Preços do petróleo seguem para novo ganho semanal com perspectivas de demanda

Os preços do petróleo subiam na sexta-feira e caminhavam para uma segunda semana consecutiva de ganhos, à medida que mais países avançam com planos para relaxar os bloqueios econômicos e sociais criados para interromper a pandemia de coronavírus e conforme petroleiras paralisam produção.

O petróleo Brent subia 0,85%, a 29,71 dólares por barril, às 08:19, após recuar quase 1% na quinta-feira.

O petróleo nos EUA (WTI) avançava 0,42%, para 23,65 dólares por barril, após um declínio de quase 2% na sessão anterior.

Ambos os contratos estão caminhando para uma segunda semana de ganhos após as mínimas registradas em abril, quando o petróleo nos EUA caiu abaixo de zero.

No entanto, o petróleo ainda está sendo bombeado para armazenamento, aumentando a perspectiva de que quaisquer ganhos provocados por uma demanda mais forte sejam limitados.

“O mercado continua com excesso de oferta, mas os cortes da Opep+ e os cortes voluntários estão ajudando e o início modesto da recuperação da demanda pode ser iminente à medida que os bloqueios começarem a diminuir”, disse Jason Gammel, analista da Jefferies.

Agência Reuters

Contagem de sondas de óleo e gás em atividade nos EUA atinge mínima histórica, diz Baker Hughes

O número de sondas de petróleo e gás natural em atividade nos Estados Unidos recuou para uma mínima histórica, de acordo com dados que percorrem 80 anos, à medida que a indústria de energia do país corta produção e custos para lidar com o colapso na demanda por combustíveis em função do coronavírus.

A contagem de sondas, indicador prévio de produção futura, teve queda de 34 na semana até 8 de maio, atingindo a mínima recorde de 374 unidades, segundo dados da empresa de serviços em energia Baker Hughes, cuja compilação teve início em 1940.

A mínima anterior era de maio de 2016, com 404 sondas.

A demanda global por combustíveis caiu em 30%, e as empresas estão promovendo cortes drásticos de custos, com a dispensa de milhares de trabalhadores e a redução de produção para compensar um excesso de oferta mundial. O consumo teve uma leve retomada nas últimas duas semanas, mas a abundância de oferta deve permanecer em cena por mais alguns meses, ou até mesmo anos.

Produtores nos EUA cortaram em média 52 sondas por semana desde meados de março, depois que os preços do petróleo começaram a cair em meio à pandemia de coronavírus e a uma breve guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia.

Nesta semana, foram retiradas de atividade 33 sondas de petróleo, cujo total passou a somar 292, menor nível desde 2009. Também foi cortada uma sonda de gás, com o total atingindo 80, mais baixo nível desde o início da contagem pela Baker Hughes, em 1987.

“A enorme depreciação relacionada ao coronavírus teve início entre meados e o final do primeiro trimestre, impactando bastante as principais áreas de ‘shale’ (petróleo não convencional) dos EUA”, disseram analistas da Enverus Rig Analytics, notando que a contagem de sondas apresentou queda de 38% em abril e de 62% em relação a igual período do ano passado.

Agência Reuters

Equinor suspende projeção de produção para 2020 em meio a cortes globais de oferta

A Equinor suspendeu suas projeções de produção de petróleo e gás de 2020 em meio a restrições de oferta impostas pelo governo e devido à sobreoferta, acrescentando que ainda pode tomar medidas adicionais para reduzir atividades neste ano.

Com operações do Mar do Norte à África, passando pelas Américas e pela Ásia, a petroleira norueguesa esperava um crescimento de 7% da produção neste ano antes que a Noruega o Brasil e outros países fossem chamados a contribuir com a Opep e seus aliados em cortes de oferta que visam aliviar impactos da pandemia de coronavírus sobre o mercado.

A empresa irá priorizar “valor acima de volume” e poderá considerar mais reduções, mesmo após cortes já anunciados nas atividades, particularmente no setor “onshore” dos Estados Unidos, disse o presidente-executivo da Equinor, Eldar Saetre, em coletiva de imprensa.

Mais tarde, ele disse à Reuters que mais cortes são necessários para normalizar o mercado, o que vai contra previsões de alguns analistas de que os preços do petróleo poderiam começar a se recuperar rumo aos 50 dólares por barril ou mais.

“Ainda há uma grande sobreoferta e pode levar até 2022 para que vejamos um mercado mais normal”, disse Saetre.

Mas a Equinor manteve uma projeção de longo prazo que aponta para crescimento médio de 3% por ano na produção entre 2019 e 2026, após ter registrado uma produção recorde de 2,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia no trimestre.

A Equinor registrou prejuízo líquido de cerca de 710 milhões de dólares no primeiro trimestre, após baixa contábil de 2,45 bilhões de dólares devido a uma redução na perspectiva para os preços do petróleo no curto prazo.

Os lucros ajustados antes de juros e impostos (EBIT) recuaram para 2,05 bilhões de dólares no período, contra 4,19 bilhões no mesmo período de 2019. Uma pesquisa da Reuters com 29 analistas havia projetado EBIT de 2 bilhões.

Agência Reuters

Petrobras busca tanques de terceiros para estocar gasolina

A estratégia indica gargalos na capacidade nacional de armazenamento de derivados de petróleo em meio à pandemia do coronavírus

A Petrobras tem consultado distribuidoras em busca de tanques para guardar provisoriamente sua produção de gasolina, em um momento em que decidiu ampliar a produção de suas refinarias, tanto para garantir o abastecimento de gás de cozinha quanto para produzir combustível de navegação.

A estratégia indica gargalos na capacidade nacional de armazenamento de derivados de petróleo em meio à pandemia do coronavírus, que derrubou as vendas de combustíveis automotivos no país. Segundo autoridades, porém, ainda não há problemas para estocar petróleo.

As vendas de gás de cozinha cresceram 12% em março após o início das medidas de isolamento para conter a contaminação pelo novo coronavírus. A expectativa do setor é que o número de abril venha ainda maior, já que considera o mês inteiro de isolamento.

O cenário levou a Petrobras a intensificar as importações do combustível, mas há gargalos também na estrutura para trazer o produto. Gasolina e gás de cozinha são produzidos nas mesmas unidades de refino, o que significa que o aumento a produção de um deles amplia também a do outro.

A redução do nível de utilização das refinarias havia sido anunciada no início da pandemia, mas foi revertida na semana passada. Além da demanda por gás de cozinha, a Petrobras vem sendo beneficiada pela maior procura, no mercado internacional, por combustível de navegação menos poluente, que o óleo do pré-sal é capaz de produzir.

Segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as exportações de óleos combustíveis do país vêm se sustentando em elevados patamares apesar da crise.
Na média diária de abril, até a semana passada, foram 71,2 mil toneladas, 47,6% a mais do que no mesmo mês de 2019.

O aumento das vendas ocorre desde o fim de 2019, atingiu recorde em fevereiro e se mantém durante a pandemia em resposta a novas restrições a emissões de poluentes no transporte marítimo que começaram a vigorar em janeiro.

Com baixo teor de enxofre, o petróleo do pré-sal produz combustível para navios mais limpo e é valorizado por isso: em 2019, a Petrobras chegou a vender o barril com prêmio de US$ 4 sobre a cotação do Brent, referência internacional negociada em Londres.

A exportação de petróleo também vem em alta: em abril, a Petrobras atingiu recorde histórico, com a marca de 1 milhão de barris por dia. No início da pandemia, a estatal havia estabelecido um teto para a produção de petróleo em 2,07 milhões de barris, mas também reviu a decisão.

“Com a evolução da demanda por nossos produtos se mostrando melhor do que o esperado, optamos pelo retorno gradual para um patamar de produção média de 2,26 milhões de barris por dia, acompanhado de aumento do fator de utilização da capacidade de refino”, disse a empresa.

Suas refinarias, que chegaram a operar quase à metade da capacidade na primeira quinzena de abril, estão retomando as operações para produzir mais combustível. No dia 26, segundo o Ministério de Minas e Energia, estavam em pouco mais de 60%.

A mudança de rumos deslanchou um esforço para evitar estrangulamento da capacidade de armazenamento de outros derivados. Uma das estratégias é a busca por tanques de outras empresas para colocar produtos que saem das refinarias com o combustível marítimo.

Em outra frente, a empresa acelerou a realização de leilões de gasolina e diesel com descontos para atrair distribuidoras que ainda tenham tanques disponíveis e queiram aproveitar para guardar produto mais barato. Apenas na semana retrasada, foram realizadas duas ofertas.

Não há dados públicos sobre o uso da capacidade de armazenagem de combustíveis no país, mas o setor vê gargalos diante da queda da demanda, percepção reforçada pela estratégia que a estatal vem colocando em prática.

Para especialistas, a situação pode piorar caso o governo aprove a elevação de tributos sobre a gasolina para melhorar a competitividade do etanol. Por algumas ocasiões neste mês, a Petrobras já alertou para os impactos da medida, que é defendida pelos usineiros, sobre suas operações.

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), refinarias, terminais e distribuidoras no país podem guardar até 137 milhões de barris de combustível, o equivalente a 77 dias de produção de derivados em 2019.

Em nota à reportagem, a Petrobras confirma que consultou clientes sobre a disponibilidade de tanques para estocar temporariamente seus produtos. Já a infraestrutura para armazenar petróleo tem “folga razoável”, diz a companhia.

A falta de espaço para guardar o óleo nos EUA levou a cotação do petróleo tipo WTI (West Texas Intermediate), referência no mercado americano, a operar, em 20 de abril, em terreno negativo pela primeira vez na história.

A crise colocou no noticiário internacional a pequena Cushing, cidade de 7.800 habitantes em Oklahoma, um dos principais centros de armazenagem de petróleo nos EUA.

Na sexta-feira anterior ao colapso do WTI, 76% da capacidade de armazenagem em Cushing estava ocupada. Na sexta seguinte, já eram 81%. Com medo de não ter onde guardar petróleo, investidores preferiram pagar para não receber os barris.

O problema é mais acentuado nos EUA, mas há gargalos em outros países. O setor vem recorrendo a navios como alternativa de tancagem, o que fez as ações de empresas de transporte marítimo de petróleo dispararem.

No Brasil, boa parte da produção é guardada nos tanques das próprias plataformas –devido à dificuldade para construir dutos ligando os poços em alto-mar ao litoral, a Petrobras é a petroleira que mais usa os chamados navios-plataforma.

Segundo a ANP, os navios-plataforma em operação em águas brasileiras podem guardar 87 milhões de barris de petróleo. Em terminais e tanques de refinaria, há espaço para outros 76 milhões de barris. Essa infraestrutura garantiria 57 dias da produção média de 2019.

“Mesmo com a redução da demanda por derivados de petróleo, a capacidade de armazenamento de petróleo continua bastante robusta no país.” “Armazenagem não é um problema para o Brasil. A Petrobras pode cortar produção se não tiver mais como armazenar. E, por mais que você armazene e venda depois, o alto nível do estoque leva o preço a cair, o que não é vantajoso para a Petrobras”, afirma Luiz Carvalho, analista do banco suíço UBS.

Além disso, por ser altamente inflamável, o custo de armazenamento e transporte do petróleo é alto. “O petróleo pode conter gases que, em contato com o oxigênio, podem explodir. É necessário um sistema de ventilação adequado ou tanques sem oxigênio. Se tivesse espaço e o custo de estocagem não fosse tão alto, valeria a pena comprar”, afirma Ricardo Cabral de Azevedo, professor do curso de engenharia do petróleo da USP.

Postos mandam carta a Bolsonaro contra aumento em tributo
Entidades que representam donos de postos de gasolina enviaram carta ao presidente Jair Bolsonaro se posicionando contra a proposta de aumento de impostos sobre a gasolina, que vem sendo negociada pelos produtores de etanol. Na sexta (1º), o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que integra a Frente Parlamentar da Agropecuária, afirmou que o governo já tomou a decisão de elevar em R$ 0,20 por litro a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que hoje é de R$ 0,10, e instituir imposto de importação sobre a gasolina.

O Ministério da Economia afirmara que nenhuma decisão havia sido tomada. “Esse aumento viria em um momento completamente inoportuno para a revenda de combustíveis, que também está em crise, com queda vertiginosa nas vendas”, dizem os donos de postos na carta, que é assinada pela Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes) e por 34 sindicatos.

Os donos de postos sugerem que, em vez de ampliar o imposto sobre a gasolina, o governo zere a alíquota de PIS/Cofins sobre o etanol, que também é um dos pleitos dos usineiros. Os produtores de etanol pedem ainda crédito para financiar os estoques que estão empacados por falta de demanda.

Folha Press

Fitch Ratings altera perspectiva de risco da Petrobras

A Petrobras informa que a agência de classificação de risco Fitch Ratings alterou, na quinta-feira (7/5), a perspectiva da nota de crédito global da companhia de estável para negativa, e manteve o nível de risco (rating) da dívida corporativa em “BB-“.

Essa semana, a agência revisou a perspectiva do risco soberano devido à incerteza sobre a duração e intensidade da pandemia do Covid-19 no Brasil. Segundo a Fitch, esses fatores podem prejudicar a capacidade de implementação do ajuste fiscal e de reformas econômicas no país.

Como resultado, a Fitch alterou hoje de estável para negativa a perspectiva dos ratings de todas as entidades cujos níveis de riscos são diretamente vinculados ao rating soberano.

Agência Petrobras

BNDES destinará R$4 bi para financiar pequenas empresas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará 4 bilhões de reais a gestoras de recursos focadas no financiamento de pequenas empresas, de acordo com um documento divulgado.

A medida busca ajudar um número crescente de pequenas empresas – que estão entre as mais atingidas pela desaceleração em razão da pandemia de coronavírus – a enfrentar a crise.

O BNDES informou que investirá em até 10 fundos de crédito privado, a serem selecionados nas próximas semanas. Comumente financiados por investidores institucionais, esses fundos buscam fornecer uma alternativa aos empréstimos bancários para empresas pequenas demais para se financiar por meio de emissão de dívida ou oferta de ações.

O banco disse que também pode considerar investir em fundos semelhantes criados por empresas maiores, com o objetivo de fornecer liquidez a seus clientes.

Em abril, o governo brasileiro lançou um programa de 40 bilhões de reais, destinado a ajudar pequenas e médias empresas a pagarem seus funcionários durante a quarentena. Embora as medidas para ficar em casa tenham derrubado a demanda em estabelecimentos como restaurantes, bares e em muitos varejistas, apenas um quarto dos recursos foi usado até agora.

Os fundos para a linha de crédito consignado são fornecidos pelo Tesouro Nacional, responsável por 80%, e pelos três principais bancos do setor privado do país: Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil.

Agência Reuters

Estatal testa 6,3 mil para Covid; ANP aponta 482 casos em plataformas

A Petrobras realizou até o momento cerca de 6,3 mil testes para Covid-19 entre seus empregados, prestadores de serviços e contactantes de casos suspeitos, informou a petroleira na quarta-feira, enquanto os registros de casos positivos em plataformas de petróleo no Brasil avança para quase 500 trabalhadores.

Em comunicado, a companhia não detalhou quantos dos testes realizados apresentaram resultado positivo e onde ficavam lotados os profissionais testados.

Questionada, a petroleira informou que, até o último sábado, 330 dos seus 46.416 empregados tiveram teste positivo para Covid-19.

Dados mais atualizados da agência reguladora ANP apontam registros de 482 casos positivos de Covid-19 entre profissionais que acessaram instalações marítimas de perfuração e produção de petróleo e gás natural no Brasil até terça-feira. A autarquia não detalha os casos por empresas.

Não foram registradas mortes associadas ao Covid-19 entre esses profissionais.

A Reuters publicou no final de abril que havia sete plataformas da Petrobras na Bacia de Campos com casos do novo coronavírus entre os trabalhadores, segundo levantamento da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Nesta quarta-feira, a empresa explicou que do total de cerca de 6,3 mil testes realizados até o momento, cerca de 4 mil foram testes do tipo rápido, que detectam anticorpos e vêm sendo usados, por exemplo, para triagem dos profissionais antes de início de atividades em áreas operacionais, principalmente em plataformas.

Outros 2,3 mil são testes do tipo RT-PCR, que identificam genomas do vírus. Esse tipo de exame vem sendo usado em colaboradores sintomáticos em atuação presencial ou em teletrabalho, contactantes (no trabalho ou domiciliares) e em outras situações específicas para confirmar ou descartar diagnósticos, disse a empresa.

A petroleira estatal passou a realizar testes rápidos para a triagem de colaboradores no momento do embarque para as plataformas em 20 de abril, conforme informou anteriormente em comunicado.

Os testes tiveram início no aeroporto de Jacarepaguá (RJ) e depois foram expandidos para os aeroportos de Vitória (ES), Macaé (RJ), Farol de São Tomé (RJ) e Cabo Frio (RJ), dentre outros locais.

Já testes do tipo RT-PCR, que detecta os genomas do vírus e são os mais confiáveis para diagnóstico de pessoas com sintomas, começaram a ser aplicados pela Petrobras anteriormente, em 30 março.

A empresa ressaltou ter adquirido mais de 20 mil kits de testes, além contar com serviços de 12 laboratórios em 15 Estados do país.

“A companhia está adquirindo uma quantidade maior de kits de testes rápidos e, de acordo com a capacidade de atendimento do mercado, ampliará a medida para outras unidades operacionais, sempre considerando critérios técnicos e a avaliação do quadro de saúde da região”, afirmou a empresa.

Agência Reuters

Aramco está perto de assinar empréstimo de US$10 bi com 10 bancos, dizem fontes

A Saudi Aramco está prestes a concluir um empréstimo de 10 bilhões de dólares com um grupo de cerca de dez bancos, disseram três fontes familiarizadas com o assunto, à medida que a gigante do petróleo busca levantar dinheiro em meio aos baixos preços da commodity.

O empréstimo visa sustentar a aquisição pela Aramco de uma fatia de 70% na Saudi Basic Industries (Sabic, na sigla em inglês) que atualmente pertence ao Fundo de Investimentos Públicos da Arábia Saudita, em um negócio que gira em torno dos 70 bilhões de dólares, segundo fontes.

Uma outra fonte disse que embora seja muito provável que o empréstimo sirva de apoio à aquisição da Sabic, a Aramco também poderia utilizar o montante para outros propósitos, incluindo o pagamento de dividendos.

Um grupo de cerca de dez bancos concordou em fornecer o financiamento, com o HSBC e o japonês Sumitomo Mitsui (SMBC) entrando com os maiores valores, de 1,5 bilhão de dólares cada, afirmaram as três fontes.

O empréstimo já foi acertado, mas ainda não concluído, de acordo com as fontes. Aramco, HSBC e SMBC não responderam de imediato a pedidos por comentários.

Agência Reuters

Bolsonaro inclui no PPI projeto piloto de exploração de petróleo e gás “shale”

O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que qualifica um projeto piloto para avaliações no Brasil sobre a exploração de petróleo e gás não convencionais (“shale”) para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.

A inclusão da iniciativa no PPI tem como objetivo “apoio ao licenciamento ambiental e de outras medidas necessárias à viabilização” do empreendimento, segundo publicação no Diário Oficial da União de quarta-feira.

O projeto tem sido chamado pelo governo de “poço transparente” e tem como objetivo a produção de conhecimento sobre a viabilidade de utilização de recursos em terra (onshore) de reservatórios de baixa permeabilidade (não convencionais).

A iniciativa faz parte de um plano do Ministério de Minas e Energia para revitalização da exploração de petróleo e gás em áreas terrestres, conhecido pela sigla REATE.

Em dezembro, a pasta defendeu que o “poço transparente” visa “buscar um arcabouço técnico, jurídico e legal” para permitir a exploração de petróleo e gás não convencionais “de forma ambientalmente segura” no país.

Empreendimentos qualificados ao PPI são tratados como prioridade nacional, o que segundo o governo agiliza processos e atos de órgãos públicos para sua viabilização.

LEILÕES
O presidente Bolsonaro também qualificou como de âmbito do PPI a 17ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás sob regime de concessão e os leilões de energia A-5 e A-4 para contratação de projetos de geração de energia existentes.

Os certames, no entanto, estão suspensos por enquanto, após determinação do Ministério de Minas e Energia em meio às incertezas geradas pela pandemia de coronavírus.

Agência Reuters

Karoon e PetroRio mantêm interesse em ativos da Petrobras, Mesmo na crise

Ao menos duas petroleiras pretendem concluir a aquisição de ativos da Petrobras, mesmo diante da crise provocada pela pandemia de covid-19 e pelo choque de preços do petróleo, no mercado internacional, nos últimos dois meses. A australiana Karoon e a brasileira PetroRio já anunciaram publicamente que mantêm o interesse em avançar para o fechamento dos negócios, precificados antes da crise, num momento em que os ativos estavam mais valorizados.

Ao todo, a estatal tem nove transações já assinadas, mas ainda pendentes de conclusão, que totalizam US$ 2,75 bilhões, dos quais a companhia já recebeu US$ 159,5 milhões. Dessas, oito operações envolvem ativos de exploração e produção (E&P), sensíveis aos preços do petróleo.

A conclusão da venda do campo de Baúna (Bacia de Santos), para a Karoon, e de 30% de Frade (Bacia de Campos), para a PetroRio, significa, para a Petrobras, a entrada de US$ 707,5 milhões no seu caixa.

Na semana passada, a Karoon anunciou uma série de medidas para cortes de custos, mas destacou que, apesar do impacto de curto prazo da covid-19 nos mercados mundiais, a empresa “continua empenhada em trabalhar para concluir a aquisição de Baúna”. A australiana alega que o ativo é de “alta qualidade”, com potencial para agregar valor aos acionistas da empresa.

A Karoon, porém, esclareceu que a crise trouxe “incertezas significativas” para o financiamento da aquisição. A empresa informou que a conclusão do negócio depende da autorização dos órgãos competentes – Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Ibama — e que ainda negocia os termos finais do financiamento com os bancos, sobre os preços do petróleo que determinarão o valor final do empréstimo. A australiana assinou contrato com a Petrobras para compra de Baúna por US$ 665 milhões, dos quais já pagou US$ 50 milhões.

A PetroRio se comprometeu a pagar US$ 100 milhões pelos 30% que a Petrobras detém em Frade. O presidente do conselho de administração da PetroRio, Nelson Queiroz Tanure, disse ao Valor, há duas semanas, que a companhia tem recorrido à postergação de investimentos e cortes de custos para preservar o caixa, mas que está empenhada em fechar, mesmo num cenário de baixa dos preços do petróleo, a aquisição.

“Mesmo com a queda dos preços, Frade continua sendo um campo atrativo. Nosso contrato não tem uma cláusula de força maior por causa da queda do preço do petróleo. Não passou pela nossa cabeça desistir do negócio”, afirmou Tanure, em entrevista ao Valor.

Na semana anterior, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, já havia dito que o programa de desinvestimentos da Petrobras poderá sofrer alguns atrasos, mas que se mantém “intacto”, mesmo diante da crise econômica. O executivo afirmou, num evento on-line, que tem a confiança de que os negócios em reta final serão honrados pelos compradores. “Temos confiança, pelo que nos é dado pelos compradores, de que a liquidação financeira ocorrerá no momento que for marcado”, comentou.

Ele explicou, na ocasião, que algumas transações ainda têm que obedecer a “condições precedentes”. E citou o exemplo da venda da Liquigás, para a Copagaz e Nacional Gás, que ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Os compradores estão firmes, esperando”, disse.

Desde o colapso dos preços do petróleo, no início de março, a Petrobras postergou alguns prazos, como no caso da venda das refinarias e da Gaspetro. Por outro lado, colocou novos ativos à venda: abriu oficialmente o processo de venda dos 10% remanescentes da empresa na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e de suas usinas eólicas.

Na segunda-feira, 04/05, a empresa abriu a venda de sua fatia de 35% no campo de gás natural de Manati, na Bahia.

A estatal ganhou também mais prazo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para concluir seus desinvestimentos em campos terrestres e em águas rasas. A companhia tenta vender os ativos há alguns anos, mas, com o choque de preços do petróleo, a missão se tornou ainda mais difícil.

A ANP vem pressionando a estatal, nos últimos anos, a se desfazer dos ativos onde não tem mais interesse em investir e havia dado um prazo até meados do ano para que a petroleira concluísse seus desinvestimentos, sob o risco de retomar as concessões para relicitação. A agência informou, no entanto, que atendeu à solicitação da Petrobras, devido à crise econômica decorrente da pandemia da covid-19, e decidiu postergar o prazo até o fim de 2020.

A decisão vale para a venda dos polos Fazenda Belém, Sergipe Terra 2, Sergipe Terra 3, Miranga, Cricaré, Remanso, Rio Ventura, Recôncavo, Ceará Mar, Sergipe Terra 1, Rio Grande do Norte Mar, Merluza, Carapanaúba/Cupiúba, Garoupa e Peroá/Cangoá.

Agência Reuters