Opep tem reunião com Brasil em meio a consultas a produtores “chave” de petróleo

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammad Barkindo, teve uma videoconferência com o ministro de Minas e Energia do Brasil, Bento Albuquerque, para conversas sobre o mercado de energia.

A reunião bilateral foi a mais recente de uma série de encontros para discussões com países produtores de petróleo considerados “chave” e que não fazem parte do grupo, segundo publicações da Opep no Twitter.

“Os países discutiram os últimos acontecimentos dos mercados de petróleo… Barkindo também ressaltou o significativo papel do Brasil como um dos mais prolíficos fornecedores de energia da América do Sul”, escreveu a Opep ao relatar o encontro virtual.

O secretário-geral ainda convidou Albuquerque a participar de plataformas de cooperação multilateral do grupo e a comparecer a um seminário internacional da Opep em Viena em junho de 2021, segundo o Twitter da Opep.

O Ministério de Minas e Energia não respondeu de imediato a pedidos de comentário sobre a reunião online com Barkindo.

Em abril, o ministro Albuquerque chegou a participar de uma reunião virtual de países do G20 sobre o mercado de petróleo, após convite da Arábia Saudita, que sondou o interesse do país em participar de esforços liderados pela Opep para redução da oferta global.

O país, no entanto, disse na ocasião que não poderia contribuir com acordos da Opep devido a questões legais, que impedem que o governo influencie o nível de produção das empresas do setor.

 

Reuters

Estrutura de preços do petróleo sinaliza recuperação no mercado

A estrutura de preços do petróleo, tanto para a referência internacional Brent quanto para o norte-americano WTI, causou uma queda nos níveis de armazenamento, sinalizando uma recuperação nos mercados globais e oferta mais apertada à medida que grandes produtores reduzem bombeamento para compensar a demanda perdida em função da pandemia de coronavírus.

Na quinta-feira, o Brent passou a operar em “backwardation”, movimento em que o petróleo para entrega imediata tem custo superior à oferta para entregas mais adiante. O prêmio dos contratos futuros do Brent para agosto ante o contrato setembro chegou a atingir 0,15 dólar nesta sexta-feira.

Os swaps de curto prazo do Brent no mercado do Mar do Norte também entraram em “backwardation”, o que sugere um mercado físico mais forte.

Isso encorajou uma redução nos estoques.

“Os estoques flutuantes, em particular na costa do Golfo dos Estados Unidos, já estão diminuindo, à medida que compradores optam por retirá-los dos navios-tanque em vez de realizar novas contratações”, disse a analista sênior de petróleo da Rystad Energy, Paola Rodríguez Masiu.

Ela acrescentou que a prorrogação dos cortes de oferta praticados pela Opep+ ajudou o mercado a encontrar um equilíbrio após meses.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, que formam o grupo chamado de Opep+, têm reduzido bombeamento desde maio em um recorde de 9,7 milhões de barris por dia (bpd), ou 10% da oferta global.

A nova estrutura de preços do petróleo marca uma reviravolta em relação a períodos anteriores, quando a pandemia de coronavírus empurrou as cotações para a estrutura oposta —com preços para entrega imediata abaixo dos de contratos mais distantes, o que é conhecido como “contango”.

Nesta sexta-feira, o “contango” de seis meses do Brent girava em torno de -0,25 dólar, menor nível desde o início de março —momento que antecedeu o colapso de um acordo anterior entre Opep e aliados liderados pela Rússia, algo que fez com que os preços atingissem mínimas recordes.

A queda na produção de petróleo dos EUA também ajudou na recuperação dos mercados— a produção norte-americana caiu na semana passada para 10,5 milhões de barris por dia, o menor nível desde março de 2018, segundo a Agência de Informação de Energia (IEA).

Reuters

Diretoria da ANP aprova cessão de direitos dos polos de Pampo e Enchova

A diretoria colegiada da ANP aprovou a cessão de direitos de 10 contratos de concessão da Petrobras para a Trident Energy do Brasil, referentes aos polos Pampo e Enchova, abrangendo os campos de Badejo, Bicudo, Bonito, Enchova Oeste, Enchova, Linguado, Marimbá, Pampo, Piraúna e Trilha. A cessão integra o plano de desinvestimentos da Petrobras.

Os dez campos em cessão estão na Bacia de Campos, em águas rasas, onde houve uma redução de cerca de 50% na produção, nos últimos 10 anos.

O processo é importante para a revitalização dessa porção da bacia, a partir da atração de investimentos que resultarão na geração de emprego, renda, royalties e participações especiais.

Espera-se que sejam realizados investimentos firmes da ordem de US$ 1 bilhão (previstos nos Planos de Desenvolvimento desses campos) com potencial de adição de 203,5 milhões de barris de óleo em reservas. Adicionalmente, há a previsão de investimentos contingentes da ordem de US$ 1,3 bilhão.

Após a assinatura dos termos aditivos aos contratos de concessão, a Trident Energy do Brasil, nova entrante nas atividades de E&P no Brasil, será a operadora e única concessionária nesses campos.

Em abril, esses campos produziram, juntos, em torno de 22 mil boe/d (barris de óleo equivalente por dia), segundo dados do Painel Dinâmico da Produção da ANP.

 

ANP

Furtos em oleodutos operados pela Transpetro caem 60% em SP

A Transpetro registrou, em maio, redução de 60% nos furtos em oleodutos que são operados pela companhia em São Paulo.

Em comparação com o mês anterior, o número caiu de 23 para nove ações criminosas, em uma mudança nos rumos da curva que desde o início do segundo semestre de 2019 só crescia.

Ainda assim, no ano passado, o mês de maio registrou 12 ocorrências, número 30% maior do que o registrado no mesmo período desse ano.

São Paulo é o estado que registra maior número de ações criminosas nos dutos operados pela companhia e, por isso, é o maior alvo do esforço da empresa para coibir derivações clandestinas, que expõem comunidades e o meio ambiente a risco. O resultado é fruto da integração com o trabalho das polícias civil e militar além do Ministério Público do estado.

Nesse período, ainda foram presos em flagrante os integrantes de duas quadrilhas que atuavam principalmente nos municípios de Vinhedo e Santa Rita do Passa Quatro, ambos no interior paulista.

A Transpetro agradece o apoio e engajamento da comunidade por meio do canal de denúncias, o 168, e reforça a importância da colaboração dos moradores vizinhos aos dutos para minimizar o perigo que todos correm com esses atos criminosos. O anonimato é garantido, a ligação é gratuita e o telefone funciona 24 horas por dia, sete dias por semana.

Todos os moradores podem entrar em contato caso identifiquem qualquer movimentação suspeita na faixa de dutos e em terrenos próximos, como pessoas ou veículos pesados trabalhando próximo às áreas das tubulações ou cheiro forte de combustível.

A companhia disponibiliza também o whatsapp (21) 999920-168, pelo qual o morador pode contribuir enviando imagens e vídeos.

A Transpetro tem como prioridade a preservação da vida e preza pela segurança das pessoas e do meio ambiente. Em parceria com os órgãos públicos e a comunidade, a companhia seguirá atuando incansavelmente para mitigar os riscos que esse crime representa para a sociedade.

Agência Petrobras

Rio é o primeiro estado a internalizar o Repetro Industrialização com estímulo à economia local

Websérie Óleo e Gás da federação reuniu especialistas para avaliar a nova lei

Isonomia tributária para o Rio de Janeiro e maiores condições de competitividade com outros estados e com o mercado internacional de petróleo serão trazidas com a Lei nº 8.890/2020,aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Essa foi a conclusão de mais uma edição da Websérie Óleo e Gás, promovida pela Firjan. O encontro reuniu especialistas para debater as regras do Repetro Industrialização, seu atual cenário e como a indústria irá se adequar.

Com a sanção da lei estadual, bens e equipamentos destinados à indústria de petróleo poderão ser importados ou adquiridos no mercado interno com a redução da base de ICMS em 3%. Lycia Braz, membro da Comissão Especial de Assuntos Aduaneiros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), destacou o pioneirismo do Rio, primeiro estado da federação a internalizar o regime do Repetro Industrialização.

“Saímos na frente nessa corrida, por conta de nossa posição logística. Essa é uma legislação muito relevante, já que concentramos a maior atividade de produção e exploração de petróleo do país. A lei traz segurança jurídica para os investidores e, no momento atual de pandemia, ter um benefício fiscal voltado a estimular a economia local é fundamental”, analisou.

Bruno Fonti, gerente Tributário Internacional da Petrobras, destacou a importância da desoneração do investimento. “Essa não é uma questão apenas brasileira, mas mundial. A indústria de Óleo e Gás é de alto risco e a desoneração é crucial para redirecionar os gastos para inovação e tecnologia”, frisou.

Fonti sublinhou ainda a necessidade de regulamentação da lei em outros estados. “É preciso que a saída do produto intermediário ou da matéria-prima desses estados siga a mesma linha do Repetro Industrialização implantado no Rio, para que tenhamos uma harmonia do sistema como um todo”, argumentou.

Otacílio Barbosa, gerente Tributário da TechnipFMC, elogiou o caráter enxuto da lei, composta de 12 artigos. “O que falta agora é a regulamentação pelo Executivo e a definição da forma de recolhimento do ICMS, além da comunicação com a cadeia produtiva. Precisamos ser rápidos para fazer essa desoneração acontecer. Mas estamos hoje em um cenário bem melhor, com ferramentas importantes em nossas mãos, sobretudo considerando o cenário de crise”.

“Ainda há muitos desafios e o Rio não pode perder novas oportunidades. Louvemos a lei do modo como ela saiu hoje, mas temos que manter o senso de urgência e não deixar para depois essa regulamentação”, complementou André Carvalho, sócio da Veirano Advogados.

Aurélio Gimenez – Firjan

Petrobras e IBP divulgam resultado da seleção pública de projetos de ventiladores pulmonares

Saiu o resultado da primeira onda da seleção pública de projetos para produção de ventiladores pulmonares mecânicos – uma iniciativa da Petrobras em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Bicombustíveis (IBP). O comitê técnico selecionou quatro projetos da fase intermediária de fabricação dos ventiladores: o modelo “3D Breath” da empresa ArcelorMittal Brasil; o “VExCO” da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além do “Frank 5010” da Universidade de Caxias do Sul em parceria com Meditron e o “Caninga– ISI-ER”, do Senai-RN.

Segundo o edital, a fase intermediária consiste na passagem dos chamados testes “in vitro” (testes de desempenho com uso de pulmão artificial) para os testes “in vivo” (com animas e seres humanos), ao passo que a fase de produção é a etapa seguinte de fabricação dos ventiladores. Cada projeto selecionado na fase intermediária receberá R$ 100 mil em recursos financeiros para continuação do desenvolvimento, com acompanhamento técnico de especialistas da Petrobras e do IBP. O objetivo da iniciativa é acelerar a fabricação desses equipamentos, escassos no mercado brasileiro e essenciais ao tratamento de pacientes graves com Covid-19.

Apoio financeiro

Uma das selecionadas da fase intermediária, a ArcelorMittal Brasil, empresa de siderurgia de grande porte, abriu mão do recurso financeiro a que teria direito em prol da instituição que ficou em terceiro lugar. O edital previa a seleção de dois projetos – os dois primeiros colocados – e a consequente concessão de apoio financeiro exclusivamente a eles. No entanto, como a ArcelorMittal Brasil abriu mão dos recursos, o comitê deliberativo decidiu selecionar os quatro primeiros colocados de qualidade técnica semelhante.

“Com quatro projetos, aumentam as chances de sucesso da produção de ventiladores menos complexos e mais baratos para tratamento emergencial da Covid-19 em curto prazo”, afirmou o líder da iniciativa na Petrobras, Luiz Paschoal.

Abertas as inscrições para segunda onda da seleção pública

Para a fase específica de produção de ventiladores, como nenhum projeto apresentou registro junto à Anvisa na primeira onda, a Petrobras e o IBP decidiram abrir as inscrições para a segunda onda da seleção pública, em busca de novos candidatos qualificados para o início da fabricação dos equipamentos. Universidades, empresas e instituições de ciência e tecnologia de todo Brasil podem inscrever seus projetos até o dia 24/06, desde que apresentem registro prévio junto à Anvisa. O edital está disponível no site do IBP (https://www.ibp.org.br/chamada-publica-ventiladores-pulmonares).

“Na primeira onda da seleção pública, tivemos dezenas de inscritos, mas infelizmente nenhum apresentou registro junto à Anvisa. É uma chancela fundamental para garantirmos a segurança dos projetos”, disse Luiz Paschoal. Nessa fase, um projeto será selecionado e receberá R$ 1,1 milhão em recursos financeiros para seu desenvolvimento.

Estrutura Científica de Resposta da Petrobras

A seleção pública é mais uma iniciativa da Estrutura Científica de Resposta (ECR) da Petrobras voltada para o combate ao coronavírus. O objetivo é reunir competência técnica em parceria com empresas, universidades e instituições de ciência e tecnologia para formular soluções viáveis e rápidas no enfrentamento à pandemia.

A Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) e o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) estão apoiando a iniciativa e participam da avaliação e seleção dos projetos – em conjunto com o IBP e a Petrobras.

 

Agência Petrobras

Petrobras inicia venda de campos em águas rasas do Ceará

A Petrobras iniciou a etapa de divulgação da oportunidade (teaser) referente à venda da totalidade de sua participação nos campos de Atum, Curimã, Espada e Xaréu, concessões de produção marítimas em águas rasas localizadas na sub-bacia de Mundaú, no estado do Ceará.

Operando desde a década de 80, o cluster, que compreende os quatro campos, localiza‐se a uma distância de 30 km da costa do Ceará, em lâmina d’água entre 30 e 50 metros. A produção média em 2019 foi de 4,2 mil bpd de óleo e 76,9 mil m³/d de gás, através de nove plataformas fixas. A Petrobras é a operadora nesses campos, com 100% de participação.

Essa operação está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e de melhoria da alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultra profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos.

O teaser, que contém as principais informações sobre a oportunidade, bem como os critérios de elegibilidade para a seleção de potenciais participantes, está disponível no site da Petrobras: https://investidorpetrobras.com.br/pt/resultados‐e‐comunicados/teasers.

A presente divulgação está de acordo com as diretrizes para desinvestimentos da Petrobras e com as disposições do procedimento especial de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, previsto no Decreto 9.355/2018.

 

Agência Petrobras

Refap bate recorde mensal de venda de diesel S-10

Unidade da Petrobras em Canoas comercializou 134 mil m³ do produto em maio

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), unidade da Petrobras localizada em Canoas (RS), bateu o recorde de venda de diesel S-10 em maio. No mês, foram comercializados 134 mil m³ do produto, superando em 12% a marca anterior, de agosto de 2019, que foi de 119 mil m³.

Como a previsão de retirada de produtos da Refap é feita pelos clientes com aproximadamente dois meses de antecedência, o que coincidiu com o início da pandemia de Covid-19, havia uma expectativa de vendas baixas para o diesel no período. “Com a mudança de cenário e o aumento inesperado da demanda, tivemos de adaptar nossa planta industrial para atender os clientes. O resultado foi possível graças ao trabalho integrado das áreas operacionais e de Comercialização da refinaria”, explica o gerente geral da Refap, Osvaldo Kawakami.

Com capacidade de processamento de 32 mil m³ de petróleo por dia, a Refap atende principalmente os mercados do Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e do Paraná. Além do diesel, a refinaria produz gasolina, GLP, óleo combustível, querosene de aviação, solventes (hexano, aguarrás e petrosolve), asfalto, coque, enxofre e propeno.

 

Agência Petrobras

Petrobras eleva diesel em 8% na refinaria; gasolina sobe 5%

A Petrobras anunciou reajuste médio de 8% para o diesel vendido em suas refinarias a partir da sexta-feira, enquanto a gasolina terá elevação de 5%, informou a companhia, por meio da assessoria de imprensa.

O movimento é o primeiro reajuste neste mês para o diesel, combustível mais utilizado do Brasil, e o segundo para a gasolina, que havia sofrido aumento de 10% em 9 de junho.

Com a elevação, o preço médio do diesel nas refinarias da estatal passa a ser de 1,5111 real por litro, maior nível desde meados de abril, segundo dados compilados pela Reuters, enquanto o valor médio da gasolina passa a 1,5328 real/litro, mais alto nível desde o final de fevereiro.

Mesmo com segundo reajuste consecutivo para cima, o preço do diesel ainda acumula queda de 35,5% neste ano, impactado pelo choque de demanda resultante da pandemia de coronavírus. No entanto, tem avanço de 15,5% frente às mínimas do ano, verificadas entre o final de abril e meados de março.

Já a gasolina, que teve o sexto movimento seguido de alta, acumula recuo de 20% em 2020, embora tenha se afastado das mínimas do ano, registradas na reta final de abril e no início de maio, quando o combustível chegou a custar 0,916 real/litro.

As sucessivas elevações ocorrem em meio a uma recuperação nas cotações do petróleo no mercado internacional a partir de abril, após acordo entre Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados para cortes recordes de oferta.

O petróleo Brent, referência internacional, acumula ganhos de mais de 100% desde meados de abril, quando tocou mínima de 21 anos, abaixo de 16 dólares por barril.

A Petrobras defende que sua política de preços busca seguir valores de paridade de importação, que levam em conta o petróleo no mercado internacional e custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.

O dólar acumula valorização de mais de 10% contra o real desde 8 de junho, quando havia recuado para mínimas em 12 semanas.

O repasse de reajustes nas refinarias até os consumidores finais, no entanto, não é imediato e depende de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de biodiesel.

DEFASAGEM
Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, apesar dos reajustes que deverão começar a vigorar na sexta-feira, continua a defasagem dos preços da Petrobras na comparação com os valores externos: em 11 centavos de real por litro para o diesel e de 0,13 real por litro para a gasolina.

Na opinião dele, isso inviabiliza importações de derivados, uma vez que o petróleo Brent está sendo negociado acima de 41 dólares o barril e o dólar está no patamar de 5,35 reais.

A Petrobras informou no final da semana passada à Reuters que as refinarias da empresa, que responde por quase 100% do refino de petróleo nacional, tiveram recuperação na taxa de utilização de capacidade, com uma melhora no mercado de combustíveis no Brasil, uma queda na importação de derivados e exportações recordes de óleo combustível.

A taxa de utilização das refinarias no país atingiu cerca de 74%, bem próximo aos 77% verificados no período anterior ao início da pandemia de coronavírus, segundo os mais recentes dados do Ministério de Minas e Energia.

Mas, para o presidente da Abicom, “a demanda (de combustíveis) ainda não voltou ao normal” no país.

Nesse sentido, uma pesquisa divulgada pela NTC&Logística na terça-feira apontou que a demanda por transportes rodoviários de cargas no Brasil ainda apresenta queda de 36,8% em relação aos níveis pré-pandemia, apesar de indicar os melhores resultados desde o final de março.

 

Reuters

Lava Jato realiza operação que mira área de comercialização da Petrobras

A Força Tarefa da Lava Jato realizou a Operação “Sem Limites II”, que mira suspeitas de propinas relacionadas a transações da área de compra e venda de petróleo, óleos combustíveis e derivados da estatal Petrobras.

A PF cumpriu desde cedo 14 ordens judiciais, sendo 12 mandados de busca e apreensão e dois ofícios para obtenção de dados telemáticos.

A Justiça determinou ainda bloqueios de bens de cerca de 17 milhões de reais para compensar eventuais prejuízos causados pelas operações, que envolveriam um operador financeiro ligado a um ex-ministro de Minas e Energia, segundo o Ministério Público Federal no Paraná.

Os mandados foram expedidos pela Justiça de Curitiba e todos são cumpridos no Rio de Janeiro. Há equipes da PF em bairros das zonas sul e oeste do Rio. Um dos principais alvos é a Gerência Executiva de Marketing e Comercialização da estatal, que fazia operações de “trading” do petróleo e derivados, de acordo com as autoridades.

“Após análise de materiais apreendidos na 57ª Fase, Operação Sem Limites – deflagrada em dezembro de 2018, e do resultado de pedidos de cooperação jurídica internacional formulados pela PF, foram identificados novos indivíduos que auxiliavam e integravam a organização criminosa estruturada no sentido de lesar a Petrobras, especialmente em sua área de trading”, disse a PF.

“Além do operador financeiro ligado ao ex-ministro, também são alvos das medidas de busca e apreensão o seu irmão, que o auxiliava no recebimento das vantagens indevidas, e quatro doleiros”, disse o MPF no Paraná, sem citar nomes.

Procurada, a Petrobras disse que “é vítima de crimes desvendados pela Operação Lava Jato” e destacou que “colabora com as investigações desde 2014”, o que já possibilitou mais de 4 bilhões de reais em ressarcimentos aos cofres da companhia.

O Ministério de Minas e Energia não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Segundo as autoridades, o operador financeiro relacionado a um ex-ministro da pasta teria atuado “ao menos de 2008 a 2014”.

O suposto esquema de “trading” contava com a ajuda de doleiros que movimentam recursos no exterior para quadrilha, disseram os policiais federais.

“A PF conseguiu identificar titulares de contas no exterior em nome de empresas offshores, e por meio delas, profissionais do mercado paralelo de câmbio realizavam transferências bancárias internacionais para a realização de ‘dólar-cabo’”, afirmou a corporação.

A suspeita é de que parte dos valores de propina tinham como objetivo o pagamento de intermediários políticos para a manutenção de certos empregados públicos em funções gerenciais estratégicas da Petrobras, como a de Gerência Executiva de Marketing e Comercialização, onde se realizavam as operações de trading, acrescentou a PF.

Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, disseram as autoridades.

A Reuters publicou em fevereiro que um ex-operador da Petrobras assinou acordo de delação com procuradores sobre suposto esquema de propinas entre tradings de petróleo e funcionários da estatal brasileira.

O MPF paranaense disse, sem detahar, que um ex-trader da Petrobras, que atuou no escritório da companhia em Houston, no Texas, “hoje colabora com as investigações”.

 

Reuters