Lucro líquido da Cosan recua 74,2% no 1º trimestre, para R$ 102,2 milhões

O lucro líquido da Cosan alcançou 102,2 milhões de reais no primeiro trimestre deste ano, queda de 74,2% em relação ao desempenho obtido em igual período de 2019, informou a companhia em balanço financeiro.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 36,7% no período, para 1,98 bilhão de reais.

Em termos ajustados, o lucro líquido ficou em 90,6 milhões de reais no intervalo de janeiro a março, recuo de 77,4% no comparativo anual, enquanto o Ebitda ajustado subiu 21,1%, para 1,77 bilhão de reais.

“O lucro líquido foi impactado pelo efeito negativo da marcação a mercado de ações detidas pela Cosan, bem como o efeito do câmbio na parcela não protegida do bônus perpétuo”, afirmou a companhia no balanço.

De acordo com a empresa, houve um consumo de caixa de 556 milhões de reais no trimestre na visão proforma, refletindo principalmente amortização de dívida e recompra de ações. Ainda assim, a alavancagem —medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado— teve ligeira queda, de 2 vezes para 1,9 vez, na variação anual.

A Cosan disse ainda que o ano começou com boas expectativas para o Brasil, levando-se em conta perspectivas positivas de crescimento global e melhora nos indicadores locais. No entanto, já no início de março o cenário mudou de forma drástica.

“Começando com queda abrupta nos preços de petróleo, despencando 30% em um único dia e chegando a inéditas cotações negativas, reflexo de desentendimentos entre grandes países produtores, justamente quando a demanda pela commodity desaparecia em função de crescentes restrições de circulação ao redor do mundo”, afirmou a empresa.

Na sequência, a Cosan citou o impacto do novo coronavírus e “um ataque criminoso de hackers que causou a interrupção temporária de algumas operações”.

“Apesar dos desafios, o Ebitda ajustado proforma da Cosan alcançou 1,8 bilhão de reais…com destaque para a Raízen Energia, em razão da concentração de vendas no trimestre com preços melhores”, justificou.

Na Raízen, braço sucroenergético da Cosan, na qual a empresa é sócia da Shell, a queda na demanda do ciclo-otto impactou a venda de etanol próprio (-12%) no trimestre, que foi compensada pela maior comercialização de açúcar (+35%).

A receita líquida da Raízen Energia totalizou 9 bilhões de reais no primeiro trimestre do ano, aumento de 26% ante igual período de 2019. Na safra de 2019/20, encerrada em março, a receita aumentou 37%, para 30,7 bilhões de reais, “devido principalmente ao maior volume vendido e melhores preços médios de açúcar e etanol, tanto no trimestre quanto no ano safra”.

A moagem da Raízen já havia se encerrado no último trimestre de 2019, com um total de 60 milhões de toneladas de cana processada na safra 2019/20 e com o mix privilegiando a produção de etanol (51% versus 49% para açúcar) dada a maior rentabilidade do biocombustível em relação ao açúcar.

“Neste trimestre (janeiro a março) houve uma pequena produção de álcool 70% para doações com o objetivo de ajudar no combate ao novo coronavírus”, apontou a empresa.

Conforme já informado ao mercado, a companhia reiterou que não divulgará projeções financeiras (guidance) devido às incertezas relativas à pandemia

Agência Reuters

Eólicas do Nordeste vêm produção cair até 30% com impacto de chuvas sobre o vento

Parques eólicos do Nordeste do Brasil viram queda de até 30% na produção na reta inicial deste ano, em meio ao impacto de chuvas há muito não vistas na região sobre o vento local, que ganhou fama internacional nesta década como um dos melhores do mundo para a geração de energia.

A “safra de vento” negativa na área que abriga a maior parte das usinas da fonte no Brasil levou a geração eólica do país a fechar o primeiro trimestre 16% abaixo do visto em 2019, mesmo com alta de quase 20% na capacidade instalada no período, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Os efeitos negativos também puderam ser vistos em balanços de empresas que operam eólicas em Estados nordestinos, como a CPFL Renováveis, da chinesa State Grid, e a Omega Geração.

“Estamos tendo ventos com velocidade 15 vezes menor… o menor vento da última década no Nordeste inteiro. Em geração, isso significa produção em torno de 30% menor”, disse à Reuters o vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês), Everaldo Feitosa, que avalia a situação como um fenômeno cíclico que pode acontecer a cada decada.

O desempenho é associado a fatores meteorológicos, como uma temperatura 1,5 grau Celsius acima do normal no oceano e um fenômeno conhecido como zona de convergência intertropical, que favorecem as precipitações, explicou Feitosa, que também é diretor da desenvolvedora de projetos Eólica Tecnologia.

Esse cenário, no entanto, deve se reverter já no segundo semestre, que por natureza tem uma produtividade bem maior para as usinas eólicas.

“Quando chega o segundo semestre você sabe que pode contar com os ventos do Nordeste”, disse à Reuters o especialista Odilon Camargo, proprietário da consultoria em engenharia de vento Camargo Schubert.

“Mas, no primeiro trimestre, geralmente as chuvas vêm, até maio vêm chuvas. Dizem ‘as águas de março fechando o verão’, mas isso é no Sudeste”, brincou ele, em referência à famosa canção de Antônio Carlos Jobim.

“Nesses anos em que chove muito, na época de chuva reduz o potencial eólico. E este ano está sendo muito generoso nos reservatórios do Nordeste”, acrescentou.

Apesar dessa volatilidade, destacou Camargo, o vento é mais estável que a hidrologia se considerados períodos maiores —segundo ele, variações de produção eólica mesmo em anos de vento ruim não costumam superar 10% ou 20% da média de longo prazo.

EMPRESAS SENTEM
A elétrica Omega Geração, que possui parques eólicos no Piauí e Maranhão, apontou em seu balanço do primeiro trimestre que a geração potencial em seu Complexo Delta, com usinas em ambos Estados, ficou 36% abaixo da média de quatro décadas.

Outro parque da empresa, na região de Assuruá, na Bahia, teve desempenho 28% abaixo da média, “levando ao pior primeiro trimestre da série histórica de 41 anos da região”.

“Conforme a temporada de chuvas na região Nordeste do Brasil se encerra, geralmente a partir da segunda metade do segundo trimestre, a incidência de vento costuma retornar a suas médias históricas”, escreveu a empresa na demonstração de resultados.

A CPFL Renováveis, da chinesa State Grid, apontou redução de 16% na produção de suas eólicas no primeiro trimestre, citando menor incidência de ventos no Ceará que não foi compensada por ventos maiores no Rio Grande do Sul.

CHUVAS ABUNDANTES
Embora possa parecer natural associar chuvas a ventos fortes, é conhecida no setor de energia eólica a máxima de que as precipitações atrapalham a geração das usinas da fonte.

Isso foi confirmado na prática neste ano, com a hidrologia no Nordeste surpreendendo —após sete anos de forte seca, as chuvas entre fevereiro e abril variaram de 82% a 105% da média histórica, contra entre 24% e 57% no ano passado.

Com isso, reservatórios das hidrelétricas estatal Chesf, subsidiária da Eletrobras na região, estão no melhor nível em 11 anos, com alguns deles ultrapassando 90% de armazenamento.

Esse comportamento climático também evidenciou a complementaridade entre recursos hídricos e eólicos, também constantemente destacada por especialistas da área.

Com o impacto da chuva sobre a geração, eólicas do Sul do país tiveram desempenho melhor no primeiro trimestre do que as do Nordeste, o que não é comum, destacou o consultor Andre Felber, da plataforma de dados de energia renovável ePowerBay.

No Rio Grande do Sul, a propósito, o início do ano foi marcado por chuvas abaixo da média, com efeitos negativos para a agricultura.

Nesse período, as usinas eólicas ainda chegaram a apresentar fator de capacidade abaixo das plantas solares fotovoltaicas, em março, o que ainda não havia sido observado no Brasil, acrescentou Felber.

O Brasil possui atualmente 15,6 gigawatts em capacidade instalada de energia eólica, o que representa 9% da matriz elétrica, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Cerca de 80% dos parques geradores estão no Nordeste, onde os ventos estão entre os melhores do mundo, segundo especialistas.

 

Agência Reuters

Preços do petróleo sobem 5% com otimismo sobre EUA-China e queda na produção global

Os preços do petróleo avançaram na sexta-feira, com os contratos futuros do WTI terminando maio com um ganho mensal recorde, diante das expectativas de que o acordo comercial entre Estados Unidos e China permaneça intacto e do recuo na produção global da commodity.

Os futuros do petróleo dos EUA (WTI) para julho fecharam cotados a 35,49 dólares por barril, salto de 1,78 dólar, ou 5,3%.

O petróleo Brent para julho avançou 0,04 dólar, a 35,33 dólares o barril. No entanto, o contrato mais ativo do Brent, para entrega em agosto, terminou o dia valendo 37,84 dólares/barril, alta de 1,81 dólar, ou cerca de 5%.

Ambos os valores de referência tiveram fortes altas mensais, impulsionados pela queda na produção global e por expectativas de crescimento de demanda, à medida que partes dos EUA —incluindo Nova York— e outros países se movimentam para reabrir a economia após os “lockdowns” relacionados ao coronavírus.

O WTI registrou um salto mensal recorde de 88% em maio, depois de chegar a operar em território negativo no mês passado. Já o Brent teve um ganho de cerca de 40% no período, maior alta mensal desde março de 1999.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que seu governo começará a eliminar os tratamentos especiais concedidos a Hong Kong, em resposta a planos da China para impor uma nova legislação de segurança nacional ao território, mas não mencionou se a fase 1 do acordo comercial sino-americano estaria em risco.

“Havia muito nervosismo antes dessa entrevista coletiva, mas não parece que o pior cenário possível esteja emergindo”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital em Nova York.

Agência Reuters

Petrobras e IBP lançam seleção pública para acelerar produção de ventiladores pulmonares no Brasil

Edital público é voltado para universidades, instituições tecnológicas e empresas capacitadas tecnicamente a desenvolver ventiladores

Diante da escalada da pandemia do novo coronavírus no Brasil, a Petrobras se uniu ao Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) para aumentar a disponibilidade de ventiladores pulmonares mecânicos no país. Com o objetivo de alavancar a produção desses equipamentos no curto prazo, as duas instituições lançaram na quinta-feira, 28/05, edital público para seleção de projetos dos ventiladores, essenciais ao tratamento de pacientes graves com Covid-19. A intenção é apoiar não só a pesquisa clínica, mas também os processos de registro e fabricação de ventiladores de baixo custo e baixa complexidade, destinados a hospitais públicos de todo país.

O público-alvo do edital são universidades, instituições de ciência & tecnologia e empresas capacitadas tecnicamente a desenvolver os equipamentos. Os interessados deverão inscrever seus projetos na chamada “primeira onda”, no período de 28/05 a 2/06, seguindo as instruções indicadas no edital (https://www.ibp.org.br/chamada-publica-ventiladores-pulmonares/) . “Vamos investir um total de R$ 1 milhão 400 mil nessa iniciativa. Com a chamada voltada para universidades, empresas e instituições de pesquisa de todo país, o objetivo é permitir a participação de um universo maior de desenvolvedores de respiradores”, disse o líder da iniciativa na Petrobras, Luiz Claudio Paschoal.

Para o IBP, esta parceria tem uma importância fundamental e se soma aos esforços da indústria no combate aos impactos da Covid-19. “O IBP aposta na ciência e na colaboração como ações-chave para o futuro, não apenas da indústria, mas em escala global. Participar desse projeto nos motiva a continuar trabalhando e gerando energia para superar essa crise”, afirma Cristina Pinho, secretária-geral do IBP.

Aceleração da produção

O primeiro conjunto de projetos será apoiado na etapa crítica de passagem dos chamados testes in vitro (testes de desempenho com uso de pulmão artificial) para os testes in vivo (com animais e seres humanos). O edital prevê ainda financiamento à produção seriada do primeiro lote de 200 ventiladores (incluindo compra de componentes e montagem). Para essa etapa, só poderão se candidatar projetos já registrados junto à Anvisa ou autorizados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para realização de pesquisa clínica expandida.

“Estamos considerando o custo de R$ 5 mil por ventilador, no modelo de baixa complexidade, contra a média de R$50 mil do equipamento tradicional. Nossa prioridade é ajudar na aceleração dessa produção, tão crítica para o enfrentamento da doença no Brasil”, complementou Luiz Paschoal, da Petrobras.

A iniciativa do edital público partiu da Equipe Científica de Resposta (ECR) da Petrobras, que reúne um time de especialistas da companhia para desenvolver soluções rápidas de base tecnológica no combate ao coronavírus. “O objetivo da ECR é acelerar soluções para ajudar a salvar vidas, seja com projetos internos, seja em parceria com universidades, empresas e instituições, como neste caso. Nesse sentido, o edital é importante para ajudar o Brasil a reduzir o déficit de um equipamento tão fundamental no tratamento da Covid-19, além de contribuir para salvar vidas” comentou Antonio Vicente de Castro, líder da estrutura científica de resposta.

Para a chamada pública, os técnicos da Petrobras estruturaram ainda todo o processo do edital, além de prestarem consultoria na gestão do projeto – com base na experiência adquirida na parceria junto à Coppe-UFRJ, no desenvolvimento de protótipos de ventiladores de baixo custo.

A Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) estão apoian.do a iniciativa e participarão da avaliação e seleção dos projetos – em conjunto com o IBP e a Petrobras.

 

Agência Petrobras

Preços do petróleo sobem após melhora na atividade de refinarias nos EUA

Os contratos futuros do petróleo avançaram cerca de 2% na quinta-feira, com a melhora contínua nas atividades de refinarias nos Estados Unidos compensando um inesperado aumento nos estoques de petróleo e diesel do país e os temores de que a nova legislação de segurança da China para Hong Kong possam levar a sanções comerciais.

O contrato do petróleo Brent para entrega em julho fechou em alta de 0,55 dólar, ou 1,6%, a 35,29 dólares por barril, em seu penúltimo dia como primeiro vencimento. Já o petróleo dos EUA (WTI) avançou 0,90 dólar, ou 2,7%, para 33,71 dólares o barril.

O movimento do valor de referência norte-americano fez com que o prêmio do Brent sobre o WTI atingisse o menor nível desde meados de abril.

Os estoques de petróleo dos EUA tiveram alta de 7,9 milhões de barris na semana passada, superando as expectativas, devido a um forte aumento nas importações provenientes da Arábia Saudita, disse a Administração de Informação sobre Energia (AIE).

O relatório da AIE, no entanto, também mostrou que as refinarias norte-americanas aceleraram produção e que —inesperadamente— as reservas de gasolina diminuíram, enquanto os estoques de petróleo no centro de distribuição de Cushing, em Oklahoma, tiveram queda de 3,4 milhões de barris.

O mercado inicialmente recuou devido ao forte aumento nos estoques da commodity, mas mudou de tendência e passou a subir quando percebeu a redução das reservas no ponto de entrega do WTI, em Cushing, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho em Nova York.

Agência Reuters

Chevron cortará até 15% dos trabalhadores em reestruturação

A petroleira Chevron vai reduzir de 10% a 15% de sua força de trabalho global como parte de uma reestruturação em andamento na empresa, a segunda maior produtora de petróleo dos Estados Unidos.

A companhia já havia anunciado anteriormente uma redução de 30% em seu orçamento para 2020 e programas de demissão voluntária em meio à forte queda nos preços do petróleo, afetados pela demanda reduzida por óleo e gás por causa da pandemia de coronavírus.

A Chevron, que possuía 48 mil funcionários ao final de dezembro, espera diminuir sua equipe global de 10% a 15% para “corresponder aos níveis de atividade projetados”, confirmou a porta-voz Veronica Flores-Paniagua.

O corte previsto de cerca de 5 mil a 7 mil empregos visa “atender às atuais condições do mercado”, com impactos variados sobre cada negócio e cada região, disse Flores-Paniagua. A maior parte dos cortes ocorrerá ainda neste ano.

“Essa é uma decisão difícil e nós não a tomamos com alegria”, afirmou ela.

A proposta da Chevron para redução da força de trabalho vai ao encontro das realizadas por empresas de serviços em petróleo e por companhias de menor porte na área em meio ao colapso nos preços da commodity.

“A maior parte das empresas está procurando cortar 10% da equipe, no mínimo”, disse Jennifer Rowland, analista de energia da Edward Jones.

Agência Reuters

1ª Chamada Pública do Programa Lab Procel tem 64 projetos inscritos

Parceria com a Firjan SENAI, seleção de projetos estimula a adoção de soluções inovadoras em eficiência energética em sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos

O edital da primeira Chamada Pública do Programa Lab Procel – iniciativa da Eletrobras, por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia e Elétrica (Procel), em parceria com a Firjan Senai -, recebeu 64 projetos elaborados por startups e micro e pequenas empresas de base tecnológicas. O Lab Procel vai disponibilizar mais de R$ 16 milhões para o desenvolvimento de soluções inovadoras em eficiência energética.

Este primeiro edital tem como objetivo a aceleração de projetos inovadores que proporcionem ganhos de eficiência energética nas seguintes temáticas, integradas ou não com sistemas de produção de energia: sistemas de abastecimento de água; esgotamento sanitário; e limpeza urbana e resíduos sólidos. Ao todo, a primeira Chamada Pública terá investimentos de cerca de R$ 6 milhões para a aceleração de, pelo menos, três propostas, de preferência uma em cada temática.

Integrante da equipe organizadora do Lab Procel, o engenheiro eletricista do Procel, Thales Terrola e Lopes, avaliou positivamente a quantidade de projetos inscritos, principalmente diante do cenário atual da pandemia da Covid-19, que provocou mudanças no planejamento inicial do programa. “O número de propostas inscritas surpreendeu toda a equipe organizadora do Programa Lab Procel. Foi um número bem significativo de inscrições, ainda mais pelo momento que nós estamos vivendo, diante dessa pandemia. As dificuldades do momento não impediram que as empresas se mobilizassem e submetessem suas propostas de projeto”, destaca Thales.

O segmento de abastecimento de água foi o que recebeu o maior número de propostas, 33 no total. Já 17 empresas apresentaram projetos para o segmento de limpeza urbana e resíduos sólidos. Por sua vez, o segmento de esgotamento sanitário recebeu 14 propostas. As propostas foram apresentadas por empresas de 13 estados brasileiros, sendo a maior parte sediada na região Sudeste.

Coordenador de Serviços Tecnológicos da Firjan SENAI e gestor do Programa Lab Procel, Damián Gomez ressaltou a expectativa da equipe com a nova etapa da seleção. “Temos uma expectativa muito grande sobre essas empresas. Esperamos um nível de maturidade bem elevado, de quatro para cima. Queremos empresas que já tenham um protótipo um pouco mais elaborado, tanto fisicamente, quanto em termos de um projeto mais maduro. Com todo o nosso conhecimento e toda a força técnica que o Senai possui em aceleração, com certeza vamos entregar um projeto com um grau de maturidade muito mais elevado e poder inserir esse produto no mercado do saneamento”, diz.

Seleção será dividida em duas fases

Agora a Chamada Pública Lab Procel entra em uma nova etapa. Até sexta-feira (29), as propostas serão avaliadas por técnicos do Procel e da Firjan SENAI, que verificarão se as propostas cumprem todos os requisitos exigidos e a formação de um ranking classificatório. “A avaliação tem duas fases. Uma primeira, completamente documental, verificará se a empresa cumpre com todos os requisitos necessários para participar do edital. Já a segunda, será uma avaliação técnica das propostas selecionadas. Haverá uma banca que avaliará tecnicamente os projetos”, explica Damián.

A primeira fase também avaliará um vídeo (pitch), apresentando de forma breve o estágio de desenvolvimento da solução e a sua aderência aos objetivos do edital. A partir da documentação entregue e da solução apresentada no pitch, será formado um ranking classificatório, sendo que pelo menos os 10 primeiros colocados estarão classificados para a segunda etapa, a seleção presencial.

Na segunda etapa, as empresas selecionadas terão que entregar um Plano de Projeto para a análise da banca. Inicialmente prevista para ser realizada de forma presencial, nas instalações da Firjan SENAI, no Rio de Janeiro, essa etapa poderá ocorrer à distância. Devido às orientações de distanciamento social por conta da pandemia do coronavírus, essa etapa da seleção poderá ser feita por meio de videoconferência. Os detalhes dessa fase serão divulgados posteriormente pela equipe do Lab Procel.

Integrante da equipe organizadora do Lab Procel, a especialista em Inovação e Aceleração de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Kézia Rodrigues da Silva, revela que a etapa presencial será crucial para a definição dos projetos que receberão os investimentos do Lab Procel. “Teremos empresas do setor de saneamento, referências no mercado, que avaliarão concretamente se aplicariam as soluções apresentadas pelas empresas. Ou seja, elas validarão a viabilidade de cada proposta. Teremos esse mix de olhares, não só para o que queremos dentro do programa, mas teremos essa validação do que o mercado está demandando neste momento”, explica.

A divulgação do resultado final está prevista para o dia 26 de junho. A partir do dia 29 de junho até o dia 24 de julho, as empresas selecionadas revisarão e formalizarão o Plano de Aceleração e assinarão o contrato de aceleração com a Firjan SENAI.

Uso de GLP para gerar energia e em outras aplicações

A pandemia provocada pelo coronavírus trouxe ao hospital universitário a necessidade de ampliar suas instalações voltadas para a assepsia dos funcionários e a UFMS pediu uma autorização formal à ANP, já que a universidade pesquisa o GLP. Com isso, a equipe técnica da Copagaz se uniu aos pesquisadores do Laboratório de Análises Químicas da UFMS para juntos desenvolverem um projeto que usa o gás de cozinha como fonte de energia secundária para quatro contêineres equipados com duchas de água quente e áreas secas (vestiários), backup para determinados equipamentos médicos e também abastecer uma máquina de alta pressão para limpeza da área externa das instalações de estrutura de suporte.

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – Humap – UFMS, por onde circulam cerca de 500 alunos e 200 residentes por dia, possui 1.600 funcionários, dos quais 1.200 diretamente envolvidos no atendimento (médicos, enfermeiros e farmacêuticos, dentre outros). Inicialmente, 400 deles atenderão diretamente os pacientes de covid-19 que forem encaminhados àquela unidade, todos com complicações devido a comorbidades, conforme definido pelo plano estadual de atendimento do governo do MS.

No Humap – UFMS, a Copagaz instalou um reservatório com 2 toneladas de GLP, suficiente para suprir a demanda por pelo menos 30 dias e montou toda a estrutura com os contêineres em parceria com o Grupo Cavagna – empresa Italiana responsável pela fabricação e comercialização de produtos focados na geração de energia limpa. Ela está preparando os geradores e toda a estrutura que irá usar o GLP no Humap – UFMS. O gás de cozinha também será o combustível para uma lavadora de alta pressão que será usada com a finalidade de higienizar as áreas externas, na qual circularão os funcionários destacados para trabalhar com os pacientes de covid-19 e que, portanto, precisam de um cuidado maior.

Durante todo o período, a eficiência energética do GLP será medida pela equipe do Laboratório de Análises Químicas da UFMS, como objeto de estudo para o uso em novas aplicações para a indústria.

Caso você tenha interesse, o Antônio Carlos Turqueto, presidente da Copagaz, está à disposição para uma entrevista.

Lembrando que essa é a primeira vez no país que a ANP autoriza, em caráter excepcional, o GLP para outros usos. A resolução 49 da Agência – parágrafo 34 – restringe a utilização desse gás para diversas atividades industriais, como forma de garantir o abastecimento doméstico, desde os anos de 1990.

Petrobras inicia procedimentos para dar acesso a outras empresas a suas plantas de processamento de gás natural

A Petrobras iniciou procedimentos para dar acesso aos demais produtores de gás natural no Brasil às suas unidades de processamento do insumo. De acordo com o modelo em implantação, a companhia passará a atuar como processadora de gás natural fornecido por outros agentes. Com a medida, a Petrobras reafirma seu comprometimento em contribuir para o desenvolvimento de um mercado de gás aberto, competitivo e sustentável no país.

A Petrobras está informando os potenciais interessados sobre suas unidades de processamento de gás, o modelo de negócio a ser adotado e os procedimentos de oferta e contratação. A capacidade de processamento de gás natural será ofertada em duas etapas: oferta de capacidade aos agentes que possuem direitos sobre a produção de gás natural provenientes de campos em produção, de forma a garantir a continuidade da produção de óleo e gás do país (1ª etapa, já em curso); e oferta da capacidade de processamento disponível (após negociações da 1ª etapa) aos demais agentes interessados (2ª etapa, que será realizada anualmente).

Atualmente, a Petrobras compra os volumes de gás natural dos demais produtores, onshore e offshore, no Brasil, processa nas suas unidades, contrata o transporte por meio de dutos e revende o gás às distribuidoras estaduais de gás natural. Quando o novo modelo for implementado, os produtores de gás natural não precisarão, necessariamente, vender o gás para a Petrobras. Os produtores poderão contratar parte da capacidade de processamento da Petrobras e continuarão sendo proprietários do gás produzido e de todos os seus derivados, possibilitando que negociem diretamente seus produtos com o mercado.

Plantas de processamento de gás
As unidades de processamento de gás natural são plantas industriais em que há a separação das frações de hidrocarbonetos existentes no gás, dando origem a diversos produtos, entre eles o gás natural, dentro das especificações próprias para consumo.

Agência Petrobras

Esclarecimento sobre operação de campos terrestres

Em relação às informações veiculadas na imprensa de que a Petrobras estaria retomando atividades de campos terrestres que teriam sido hibernados, a companhia esclarece que não houve qualquer decisão de hibernar campos em terra. Desta maneira, é falsa a informação de que a diretoria da Petrobras “voltou atrás e suspendeu” a hibernação de tais campos. Não há como voltar atrás numa decisão que não foi tomada originalmente.

A decisão de hibernação, anunciada ao mercado em 26/3, abrange somente 62 plataformas de campos em águas rasas, nas bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Ceará. Essas plataformas não apresentam condições econômicas para operar com preços baixos de petróleo. É importante destacar também que 80% dessas plataformas não são habitadas e que nenhum trabalhador da Petrobras foi demitido em razão da hibernação. Todos os empregados foram realocados em outras áreas da companhia.

A Petrobras opera, atualmente, 168 campos terrestres, cuja produção de óleo somou 114 mil barris por dia no primeiro trimestre de 2020. Desse total, 14 campos tiveram a produção interrompida temporariamente em função dos baixos preços de petróleo e para garantir a segurança dos trabalhadores diante da pandemia de Covid-19. Porém, não se trata de hibernação. A produção paralisada corresponde a cerca de 200 barris por dia na produção de óleo da Petrobras, ou seja, 0,01% da produção total da companhia.

Há uma diferença entre hibernação de um ativo e interrupção temporária de produção. A hibernação não prevê retorno da produção no curto prazo e, para isso, requer uma série de procedimentos de condicionamento dos equipamentos para que a unidade fique parada com segurança por um longo período de tempo. Já os procedimentos para interrupção temporária deixam a unidade preparada para um retomo mais imediato da produção, se houver viabilidade para tal. Em ambos os casos ocorre interrupção de produção e são mantidas as atividades de manutenção e conservação, de forma a manter a segurança e a integridade das instalações.

A Petrobras segue avaliando permanentemente os resultados econômicos de seus ativos, que têm que se demonstrar rentáveis diante novo cenário de preços baixos de petróleo. São esses resultados econômicos que determinam a decisão de interromper a produção dos campos, podendo, portanto, haver interrupções adicionais, caso se mostrem necessárias. As medidas de proteção do caixa da companhia adotadas até o momento buscam preservar a sustentabilidade da empresa nesta que é a pior crise da indústria do petróleo em cem anos. As ações da Petrobras estão em linha com o que toda a indústria global de petróleo está fazendo para superar os impactos dessa crise.

Agência Petrobras