Estudo da Shell indica GNL como combustível de transição

Um estudo da Shell divulgado na terça-feira (7/7) explorando como a indústria naval está trabalhando para reduzir suas emissões confirmou o GNL como um dos principais combustíveis de transição.

O relatório, chamado “Descarbonização do transporte: todas as mãos no convés”, é uma pesquisa conjunta da Shell e da Deloitte.

Portos e Navios

Braskem diz que Defesa Civil incluiu 1.918 imóveis para desocupação em Maceió

A Braskem comunicou que recebeu um ofício de autoridades incluiu 1.918 imóveis para desocupação nos bairros Mutange, Bom Parto, Pinheiro e Bebedouro, em Maceió, no contexto do evento geológico em Alagoas.

O documento conjunto da Defensoria Pública do Estado de Alagoas, do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Estado de Alagoas e da Defensoria Pública da União informou a atualização do Mapa de Setorização de Danos e Linhas de Ações Prioritárias por parte da Defesa Civil da capital alagoana.

A petroquímica afirmou que está em tratativas com as autoridades para definição de possíveis medidas a serem adotadas em comum acordo, ponderando que não está automaticamente obrigada a apoiar a desocupação destas novas áreas.

A Braskem estima o montante de 850 milhões de reais referente a potenciais medidas de apoio aos moradores das novas áreas e de 750 milhões de reais para gastos adicionais previstos com medidas para encerramento definitivo das atividades de extração de sal em Maceió, gestão da operação, realocação de imóveis incluídos via perícia técnica, entre outros.

A companhia acrescentou que continua em diálogos com as autoridades em relação a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal referente aos danos socioambientais.

Agência Reuters

Petrobras apresenta iniciativas tecnológicas na primeira edição digital da Campus Party

Palestras mostram adaptação ao novo contexto global e ações de combate à Covid-19. Festival é totalmente online, gratuito e aberto ao público

A Petrobras estará presente no maior festival de inovação aberta e tecnologia do mundo, a Campus Party Digital Edition. A companhia apresentará exemplos de soluções que combinam inovação, ciência e tecnologia, abordando o papel da transformação digital nos negócios no atual cenário, ações da frente tecnológica de combate à Covid-19 e contribuições para a sociedade, além da aplicação de análise inteligente de vídeo para a segurança das operações.

Pela primeira vez realizada de forma totalmente online e aberta gratuitamente ao público em geral, a Campus Party Digital Edition traz como tema Let’s Reboot the World. Serão 24 horas de programação diária, com milhões de Campuseiros conectados em suas próprias casas em diversos países, trabalhando em soluções para “reiniciar o mundo”.

No dia 10/7, às 15h, o diretor de Transformação Digital e Inovação da Petrobras, Nicolas Simone, vai apresentar no principal Palco Global do evento o tema The world stood still. How do we “startup” the new normal. Abordando o cenário atual, ele falará sobre como utilizar a tecnologia e a inovação para lidar com as mudanças no mundo, aumentar a resiliência e superar desafios, além de iniciativas em andamento na própria companhia. A apresentação será feita em inglês, com legendagem instantânea para o português.

No mesmo dia, também às 15h, o líder da frente científica de combate ao coronavírus na Petrobras, Antônio Vicente, gerente de Tecnologia de Produtos do Centro de Pesquisas da companhia (Cenpes), vai falar sobre “Ações de tecnologia da Petrobras em combate à Covid-19” no espaço virtual Living Better. Antônio destacará os resultados obtidos pela Estrutura Científica de Resposta (ECR) criada pela Petrobras para gerar soluções tecnológicas que auxiliem no combate à pandemia.

No sábado (11/7), às 16h, o consultor Hardy Leonardo Pinto, do Cenpes, falará sobre Video analytics no monitoramento de riscos de segurança, meio ambiente e saúde no espaço virtual Work Life. A palestra vai mostrar como uma das iniciativas com a tecnologia de análise inteligente de vídeo foi aplicada para aumentar a segurança nos ambientes de trabalho da Petrobras em terra e no mar.

A programação completa da Campus Party 2020 pode ser conferida em brasil.campus-party.org. É necessário preencher um cadastro para ter acesso às palestras.

Agência Petrobras

FIRJAN: Cluster Tecnológico reconhece valores do mercado nacional e troca conhecimento

Valorizar talentos, identificar e divulgar competências, com o objetivo de desenvolver conteúdo local, são algumas das metas do Cluster Tecnológico Naval, apresentadas, em 7/7, na “Websérie Óleo, Gás e Naval”, da Firjan. O encontro foi mediado por Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da federação, que enfatizou as premiações internacionais recebidas por profissionais atuantes no Brasil, que precisam ser reconhecidos também no país.

Walter Lucas da Silva, diretor-presidente da Associação do Cluster Tecnológico Naval – RJ, acrescentou que o grupo tem por objetivo dar visibilidade às empresas e trocar conhecimentos. “No momento de crise, de guerra, de pandemia, se não tivermos a capacidade de fazer aqui, nós vamos ficar sem. A crise e a necessidade vão fazer a gente olhar para dentro cada vez mais,” ressaltou.

Segundo ele, para ser forte é necessário conhecer um ao outro e estabelecer parcerias. Importante destacar os projetos que a Marinha está desenvolvendo, com conteúdo local de tecnologia, que, segundo Walter da Silva, vão alavancar o mercado nacional e trazer um diferencial muito próximo dos mercados exteriores.

Disputa com gigantes

Uma história de sucesso de uma empresa de pequeno porte foi apresentada por Daniel Adolpho, engenheiro de soldagem da Arcdynamics Equipamentos. Com praticamente cinco funcionários, alguns oriundos do SENAI – inclusive ele –, venceu uma disputa tecnológica com gigantes chineses e indianos, após uma grande companhia norte-americana, de Houston, propor um desafio: fabricar no Rio de Janeiro um equipamento de soldagem de revestimento semelhante ao produto já existente na empresa e melhor que a concorrência.

“A partir de um molde feito em uma caixa de papelão, conseguimos montar um sistema aqui mais barato do que os chineses cobraram, melhor do que o dos indianos; e ainda fizemos um upgrade no equipamento aumentando o curso longitudinal”, contou.

Adolpho ressaltou que sua empresa contribuiu para o desenvolvimento local, de forma sem precedentes, uma vez que esse equipamento, que antes era fabricado em Houston, hoje é feito em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Além disso, ele afirmou que sua empresa atualmente dispõe de um nível de independência tecnológica considerável.

Para Daniel Mendonça, assessor de Relações Institucionais da Itaguaí Construções Navais (ICN), o trabalho de desenvolvimento regional foi um divisor de águas da companhia. Como exemplo desse projeto, que busca valores e prevê onde podem chegar, citou o caso de 20 soldadores da região de Itaguaí que foram identificados e treinados pela ICN. Esses talentos valorizados foram levados para a França, onde tiveram a oportunidade de trabalhar na construção de submarino nuclear, a convite de um acionista francês. “O programa de gestão de conhecimento é muito bacana, porque com ele conseguimos receber bem o conhecimento e multiplicá-lo com muita eficiência,” frisou.

Tanto o ICN, quanto o Cluster Tecnológico, apresentaram oportunidades de negócios, e comentaram sobre editais de licitação que estão com o processo aberto para recepção de propostas, atualmente.

Olhar para dentro

O Conselho Empresarial de Defesa e Segurança da Firjan mantém o propósito de propor estratégias e ações para aumentar a participação da indústria fluminense nesse mercado e fomentar a indústria, que vai gerar emprego e renda, conforme explicou René Durão, assessor do Conselho, que também participou do debate.

Firjan

Petrobras prepara contratação da maior plataforma do Brasil em Búzios, dizem fontes

A Petrobras prepara a contratação do que deve ser a maior plataforma de petróleo do Brasil, para o campo gigante de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto.

A empresa está considerando uma unidade flutuante do tipo FPSO capaz de processar 225.000 barris por dia. É mais do que a maior plataforma já contratada no Brasil até hoje, pela norueguesa Equinor, para o campo de Bacalhau, disse uma das pessoas.

A estatal planeja abrir competição em modelo de arrendamento, até o fim de agosto, disseram as pessoas.

O contrato envolveria somas vultosas, com a empresa avançando em investimentos no pré-sal apesar da pandemia, que impactou severamente as petroleiras globais.

Plataformas deste tipo e tamanho —em formato de navio, que armazena e descarrega petróleo, muito usada para campos em águas profundas— podem custar entre 2,5 bilhões e 3 bilhões de dólares para serem construídas.

Em geral, a empresa vencedora de tais licitações constrói a plataforma e fecha contrato de arrendamento com a Petrobras por 15 a 20 anos, e as taxas podem chegar a até 1 milhão de dólares por dia.

Este será o sétimo FPSO em Búzios, o segundo campo mais produtivo do Brasil e uma das maiores descobertas em águas profundas deste século, disseram as pessoas.

O movimento mostra o apetite da Petrobras de avançar na aposta em seus campos mais produtivos, apesar de a recente contração dos preços do petróleo ter feito a estatal revisar para baixo planos de investimento.

A nova pandemia de coronavírus manteve os consumidores em casa e reduziu a demanda por vários combustíveis no mundo.

A competição pelo FPSO deve levar vários meses, disseram as pessoas, que pediram anonimato, já que os planos não são públicos.

Cerca de dez empresas foram pré-qualificadas pela Petrobras para competir, disse uma das pessoas, incluindo os maiores arrendadores de FPSO do mundo, como a japonesa Modec e a holandesa SBM Offshore NV.

Petrobras, Modec e SBM declinaram de comentar.

Reuters

Americana Oil Group quer investir US$ 2 bi para construir seis refinarias no Brasil

Em meio à pandemia de coronavírus e à forte retração econômica mundial que derrubou os preços do petróleo e o consumo de combustíveis, a americana Oil Group planeja construir seis refinarias de pequeno porte no Brasil, com investimentos total de US$ 2 bilhões, nos próximos sete anos. das refinarias privadas no país.

O diretor da Oil Group, Fabiano Diaagoné, disse ao GLOBO que a primeira unidade ficará no Porto do Açu, no norte fluminense, e será construída a partir do segundo semestre de 2021. Receberá de US$ 300 milhões de investimentos e, no pico das obras, deve gerar 2 mil empregos.

A refinaria terá capacidade de processar 20 mil barris diários de petróleo, com possibilidade de ampliação no futuro.

— Hoje o Brasil consome diesel em alta escala, e a Petrobras não consegue suprir o país só com sua produção. Para a empresa abastecer 100% do mercado nacional sem importações seria necessário uma retração de 40% na demanda — afirmou o executivo da Oil Group.

Sem recursos do BNDES
Desde 1953, não são construídas refinarias privadas no país. A empresa americana pretende construir quatro unidades de pequeno porte, com capacidade para 20 mil barris a 30 mil barris diários, próximas a portos, e duas menores, de 3 mil a 5 mil barris diários, vizinhas à produção terrestre de petróleo.

De acordo com especialistas, as pequenas refinarias vão atender ao mercado local e terão um custo logístico menor, o que pode beneficiar os consumidores.

— Nosso grupo já investe no Brasil em exploração e produção de petróleo. Vemos este momento de baixa preço petróleo e crise como oportunidade de estruturar o refino. É um nicho de mercado bem interessante para nossos projetos — explicou Diaagoné.

Das quatro unidades maiores, além da do Rio, estão em fase de estudo de viabilidade econômica a instalação de uma no Espírito Santo e outra no Maranhão. A quarta unidade e as duas menores ainda não têm localização, mas os estudos estão entre Bahia e Sergipe.

Segundo Diaagoné, a Oil Group não pretende buscar recursos no BNDES para financiar seus projetos, e sim com bancos de desenvolvimento do exterior e fundos de investimentos.

A Petrobras pretende vender oito de suas principais refinarias, com uma capacidade total de processar 1,1 milhão de barris por dia. Com isso, a participação da estatal no mercado de refino no país que hoje é de 99%, cairia à metade.

Impacto nos preços
O ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Décio Oddone considera importante a chegada de agentes privados ao setor de refino.

— A abertura de refinarias de pequeno porte traria uma nova dinâmica para esse mercado, que não vê investimentos privados há muito tempo. A maior dificuldade deve ser o financiamento para projetos que envolvam empresas de médio porte .

Para Marcus D´Elia, sócio da Leggio Consultoria, refinarias menores são positivas para atender demandas locais com preços mais competitivos, pois pelo menos o custo de frete será menor.

A refinaria prevista para o Porto do Açu, por exemplo, diz ele, poderá suprir o mercado de Campos, hoje atendido pela Reduc, que leva o combustível por rodovia.

O Globo

Replan bate recorde de produção de combustível para navio com baixo teor de enxofre

A Petrobras informou que a Refinaria de Paulínia (Replan) bateu em junho novo recorde mensal de produção de Bunker 2020, óleo combustível com baixo teor de enxofre utilizado em navios, pelo segundo mês consecutivo.

No mês passado, a refinaria paulista produziu 148 mil m³, alta de 20% ante a melhor marca anterior, registrada em maio.

Desde o início de 2020, todo combustível para navios comercializado no Brasil e em mais de 170 países deve possuir teor de 0,5% de enxofre, de acordo com a International Maritime Organisation (IMO2020), notou a estatal.

A Petrobras disse ainda que o mês de junho também foi marcado pela retomada das operações de uma unidade de destilação (U200A) e uma unidade de craqueamento catalítico (U-220), na Replan, “para atendimento ao aumento da demanda de mercado por derivados”.

Com o retorno dessas unidades, a refinaria volta a ter capacidade de processar 69 mil m³ de petróleo por dia (ou 434 mil barris/dia), a maior do parque de refino da Petrobras, segundo a nota.

Agência Reteurs

ANP inicia consultas públicas sobre conteúdo local

A ANP iniciou na última terça-feira (7/7) três consultas públicas relativas a conteúdo local nos contratos de exploração e produção de petróleo e gás natural. A primeira tem como objetivo obter contribuições à minuta de resolução que tratará dos termos de ajustamento de conduta (TACs) de conteúdo local para fases já encerradas dos contratos. A segunda é relativa à alteração o Regulamento Técnico de Relatório de Gastos Trimestrais com Exploração, Desenvolvimento e Produção, anexo da Portaria ANP nº 180/2003. Já a terceira trata de conteúdo local em acordos e compromissos de individualização da produção e na anexação de áreas.

Termos de ajustamento de conduta de conteúdo local

A Consulta Pública nº 5/2020 trata da regulamentação dos termos de ajustamento de conduta (TACs) de conteúdo local para fases já encerradas dos contratos. O objetivo é reverter multas aplicadas por descumprimento de compromissos de conteúdo local em investimentos, de forma a estimular a indústria brasileira. A consulta ocorrerá pelo período de 60 dias e a audiência pública sobre o tema ocorrerá no dia 25/9, no formato virtual.

No Brasil, os contratos para exploração e produção de petróleo e gás natural possuem cláusulas de conteúdo local, que estipulam um percentual mínimo de contratações de bens e serviços que devem ser realizadas no Brasil. Veja mais na página de conteúdo local: http://www.anp.gov.br/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/conteudo-local.

Após a 13º Rodada de Licitações, o CNPE determinou a adoção de novo modelo de conteúdo local e permitiu a adoção de exigências distintas daquelas vigentes nos contratos passados, o que resultou na Resolução ANP n.º 726/2018 e na possibilidade de aditamento dos contratos vigentes com fases não encerradas para que esses pudessem incorporar os aprimoramentos resultantes da evolução regulatória.

Por limitação de ordem jurídica, contudo, a evolução regulatória não pode ser aplicada a contratos extintos ou a fases já encerradas. Assim, propõe-se que esses casos não contemplados pelo aditamento sejam tratados por meio de Termos de Ajustamento de Conduta, de adoção facultativa pelos concessionários.

A ANP realizou a Tomada Pública de Contribuições – TPC n.º 1/2019, com início no dia 3 de maio de 2019 e duração de 30 dias. Durante esse período, foram recebidas diversas contribuições. Também foram realizados debates em diversos eventos do setor para esclarecimento da proposta e das alternativas regulatórias, além de análises técnicas e jurídicas, que contribuíram para a elaboração da Minuta de Resolução.

Veja a minuta de resolução e mais informações sobre a consulta e a audiência públicas: http://www.anp.gov.br/consultas-audiencias-publicas/concluidas/5826-consulta-publica-n-5-2020

Veja também a apresentação sobre a proposta: http://www.anp.gov.br/arquivos/cap/2020/cap5/cp5-2020-apresentacao-proposta-acao-0209-2020.pdf

Individualização da produção e anexação de áreas

A Consulta Pública nº 4/2020 tem como objetivo obter contribuições sobre a proposta de resolução que regulamenta os critérios de conteúdo local a serem adotados no acordo e no compromisso de individualização da produção e na anexação de áreas, nos contratos de exploração e produção de petróleo e gás natural. A consulta pública ocorrerá por 60 dias e a audiência sobre o tema será realizada em 15/9, no formato virtual.

A individualização da produção é um procedimento que visa à divisão do resultado da produção e ao aproveitamento racional do petróleo e/ou gás natural, quando uma jazida se estende além do bloco concedido ou contratado sob o regime de partilha de produção. Caso todos os blocos abrangidos pela jazida sejam de uma mesma empresa ou consórcio, dá-se o compromisso de individualização da produção (CIP); e se forem de empresas diferentes ou algum não for contratado (pertencente à União), ocorre o acordo de individualização da produção (AIP).

Já a anexação de áreas consiste na incorporação de uma determinada descoberta comercial a um campo produtor ou potencialmente produtor, ampliando seus limites com vistas à exploração conjunta dos recursos petrolíferos. Neste caso, ambos também devem pertencer à mesma empresa ou consórcio e ser requerida pelo operador. Trata-se de uma solução para casos de reservatórios dependentes que precisam ser incorporados a outros para se tornarem comercialmente viáveis.

Veja a minuta de resolução e mais informações sobre a consulta e a audiência públicas: http://www.anp.gov.br/consultas-audiencias-publicas/concluidas/5825-consulta-e-audiencia-publica-n-4-2020.

Veja também a apresentação sobre a proposta: http://www.anp.gov.br/arquivos/cap/2020/cap4/cp4-2020-apresentacao-proposta-acao-0217.pdf

Simplificação do envio de informações sobre conteúdo local

Por fim, a Consulta Pública nº 6/2020 trata da minuta de resolução que altera o Regulamento Técnico de Relatório de Gastos Trimestrais com Exploração, Desenvolvimento e Produção, anexo da Portaria ANP nº 180/2003. A proposta busca a simplificação regulatória, eliminando a utilização, em algumas situações, de dois métodos distintos de apresentação de relatórios de conteúdo local, com parâmetros e periodicidade distintos. A consulta ocorrerá pelo período de 45 dias e a audiência pública sobre o tema ocorrerá no dia 9/9, no formato virtual.

A Portaria ANP nº 180/2003 estabelece a obrigatoriedade do envio de Relatório de Gastos Trimestrais (RGT) em todos os contratos de exploração e produção celebrados, enquanto a Resolução ANP nº 27/2016 exige o envio de Relatório de Conteúdo Local (RCL) para os contratos assinados a partir da Sétima Rodada e os assinados em rodadas anteriores que tenham celebrado o termo aditivo previsto na Resolução ANP nº 726/2018, que permitiu às empresas aderirem às novas regras de conteúdo local.

A minuta de resolução em consulta visa dispensar a obrigatoriedade da entrega do Relatório de Gastos Trimestrais nos contratos abrangidos pelo art. 6º da Resolução ANP nº 27/2016 ou pelo aditamento de Cláusula de Conteúdo Local facultado pela Resolução ANP nº 726/2018.

A proposta representa ganho de eficiência e economia processual para as operadoras e para a Agência. A ANP mantém uma dinâmica de atualização constante de seu arcabouço regulatório, tendo revogado 583 atos normativos no intervalo de três anos.

Veja a minuta de resolução e mais informações sobre a consulta e a audiência públicas: http://www.anp.gov.br/consultas-audiencias-publicas/concluidas/5827-consulta-e-audiencia-publica-n-6-2020.

Veja também a apresentação sobre a proposta: http://www.anp.gov.br/arquivos/cap/2020/cap6/cp6-2020-apresentacao-proposta-acao-0291.pdf

Ascom ANP

Crash do petróleo aumenta pressão sobre setor de refino

Em meio à luta contra a pior queda na demanda em décadas, refinarias de petróleo pelo mundo deparam-se com o risco de precisar fechar as portas, enquanto as ondas de choque do crash se espalham por toda a indústria petrolífera.

A demanda por produtos refinados e combustíveis continua relativamente baixa e os estoques vêm crescendo, ao mesmo tempo em que a atividade das refinarias de petróleo ficou mais cara depois dos cortes na produção realizados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Esse quadro tem reduzido as margens de lucro das refinarias, que convertem o petróleo em produtos como diesel, combustível para aviões e gasolina.

A Europa é considerada a região com mais risco, porque as instalações tendem a ser mais antigas e os governos embarcaram em iniciativas para diminuir gradualmente o uso de combustíveis fósseis em meios de transporte.

Analistas do UBS calculam que seria necessário diminuir a capacidade mundial de refino em cerca de 3 milhões de barris por dia (o equivalente ao dobro do consumo no Reino Unido ou a 3% do total no mundo) até o fim de 2021 para que o setor recupere lucratividade. Pequenas refinarias nos Estados Unidos e algumas na região da Ásia-Pacífico também poderiam se ver obrigadas a sair do mercado, acrescentaram os analistas.

Novas refinarias costumam ser mais complexas e eficientes, o que lhes permite processar mais tipos de petróleo, a um custo menor. Por outro lado, as refinarias construídas nos anos 50 e 60, quando decolou a adoção de veículos em massa, parecem estar mais vulneráveis, em especial porque há grande capacidade nova de refino surgindo nos países em desenvolvimento, da Nigéria ao Kuait.

“Tínhamos demasiada capacidade de refino antes da covid”, disse Robert Campbell, chefe global da área de produtos petrolíferos na firma de consultoria Energy Aspects. “Agora, sem dúvida, temos [capacidade] demasiada.”

Prejuízo
A demanda por combustíveis começou a se recuperar em relação às profundezas de abril e maio, no auge das medidas de confinamento, quando o consumo mundial caiu mais de 20%. Poucos, no entanto, apostam em uma volta aos níveis pré-pandemia antes do fim de 2021. Algumas refinarias já vêm dando prejuízo, quando os custos operacionais totais são levados em conta.

Analistas dizem que o panorama para o setor lembra ao período pós-crise financeira mundial de 2008, quando as margens de lucro apenas se recuperaram depois do fechamento definitivo de algumas refinarias.

Plano B

Prever quais refinarias poderiam fechar as portas é difícil, uma vez que alguns governos frequentemente as socorrem, preocupados com a segurança nacional e os cortes de empregos. Ainda assim, é possível ver pelos números do setor que refinarias como a da Essar, em Stanlow, no noroeste da Inglaterra, e a da Eni, em Milazzo, na Sicília, podem ter dificuldades, assim como a refinaria de Grangemouth, a única de combustível para motores na Escócia. A comercializadora de commodities Gunvor já estuda como desativar sua refinaria em Antuérpia.

A Essar informou que a refinaria em Stanlow é um negócio “lucrativo e sustentável”. A Eni não está “fazendo nenhuma avaliação específica” sobre a refinaria em Milazzo, que controla em conjunto com a Kuwait Petroleum Italia. A Petroineos, dono das instalações em Grangemouth, não deu retorno aos pedidos para comentar o assunto.

Mesmo antes do coronavírus, a indústria de refino se encontrava sob pressão, diante das novas refinarias na Ásia e da tendência de longo prazo de afastamento em relação aos combustíveis à base de petróleo. Recentemente, a refinaria HollyFrontier, nos EUA, converteu suas instalações em Wyoming para o biodiesel. Eni e Total podem fazer o mesmo com refinarias na Europa, segundo o UBS.

“Haverá uma sacudida no setor de refino”, disse John Auers, vice-presidente executivo da firma de consultoria Turner, Mason & Company.

Nas últimas semanas, as margens de lucro desmoronaram, uma vez que a cotação do petróleo subiu mais do que o preço dos combustíveis acabados. Richard Joswick, chefe de análises sobre a indústria de refino na S&P Global, disse que as refinarias, em um ano normal, têm ganho líquido em torno a US$ 10 por barril. Agora, vêm ganhando a metade disso. Algumas, ganham até menos. A Par Pacific, uma refinaria americana, anunciou margem de lucro de apenas US$ 0,24 por barril no primeiro trimestre em suas atividades no Havaí, 93% a menos em comparação aos mesmos meses de 2019.

EUA

Apesar do enfraquecimento das margens, o setor de refino nos EUA vem se mostrando relativamente resistente, em parte porque já havia paralisado atividades de processamento quando a demanda caiu no início do ano. Cerca de 35% da capacidade de refino no país estava ociosa em abril, segundo a Agência de Informações sobre Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

Nas últimas semanas, as refinarias americanas começaram a processar mais petróleo, mas Estados que são grandes consumidores de gasolina, como o Texas, voltam a impor quarentenas contra a covid-19 e o consumo pode se estagnar. Os estoques de gasolina nos EUA estão próximos de seus maiores patamares sazonais na história, apesar do início do verão local, quando se dirige mais e a demanda chega ao pico.

Fim da estrada?

Um executivo britânico da indústria de refino disse que há cerca de dez refinarias no mundo consideradas “em risco” nos próximos anos. Além disso, com países como o Reino Unido programando a proibição de venda de carros novos a gasolina ou a diesel na década de 2030, os fabricantes de combustíveis podem estar chegando ao fim da estrada. Nesse contexto, investir em bens de capital para incrementar a margem de lucro de longo prazo das refinarias parece uma aposta de risco.

Alan Gelder, chefe de análises da área de refino na firma de consultoria Wood Mackenzie, comparou a forma de pensar do setor à história da dupla sendo perseguida por um urso.
“Se você continuar correndo e o rival a seu lado cair, você se salvará”, disse Gelder. “Mas, agora, eles estão correndo ladeira abaixo em direção à água e não está claro se algum deles sabe nadar.”

 

Valor Econômico

ArcelorMittal vai religar alto-forno no ES no fim do mês de olho em mercado externo

A ArcelorMittal anunciou que vai religar no final de julho alto-forno que estava parado desde 2019, passando a operar no Espírito Santo com dois de seus três equipamentos de produção de ferro gusa.

A companhia afirmou que vai reativar o alto-forno 2, com capacidade para 1,2 milhão de toneladas por ano, em 26 de julho depois de passar por reforma no ano passado. “Toda a produção do alto-forno 2 será destinada para o mercado externo, cujos clientes começam a retomar gradualmente o consumo”, afirmou a ArcelorMittal em comunicado à imprensa.

Com isso, a capacidade da usina vai subir de 3,5 milhões de toneladas fornecidas pelo alto-forno 1, para 4,7 milhões.

O alto-forno 3, de 2,8 milhões de toneladas de capacidade e paralisado em abril deste ano em função dos impactos das medidas de quarentena sobre a economia, seguirá parado, “aguardando eventuais mudanças no cenário econômico e na demanda de aço no Brasil e no mundo”.

Agência Reuters