Total ampliará investimentos em geração de energia renovável

A francesa Total disse que aumentará seus investimentos anuais em energia renovável e eletricidade em 50%, enquanto busca reduzir sua dependência do petróleo e se transformar em um grande produtor de energia de baixo carbono.

Diante de perspectivas negativas de longo prazo para a demanda por petróleo, a Total tem acelerado sua guinada para fontes alternativas de receita, com foco particular no fornecimento de eletricidade e na expansão de seus negócios de energia renovável.

A empresa francesa de petróleo e gás, que cortou alguns gastos enquanto luta com as consequências da pandemia de coronavírus, disse que aumentará os investimentos em energias renováveis e eletricidade de 2 bilhões de dólares para 3 bilhões de dólares por ano até 2030.

A empresa acrescentou em comunicado que as vendas de derivados de petróleo devem encolher em 30% nos próximos 10 anos, quando passariam a representar um terço da receita, enquanto 15% viriam de eletricidade, 50% de gás e outros 5% de biocombustíveis.

“Diversificar as atividades … aumenta a resiliência e compensa a volatilidade do preço do petróleo”, disse o presidente do conselho e presidente-executivo da empresa, Patrick Pouyanne, em uma apresentação via webcast para investidores na qual o grupo apresentou suas metas.

A Total disse na semana passada que pretende se tornar um dos cinco maiores produtores de energia renovável, um setor onde terá que alcançar empresas como a espanhola Iberdrola e competir com rivais do ramo de óleo e gás que também miram esses negócios como Shell e BP.

Agência Reuters

ANP promoverá, em 5/10, novo workshop para discutir acesso a terminais aquaviários

A ANP promoverá, em 5/10, novo workshop por videoconferência para discutir o acesso a terminais aquaviários, com o objetivo de dar continuidade às discussões ocorridas no evento sobre o tema realizado em 28/09.

A realização desses workshops visa atender aos agentes do mercado, que solicitaram a abertura de mais um canal de discussões, além dos que já a Agência já oferece regularmente, para discutir a Portaria ANP n° 251/2000, aprofundando o debate sobre a revisão dessa norma.

As discussões sobre a revisão da norma que trata de acesso a terminais aquaviários vêm ocorrendo desde 2015, contando com ampla participação da sociedade e dos agentes de mercado. Neste sentido, destacam-se a realização de consulta prévia conduzida pela ANP em 2016, reuniões de intensos debates, de 2017 a 2019, no âmbito da Iniciativa Combustível Brasil (programa atualmente renomeado para Abastece Brasil) e workshops técnicos promovidos pela ANP em 2019 e no último dia 28 de setembro. As contribuições e o histórico de todos esses eventos constam no Processo eletrônico SEI nº 48610.211848/2019-29.

Por meio da realização de um novo workshop, a ANP vem, mais uma vez, proporcionar para diferentes agentes, regulados ou não pela Agência, de forma isonômica, o amplo debate acerca do tema.

A iniciativa da ANP busca compatibilizar dois pilares de políticas públicas de Estado: o incentivo de atração em investimentos portuários e o desenvolvimento de um mercado competitivo no setor de combustíveis a partir do amplo acesso de terceiros a instalações portuárias, o que estimula a entrada de novos atores no mercado concorrencial.

A revisão da norma está em linha com os objetivos do programa de políticas públicas Abastece Brasil, obedecendo a disposições previstas no art. 1° da Resolução CNPE nº 15/2017, sobretudo incisos IV e V, com o consequente aprimoramento das regras de livre acesso, tornando-as mais claras e transparentes.

Ascom ANP

Estatal defende que vender refinarias é vital e modelo de subsidiárias traz mais valor

O programa de reorganização do portfólio de ativos da Petrobras, que prevê a venda de oito refinarias, é vital para a saúde da companhia que permanece como a “petroleira mais endividada no mundo”, afirmou o advogado da estatal, Tales David Macedo, em sustentação no Supremo Tribunal Federal (STF).

O julgamento, em ação contrária às vendas sem aprovação legislativa movida pelas Mesas-Diretoras do Congresso, definirá o processo para a estatal alienar ativos que estão entre os mais importantes do programa de desinvestimentos.

“O programa de reorganização do portfólio de investimentos é vital à saúde financeira da companhia. A Petrobras continua a ser a petroleira mais endividada do mundo”, disse ele, citando dívida de 91 bilhões de dólares.

“É fácil compreender que não está a se falar de dilapidação do patrimônio, pois, ao se desinvestir para reinvestir, o que está fazendo é construir uma empresa mais sólida, maior, mais eficiente, resiliente e competitiva”, reforçou.

O defensor destacou que o modelo de constituição de subsidiárias para a venda de refinarias, questionado pelo Congresso na ação no Supremo, “é o que mais agrega valor ao ativo, sendo o meio mais eficiente”.

Ele disse ainda que a eventual venda das unidades de refino da Bahia (Rlam) e do Paraná (Repar) representam apenas 3% dos ativos da estatal.

Pouco antes, o advogado-geral do Senado, Thomaz Henrique de Azevedo, disse em sua sustentação que o Congresso não quer inviabilizar a venda das refinarias, mas participar de toda a discussão.

Segundo ele, não há rejeição de plano das alienações pretendidas, mas a tentativa de que o Legislativo participe do debate.

Outras sustentações orais ocorrem no julgamento no momento e, após essa etapa, o ministro Edson Fachin, relator da ação, vai apresentar o seu voto sobre o assunto.

Agência Reuters

Siemens Energy anuncia serviço de detecção e monitoramento cibernético para o setor de energia baseado em Inteligência Artificial

A Siemens Energy anuncia um novo serviço de segurança cibernética industrial baseado em inteligência artificial (IA), o Managed Detection and Response (MDR), desenvolvido com a tecnologia Eos.ii para ajudar pequenas e médias empresas de energia a defender suas infraestruturas crítica contra ataques cibernéticos. A plataforma de tecnologia do MDR, Eos.ii, aproveita as metodologias de IA e aprendizado de máquina para reunir e modelar inteligência de ativos de energia em tempo real, o que permite aos especialistas em segurança cibernética da Siemens Energy monitorar, detectar e revelar ataques antes que eles sejam executados.

Por meio de informações acionáveis providas pela plataforma de tecnologia MDR, os especialistas em segurança cibernética da Siemens Energy implementam medidas de defesa precisas no centro de operações de segurança e tecnologia operacional (OT-SOC) das empresas, para proteger as atividades de clientes de geração de energia, petróleo e gás, energia renovável, transmissão e distribuição.

“À medida que a revolução digital transforma a indústria de energia com novas tecnologias que melhoram a eficiência, reduzem custos e diminuem as emissões, os ambientes operacionais industriais estão se tornando cada vez mais vulneráveis à ataques cibernéticos. A complexidade de proteger as operações de rede física e digital no ecossistema de energia de hoje é muitas vezes muito custosa, proibitiva e tecnologicamente desafiadora para a maioria das pequenas e médias empresas de energia identificarem comportamentos anômalos e impedir um ataque cibernético em tempo real ”, afirma Leo Simonovich, chefe de Cibersegurança Industrial na Siemens Energy. “O MDR é a primeira solução de monitoramento de segurança cibernética baseada em IA para ajudar todas as empresas de energia a detectar e prevenir proativamente ataques cibernéticos que visam infraestruturas críticas. Combinado com a experiência em cibersegurança industrial da Siemens Energy, nosso serviço MDR, ajuda a fornecer às empresas de energia o contexto e a visibilidade necessários para revelar os invasores antes que eles ataquem, utilizando a plataforma de tecnologia Eos.ii.”

Com a experiência em segurança cibernética industrial e tecnologias de detecção proprietárias da Siemens Energy, o MDR é capaz de coletar dados brutos de tecnologia da informação (IT) e tecnologia operacional (OT) de um ambiente industrial, traduzindo-os e contextualizando-os em tempo real. Isso fornece uma imagem unificada de comportamento anômalo para os defensores, com percepções acionáveis para interromper os ataques. O sistema MDR da Siemens Energy vai além do monitoramento convencional, alcançando uma compreensão mais profunda de como os sistemas digitais se relacionam com o mundo real. Com seu fluxo de dados de OT e IT unificado, a plataforma de tecnologia MDR ‘Eos.ii usa IA e tecnologia digital dupla para comparar bilhões de pontos de dados em tempo real com um ativo funcionando corretamente. Isso fornece contexto para que os analistas da Siemens Energy determinem não apenas quais eventos são anormais, mas quais serão consequentes. A conquista técnica de fluxos de dados unificados e aprendizado de máquina criam uma plataforma sem precedentes para análises detalhadas e direcionadas.

A solução MDR da Siemens Energy atende à necessidade do setor de energia por soluções mais sofisticadas para colocar os especialistas em segurança e à frente dos invasores, pois cada ativo de energia conectado digitalmente representa uma nova vulnerabilidade possível para esse invasores atacarem. As empresas de energia e serviços públicos estão se tornando cada vez mais um alvo principal para ataques cibernéticos por parte de atores estatais e não estatais, que lançam ataques sofisticados de dispersão, dormentes e ransomware contra a energia e infraestrutura crítica, seja em conflitos geopolíticos ou adversários mais amplos.

Em 2019, o Ponemon Institute e a Siemens Energy conduziram um estudo conjunto pesquisando utilitários globais para avaliar a prontidão da indústria em enfrentar a crescente ameaça de ataques cibernéticos. O estudo descobriu que 64% dos entrevistados afirmaram que os ataques sofisticados são o principal desafio e 54% dos entrevistados esperavam um ataque à infraestrutura crítica nos próximos 12 meses. Além disso, 25% dos entrevistados relataram terem sido afetados por “mega ataques” com experiência desenvolvida por atores do Estado-nação.

Inscrições para o Vallourec Open Brasil são prorrogadas até 7 de outubro

A busca em 2020 é por startups para solucionar desafios na mineração e interessadas podem se inscrever pelo site www.vallourecopenbrasil.com.br

As startups que querem trabalhar em parceria com as empresas Vallourec no Brasil ganharam mais alguns dias. As inscrições para a quarta edição do Vallourec Open Brasil, foram prorrogadas até o dia 7 de outubro. A procura em 2020 é por empreendedores que possam resolver questões relacionadas ao aumento de eficiência operacional na unidade Mineração da Empresa.

Podem participar do Vallourec Open Brasil 2020 startups de base tecnológica no Brasil e as interessadas deverão preencher o formulário disponível no site: www.vallourecopenbrasil.com.br até o dia 7 de outubro. Serão selecionadas na primeira fase aquelas cuja atuação e modelo de negócio estiverem em sintonia com pelo menos um dos desafios propostos.

As startups podem submeter seus projetos em três diferentes desafios. O primeiro é a avaliação do teor de ferro e/ou sílica de uma amostra de polpa de concentrado de minério de ferro na fração fina (pellet feed). O segundo desafio é a análise prévia de distribuição granulométrica de uma determinada porção de minério. Já o terceiro e último é desenvolver um software para integração dos dados e diagnósticos em tempo real das estruturas geotécnicas da Mina Pau Branco. O resultado das classificadas será anunciado no dia 9 de outubro.

Estatal assina acordo para escoamento e processamento do gás natural

A Petrobras informa que em conjunto com Petrogal Brasil, Repsol Sinopec Brasil e Shell Brasil, sócios nos gasodutos offshore do pré-sal da Bacia de Santos, anunciará a assinatura de contratos de compartilhamento das infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural.

Hoje será realizado um evento virtual com a presença do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e dos executivos globais da Royal Dutch Shell, Ben van Beurden, da Galp Energia, Carlos Gomes da Silva, e da Repsol, José Carlos Vicente Bravo, para formalização deste marco na construção de um mercado de gás natural mais competitivo.

Os contratos preveem a interligação física e compartilhamento das capacidades de escoamento nas rotas 1, 2 e 3 (a última de propriedade da Petrobras e em fase de construção), dando origem ao Sistema Integrado de Escoamento de gás natural (SIE). No futuro, outras empresas produtoras de gás natural poderão aderir aos contratos vigentes, observados os seus dispositivos e desde que haja capacidade de escoamento disponível no Sistema.

Além do SIE, também estão previstos contratos que constituem o Sistema Integrado de Processamento de gás natural (SIP), que contempla o acesso das empresas às unidades de processamento, de propriedade da Petrobras, localizadas em Caraguatatuba, São Paulo, Cabiúnas e Itaboraí (em construção), ambas no Rio de Janeiro.

Com assinatura destes contratos, as empresas poderão escoar o gás produzido nos campos do pré-sal da Bacia de Santos por qualquer uma das rotas de exportação e processá-lo nas plantas de propriedade da Petrobras.

A combinação do SIE e do SIP é mais um passo fundamental para que as empresas possam comercializar seus volumes de gás natural diretamente a seus clientes. Esse movimento faz parte de um conjunto de ações que viabilizam a diversificação dos agentes, resultando em aumento da concorrência e na redução da participação da Petrobras em todos os elos da cadeia de gás natural, em cumprimento aos compromissos assumidos junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em julho de 2019.

Roberto Castello Branco, CEO da Petrobras, ressaltou a importância da assinatura desses contratos: “Os acordos de escoamento e processamento serão um marco na abertura do mercado de gás natural do Brasil. Demonstram o comprometimento de todos os parceiros em contribuir para o desenvolvimento de um mercado competitivo e sustentável no país.”

Shell cortará até 9 mil empregos em transição para baixo carbono

A petroleira Shell anunciou planos para cortar até 9 mil empregos, ou mais de 10% de sua força de trabalho, como parte de uma grande reestruturação que visa uma transição da gigante de óleo e gás para energias de baixo carbono.

A Royal Dutch Shell, que tinha 83 mil empregados ao final de 2019, disse que a reorganização levará a economias adicionais de entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de dólares até 2022, indo além de cortes de 3 bilhões a 4 bilhões anunciados mais cedo neste ano.

No mês passado a empresa lançou uma ampla revisão de seus negócios para cortar custos e se preparar para a reestruturação das operações como parte da transição para energias de baixo carbono.

A companhia anglo-holandesa disse que espera cortar de 7 mil a 9 mil empregos até o final de 2022, incluindo 1,5 mil que aceitaram planos de desligamento voluntário neste ano.

A rival BP anunciou neste ano planos para cortar cerca de 10 mil empregos como parte de iniciativa do CEO Bernard Looney de expandir rapidamente os negócios de renováveis e reduzir a produção de óleo e gás.

A redução de custos é vital para os planos da Shell de mudança para o setor elétrico e renováveis, onde as margens são relativamente menores.

A competição ainda deve ficar mais intensa, com elétricas e petrolíferas incluindo BP e Total disputando participação no mercado de renováveis enquanto economias ao redor do mundo apostam em energia verde.

“Nós olhamos de perto como estávamos organizados e sentimos que, em muitos lugares, tínhamos níveis demais na companhia”, disse o CEO Ben van Beurden em publicação interna no site da Shell.

Em uma atualização sobre suas operações, a Shell também disse que sua produção de petróleo e gás deve cair drasticamente no terceiro trimestre, para cerca de 3,04 milhões de barris de óleo equivalente por dia, devido à menor produção como resultado da pandemia de coronavírus e furacões que forçaram plataformas offshore a suspender produção.

Petroleira inicia fase não-vinculante do Polo Norte Capixaba

A Petrobras, em continuidade ao comunicado divulgado em 21 de agosto de 2020, informa o início da fase não-vinculante referente à venda da totalidade de suas participações em um conjunto de cinco¹ concessões de campos terrestres, com instalações integradas, denominados conjuntamente de Polo Norte Capixaba, localizado no estado do Espírito Santo.

Os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes, além de acesso a um data-room virtual contendo informações adicionais sobre o Polo. As principais etapas subsequentes do projeto serão informadas oportunamente ao mercado.

A presente divulgação está de acordo com as normas internas da Petrobras e com o procedimento especial de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, previsto no Decreto 9.355/2018.

Essa operação está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em ativos de classe mundial em águas profundas e ultra profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos.

Sobre o Polo Norte Capixaba

O Polo compreende os campos de Cancã, Fazenda Alegre, Fazenda São Rafael e Fazenda Santa Luzia. O Terminal Norte Capixaba e todas as instalações de produção contidas no ring fence das concessões também fazem parte do Polo, além da titularidade de alguns terrenos.

Em agosto de 2020, a produção média do Polo Norte Capixaba foi de 7,3 mil barris de óleo por dia e 60 mil m3/dia de gás. A Petrobras é a operadora dos campos, com 100% de participação.

Petrobras reavalia participação da Golar em licitação de terminal de GNL

A Petrobras disse que irá reavaliar a participação da empresa de Gás Natural Liquefeito (GNL) Golar Power em uma licitação para arrendamento de seu terminal de regaseificação de GNL na Bahia.

A companhia afirmou, em comunicado na noite de segunda-feira, que fará uma revisão da análise de integridade da Golar, um processo aplicado a todos seus fornecedores. Empresas vistas como de elevado nível de risco de integridade não podem fazer negócios com a petroleira estatal.

A Golar Power, uma joint venture da Golar LNG com a empresa de private equity Stonepeak Infrastructure Partners, não respondeu de imediato a pedidos de comentário enviados fora do horário de expediente.

A revisão vem após um executivo do grupo Golar ter sido citado na mais recente fase da Operação Lava Jato, segundo a Petrobras.

As alegações contra o executivo, atual CEO da Golar Power, Eduardo Antonello, são baseadas em acusações de réus confessos e acordos de delação premiada e devem-se à sua atuação anterior, pelo grupo Seadrill. Ainda não foram apresentadas denúncias.

Um representante de Antonello disse à Reuters na semana passada que as acusações contra ele são “alegações de delatores, não traduzindo a realidade dos fatos” e pediu maior cautela de autoridades na divulgação de investigações devido ao risco de “destruição da reputação dos indivíduos e empresas atingidos”.

Executivos da Golar disseram no final de agosto que a companhia estava “muito interessada” na disputa pelo terminal de GNL da Petrobras, que também atraiu empresas como Shell, Total e BP.

PARCERIA COM BR

A Petrobras disse que também enviou uma carta à BR Distribuidora, na qual é acionista, “solicitando esclarecimentos” sobre uma recentemente anunciada parceria da empresa de combustíveis com a Golar Power para o setor de GNL, “diante dos fatos revelados pela Operação Lava Jato”.

A estatal destacou, no entanto, que “não é acionista controladora da BR”.

A BR disse em comunicado em separado, na noite de segunda-feira, que tomou conhecimento da citação de Antonello na Lava Jato por meio da imprensa.

“No momento não há qualquer decisão relativa a novos passos no âmbito da parceria e, ao tomar conhecimento das notícias, a companhia deu início às diligências necessárias para averiguação dos referidos fatos de modo que possa avaliar as eventuais implicações para os negócios entre as companhias”, afirmou a BR.

Em nota à Reuters, a BR disse ainda que, antes da Lava Jato, “desconhecia qualquer fato que desabonasse a conduta do Sr. Eduardo Antonello”. A empresa também destacou que estuda parceria com a Golar Power, “mas não há qualquer decisão relativa a novos passos no âmbito dessa negociação”.

A empresa teve aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para uma joint venture no setor de distribuição de gás natural liquefeito (GNL) com a Golar Power.

Golar Power abre Chamada Pública inédita, de 5 milhões m³ de biometano, de olho na interiorização do BioGNL no Brasil

Lançamento oficial e edital serão divulgados em Webinar, hoje, com participação da CIBiogás, ABiogás, BR Distribuidora e GNPW

Encontro virtual discutirá o potencial do energético a partir da Nova Lei do Gás e o impacto positivo que o volume da Chamada de Biometano pode levar à economia do país nos próximos anos

A Golar Power Distribuidora vai promover uma chamada pública para aquisição de 5 milhões de m³/dia de biometano de produtores nacionais e internacionais. O lançamento oficial do edital será divulgado em um webinar hoje, dia 01/10, às 10h30, com participação do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) e com participação da BR Distribuidora e da Alliance GNLog. As inscrições podem ser feitas neste link: http://bit.ly/fsbbb-webinar-biometano

Com a chamada, a Golar pretende incentivar projetos renováveis de purificação de biogás nas mais diversas fontes no País, visando à interiorização do gás natural por meio da distribuição do gás liquefeito de biometano (BioGNL) em pequena escala por modais rodoviários e cabotagem.

Atualmente a Golar Power adquire o Gás Natural Liquefeito (GNL) importado através dos terminais de importação de GNL, por via terrestre da Argentina, liquefaz o gás natural oriundo de poços maduros em terra e mar e a partir do biometano proveniente de aterro sanitário. Com a chamada de biometano, haverá a possiblidade de se produzir o BioGNL, que poderá ser utilizado no mercado automotivo e também na indústria e comércio.

A opção pelo biometano tem o objetivo de ampliar o mix de fontes para liquefação, monetizando o gás nacional, além de oferecer um dos grandes diferenciais na atualidade: uma alternativa energética de carbono neutro.

O uso do BioGNL será uma vitrine para um modelo de negócio sólido que já é amplamente utilizado na Europa e na Ásia e que agora começa a ser replicado no Brasil. A oportunidade de produzir e distribuir biometano liquefeito a partir de aterros sanitários, usinas sucroalcooleiras, fazendas de suinocultura e de pecuária de leite entre diversas outras, é uma tendência de crescimento global significativo nos próximos anos.

Desenvolvimento Sustentável

A partir dessa Chamada, a Golar Power inicia um movimento de estímulo para que as empresas queiram substituir sua frota de caminhões a diesel e demais veículos por versões movidos a gás, além de demais aplicações industriais e comerciais, com uma molécula de carbono neutro, trazendo uma redução imediata nas emissões de gás carbônico.

A Golar Power desenvolveu o projeto de distribuição do GNL em pequena escala (small scale), com caminhões movidos a GNL a partir do qual a Golar será a provedora do combustível e, ao mesmo, fará a distribuição do gás em iso-conteinêres para o interior do País e via cabotagem, através do que chamamos de “corredores verdes”. A parceria com a BR Distribuidora, firmada no começo de 2020, está alinhada a este objetivo, além das próprias companhias distribuidoras de gás estaduais, responsáveis pelas redes estruturantes em regiões que não têm gás canalizado.

Atual cenário

Segundo a ABiogás, o Brasil é o país com o maior potencial energético do mundo em biogás com um total estimado de 120 milhões de Nm³/dia. De acordo com dados do CIBiogás, a produção de biogás (Nm³) por dia cresceu mais de 84% de 2015 a 2019. O número de plantas também registrou aumentou de 300%, passando de 126 para 548.

Para Alessandro Gardemann, presidente da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a chamada pública muda o mercado brasileiro de biogás. “Nunca foi feita uma solicitação de compra de biogás/biometano nessa proporção. Além de incentivar os produtores, a chamada representa uma virada completa e inédita para o nosso setor”, destacou o executivo.

Já o diretor de desenvolvimento tecnológico do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), Felipe Marques, ressalta que uma chamada pública de compra desse energético, pela Golar Power, é o tipo de iniciativa que impulsiona a cadeia de fornecedores do biogás e biometano nacional. “A ação da empresa é de grande valor estratégico para o fortalecimento da combinação biometano e gás natural na interiorização das aplicações do gás no Brasil. Nossa produção atual é 1, 3 milhão de m³/ano, sendo que somente 3% deste volume é refinado a biometano”, analisa Marques.