Estatal afirma que liminar impede redução de jornada e remuneração de empregados

A Petrobras teve conhecimento de que a Justiça do Trabalho no Rio de Janeiro concedeu liminar que impede a aplicação de medidas de redução de despesas com pessoal, determinando que a companhia se abstenha de implementar cortes de jornada e de remuneração, disse a petroleira em comunicado.

“A Petrobras não foi intimada da decisão até o momento e aguardará tal intimação para avaliar o seu inteiro teor, bem como os recursos cabíveis”, disse a empresa.

As medidas da companhia alvo da liminar fazem parte de um amplo corte de custos anunciado no início do mês.

A empresa anunciou em 1° de abril a postergação do pagamento de entre 10% e 30% da remuneração mensal de empregados com função gratificada (gerentes, coordenadores, consultores e supervisores), além de redução temporária da jornada para cerca de 21 mil empregados, de 8 horas para 6 horas.

No comunicado na última semana, a Petrobras afirmou que “as ações adotadas para reforçar a resiliência da companhia foram tomadas em razão do estado de calamidade e força maior declarados no país”

“A Petrobras reforça que adotou medidas emergenciais e temporárias que têm como prioridade preservar os empregos e a sustentabilidade financeira da empresa, tendo em vista os impactos da pandemia do Covid-19 (coronavírus) e do choque de preços do petróleo, estando em linha com as medidas adotadas por toda a indústria global de energia”, afirmou.

Agência Reuters

Petroleira vê breve retomada de plataformas após coronavírus; manutenções postergadas

A Petrobras previu na sexta-feira um breve retorno da produção em duas plataformas de petróleo que foram paralisadas devido a casos de coronavírus, e anunciou também alteração no cronograma deste ano de paradas programadas para manutenção das unidades da empresa, devido às medidas preventivas à doença, afirmaram diretores da companhia a jornalistas.

A estatal registrou até o momento 160 casos de coronavírus entre os empregados, sendo que metade dos confirmados são funcionários terceirizados.

As plataformas paralisadas em função dos casos de coronavírus são a FPSO Cidade de Santos, da afretadora Modec, na Bacia de Santos, e a FPSO Capixaba, da afretadora SBM Offshore, na Bacia de Campos.

Segundo o diretor-executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto Oliveira, a Cidade de Santos deve voltar à operação no fim de semana e a Capixaba em cerca de dez dias.

A empresa está cumprindo todos os protocolos de segurança relacionados à doença, frisou o diretor-executivo de Relacionamento Institucional da petroleira, Roberto Ardenghy, durante uma videoconferência com jornalistas.

“Estamos estudando, inclusive, o teste em todos os empregados que vão para as plataformas para que a gente possa tornar mais rígido esse controle”, afirmou Ardenghy.

Os testes de coronavírus antes do embarque da tripulação já foram estabelecidos nas frotas de ambas as afretadoras, Modec e SBM, após os casos nas embarcações, conforme informaram anteriormente.

Foi a primeira vez que a Petrobras informou o número de funcionários que contraíram o novo coronavírus em suas instalações. Até então, a petroleira vinha respondendo que não iria comunicar, como forma de preservar a privacidade dos funcionários.

Já a agência reguladora ANP informou dez novos casos de Covid-19 em empresas de exploração e produção até a noite de quinta-feira, totalizando 172 funcionários infectados.

Entre eles, 80 profissionais haviam acessado instalações marítimas de perfuração e produção, um acréscimo de dois novos casos ante o número contabilizado até a noite de quarta-feira.

O coronavírus também afetou as operações da Petrobras de outras formas, com uma redução da demanda por petróleo e seus derivados causando um recuo acentuado dos valores desses produtos no mercado global.

A própria empresa está reduzindo os preços dos seus produtos.

Na última quarta-feira, baixou o valor médio da gasolina em suas refinarias em 8%, levando o preço cobrado das distribuidoras de combustíveis para menos de 1 real por litro. No ano, a redução já é de cerca de 50%.

O diesel da estatal, por sua vez, teve no mesmo dia seu valor reduzido em 6%, acumulando um recuo de cerca de 35% no ano.

CORTES DE PRODUÇÃO

Em meio a pandemia, a Petrobras anunciou a hibernação de diversas plataformas de alto custo e adiou paradas de manutenção de outras plataformas para o segundo semestre, enquanto busca lidar com o novo cenário.

A petroleira Petrobras anunciou recentemente que planeja cortar 200 mil barris diários de sua produção, fixando um patamar de bombeamento de 2,07 milhões de bpd para abril, ante média de 2,394 milhões de bpd registrada no último trimestre de 2019.

Como parte desse plano, a empresa iniciou a hibernação de 62 plataformas em campos de águas rasas nas bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Ceará, somando um corte de produção de 23 mil barris de petróleo por dia (bpd).

“O corte está dentro da ordem de grandeza e vamos fazendo uma administração no dia a dia em torno desse valor. E obviamente vai depender da evolução do cenário em relação à demanda mundial do petróleo”, afirmou o diretor-executivo de Exploração e Produção.

Oliveira explicou também uma mudança nas paradas programadas para manutenção de plataformas.

“A gente tem pensar que nesse cenário de coronavírus, nós reduzimos os efetivos a bordo, dentro da linha do maior distanciamento social e controle da população embarcada, dentro disso a gente resolveu postergar as paradas programadas que a gente estava prevendo agora…”, disse ele.

Embora as paradas programadas tenham sido transferidas para o segundo semestre, isso não traz impactos nem para operação nem para a produção, comentou o executivo.

“Estamos dentro do ‘range’ possível de redefinir essas paradas… Não estamos podendo aproveitar esse momento de redução da produção para fazer as paradas, até porque a redução da produção se dá pelo motivo de demanda por um lado, mas também com essa restrição de pessoas a bordo a gente não tem como fazer as paradas agora.”

FORNECEDORES E EMPREGADOS

O cenário também levou a companhia a chamar grandes fornecedores para renegociar contratos, ressaltou a diretora-executiva de Finanças e Relacionamento com Investidores, Andrea Almeida, que evitou apresentar novas metas financeiras, apesar de considerar “difícil” atingir o objetivo de desalavancagem apontado para este ano.

Sobre o tema, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, ressaltou que para a empresa é “fundamental a manutenção da cadeia de suprimentos”.

“Estamos renegociando contratos apenas com grandes fornecedores, aqueles que tem musculatura suficiente para enfrentar situação de uma recessão global, não com pequenos fornecedores, porque não queremos que nenhum deles desapareça, queremos que continuem saudáveis”, afirmou o CEO.

O executivo também ponderou que o atual cenário poderá atrasar o plano de desinvestimentos da empresa, mas ressaltou que o processo permanece em curso e será possível cumprir compromissos de venda com o órgão antitruste Cade até o fim do próximo ano.

Sobre os empregados, Castello Branco frisou que, apesar das acusações, “não vamos realizar demissões em massa”.

“Nossa principal preocupação é com a saúde dos nossos empregados e com a saúde da nossa companhia”, afirmou.

Em meio aos cortes de custos, vendas de ativos e paralisações de atividades, a empresa vem apresentando diversos planos de demissão voluntária, mesmo antes da pandemia do novo coronavírus.

Neste mês, a empresa criou um novo Programa de Aposentadoria Incentivada (PAI) com vigência até 2023 e ajustou estímulos previstos em planos de desligamento anteriores, projetando que as iniciativas possam alcançar 3,8 mil empregados.

Agência Reuters

Weg se destaca na bolsa com valorização de mais 10% apesar de Covid-19

Depois de dobrar de valor em 2019, a ação da Weg é um dos dois únicos papéis dos mais de 70 ativos do Ibovespa a mostrar valorização no acumulado dos primeiros meses de 2020, um período marcado por forte turbulência nos mercados acionários mundiais em razão do Covid-19.

Na bolsa desde 1971 e no índice desde 2016, a ação contabiliza até o momento alta de mais de 10% neste ano, tendo recuperado boa parte das perdas registradas em março. O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, registra uma queda de mais de 30%.

Após se aproximar de 50 reais no final de fevereiro, a cotação desabou para cerca de 25 reais em meados no mês passado, contaminada pelas fortes vendas nas bolsas com preocupações sobre os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. Desde então, sobe mais de 50%. O Ibovespa, cerca 20%. A outra ação do índice em alta em 2020 é a B2W, do setor de varejo online, com elevação de 2,91% até a véspera

A resistência da fabricante de motores elétricos, tintas industriais e produtos de automação e controle industrial na bolsa paulista reflete a percepção positiva sobre a qualidade dos fundamentos do grupo de Santa Catarina, que hoje está presente em vários países, incluindo na China.

“Merece”, resume o gestor Werner Roger, sócio-fundador da Trígono Capital, elencando uma série de fatores que ajuda a explicar a solidez do papel. “É líder, está em vários países, mais da metade da receita vem do exterior, possui produtos principalmente ligados a energia, eficiência energética, energia renovável, muita inovação e tecnologia, crescimento sustentável sem dívida de forma orgânica e via aquisições, além de muita governança.”

Em 2019, a Weg alcançou um lucro líquido de 1,6 bilhão de reais, com crescimento da receita em todos os mercados que atua, além de expansão de margens. O caixa líquido da empresa no final do ano passado era de quase 1,28 bilhão de reais.

A companhia reportará os números do primeiro trimestre no em 29 de abril. Analistas, em média, esperam lucro líquido de 415 milhões de reais, bem acima dos 307 milhões registrados um ano antes. A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) é esperada em 596 milhões de reais, superior aos 462 milhões apurados no primeiro trimestre de 2019, segundo dados da Refinitiv.

De acordo com o analista Lucas Marquiori, do BTG Pactual, a Weg está em um grupo de empresas no setor de bens de capital com alavancagem bem controlada e forte posição de caixa. Ele não descarta, porém, efeitos em margens operacionais decorrentes de paralisações.

Na atualização mais recente da companhia sobre os efeitos do Covid-19, divulgada em 23 de março, a Weg reduziu temporariamente o número de funcionários presenciais por turno em 50% nas operações em Santa Catarina.

Para os analistas Victor Beyruti Guglielmi e Alejandro Ortiz, da Guide Investimentos, o fato da companhia não ter reduzido seu ritmo de investimentos durante a recente crise cria nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos concorrente locais.

A forte valorização do dólar neste ano é outro componente que beneficia a Weg, com a moeda norte-americana já acumulando alta de mais de 30%. No ano passado, quase 60% da receita do grupo veio do mercado externo.

Para a analista Thais Cascello, do Itaú BBA, a empresa tem índices de líquidez sólidos que serão importantes para a companhia passar por esse cenário de incertezas; e mesmo que sofra com os efeitos de uma desaceleração econômica global, tem espaço para aumentar seu market share no mundo.

E, embora incertezas geradas pelo coronavírus tenham levado ao adiamento pelo Brasil de leilões para novos projetos de geração e transmissão de energia previstos para 2020, essas licitações levam tempo para se transformarem em encomendas junto a fornecedores, o que alivia impactos de curto prazo sobre a empresa.

A Weg, assim, ainda deve se beneficiar por algum período de pedidos decorrentes de licitações na área de energia realizadas no ano passado, que movimentaram volumes expressivos.

INOVAÇÃO

“Não podemos morrer fabricando apenas motores”, afirmou Eggon João da Silva na volta de uma viagem à Europa no final da década de 1970. Ele é um dos fundadores e foi presidente da Weg até 1989. A primeira letra do seu nome e as iniciais dos outros fundadores Werner Voigt e Geraldo Werninghaus formam o nome da empresa.

A citação está no livro “Estruturar, condição para crescer”, de Alidor Lueders, ex-executivo da companhia, quando ele relata a decisão de Eggon de diversificar os negócios da Weg para agregar valor aos produtos.

Mais de 40 anos depois e uma série de novos segmentos de atuação em seu portfólio, a Weg anunciou no final de março acordo com a fabricante de equipamentos médico-hospitalares Leistung para produzir respiradores artificiais, diante de perspectivas de explosão no número de pacientes graves de Covid-19 no Brasil.

A companhia utilizará a estrutura de suas fábricas em Jaraguá do Sul (SC) para produzir os respiradores.

“A empresa segue comprometida com inovações e reestruturação de novos negócios e parcerias e essa questão dos respiradores é um ótimo exemplo de visão da empresa”, ressaltou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos.

Chinchila reforça que a Weg tem ótimos fundamentos bem como caixa para atravessar a atual crise, e que investidores têm comprado as ações de olho na recuperação à médio prazo.

Na área de energia, por exemplo, a Weg expandiu a atuação nos anos recentes com a entrada na fabricação de turbinas eólicas e kits de geração de energia solar, vistos como alguns dos segmentos mais promissores da indústria no médio e longo prazo, dado o apetite de investidores por geração renovável.

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A empresa também anunciou no início desse ano a aquisição de uma fábrica de transformadores em Betim (MG), ampliando sua capacidade de produção desses equipamentos em meio a uma demanda expressiva puxada pela licitação nos últimos anos de um volume recorde de projetos de transmissão de energia.

Ao comentar resultados da Weg em 2019, analistas da XP destacaram o desempenho dos negócios da empresa em energia solar e na área de transmissão e distribuição, pontuando também que ela “vem sequencialmente reforçando sua capacidade de gerar valor tanto via as aquisições quanto de forma orgânica”.

Para Werner Roger, da Trígono, a valorização das ações da Weg neste ano é um “flight to quality”. Ele já teve ações da Weg em seu portfólio, mas vendeu após alta de 100% dos papéis e agora busca ativos com perspectiva de valorização mais forte. Para o grupo nascido em Jaraguá do Sul, avalia um upside de “talvez uns 10%”.

Agência Reuters

Petrobras rebate setor de etanol e diz que taxa extra na gasolina geraria riscos

A Petrobras está preparada para sobreviver ao pior cenário possível e tomou medidas para preservar sua liquidez, diferentemente de outros setores que estão pedindo “privilégios” ao governo, afirmou o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, citando que a indústria de etanol está propondo aumento de tributos para a gasolina em tempos de coronavírus.

Para o CEO da Petrobras, uma eventual redução maior da demanda por gasolina, que poderia ocorrer com eventual oferta de incentivos ao setor de etanol, que também viu uma retração na demanda, geraria risco de desabastecimento de derivados de petróleo.

“A gente tem que olhar para o lado do consumidor”, ressaltou Castello Branco, em uma teleconferência com jornalistas, ao lembrar que a empresa produz gasolina na refinaria juntamente com o GLP.

“E uma redução adicional da demanda por gasolina implica em redução da produção de GLP e a necessidade por importação de volumes adicionais de GLP para abastecer o mercado”, acrescentou o CEO.

O alerta vem em momento em que maiores importações de gás de cozinha já estão sendo realizadas pela Petrobras para atender à maior demanda da população, que chegou a correr aos revendedores temendo escassez.

Em entrevista à Reuters na quinta-feira, o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, disse que o setor pede um aumento na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) da gasolina, além de redução do PIS/Cofins para o etanol.

Questionado pela Reuters se a Cide da gasolina poderia subir de 10 para 50 centavos por litro, para aumentar a competitividade do etanol, Gussi disse que “esse é um número que o Ministério de Minas e Energia tem estudado”.

Além das questões tributárias, o setor de etanol também está pedindo financiamentos por meio de bancos oficiais para manter estoques de cerca de 6 bilhões de litros do biocombustível, o que significaria quase 25% da produção safra 2020/21.

Procurada a Unica afirmou que não fez qualquer pedido relacionado a tributos para gasolina importada, conforme dito por Castello Branco na teleconferência. O setor sucroenergético avalia que, sem ajuda, pode ter o ano perdido, uma vez que a cana não pode ser deixada nos campos.

Gussi, da Unica, disse ainda na véspera que, se o benefício tributário “temporário” for concedido, isso poderia levar a país a reduzir importações de gasolina, um movimento que tem colaborado para a geração de empregos no exterior.

Dados da agência reguladora ANP citados pela Unica apontam que as importações de gasolina do Brasil cresceram cerca de 60% em 2019 ante 2018, para 4,8 bilhões de litros, e seguiram crescentes no primeiro trimestre de 2020.

No início da semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, havia dito que o governo estava analisando os pleitos do setor de cana.

“LOBISTAS”
O presidente da Petrobras, contudo, defendeu nesta sexta-feira que o setor de etanol deve refletir sobre o pedido de imposição de tributos sobre a gasolina.

“O Brasil é um país que tem deficiências de infraestrutura, e nós não estamos seguros como estamos agora de que poderíamos abastecer o mercado com mais essa redução de demanda forçada por lobistas…”, destacou Castello Branco.

Questionada, a diretora-executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, Anelise Lara, disse que “a importação de derivados ocorre em um período normal de oferta e demanda de produtos, mas nós não estamos vivendo período normal”.

Ela disse também que a companhia não está importando derivados para atender ao mercado interno, com exceção do GLP, que normalmente já é importado.

Ela ressaltou ainda que as refinarias da empresa “estão preparadas para abastecer o mercado interno”.

Agência Reuters

Cosan não vê impactos de coronavírus em açúcar, mas sofre em combustíveis

As vendas de açúcar da Raízen Energia na safra 2020/21 não sofreram impactos relevantes da crise do coronavírus, uma vez que foram feitas antes de a epidemia se alastrar, disse a Cosan, que sofreu, por outro lado, efeitos da queda na demanda por combustíveis.

Joint venture da Cosan com a petroleira Shell, a Raízen é a maior produtora global do adoçante, além de ser o maior player de etanol de cana. A empresa também tem uma unidade de distribuição de combustíveis, que está entre as principais do Brasil.

“No açúcar, as vendas já haviam sido contratadas para a safra 2020/21 que acaba de iniciar, não tendo apresentando impactos relevantes na sua programação de comercialização”, afirmou o grupo em nota ao mercado.

Já no etanol, a companhia viu uma redução nas vendas, em linha com a menor demanda por combustíveis, pontuou a Cosan.

A companhia apresentou um levantamento dos impactos do coronavírus desde o início das medidas de isolamento social, há aproximadamente quatro semanas, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

As vendas da Raízen Combustíveis no ciclo otto (gasolina e etanol) chegaram a cair 50%, enquanto no diesel a retração foi de 25%, afirmou a Cosan.

“Já no segmento de aviação, a demanda segue impactada pela redução das malhas operadas por seus principais clientes, chegando a cair até 80%.”

Outra empresa do grupo Cosan, a Comgás já observou uma redução na demanda por gás natural no segmento industrial de até 40%, concentrada em alguns setores da indústria que suspenderam ou reduziram suas atividades.

No segmento comercial, a demanda por gás vem apresentando retração de até 60%, enquanto no segmento residencial observa-se expansão da demanda em cerca de 10% em função da restrição da circulação dos indivíduos.

No caso da Moove, a empresa viu uma redução média da demanda por lubrificantes de cerca de 50% nas últimas semanas, no Brasil e nos demais países de atuação.

“Cabe reiterar que se tratam de indicativos preliminares, que tem apresentado evolução diária, à medida que o cenário de isolamento se altera, estando ainda sujeitos a alterações em função da evolução da pandemia nas próximas semanas.

A Cosan ressaltou ainda que tem adotado cautela em suas ações e tomado as medidas necessárias para garantir a preservação da saúde, integridade e segurança de seus colaboradores, garantindo a continuidade de suas operações essenciais.

Agência Reuters

Diesel, gasolina e etanol recuam no posto na semana, diz ANP; caem mais de 10% no ano

Os preços dos combustíveis nos postos do Brasil voltaram a recuar na semana passada, após novo corte pela Petrobras dos valores nas refinarias e em meio à continuidade do movimento de baixa nas cotações do petróleo no mercado internacional.

Com isso, tanto o diesel quanto a gasolina e o etanol acumulam agora redução de mais de 10% nas bombas ao longo de 2020, mostraram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados na sexta-feira.

O movimento dos valores para o consumidor final, no entanto, é bem mais tímido do que os reajustes já aplicados pela Petrobras, responsável por quase 100% da capacidade de refino do país.

A estatal já cortou em 50% o valor médio da gasolina nas refinarias, enquanto o diesel baixou 35% até o momento no ano.

Na gasolina, o preço médio nos postos caiu nesta semana para 4,095 reais por litro, um recuo semanal de 1,30%, segundo os dados da ANP. No ano, o recuo é de 10,16%.

Já o diesel, combustível mais utilizado do país, foi vendido nas bombas por média de 3,318 reais por litro, queda de 0,6% na comparação semanal, enquanto a retração acumulada em 2020 é de 12,2%.

O etanol hidratado, concorrente da gasolina nas bombas, foi vendido em média a 2,796 reais nesta semana, ou 2,37% a menos que na semana anterior, com queda de 11,9% frente à cotação no início de janeiro, segundo os dados da ANP.

A Petrobras informou na semana passada redução de 8% da gasolina nas refinarias a partir da última quarta-feira, enquanto o diesel teve corte de 6%.

O repasse de ajustes dos combustíveis nas refinarias para o consumidor nos postos, no entanto, não é imediato e depende de diversos fatores, como consumo de estoques, impostos, margens de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis.

Já os preços do petróleo Brent, referência internacional, que influenciam os reajustes da Petrobras, fecharam a semana com perda de cerca de 11%, enquanto o petróleo WTI recuou quase 20%.

Agência Reuters

Petrobras transfere para refinarias 357 empregados de campos paralisados

A paralisação da produção das 45 plataformas marítimas e quatro sondas de perfuração terrestres da Petrobras nos últimos dias vai afetar 357 funcionários diretos da empresa. Esses empregados vão ser transferidos para o conjunto das refinarias da estatal, algumas delas inseridas na lista de privatizações.

Em resposta ao Estadão/Broadcast, a Petrobras informou que as paradas fazem parte do seu plano de resiliência frente à crise e que não haverá demissões nesses casos.

O número de empregados alocados nessas plataformas e sondas, na verdade, é maior do que os 357. Mas alguns deles não vão poder ser transferidos.

Alguns aderiram ao programa de demissão voluntária, outros estão de licença e outros vão continuar nas unidades para levar adiante as hibernações, processo em que as plataformas são mantidas praticamente inativas, mas não chegam a ser completamente desligadas por uma questão de segurança.

Em reunião com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante de empregados, a equipe de recursos humanos da Petrobras informou que todas as refinarias do grupo vão receber pessoal das plataformas desativadas, com exceção da unidade de industrialização de xisto, a SIX, instalada no Paraná.

Afirmou também que não há definição se vai retomar a produção dos campos hibernados. É possível que eles só voltem a operar quando estiverem sob o controle de um novo investidor, segundo a equipe de RH.

As 49 unidades de produção paralisadas estão distribuídas em quatro bacias – Campos, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe-Alagoas. Na Bahia e no Espírito Santo, haverá mudanças nas atividades e processos.

As plataformas e sondas estão instaladas em campos que já não eram do interesse da Petrobras e, por isso, estão na lista de desinvestimento da empresa. Na verdade, embora a justificativa para a paralisação seja a crise provocada pela pandemia da Covid-19 e a queda abrupta do preço do barril, essas áreas pouco contribuem para a meta de corte da produção de 200 mil barris por dia anunciada pela empresa. A soma da produção dessas áreas é de pouco mais de 10 mil bpd.

“Se o foco da hibernação fosse a crise, a gestão da empresa optaria por paralisar grandes plataformas. O que está acontecendo, de fato, é que está sendo promovida a redução do efetivo de trabalhadores com o pretexto da crise. Os Estados estão em um momento de pandemia. Há uma responsabilidade social que a gestão da Petrobras ignora”, afirmou Deyvid Bacelar, diretor da FUP.

Estadão

Estatal hiberna cerca de 50 plataformas no litoral do Sudeste e Nordeste

A estratégia da Petrobras de hibernar seus campos em águas rasas, de custos mais elevados, frente ao cenário de baixa dos preços do petróleo, deve atingir quase 50 plataformas nas regiões Sudeste e Nordeste.

A companhia enviou carta aos sindicatos informando a paralisação de 24 unidades na Bacia Potiguar, seis na Bacia de Campos, nove na Bacia do Ceará e de todas as plataformas de Sergipe-Alagoas – segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Petrobras opera nove unidades marítimas na região. Além dos ativos em águas rasas, a petroleira também está hibernando alguns ativos terrestres.

Segundo a estatal, no documento, as plataformas que operam em águas rasas, em virtude da queda dos preços do petróleo, passaram a ter fluxo de caixa negativo.

A empresa esclareceu, ainda, que alguns ativos estão passando por processo de desinvestimento e que a hibernação não afetará a continuidade das vendas.

A Petrobras informou às entidades sindicais que os empregados impactados pela redução de atividades e hibernação serão realocados internamente ou terão a opção de aderir ao programa de desligamento voluntário (PDV) ou desligamento por acordo.

Ao todo, 357 funcionários estão em processo de troca de unidades. Os sindicatos estimam que a hibernação das unidades listadas pode atingir 2,6 mil trabalhadores próprios e traz riscos de demissão a cerca de 7 mil terceirizados . As entidades dizem que, a pretexto de responder à crise, a companhia está aproveitando a oportunidade para cortar pessoal.

Valor Econômico

Petrobras faz esforço extraordinário e mercado de GLP está normalizado, diz CEO

A Petrobras tem feito um esforço extraordinário importando cargas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, e o mercado está normalizado, afirmou o presidente da petroleira estatal, Roberto Castello Branco.

De acordo com ele, em abril, os volumes importados juntamente com os produzidos nas refinarias da petroleira estatal são “mais do que suficientes” para suprir o mercado “com sobras”.

A afirmação vem enquanto a Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR) tem apontado uma escassez do produto em diversos Estados brasileiros.

“Não há perspectiva de falta de abastecimento”, disse Castello Branco, ao participar de videoconferência promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), transmitida pela internet.

Agência Reuters

Petroleira manterá pesquisa em renováveis

A crise econômica mundial desencadeada pela pandemia do novo coronavirus e a baixa dos preços do petróleo levantam dúvidas sobre até que ponto as grandes petroleiras conseguirão sustentar a aposta nas energias limpas. De saída dos ativos de biocombustíveis e eólicas em terra e sem grandes investimentos em renováveis à vista, a Petrobras manterá a estratégia de entrar gradualmente no segmento e de focar, numa primeira fase, em pesquisa e desenvolvimento na área. Com seu plano de investimentos sob revisão, a estatal informou, contudo, que preservará US$ 100 milhões/ano previstos para descarbonização e os US$ 70 milhões/ano dedicados à P&D em renováveis e corte de emissões.

O orçamento total da Petrobras nessas duas áreas – renováveis e descarbonização – até 2024 soma US$ 850 milhões, o equivalente a 1% de seu plano de negócios. O gerente-executivo de estratégia da companhia, Rafael Santos, conta que o objetivo, num primeiro momento, é “ganhar competências” para, só então, aumentar sua presença em energias limpas. O timing da volta da empresa às renováveis dependerá do quão rápido será a conquista dessa expertise e também da recuperação da capacidade financeira da estatal.

Estatal brasileira quer ganhar expertise por meio de pesquisas antes de investir pesado em energias renováveis

“Uma vez que estivermos confortáveis de que a Petrobras é a melhor empresa para prestar um determinado serviço [de energias limpas] e sobre para onde está indo a transição energética, vamos eventualmente aumentar nossa exposição, investimentos e ambições em renováveis”, afirma.

Ele explica que a decisão de pisar no acelerador rumo às renováveis está associada à evolução da saúde financeira da estatal. A diretora financeira, Andrea de Almeida, chegou a afirmar em fevereiro, antes da crise, que a Petrobras estava a pelo menos dois anos de distância de dar um impulso significativo em direção às renováveis. De lá para cá, porém, muita coisa mudou: o preço do petróleo caiu e a alavancagem da empresa subiu.

“Daqui a dois anos, enxergamos a companhia com uma dívida menor, mais resiliente, então é um horizonte que faz sentido [aumentar investimentos em energias limpas]. Mas isso vai depender de muita coisa, se teremos geração de caixa boa, se teremos conforto para expandir nossa atuação”, explica Santos. Ele afirma que ainda é difícil avaliar a perenidade do choque do petróleo e seus efeitos sobre a transição energética.

A carteira de P&D da petroleira em renováveis inclui uma planta de energia solar em Campos dos Goytacazes (RJ). Outro grande trunfo está no desenvolvimento do diesel renovável – tecnologia patenteada pela empresa que permite produzir o derivado a partir do coprocessamento de petróleo com óleos vegetais nas refinarias. A estatal quer que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) enquadre o produto como renovável.

Mesmo apostando nas renováveis, Santos destaca que a companhia continuará concentrada em óleo e gás. Segundo ele, o momento de transição energética abre oportunidades em energias limpas, mas por outro lado pressiona as petroleiras a serem cada vez mais eficientes, já que a demanda por óleo tende a entrar em declínio a partir das próximas décadas.

“Queremos ser o barril mais barato”, disse. “Num mundo em transição energética, se formos uma empresa com o custo de produção mais barato e emissão de carbono mais eficiente, vamos ter um espaço no mercado. O primeiro produtor a ser deslocado é o irresponsável [ambientalmente] e ineficiente”, completou.

Do ponto dos compromissos ambientais, ele cita que a companhia tem dez metas de descarbonização e sustentabilidade, dentre as quais o “crescimento zero” das emissões operacionais até 2025 e o aproveitamento de 100% do gás extraído pela companhia, evitando-se as queimas nas plataformas. De acordo com Santos, o cenário atual lança incertezas sobre a velocidade da transição energética, mas não há dúvidas de que ela ocorrerá. “Se tiver uma tecnologia limpa economicamente viável em larga escala [para substituir o petróleo], não há dúvida de que ela vai tomar conta. Mas ela ainda não existe”, pondera.

Questionado se a estatal não teme ficar para trás na conquista do mercado de renováveis, diante de investimentos mais representativos de seus pares globais, Santos respondeu que “não existe uma receita de bolo” sobre o caminho a ser tomado pelas petroleiras. A estratégia de cada uma depende das “oportunidades de portfólio” que elas têm em mãos. E que hoje a estatal tem ativos mais rentáveis no pré-sal onde investir.

Nos últimos anos, grandes petroleiras europeias, como BP, Equinor, Shell e Total, passaram a dar mais atenção às renováveis, pressionadas por acionistas e a sociedade de uma forma geral pela redução das emissões. Com o choque do petróleo, no entanto, existe hoje uma visão dúbia sobre as perspectivas de investimentos dessas empresas em energias limpas: se por um lado o caixa mais apertado deve levar a cortes de orçamentos, por outro lado o petróleo mais barato deve derrubar as taxas de retorno de projetos de óleo e gás, equiparando-os, em alguns casos, a projetos de renováveis – que têm riscos baixos e receitas estáveis.

“Em um ambiente de petróleo a US$ 60 o barril, a maioria das empresas estava gerando forte fluxo de caixa e podia se dar ao luxo de pensar em estratégias de mitigação de carbono. Mas, agora, o setor lutará para gerar caixa suficiente para manter as operações e honrar compromissos com acionistas. Todos os gastos discricionários estão sob revisão – incluindo o orçamento para descarbonização”, cita a Wood Mackenzie, em relatório.

Por outro lado, com o barril mais barato, as renováveis podem se tornar mais atrativas dentro do portfólio das petroleiras. Se num ambiente de petróleo a US$ 60 as taxas de retorno de projetos de solar e eólicas (de 5% a 10%) dificilmente competiam com as taxas de “dois dígitos” dos projetos petrolíferos, com o petróleo a US$ 35 o jogo está mais pareado. A Wood Mackenzie acredita que a transição energética “chegou para ficar” e que as grandes petroleiras europeias honrarão seus compromissos de descarbonização. A consultoria, porém, relativiza o papel das petroleiras na sustentação da transição energética. Isso porque elas respondem por 2% da capacidade eólica e solar no mundo. Historicamente, a cotação da commodity não tem muita correlação com os investimentos em renováveis.

O ritmo da expansão das energias limpas, por outro lado, pode desacelerar. A Rystad Energy prevê que a contração econômica deve demandar menos energia e que as renováveis não passarão incólumes. Com a desvalorização cambial dos países emergentes, a consultoria cita que projetos em países como o Brasil serão especialmente impactados, já que alta do dólar elevará os preços de aquisição de equipamentos. A Rystad também destaca que a crise pode fortalecer o carvão, cujos custos de produção estão em baixa. “Em um mundo pós-pandemia, o carvão, apesar de ter muitos problemas, é considerado uma fonte de energia barata e confiável para reconstruir a economia”, alega a consultoria.

A presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, diz que é preciso que as empresas não percam o horizonte de longo prazo em suas estratégias de descarbonização. “Discutir o pós-coronavírus é importante, nossa agenda não é de curto prazo. Os compromissos de redução de emissões estão assumidos, não acredito que as empresas voltarão atrás. O timing pode mudar, mas não a rota”, comenta.

Valor Econômico