Foi com esse compromisso que a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro) aceitou a sugestão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para lançar, em parceria com a reguladora, o IADC Brazil Chapter e o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), um Guia de Boas Práticas para Auditorias Internas. “A segurança precisa de compromisso e ação de todos, seja ela aonde for, na vida pessoal e na vida das corporações de trabalho. Enfim, em todas as suas aplicações. E nós na ABESPetro estamos dispostos a sermos agentes promotores da segurança”, diz o presidente da entidade, Rodrigo Ribeiro, nessa entrevista concedida ao lado do secretário executivo, Telmo Ghiorzi, na qual destacam a importância dessa iniciativa e falam de outros desafios do setor.
Oil & Gas Brasil: O Vocês lançaram o Guia de Boas Práticas para Auditorias Internas, elaborado em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o IADC Brazil Chapter e o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). Sabemos que normas de segurança estão sempre em aprimoramento. Como manter esse documento atualizado continuamente?
Rodrigo Ribeiro: A ABESPetro se reúne regulamente com o seu grupo de associados e também com outras instituições do setor. A ideia de elaborar este Guia foi trazida pela ANP, em razão de observações dela sobre não uniformidade nas auditorias internas realizadas pelas empresas. As oficinas, reuniões, debates e a construção do Guia resultaram da interlocução entre as
instituições do setor que atuam no ambiente offshore. Formamos o setor e essa interlocução é riquíssima em conteúdo, pois o
conhecimento acumulado pelos profissionais que representam as entidades é extenso e de alta qualidade.
Telmo Ghiorzi: Nenhuma das entidades envolvidas neste esforço tem dúvida quanto aos avanços promovidos pelo Guia. Contudo, a transcrição para o papel de conhecimento tácito, nem sempre ou mesmo quase nunca, é perfeita. A aplicação prática vai suscitar aperfeiçoamentos. O exemplo dado pelo esforço que resultou no Guia vai, por assim dizer, guiar os aperfeiçoamentos.
Oil & Gas Brasil: Com essa iniciativa vocês reiteram um compromisso prioritário com a questão da segurança operacional – desde o poço à operação das unidadesestacionárias de produção, uma vez que a ABESPetro congrega associados de toda a cadeia produtiva. Esse é um dos maiores desafios da indústria offshore – a segurança operacional – e demanda maior sinergia entre todos os atores?
Rodrigo Ribeiro: A segurança precisa de compromisso e ação de todos, seja ela aonde for, na vida pessoal e na vida das corporações de trabalho. Enfim, em todas as suas aplicações. E nós na ABESPetro estamos dispostos a sermos agentes promotores da segurança. Cada vez mais vamos disponibilizar recursos para que ela melhore de nível. Mas destacamos que isto sempre foi uma preocupação da indústria.
O Guia vem para facilitar o diálogo com as autoridades, que é a ANP, com a indústria, de forma a tirar todas as dúvidas dos que prestam contas à autoridade. Mas a segurança em si, com o uso de mecanismos de proteção, já é questão prioritária na indústria, seja em relação à vida humana ou à natureza.
Telmo Ghiorzi: A ABESPetro está em permanente aprimoramento de sua agenda e atividades institucionais. As empresas que ela representa são grandes ativadoras de uma extensa cadeia de empresas, cuja atuação resulta em mais produção de óleo e gás e, por conseguinte, podem promover mais empregos e arrecadação. Nossa missão é agir com essa finalidade. O Guia que está sendo concluído agora vai nessa direção, aprimorar a atividade industrial do setor, para torná-lo mais atrativo e, portanto, autossustentável e continuamente crescente.
Oil & Gas Brasil: Por estar presente em todas as etapas do upstream, desde a sísmica à operação e manutenção de equipamentos e unidades, que outros desafios a ABESPetro apontaria, que demandam a atenção dos agentes do setor?
Rodrigo Ribeiro: Há problemas específicos de cada empresa e há também os problemas que envolvem o setor como um todo. Legislação, por exemplo, pode ser sempre aprimorada. No Brasil, a Lei do Petróleo está fazendo 25 anos. Talvez seja a hora de ajustá-la, sobretudo quando se coloca em perspectiva as mudanças de contexto que estamos observado. Também avaliamos que se faz necessário dar estabilidade ao Repetro. Acabar com o fantasma do fim desse regime tributário, que não é um favor, mas sim um incentivo à produção. Principalmente porque é uma indústria em que os investimentos são elevadíssimos e as operações passam anos e anos sem se pagar. São investimentos intensivos que são necessários. E o Repetro é apenas um mecanismo para dar fôlego a esses investimentos vultosos tão necessários no início da operação. Assegurar a vigência do Repetro até 2040 é uma providência muito importante para a indústria.
Telmo Ghiorzi: Também estamos levantando a questão da regulação de conteúdo local. É importantíssimo que este
mecanismo seja estruturado de forma a promover o desenvolvimento da indústria nacional, fomentando investimentos estrangeiros e a exportação de bens e serviços e não apenas seja um mecanismo de reserva de mercado. Acelerar leilões de novos blocos também é outra bandeira nossa. O Brasil precisa multiplicar seus projetos de exploração e produção enquanto há viabilidade econômica para realizá-los.
Oil & Gas Brasil: Como a entidade vem buscando se posicionar no que diz respeito às parcerias de PD&I com operadoras, universidades e inclusive outras empresas, para gerar inovação para a cadeia produtiva? Vocês têm políticas e diretrizes nesse sentido, buscando maior participação nessas parcerias que mobilizaram mais de R$3 bilhões em 2021, de recursos?
Rodrigo Ribeiro: Somos uma entidade de classe. Portanto, sempre induzimos políticas que sejam positivas para o setor. Neste momento estamos sensibilizando as autoridades, no caso a ANP, para o investimento dos recursos de PDI em parcerias com universidades para promovermos desenvolvimento tecnológico para o país e para o setor. Avaliamos que este envolvimento pode gerar ganhos de conhecimento para as universidades e de produtividade para as empresas. É uma relação na qual todos saem ganhando. E à medida que as iniciativas trazem resultados concretos, o incentivo acaba sendo reforçado.
Oil & Gas Brasil: Telmo, você pontuou no evento de lançamento do Guia que “o Brasil está avançando nessa cooperação mútua entre petroleiras e empresas da cadeia produtiva”. Que outas ações a associação está realizando ou pensa desenvolver de forma colaborativa?
Telmo Ghiorzi: Para a construção deste Guia, houve interação entre ANP, ABESPetro, IADC e IBP. Mas há muitas outras entidades e empresas com as quais a ABESPetro interage, como órgãos de estado, a Petrobras, e outras entidades também atuantes no setor de petróleo e energia.
Oil & Gas Brasil: Como a ABESPetro vem se posicionando em relação ao descomissionamento: é um segmento do mercado em que poderá ter maior participação? A experiência consolidada no upstream qualifica os associados a terem uma participação nessa atividade? Que ações vocês vêm em implementando com esse foco?
Rodrigo Ribeiro: O descomissionamento é atividade promissora para aumento de demanda de pessoas e equipamentos. Expansão da atividade econômica do setor é agenda permanente da ABESPetro e estamos acompanhando a evolução. Muitas, se não todas, das empresas associadas têm ou estão se preparando para atuar no descomissionamento.
Oil & Gas Brasil: Qual a participação que a ABESPetro acredita poder ter na revitalização de campos maduros, no onshore e offshore brasileiro, com o desinvestimento da Petrobras, dando espaço a novos players como 3R Petroleum PetroReconcavo, PetroRio, entre outros? Vocês podem ter forte atuação no onshore também?
Telmo Ghiorzi: Muitas das empresas associadas a ABESPetro têm atuação no onshore, assim como em águas rasas e outros segmentos. Mas, o mais importante mesmo, é o movimento de desinvestimento da Petrobras. Pluralidade de operadoras é também agenda permanente da ABESPetro.
Oil & Gas Brasil: Os investimentos em E&P atingiram em 2020, o mais baixo índice desde 2006. A expectativa é de retomada gradual, com US$12,26 bi em 2023, dobrando para US$23,71 em 2024. Dá para projetar qual parcela é em fornecimentos de bens e serviços e qual em unidades de produção?
Rodrigo Ribeiro: O Bens e serviços englobam as atividades e equipamentos utilizados desde a sísmica até a fabricação,
operação e manutenção de unidades de produção. Os investimentos em E&P, pelo menos a parte de despesas de capital, isto é, o CAPEX, acabam sendo direcionados para a cadeia produtiva. Estes investimentos geram atividade e, portanto, empregos. Claro, nem todos no Brasil. Essa é outra agenda permanente da ABESPetro. A criação de mecanismos que induzam e estimulem a realização destas atividades no Brasil. Mas, enfatizamos, nunca por imposição regulatória. E sim porque seria mais lucrativo e eficiente fazer no Brasil. Temos bons ingredientes para isso. Mas ainda há espaço para muitas melhorias.
ABESPetro em Números
340.000 empregos gerados no país
45 empresas associadas
Mais de 600 especialistas em seis Comitês Permanentes:
Conteúdo Local, Jurídico, Logística, QSMS, RH, Tributário e
Tecnologia & Inovação.




























































