China abre exploração e produção de petróleo para empresas estrangeiras e domésticas

Atualmente, país importa 70% do petróleo que refina e quase metade do seu consumo de gás natural.

A China permitirá, neste ano, pela primeira vez, que empresas estrangeiras explorem e produzam petróleo e gás no país, abrindo o setor para empresas que não sejam gigantes estatais do setor, conforme Pequim procura aumentar o fornecimento doméstico de energia.

A tão esperada abertura acompanha uma remodelação do chamado negócio de oleodutos “midstream”, mas especialistas dizem que ela pode não despertar o interesse imediato dos perfuradores globais devido à má qualidade geral dos ativos de reservas de hidrocarbonetos da China.

A partir de 1º de maio, empresas estrangeiras registradas na China com ativos líquidos de 300 milhões de iuanes (43 milhões de dólares) poderão participar da exploração e produção de petróleo e gás, anunciou o ministério de recursos naturais em entrevista coletiva.

A alteração também se aplica a empresas domésticas que atendem à mesma condição.

“A China está acelerando a reforma do setor devido a preocupações crescentes com a segurança energética”, disse Zhu Kunfeng, diretor associado de pesquisa do IHS Markit.

“Vitalizar a indústria diversificando os participantes, incluindo investidores estrangeiros e privados, é o foco dessa reforma”.

Atualmente, a China importa 70% do petróleo que refina e quase metade do seu consumo de gás natural, e as empresas estatais enfrentam uma batalha árdua para aumentar as reservas e a produção fora do país, em meio a riscos geopolíticos crescentes.

Anteriormente, empresas internacionais podiam entrar no setor apenas por meio de joint ventures ou cooperação com empresas chinesas, principalmente empresas estatais como a China National Petroleum Company (CNPC), a China Petrochemical Corp (Sinopec) ou seus veículos listados.

As licenças de mineração de recursos minerais serão válidas por cinco anos no registro inicial e poderão ser estendidas por mais cinco.

Fonte: Agência Reuters

Venda de participações por estatais deve dar novo impulso à arrecadação após ajuda de R$ 15 bilhões em 2019

Ao se desfazerem de ativos, estatais têm ganho de capital e precisam pagar mais impostos ao governo. Em 2020, Caixa e BNDES devem grandes realizar operações.

Os planos das principais estatais brasileiras de acelerarem desinvestimentos devem dar novo impulso à arrecadação federal neste ano, que já começou com Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prometendo grandes operações.

Ao alienarem sua participação societária em negócios, as estatais auferem ganho de capital sujeito à tributação. Esse movimento acaba sensibilizando a arrecadação de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) pagos no mês seguinte ao da operação.

Em 2019, essas transações realizadas por estatais foram responsáveis por “mais de 15 bilhões (de reais) de imposto de renda extraordinário”, assinalou o ministro da Economia, Paulo Guedes, em coletiva de imprensa em dezembro.

Dentre os negócios de vulto, houve a venda de R$ 7,301 bilhões de ações da Petrobras que eram de titularidade da Caixa, em junho.

Em julho, a própria Petrobras reduziu sua fatia na empresa de combustíveis BR Distribuidora, levantando R$ 9,6 bilhões, e o governo brasileiro e a BB Seguros, do Banco do Brasil, arrecadaram cerca de R$ 7,4 bilhões com a oferta secundária fechada da resseguradora IRB Brasil Resseguros.

Vendas previstas para 2020

Para este ano, as perspectivas são de mais negócios, capitaneados pelo BNDES, que busca engatar de vez a redução da carteira da BNDESPar, seu braço de participações. A diminuição da carteira, de cerca de R$ 110 bilhões, faz parte dos planos do governo Jair Bolsonaro para enxugar o tamanho do Estado na economia.

Já no início deste ano, a Petrobras divulgou prospecto de operação que prevê a venda de até todas as ações ordinárias da companhia de posse do BNDES –734,2 milhões de papéis que valem mais de R$ 23 bilhões pela sua cotação atual.

O braço de investimentos em empresas do BNDES também informou em novembro do ano passado a intenção de vender 290 milhões de ações da JBS, metade de sua participação na companhia. Para a oferta, que pode movimentar cerca de R$ 7,9 bilhões considerando o preço atual do papel, o banco de fomento já contratou instituições para atuarem como intermediárias na transação.

A Caixa, por sua vez, também já escolheu o sindicato de bancos para coordenar a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da sua unidade de seguros, a Caixa Seguridade. A expectativa, segundo fontes disseram à Reuters, é que a empresa seja avaliada em R$ 60 bilhões, com a Caixa vendendo cerca de R$ 10 bilhões em ações da companhia.

Para Alexandre de Andrade, economista da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, esse tipo de arrecadação extraordinária ajudou a melhorar o resultado primário do governo central em 2019, mas ainda representa uma relativa fragilidade da recuperação das receitas administradas pela Receita Federal.

“O mais desejável seria que a melhora na arrecadação ocorresse em resposta à recuperação da economia, o que garantiria robustez ao movimento e maior solidez à melhora nos números fiscais”, ponderou.

Fonte: Agência Reuters

Programa Energy Future é apresentado na Firjan

Programa de P&D da ANEEL reúne concessionárias e empresas interessadas em participar do edital hoje, quinta-feira, dia 9

As concessionárias do setor elétrico que participam do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da ANEEL apresentam hoje, quinta-feira (9/1) o Energy Future para startups interessadas em participar do edital. O encontro ocorre às 10h no auditório da Firjan, na Av. Graça Aranha 1, Centro do Rio.

Hub virtual de inovação do setor elétrico, o Energy Future conecta projetos de startups a grandes concessionárias do país. A iniciativa reúne a AES Tietê, Enel, Grupo Energisa, Equatorial Energia, Light e Santo Antonio Energia, que avaliarão projetos de acordo com regras do edital e os critérios estabelecidos pelo programa de Pesquisa e Desenvolvimento da ANEEL.

As categorias do programa são: Renováveis e Storage; Smart Grid and Meter; Gestão energética; Novos Negócios em Geração Transmissão; Serviços ao cliente de distribuição; e Performance e Digitalização.

Programação

10h – Abertura. Alexandre Reis, diretor Firjan SENAI SESI

10h05 – Apresentação make a business (Chamada Energy Future)

10h20 – Painel patrocinadores: AES Tietê, Julia Rodrigues; Light, Tenório Barreto; Enel, Thais Oliveira; Energisa, Alexandre Castro; Santo Antonio Energia, Donorvan Fagundes. Moderação: Karine Mahon – Coordenadora IST Ambiental

11h – Apresentação Firjan – Apoio na Captação de Recursos. Carlos Magno, gerente Geral de Negócios
Evento: Energy Future – Apresentação da chamada de startups e P&D ANEEL do setor elétrico
Data: quinta-feira, 9 de janeiro de 2019
Horário: 10h às 12h
Local: auditório da Firjan – Av. Graça Aranha 1 – Centro do Rio

Comunicado sobre Estreito de Hormuz

Em relação à suspensão do trânsito de navios pelo Estreito de Hormuz, a Petrobras informa que avalia rotineiramente alterações nas rotas de suas embarcações com o objetivo de evitar trechos que tragam risco à segurança de suas operações. A companhia avaliou o referido cenário e, em conjunto com a Marinha do Brasil, decidiu por evitar, no momento, o trânsito pelo Estreito de Hormuz. Tal mudança não trará qualquer impacto ao abastecimento de combustíveis no Brasil. Os desdobramentos locais seguem sendo monitorados e avaliados.

 

Fonte: Agência Petrobras

Entra em produção a Plataforma CBIO ANP/SERPRO

A Plataforma CBIO entrou em ambiente de produção e considerará as notas fiscais emitidas a partir de 24/12/2019, para fins de geração de lastro dos CBios dos produtores de biocombustíveis certificados e detentores de contratos firmados com o SERPRO.

Para contratar o SERPRO, o produtor de biocombustíveis certificado deverá acessar o seguinte endereço: http://serpro.gov.br/menu/nosso-portfolio/por-linha-de-negocio-1/servicos-sob-medida/cbio.

Ressalte-se que, para contratar os serviços do SERPRO relativos ao acesso à Plataforma CBIO, é necessário que o produtor ou importador de biocombustíveis utilize o Certificado Digital de Pessoa Jurídica e esteja com certificado aprovado pela ANP.

 

Fonte: ANP

Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovações de Maricá vai preparar a cidade para o pré-sal

Tomou posse na terça-feira, 07/01, o diretor-presidente do novo Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), Celso Pansera. O principal desafio, segundo Celso, é preparar Maricá para o pós-sal, quando a cidade deixar de receber capital dos royalties do petróleo. A equipe do ICTIM está sendo estruturada e a autarquia vai trabalhar em conjunto com todo o governo, organizando estrategicamente as ideias.

“A gente fala muito sobre o ciclo de Maricá pós petróleo, apontando para o turismo como uma alternativa, mas também queremos apontar para a tecnologia – um dos setores que mais crescem no mundo. O Instituto vai produzir saber, inventividade, capacidade tecnológica que vão para além de Maricá”, disse o prefeito de Maricá, Fabiano Horta.

“Nosso desafio é construir uma economia diversificada, moderna e que coloque a cidade como referência nacional em algumas áreas, mas que vire particularmente um pólo econômico regional. Vamos pegar o que já existe e dar um sentido estratégico a longo prazo, de modo que transforme o dia a dia do cidadão de Maricá”, explicou o diretor-presidente do ICTIM, Celso Pansera.

O Instituto, que é vinculado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, já tem previsão de início das atividades nesta semana. Ainda de acordo com Celso Pansera, a equipe vai trabalhar em conjunto com as secretarias para definir as estratégias e até março esse projeto estará formatado e pronto para ser executado.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, Igor Sardinha, a criação do Instituto é fundamental para o presente e para o futuro do município. “Quando você consegue transformar a cidade em um pólo de ciência e tecnologia, você consegue, inclusive, inserir o local dentro da economia do petróleo, porque hoje nós somos meros recebedores de royalties. Por isso precisamos pensar estratégias, pois sabemos que o ciclo do petróleo é finito”, disse.

 

Fonte: SeCom Maricá

Emirados Árabes não veem risco imediato ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz

O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos disse que não vê risco imediato à passagem de petróleo pelo vital Estreito de Ormuz, depois que o Irã atacou bases que abrigam forças norte-americanas no Iraque.

Autoridades iranianas disseram que os ataques com mísseis foram uma resposta ao assassinato de sexta-feira do comandante iraniano Qassem Soleimani em Bagdá.

A situação não é uma guerra, e não deve haver exageros sobre o que está acontecendo agora, disse Suhail al-Mazrouei nos bastidores de uma conferência em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, produtora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

“Não vamos ver uma guerra”, acrescentou. “Esta é definitivamente uma escalada entre os Estados Unidos, que são aliados, e o Irã, que é um vizinho, e a última coisa que queremos é mais tensão no Oriente Médio”.

Os preços do petróleo operavam em leve queda nesta quarta-feira, após uma alta inicial, bem abaixo da máximas atingidas na véspera, um dia frenético para o mercado após os ataques com mísseis elevarem expectativas de um conflito crescente e uma possível interrupção dos fluxos de petróleo.

O ministro do Petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, afirmou na quarta-feira, segundo a agência semi-oficial de notícias ISNA, que Teerã estava se beneficiando do aumento dos preços do petróleo. Ele também pediu aos Estados Unidos que deixem a região.

“A tendência dos preços do petróleo é de alta e isso beneficia o Irã. Os americanos devem parar de perturbar a região e deixar o povo da região viver”, disse Zanganeh.

O secretário-geral da Opep, Mohammed Barkindo, disse na conferência em Abu Dhabi que instalações de petróleo no Iraque, o segundo maior produtor da Opep, estão com a segurança garantida e que a produção continua.

Ele disse que há uma capacidade ociosa global da indústria de petróleo em torno de 3 milhões a 3,5 milhões de barris por dia (bpd), a maior parte detida pela Arábia Saudita, principal produtor da Opep.

 

Fonte: Agência Reuters

Inscrições para bolsas de pesquisa em transformação digital da Petrobras e PUC vão até domingo

Podem se candidatar universitários de qualquer área de formação que gostem de tecnologia e desafios

Petrobras e PUC-Rio encerram no domingo (12/01) as inscrições para mais um módulo do programa Petrobras Conexões para Inovação. O edital, chamado “Ignição”, tem como objetivo selecionar estudantes universitários para bolsas de pesquisa em projetos inovadores, co-criando e buscando soluções para a transformação digital no setor de óleo e gás. Os estudantes selecionados serão desafiados a utilizar tecnologias emergentes (Blockchain, Inteligência Artificial, Internet das Coisas etc.), usufruindo do know how da universidade e do conhecimento de mercado da Petrobras.

Serão disponibilizadas 21 vagas. As inscrições estão abertas para alunos de qualquer área, regularmente matriculados em cursos de graduação. Além de ser proativo, “fluente” em tecnologia e gostar de desafios, o candidato também deve ter data de conclusão do curso prevista para depois de janeiro de 2021.  As inscrições podem ser realizadas no site http://ignicao.les.inf.puc-rio.br/ 

Para o diretor de Transformação Digital e Inovação da Petrobras, Nicolás Simone, “o Ignição é um programa multidisciplinar e de co-criação para estudantes, lançado para acelerar nosso processo de agregação de valor via inovação. Com ele, colocaremos técnicos da Petrobras, empresas, estudantes e universidades para trabalharem juntos, com um propósito claro e em um ambiente colaborativo e de co-working”, explica.

Conexões para Inovação 

O programa Petrobras Conexões para Inovação reúne iniciativas voltada à inovação por meio do estímulo ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor de petróleo, gás e energia. O primeiro edital foi lançado em 2019, em parceria com o Sebrae, para fomentar o ecossistema de inovação das startups e selecionou sete empresas entre 261 inscritas. O edital Ignição, o segundo da série, é dirigido a estudantes universitários.

Fonte: Agência Petrobras

ANP faz audiência pública para debater resolução sobre descomissionamento

A ANP realiza nesta quarta-feira (8/1), às 10h, audiência pública relativa à proposta de regulamentação sobre descomissionamento de instalações de exploração e produção e alienação e reversão de bens. A audiência será no escritório central da ANP, no Rio de Janeiro.

O tema passou por consulta pública de 45 dias. As contribuições recebidas na consulta e as informações sobre a audiência podem ser consultadas na página Consulta e Audiência Públicas nº 24/2019.

O descomissionamento ocorre quando não há mais interesse econômico da empresa operadora na atividade ou ao final de vida útil das instalações de produção e não está necessariamente associado à devolução de áreas.

A iniciativa prevê a revisão das Resoluções ANP nº 27/2006, 28/2006 e 25/2014, com o objetivo de adequar seus conteúdos aos mais recentes avanços técnicos da indústria em relação ao tema e de estabelecer objetivamente o conjunto de informações e documentos a serem submetidos pelas empresas concessionárias à ANP. Também inclui os critérios de decisão a serem considerados na discussão sobre a remoção de instalações.

A proposta de resolução é resultado de um esforço conjunto entre a ANP, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Marinha do Brasil (MB).

Setor naval faz ajustes para atender novo bunker

Entrou em vigor a determinação da Organização Marítima Internacional (IMO) para a nova composição do óleo combustível utilizado por navios, conhecido como bunker. A norma definiu a obrigatoriedade da redução do limite máximo de teor de enxofre no combustível, de 3,5% para 0,5%. Mesmo tendo sido aprovada com anos de antecedência, a medida ainda está longe de ser algo facilmente implementado este ano e ainda há muitos desafios para armadores, petroleiras e órgãos responsáveis pela fiscalização dos combustíveis, de acordo com especialistas ouvidos pelo Valor.

“É uma agenda bem importante para o setor de navegação e também para o setor de fornecimento de combustível marítimo. É um assunto que já vem sendo discutido há muitos anos. É uma redução bem drástica e bem importante”, explica Godofredo Mendes Vianna, especialista em direito marítimo e sócio sênior do escritório Kincaid Mendes Vianna.

Segundo ele, um desafio de imediato é o atendimento das embarcações logo nos primeiros dias do ano. Caso a embarcação ainda tenha no tanque combustível com as especificações antigas, ela terá que fazer a retirada e o descarte do produto para ser abastecida com o novo bunker.

Só poderão utilizar o combustível com o teor mais elevado de enxofre as embarcações que tiverem instalado um equipamento chamado “scrubber”. O componente é, na prática, um sistema de limpeza de gases de escape, que filtra o combustível e reduz a quantidade de enxofre emitida.

Mesmo antes de entrar em vigor, no entanto, a nova norma já gerou impactos econômicos no setor. De acordo com dados da consultoria Bain & Company, o preço do bunker com 0,5% de enxofre subiu 17,4% nos primeiros cinco meses do ano passado, passando de US$ 460 por tonelada para US$ 540 por tonelada. Há relatos de aumentos ainda maiores no fim de 2019. Com relação ao “scrubber”, a instalação do equipamento estava custando entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões.

Godofredo lembra ainda dos efeitos no mercado financeiro. “Os bancos que financiam a indústria e a construção de navios se uniram na Europa e assinaram um protocolo para o rastreamento e monitoramento dos navios que eles estão financiando para que obedeçam essa pauta da IMO também, sob pena, inclusive, de impactos no financiamento.”

Para José de Sá, especialista em petróleo e diretor no escritório da consultoria Bain & Company no Rio, 2020 será um ano de ajuste para o setor marítimo. Segundo ele, ainda há um mercado não desprezível de combustível marítimo com alto teor de enxofre, já que muitas companhias ainda não fizeram os investimentos necessários para se adaptarem para o novo combustível, devido a incertezas com relação às especificações do novo produto.

Por outro lado, o especialista da Bain & Company entende que os refinadores que investiram e se prepararam com antecedência deverão ter margens “bem interessantes” nos próximos dois anos. Ele destaca ainda que o Brasil tem um diferencial, já que o petróleo local possui naturalmente baixo teor de enxofre.

A Petrobras fez a mesma leitura e se preparou antecipadamente. A companhia informou ao Valor que todas as suas refinarias têm condições operacionais de produzir o bunker com baixo teor de enxofre e que a produção da empresa é suficiente para atender o mercado doméstico e ainda exportar o excedente.

A diretora de Refino e Gás Natural da petroleira, Anelise Lara, estima que a companhia tenha um ganho adicional da ordem de US$ 1 bilhão em 2020, em relação a 2018, no negócio de abastecimento de bunker.

“No que diz respeito à IMO 2020, estamos muito bem posicionados, porque nosso óleo do pré-sal é baixo em enxofre e nossas refinarias são capazes de produzir bunker com 0,5% [de enxofre] sem necessidade de adicionar mais equipamentos”, afirmou a executiva, em reunião com investidores em Londres, no início de dezembro. “Pretendemos atingir cerca de 900 toneladas de bunker para exportar em 2020, devido às características do bunker da Petrobras”, completou a diretora, na ocasião.

Outro ponto fundamental sobre a nova norma é relativo à fiscalização. Por definição, cada país deve ser responsável pela fiscalização do uso do combustível em seu território. Este é outro motivo para que a mudança no mercado não ocorra de imediato, no entendimento de Sá, da Bain & Company. “Podemos esperar um nível alto de adesão em portos importantes como o de Roterdã [na Holanda] e em Cingapura. Mas nos portos mais remotos é difícil imaginar que vai ter uma entidade representativa fiscalizando especificamente esse tema”, afirma o especialista.

No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se antecipou à mudança e aprovou em maio uma resolução que estabelece a especificação dos combustíveis marítimos em linha com a norma da IMO 2020. “A regra tem como objetivo contribuir para a diminuição da emissão de gases poluentes, favorecendo o meio ambiente e a saúde das populações, em especial as que vivem próximas a portos e costas”, informou a autarquia, na ocasião.

 

Fonte: Valor Econômico