poderão ser lançadas no mercado, pode ser alvo de um IPO”, disse Castello Branco, em teleconferência sobre resultados do terceiro trimestre.

“(A empresa) se transformaria em um veículo de ‘midstream’ para construção de novos gasodutos no Brasil com recursos da iniciativa privada, dispensando recursos públicos para isso.”

Ele não comentou quando o IPO poderia ocorrer e nem quanto as sócias poderiam buscar levantar com a operação.

Essa empresa de gasodutos poderia colaborar para viabilizar investimentos em infraestrutura visando garantir o desenvolvimento de um plano do governo de reduzir o preço do gás e consequentemente da energia elétrica.

A Petrobras possui atualmente cerca de 72% do capital total dessas rotas de escoamento de gás, mas não pretende manter essa fatia na empresa a ser criada para que ela não seja uma estatal, disse a diretora executiva de Refino e Gás Natural da companhia, Anelise Lara.

“Nosso objetivo é sim reduzir esse capital, para que a empresa possa ganhar agilidade, ser uma empresa privada, ganhar agilidade na construção de nossas rotas”, explicou.

Ela acrescentou ainda que o movimento de criação da empresa “vai ainda demorar alguns meses”, uma vez que há avaliações em andamento sobre o melhor modelo de negócios a ser adotado.

DIVIDENDO

O presidente da Petrobras também negou que a companhia tenha sofrido qualquer tipo de pressão do governo para pagamento de dividendos, após a estatal ter anunciado na véspera uma revisão de sua política de remuneração aos acionistas para poder distribuir proventos mesmo em anos de prejuízo contábil.

Castello Branco defendeu que essa decisão foi tomada porque o fluxo de caixa tem maior peso para a companhia do que os resultados contábeis.

“Há uma especulação maldosa sobre a decisão da companhia.”

“Alguns levantaram a suspeita de que a Petrobras está mudando as regras, e não está mudando regra nenhuma, para beneficiar a União, porque a União precisa de recursos para cobrir seu déficit… seria muito pouco inteligente tentar fazer isso”, acrescentou.

O executivo disse que o governo federal recebe cerca de 360 mil reais a cada 1 milhão distribuído em dividendos pela companhia, devido à sua participação acionária no capital da petroleira.

“Em nenhum momento se interferiu na gestão da Petrobras”, garantiu o CEO.

A diretora executiva financeira da petroleira, Andrea Almeida, destacou que ainda não há decisão sobre a distribuição de proventos de 2020, apesar da mudança na política.

“O pagamento de dividendos a gente realmente não tem definido nada em relação a ele, a única coisa que fizemos foi a alteração na política, para dar maior flexibilidade para a empresa.”

VENDAS DE ATIVOS

O CEO da Petrobras disse ainda que a empresa espera receber em dezembro ofertas vinculantes por sua refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, enquanto a venda da unidade Rlam, na Bahia, deve ser concluída antes do final do ano.

“Está tudo prosseguindo como esperado, exceto pelo fato, como mencionei, de um atraso devido à Covid-19”, afirmou.

A Petrobras recebeu propostas iniciais pela Repar de um consórcio liderado pela Raízen, da Ultrapar e da chinesa Sinopec, mas sinalizou em setembro que abriria uma nova rodada para os interessados, após ter recebido dois lances com valores próximos. A empresa também considerou os valores oferecidos baixos, disseram fontes à Reuters.

Já a Rlam tem sido negociada pela companhia junto ao fundo de investimento Mubadala, de Abu Dhabi.

O CEO também afirmou que a Petrobras espera obter em novembro aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a venda de sua unidade de gás liquefeito de petróleo, a Liquigás.

Por outro lado, tentativas de desinvestimento de fatia da companhia na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) estão “travadas” por questões regulatórias, acrescentou Castello Branco.

Já a intenção da Petrobras de vender um pacote de 13 termelétricas provavelmente não será levada adiante antes que o governo realize um leilão no qual essas usinas poderiam obter novos contratos, disse a diretora de Gás da companhia.

A Petrobras esperava obter novos contratos de venda de energia para esses ativos em um certame agendado pelo governo para abril, mas o evento foi suspenso pelo Ministério de Minas e Energia devido à pandemia de coronavírus e deve ficar para 2021.

“Obviamente, elas só vão ter uma geração de valor se tiverem contratos assinados nos leilões… então é importante, sim, os leilões para podermos seguir em frente com o processo aí de venda de nossas unidades térmicas”, disse Lara.

Agência Reuters